
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Opinião Dia da Cidade: Henrique Sá Couto
Se nem a todos lançava o sapato,
a muito poucos tiro o meu chapéu!
Às vezes, infelizmente vezes de mais para meu gosto, gostava de ser aquele iraquiano que, em Dezembro de 2008, lançou a moda do “lançamento do sapato” quando, a determinada altura, resolveu «brindar» George W Bush que, na época, ainda era o presidente dos Estados Unidos, lançando a este os próprios sapatos que calçava, durante uma conferência de imprensa, como forma de demonstrar ali na hora e publicamente, o desagrado que as palavras do norte-americano representavam para si, para o seu país e para os iraquianos. Se a ideia era extravasar a adrenalina do descontentamento e da revolta, não sei se atingiu o objectivo porque, apesar dos dois lançamentos que lhe foram permitidos, o jornalista iraquiano não conseguiu que os seus queridos sapatos acertassem no alvo, quer dizer… no sr. Bush!... No entanto, e apesar da agilidade com que o ex-presidente se soube esquivar à fúria e à pontaria do lançador, todo mundo assistiu à cena através dos media e, esse facto por si só, deu ao acto uma tal popularidade que, provavelmente, nem o homem que ficou descalço e obviamente manietado pelos seguranças, alguma vez possa sequer ter pensado. Há quem ache a atitude daquele jornalista incorrecta… até pode ter sido, não duvido mas... será que alguém teria dado ouvidos ao descontentamento daquele homem por outras vias que não aquela? Claro que não!... Se repararmos, o mundo inteiro está cheio de gente descontente e revoltada a quem ninguém dá ouvidos, a quem ninguém presta atenção, a quem ninguém escuta… a não ser quando alguém, já no seu limite, toma uma atitude mais drástica, mais radical, mais fora do comum como a deste iraquiano! Então, aí, logo aparece uma cambada de moralistas de nariz empinado a dizer que não é a melhor maneira de alguém se fazerem ouvir! Pois, pode não ser a melhor maneira… não é com certeza mas, infelizmente, parece ser a única que ainda vale a pena, a única que resulta!
Por exemplo: Por cá o que não falta é gente descontente e que manifesta a viva voz o seu descontentamento! Então, desde 1973 até agora, que os espinhenses comemoram o 36º. Aniversário da Elevação de Espinho a Cidade, cada vez são mais as pessoas que querem e procuram ter voz, sobre as coisas que dizem respeito à sua terra mas, para desespero daqueles que realmente amam a cidade, ninguém parece estar interessado em ouvir! Depois, se ouvem, como em tempo de eleições, fazem ouvidos de mercador mal termine a campanha eleitoral. Um costume feio, reprovável mas, desde sempre, muito querido e usado pela classe política.
Ora, é por estas e por outras que, embora eu não sendo muito dado a modas, também não sou totalmente avesso e, confesso, já que não sou nem posso ser esse jornalista iraquiano, gostava de usar a sua moda do “lançamento do sapato”, posso? Prometo usar também algo mais português, por respeito ao que é nosso mas não garanto que tenha melhor pontaria, ok?
Começo por lançar não um mas, os dois sapatos, a quem mandou pintar de Vermelho aquele mamarracho, perdão, aquele edifício na Mata! Se pretendem que seja património da cidade, aquele Vermelho é uma autêntica aberração não só para o zona que o rodeia mas, também, para uma cidade inteira a quem um dia alguém baptizou de “Rainha da Costa Verde”!... Quem passa não fica indiferente, é certo mas… porque lhe fere os olhos aquela cor deslocada no espaço e no tempo.
Mas tiro o meu chapéu aquele que, se cá voltasse e visse a sua obra de arte tão mal tratada, provavelmente morreria de novo, com toda a certeza.
Também lanço o sapato ao responsável, ou responsáveis, do emparedamento de todos aqueles espinhenses que a Sul e a Norte da cidade se viram como que enjaulados na sua própria casa. Aquilo é parede e rede que nunca mais acaba. É ruas e vielas sem saída, enfim… não lembrava nem ao diabo que o sonho de uma vida, afinal, se tornaria nesse insustentável pesadelo!
Agora tiro o meu chapéu a todos aqueles moradores e sobre tudo a todos aqueles empresários que, com paciência e perseverança, continuam a lutar para sobreviver numa zona por demais prejudicada pelo enterramento da ferrovia.
Ainda lanço um sapato a quem inventou construir aquela estrutura nos terrenos afectos ao parque! Nada contra uma Biblioteca… outra coisa que fosse, não interessa… ali, naquele local, não, nunca, jamais devia acontecer um implante daqueles. Por vários motivos mas, o que mais me incomoda, é o «assalto» que se continua a fazer ao único espaço verde que há… que havia… no interior da cidade. Resultado: Espinho fica mais afunilado e, obviamente, com menos qualidade de vida.
Mais lançamentos haveria eu de fazer mas nem tenho tantos sapatos assim, nem tanto espaço para o fazer! Eu sei que o que não falta por aí é quem ande roxo de vontade em praticar também o “lançamento do sapato”e, das duas uma; ou começam a ser ouvidas nas suas queixas e ambições ou então não vai haver sapatos que cheguem para tanta vontade de acertar no alvo da sua indignação.
Para terminar, endereço os parabéns a todos os Espinhenses pelo 36ª. Aniversário da cidade e tiro respeitosamente o meu chapéu a todos aqueles que tentaram fazer, que fizeram ou que continuam a fazer tudo que sabem e podem para o bem de Espinho e da população que aqui vive, trabalha ou visita.
Feliz Aniversário.
Opinião Dia da Cidade: António Regedor
Urgência de novo modelo de desenvolvimento
Espinho necessita urgentemente de encontrar novo modelo de desenvolvimento.
Espinho precisa de mais cidadania política, e de mais participação nas decisões locais.
Espinho tem de reunir os Espinhenses num novo projecto comum de melhoramento local que dê futuro sustentável a todo o Concelho de Espinho.
Na memória de muitos de nós há uma imagem positiva de identidade e desenvolvimento de Espinho, que se liga a um desenvolvimento do sec. XIX e metade do sec. XX. Está relacionado com a praia, o comércio e alguma indústria que hoje já não existe e não voltará a existir nos mesmos moldes.
Um outro factor de desenvolvimento foi também o facto de Espinho constituir um interface de transportes entre o Norte/Sul e o Litoral/Interior.
Daí o facto de Espinho se ter afirmado como uma estância turística com toda a actividade industrial, comercial e ainda de serviços e lazer que lhe estão associados.
Essa forma de desenvolvimento tradicional está hoje comprometida e não se repetirá. Espinho está em declínio com a perda da indústria tradicional, da praia, lazer e até da importância como interface de transportes.
É necessário encontrar um novo modelo de desenvolvimento para Espinho.
Espinho possui alguns pontos fortes como a sua malha urbana, o espaço plano de fácil circulação, a beira mar, a pequena distância a que se encontram todo o tipo de estabelecimentos comerciais.
Espinho tem também bons estabelecimentos de ensino, bons recursos humanos.
Os últimos anos de abundância de fundos europeus foi mal utilizado. Esses fundos não foram utilizados no sentido do equilíbrio do Concelho. Há hoje uma enorme diferença de equipamentos entre a Freguesia de Espinho e o resto do Concelho.
Construíram-se equipamentos sem sustentabilidade e autênticos monstros sorvedores de dinheiro necessário ao desenvolvimento equilibrado de Espinho. Da Nave não se conhece um único cêntimo de receita. Não são apresentadas contas. O Multimeios é um desastre de gestão e uma máquina de despesa para a Câmara. A Brandão Gomes, nem sequer se sabe para que serve.
Durante todo este tempo, não se fez investimento nas escolas. A Carta educativa só foi concluída porque havia uns dinheiros da Europa. E mesmo aprovada ainda nada foi feito para construir os centros escolares previstos, aprovados e necessários. Temos ainda as escolas do 1º ciclo nos edifícios do século passado.
Espinho tem a benesse das contrapartidas do jogo. A Piscina Solverde e o Parque de Campismo resultam desse benefício. O gasto mais criticável em que se comprometeram as contrapartidas do jogo foi o enterramento da linha. Do ponto de vista urbanístico é um erro ter separado ruas por muros. Do ponto de vista ambiental é asneira. Do ponto de vista do crescimento do Concelho é um erro, já que este se faz para Anta e não para o mar. E o pior de tudo é o crime do ponto de vista social que divide a cidade e as freguesias.
Cerca e marginaliza o bairro piscatório de Silvalde, só porque aí vivem os mais humildes, os mais pobres, os mais indefesos, os mais desprotegidos e os mais enganados, os Espinhenses de 2ª.
Espinho precisa de um novo modelo de desenvolvimento feito com as pessoas, com as suas competências, os seus conhecimentos e as suas habilitações, sobretudo dos mais jovens. Deve ser dada oportunidade aos jovens de desenvolver as indústrias do conhecimento, das tecnologias e das artes.
O aproveitamento turístico da praia deve ser mais urbano, mais cosmopolita, com o aumento das áreas dedicadas ao lazer em complemento e interacção com o Casino.
As competências culturais artísticas locais, que existem na dança, no teatro, na música e no desporto devem reforçar a componente cultural da organização de Festivais e Congressos.
O comércio deve diversificar para atrair mais pessoas.
As taxas de insucesso e de abandono escolar devem ser combatidas com a construção de melhores escolas, públicas ou privadas, em esforço conjunto para criar massa crítica de atracção de um polo de ensino superior público.
Os equipamentos existentes, mal concebidos e deficitários, necessitam de novos modelos e filosofias de gestão.
Com orçamentos municipais participativos, com melhor qualidade de vida e mais espaços verdes e mais arborizados e uma agenda local ambientalmente sustentável, com mais solidariedade social e organizações de combate à pobreza e criação de emprego.
Espinho tem possibilidade de se afirmar pelo desenvolvimento das áreas da indústria das tecnologias e conhecimento, nos equipamentos de saúde, do desporto e do lazer.
Espinho precisa de mais cidadania política, e de mais participação nas decisões locais. Em vez de fazer obra de mau gosto pessoal, é altura de reunir os Espinhenses num novo projecto comum de melhoramento local que dê futuro sustentável a todo o Concelho de Espinho.
Opinião Dia da Cidade: José Luís Peralta
A culpa é também da RPE
Fiel à ideia de que o Feriado Municipal estaria melhor lá para Setembro, desencravado desta saga dos Santos Populares e sem a ajuda ou sombra do António, do João e do Pedro deveria, pura e simplesmente recusar esta escrita de circunstancia.
Em todo o caso, ossos do ofício, cá estou. Aproveito desde já para “cravar” umas linhas para Setembro, com a Ajuda da Senhora, nas genuínas festas da cidade e do concelho e onde desta vez as apetências para os escritos serão maiores. Como serão também maiores as fidelidades à festa da cerveja, aos pálios das procissões, aos jantares dos bons amigos, às comemorações de eventos criados pela imaginação de cada um e de preferência com direito a fotografia e reportagem de jornalistas juradamente isentos mas com apetência para acessoria de imagem…. A ver vamos…
Mas, aniversário é aniversário, com direito a prendas e tudo.
Espinho este ano teve-as. Oficiais e oficializadas. O Pavilhão Gimnodesportivo de Anta e o FACE. Falam por si. Estão prontas, são úteis e preparam-se para acrescentar valor e qualidade à cidade, aos seus habitantes, e aos que a visitam. Aguardam-se os inevitáveis detractores, os incapazes de apoiar ou até meramente aceitar o mais óbvio, por mera postura, hábito ou militância…
Prenda de vulto igualmente, o final do período de discussão publica do PDM. Lembra a polémica do TGV. Abaixo assina-se agora pela sua suspensão ou pelo alargamento do dito período de consulta. Durante anos esteve emperrado por isto ou por aquilo. Durante anos foi o causador-mor de tantos impedimentos e desgraças, tantas pretensões, esperanças e ilusões adiadas e agora apregoa-se a sua interrupção, em nome vá-se lá saber de quê ou de quem...
Esta nova proposta do PDM qualifica de maneira clara e inequívoca a reserva ecológica, diminui claramente a reserva agrícola alargando espaços à vida social e familiar, aposta claramente num modelo espraiado até ao mar, reabilita o comércio e serviços criando a filosofia suficiente para desenvolver um centro comercial e de serviços a céu aberto na placa central e urbana, cria novas centralidades sobretudo nas freguesias ditas rurais ou suburbanas.
O IMI é sem duvida um factor importante, talvez o mais importante nas receitas das autarquias. Limitando-o este modelo de PDM peca pela falta de sustentabilidade económica. Esta proposta de PDM assume-a clara e corajosamente em nome de um modelo de desenvolvimento que representa a continuidade da tradição de Espinho, e o modelo de estilos de vida que Espinho já adoptou. Da mesma forma que este modelo restringe o IMI, restringe numa correlação linear a apetência dos construtores, agentes imobiliários, engenheiros e arquitectos. Mas esta opção de desenvolvimento impõe também que haja imaginação, arte e engenho para procurar outras formas de sustentabilidade. Entre outras urge diminuir a RPE.
PS: Quero declarar a minha concordância com a mais frequente das críticas feitas à proposta de alteração do PDM: a dimensão exagerada e dissonante da realidade cadastral exigida para a viabilidade de construção em terrenos designados como áreas rústicas de usos múltiplos bem como a impossibilidade de lotear nestas áreas independentemente da sua dimensão.
Da mesma forma urge criar legislação (talvez em termos de penalização fiscal) que force a libertação de terrenos, por vezes indispensáveis ao desenvolvimento, ou dito mais simpaticamente doutra forma, urge criar legislação que incentive essa libertação de forma espontânea.
Espinho, particularmente na freguesia sede, está cheio de exemplos…As culpas não são só da Reserva Ecológica, da Agrícola, da Orla Marítima ou da Servidão Militar. São muito da Reserva Patrimonial Especulativa (RPE), quantas vezes tão mal tratada que se torna perigosa…
Opinião Dia da Cidade: José Serrano
PDME ou P-não-DME ?
Como é do conhecimento geral está em discussão pública o novo Plano de Desenvolvimento Municipal de Espinho (PDME), que virá finalmente substituir o que está em vigor há muitos anos. Considero ser um assunto muito relevante, já que está em causa algo que ditará o futuro do nosso Concelho. Pela minha parte, apenas tive a oportunidade de assistir a um colóquio interessante na Junta de Freguesia de Espinho onde o plano foi apresentado pelo seu autor, o Prof. Paulo Pinho. Consultei também alguns dos elementos disponíveis sobre o assunto no site da nossa Autarquia, que lamento não ter uma versão resumida, fácil e rápidamente inteligível por qualquer cidadão, de forma a que a consulta pública do documento possa ter melhor participação efectiva.
Mas, vamos ao que interessa. Apreciei a profunda análise feita pelo Prof. Paulo Pinho, nomeadamente nos pontos de vista que mais me interessam como o demogáfico e o socio-económico, Vê-se que estudou bem a região e que domina o tema. Fiquei no entanto perplexo com as conclusões a que chegou, com base no (não) crescimento da população do Concelho no passado recente, e que ditam o rumo que imprimiu a este novo PDME!
Reconhecendo que no período de 1991 a 2001 Espinho perdeu 3,6 % da população, o Prof. estima que nos próximos 20 anos essa situação se manterá, prevendo uma população de cerca de 32.000 habitantes
nessa altura, em média ainda mais envelhecida. Pessoalmente, julgo que já estaremos hoje nesse número,
e que daqui a 20 anos estaremos nos 30.000 se não invertermos completamente o desenvolvimento da cidade e se mantivermos a mesma taxa de decrescimento da população. Ao partir-se de uma tónica de diminuição de população, caminha-se para um plano com menos possibilidade de construção que o antigo, condicionando à partida que Espinho possa evoluir positivamente e tenha uma resposta capaz em termos habitacionais no caso de uma eventual pressão de crescimento futuro.
Aliás não será certamente por acaso que consta haver pelo menos 30 arquitectos em Espinho contra este novo PDM.
Não sou de forma alguma apologista de construção massiva e em altura (tipo P.Varzim), mas parece-me que os limites traçados por este plano dizem claramente que não queremos cá mais ninguém!
Senão vejamos alguns “detalhes” do plano apenas nas áreas consideradas edificáveis.
Na Zona tipo I (art.23º do Regulamento) correspondente às zonas urbanas actualmente mais densas de Espinho e Anta, é permitida construção até ao 4º andar no máximo (excepto se um prédio vizinho já existente tiver mais) ; isto significa que prédios altos e isolados como existem hoje na Rua 19 ou na Rua 33, o Hotel Praiagolfe ou o Aparthotel Solverde, não poderiam ter sido construídos com este plano.
Na Zona tipo II, correspondente aos núcleos urbanos das outras freguesias e às áreas de expansão urbana da cidade, permite-se em geral atingir apenas um 1º andar (art.24º nº4), e no máximo um 2º andar (art.24ª nº5), se forem melhorados os acessos e criadas todas as infra-estruturas necessárias (parcialmente pagas pelo empreendedor?), e só se pré-existirem áreas de comércio ou de equipamento básico; ou seja, se já lá existir tudo, deixam generosamente construir até ao 2º andar... Não será possível ser construído em lugar nenhum do nosso Concelho algo como se fez aqui ao lado com sucesso na frente de mar de S.Félix da Marinha (recta Espinho/Granja), só para dar um exemplo.
Na última área edificável para habitação, a Zona tipo III, só se pode construir até ao 1º andar (art. 25º),
em terrenos com cerca de 2000 m2 e 20 m de frente.
Existem ainda zonas para fins específicos como a Zona de Desenvolvimento Tecnológico (silicon valley à vista?) que pode crescer até ao 2º andar nas mesmas condições da Zona tipo II (art. 26º), a Zona de Serviços e Armazenagem (art. 27º) até à altura de um 1º andar e só ocupando 50% da área do lote em causa, o que significa não se poder instalar qualquer típico armazém que precise de 5 metros de altura e escritórios por cima. Ainda havia a questão industrial, mas não me vou alongar mais.
É para mim previsível que este PDME virá a encarecer ainda mais o preço/m2 no Concelho para qualquer pequenino empreendimento (os médios nem podem vir), impossibilitando a curto prazo realmente o crescimento da cidade.
Não me parece que o futuro da expansão de Espinho se deva restringir a zonas de vivendas para empresários ou quadros superiores (tipo Miramar), pois uma cidade para sobreviver e alimentar as suas actividades económicas precisa de uma certa massa crítica, preferencialmente mais rejuvenescida, e já vimos caminhando perigosamente para os mínimos em ambos.
Apesar de no colóquio o Prof. Paulo Pinho referir que a Maia e Matosinhos cresceram em população na área metropolitana do Grande Porto, não parece acreditar que isso possa acontecer aqui, e penso que condiciona muito essa eventualidade!
Espinho tem mar e um casino. Apenas meia dúzia de localidades possuem ambos em Portugal, e julgo que todas cresceram e continuarão a crescer. Porquê?
Espinho não cresceu porque perdeu atractividade, porque tem prosseguido políticas e práticas erradas há longos anos, que levaram a que tivesse preços de habitação absurdamente caros para a pequena cidade que é.
Este Plano de NÃO Desenvolvimento de Espinho, enquadra-se nessa linha do meu ponto de vista.
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Opinião Dia da Cidade: Armando S. Silva
O magno problema dos parquímetros…
Uma das grandes dificuldades da mudança é o facto de ela quase nunca ser percepcionada como um avanço ou como uma vantagem por aqueles a quem se dirige. Instalados nas nossas rotinas construídas ao longo de anos, resistimos, sempre que podemos, a qualquer tentativa de alteração ou de perturbação dos nossos «modus operandi», da nossa «vidinha». Vem isto a propósito da celeuma (injustificada) que se instalou em Espinho quando a Câmara Municipal (e muito bem) decidiu instalar parquímetros em grande parte da cidade. Como de costume, para o indígena, o Poder nada faz e, quando faz, faz, evidentemente, tudo mal feito: É mais ou menos a história do menino do burro e do velho…Hoje, todos lucram com o estacionamento pago e os comerciantes são até os que mais beneficiam com isso pois assim, as pessoas que querem verdadeiramente comprar, arranjam facilmente onde estacionar os seus carros, situação essa que não existia antes. Antes, centenas de automóveis ocupavam o espaço público o dia todo, enquanto muitos dos seus donos iam trabalhar para Vila Nova de Gaia e Porto, entre outros locais, dificultando o estacionamento na cidade. E não me venham com a ideia feita de que são necessários parques, subterrâneos ou não. Claro que se podem construir e são até bem-vindos, mas essa é uma falsa questão. Basta ver o que se passa nos parques próximos das praias: sobram lugares muitas vezes mas, em contrapartida, os carros estão em cima de passeios ou em transgressão, às dezenas. Por mais parques que se construam, haverá sempre este velho atavismo nosso, esta nossa forma idiossincrática muito peculiar de, por não querer desembolsar umas moedas, por nos dar algum prazer o pequeno delito ou até porque dá muito trabalho, aparcar num local pago, deixando o nosso trambolho de mais de 6 metros cúbicos num sítio qualquer o dia todo e de qualquer maneira. Quanto ao preço do aparcamento é outra falsa questão que me dispenso aqui de explicar por falta de espaço. Parece-me suficientemente dissuasor. Sou plenamente a favor do aparcamento pago. Entendo que ninguém tem o direito de colocar um automóvel na via pública, como quer e quando quer, e pelo tempo que lhe apetecer. É obsceno. O nosso carrinho já não pode continuar a ser a extensão do «Eu», uma espécie de prolongamento da nossa personalidade. O nosso «popó» é apenas um electrodoméstico muito grande que ocupa muito espaço e que o temos de pagar. O único senão que encontro no sistema é o facto de o estacionamento pago prever apenas uma hora. Ora, isso provoca alguma ansiedade em quem estaciona por exemplo, para ir às compras ou até para ir a uma consulta para citar apenas duas situações típicas. Este episódio mostra mais uma vez que a chamada «vontade popular» que provém do conhecimento de senso-comum e não da análise objectiva, distanciada, fria e científica das coisas e das situações, representa (muitas vezes) um obstáculo ao desenvolvimento. Quanto a Espinho é um das cidades mais belas de Portugal e sofre de alguns dos problemas que as outras também têm. E viva Espinho.
Opinião Dia da Cidade: Filipe Barbot
Na sequência das comemorações do Dia da Cidade, não vejo momento mais oportuno para ser feito um balanço sobre o rumo que o nosso Concelho tem tomado nos últimos tempos.
Espinho, outrora Rainha da Costa Verde, e com um passado que nos orgulha, cedo (a partir das últimas décadas do séc. XIX) se impôs no mapa nacional das zonas balneares procuradas, como um dos destinos turísticos de excelência, fruto das condições que oferecia a quem cá viesse.
Não sou desse tempo – tempo das tertúlias, com Manuel Laranjeira, Amadeu Sousa Cardoso e outros…; tempo do Picadeiro, que proporcionava excelentes condições para as pessoas passearem e fazerem do local um centro de convívio...; tempo do Cinema S. Pedro, excelente sala de espectáculos onde eram propiciados óptimos eventos culturais às gentes da terra...
Na minha infância, no entanto, Espinho era uma cidade onde as crianças e os jovens gostavam de viver e de usufruir de uma época balnear especial… Quem não se lembra do Passeio da Avenida com os seus bares, da Spinus, do Caffe del Mar, etc? Íamos e vínhamos, de casa para a avenida e da avenida para casa, a qualquer hora da noite, encontrando sempre gente conhecida, numa ou noutra esquina. Como era bom e agradável viver em Espinho, aos olhos da juventude, que tal como eu, se sentia sempre em casa!...
Hoje em dia, para tristeza minha e de muitos e muitos mais, com quem contacto diariamente, tudo mudou… Há quem diga que a cidade parou, não evoluiu… De forma sincera e convicta, penso que evoluiu num sentido diferente, em alguns aspectos, e, sem dúvida alguma, regrediu noutros…
Actualmente, Espinho podia e merecia estar melhor… Se olharmos para os concelhos limítrofes, não precisando de fazer comparações com destinos longínquos, verificamos que, quer Vila Nova de Gaia, quer Santa Maria da Feira nos ultrapassaram significativamente, nos últimos anos, sobretudo em termos de oferta cultural.
Assim, Santa Maria da Feira, desde os eventos que ocorrem no Europarque até à famosa Feira Medieval, leva, cada ano, às terras da Feira, milhares e milhares de pessoas. Os nossos vizinhos a norte, para além de todo o tipo de ofertas que possibilitam aos seus munícipes, têm uma frente de praia com 15 km de excelência – agradável, limpa e com bons acessos. Diria que, aos olhos do povo, se sente ter havido um plano estudado para tudo ser como é.
Espinho, nos dias que correm, é uma cidade pouco limpa, com falta de iluminação em algumas artérias da cidade, com uma noite morta, sem ofertas culturais de excelência, o que leva a que, cada vez mais, os seus habitantes procurem os concelhos que referi, para usufruírem de todas essas ofertas e, o que é mais grave, para residirem, fugindo assim aos exorbitantes preços das habitações praticados neste concelho. Já a maioria dos que cá acabam por ficar fazem dela, única e exclusivamente um dormitório do Porto.
Além disso, Espinho cada vez mais se torna uma cidade menos segura. Dir-me-ão que tal se verifica na generalidade do país, uma vez que o índice de criminalidade tem aumentado em todo o lado, fruto da elevada taxa de desemprego, o que leva as pessoas ao desespero. Subscrevo esta ideia, o que me preocupa profundamente, uma vez que Espinho, em matéria de desemprego se situa nos lugares cimeiros, no que toca aos concelhos do distrito de Aveiro.
Por todos estes motivos e muitos mais, que poderia enumerar, sinto que Espinho está a tornar-se uma cidade velha e pouco ou nada atractiva. Cada vez mais os jovens que cá nasceram são obrigados a sair da cidade.
Não posso referir, evidentemente, que tudo foi mau. Mas o factor mais preocupante, que se “sente” na edilidade, (veja-se o que os especialistas dizem do Plano Director Municipal) é a falta de perspectiva para o futuro. Para onde cresce, evolui e progride a nossa Cidade? Tenho medo de responder, não vislumbro um futuro risonho.
Assim sendo, é premente dar um novo impulso e rumo à nossa terra. Tal, já não é conseguido em quatro anos... É necessário estudar, planear e desenvolver com sustentabilidade todo o Concelho. O tempo urge…
Essa viragem tem que ser feita com sangue novo, com pessoas que tenham um projecto para um concelho de Espinho diferente… Este “projecto socialista”, já gasto e envelhecido, teve mais que tempo para ser diferente, mais precisamente dezasseis anos…
É tempo de mudar, é tempo de ressuscitar Espinho, a Rainha da Costa Verde, o que dará alento a todos e, muito especialmente, às gerações futuras.
Por tudo isto, tal vontade poderá e deverá ser expressa pelo povo Espinhense lá mais para o fim do ano…
Caso não surja a Mudança, teremos um Futuro Hipotecado…
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Opinião Dia da Cidade: Luís Montenegro
Um dinamismo económico incipiente.
Uma taxa de desemprego record no contexto nacional.
Um nível médio de literacia baixo.
Uma média etária elevada.
Pouco empreendedorismo.
Espaços públicos pouco atractivos e degradados.
Valências comerciais e turísticas não integradas.
Parque habitacional caro e desequilibrado.
Assimetrias territoriais.
Estas são algumas das constatações que preocupam os espinhenses.
Estas são algumas das razões pelas quais não se justifica muito festejar.
Razão pela qual a evocação do 36º aniversário da elevação de Espinho a cidade deve, antes do mais, assumir um ponto de reflexão sobre o caminho percorrido e, sobretudo, sobre os desafios mais próximos e prementes.
Um concelho da nossa dimensão não aguenta mais o casuísmo das suas políticas públicas.
Ignorar o definhamento estrutural do nosso comércio numa terra de forte pendor terciário. Pior: agravar e acelerar o seu perecimento com opções erradas e incrivelmente mal planeadas – veja-se, por exemplo, a chamada requalificação urbana.
Descuidar e menosprezar a limpeza e o asseio dos espaços públicos. Descurar, em particular, as zonas de costa.
Desperdiçar a localização geoestratégica, a facilidade de mobilidade rodoviária, ferroviária, marítima e aeroportuária.
Desaproveitar o potencial da praia e do mar, da riqueza gastronómica, do casino, do golfe, do ténis.
Enfim… Trinta e seis anos depois de passarmos de vila a cidade, estamos a perder qualidade vida. Estamos a perder competitividade para com concelhos vizinhos e similares.
Mas o mais preocupante é verificar que, se não invertermos rapidamente o rumo, no futuro faltar-nos-á sustentabilidade.
Porque se não se criam empregos não há poder de compra.
Se não há poder de compra não há comércio nem dinâmica imobiliária.
Se não há emprego nem habitação acessível, não pode haver fixação de pessoas.
E se ainda por cima se subestimar o investimento na educação e actividades complementares as famílias “fogem” para locais de mais e melhor oferta.
E se não há pessoas nem empresas não há receitas fiscais e municipais.
E se não há dinheiro oriundo do trabalho, a pobreza alimenta-se de subsidiodependência. E os recursos públicos gastam-se sem promoção de investimento.
Enfim… Os espinhenses começam a ir trabalhar para fora. Depois vão viver para fora. Depois os filhos deles já não são espinhenses.
Depois somos cada vez menos.
E mais velhos.
E mais pobres.
E mais tristes.
Este dia 16 de Junho é muito importante. Como símbolo da nossa identidade é uma data de reflexão. De reencontro. De introspecção.
Nunca fui derrotista.
Por isso termino incitando todos a atalhar caminho.
Deixem-se de desculpas, de egocentrismos, de maledicência, de invejas e de mesquinhez.
Precisamos de ambição e sustentabilidade.
Não há tempo a perder!
A hora é de mudar. Sem medos nem receios. Acreditando na alternativa que muda.
Porque como diz o povo : “para pior já basta!”
Opinião Dia da Cidade: Diogo Campos
Das Europeias para as Autárquicas
Antes do mais, não podemos deixar de agradecer, penhorados, o convite que nos foi dirigido pelo Senhor Director do Jornal de Espinho para escrever um pequeno texto nesta edição especial dedicada ao dia da nossa Cidade.
É quase um lugar-comum dizer-se que Espinho precisa de um novo impulso: reformista, inovador, moderno e arrojado, capaz de mobilizar os jovens Espinhenses, sem descaracterizar o que (ainda) temos de bom.
Tal impulso necessita dos melhores. Esta não é altura de pequenas contas de mereceria, de pequenas vaidades ou de cínicas equações matemáticas futuras. Hoje, é tempo de gente audaz, capaz de assumir os seus compromissos históricos.
A necessidade de serem encontradas soluções mobilizadores respiga-se, desde logo, da análise dos resultados eleitorais das europeias, sobretudo, do resultado dos votos brancos e nulos que, em Espinho, representa próximo de 8% do eleitorado, cerca do dobro de há quatro anos. Para termos uma real percepção, tal resultado significaria que os votantes em branco e nulos conseguiriam quase eleger um vereador!
Mas os ventos de mudança notam-se também nos resultados quer do CDS quer do PSD. O PSD foi o partido mais votado em todas as freguesias à excepção de Silvalde e Paramos. Juntos CDS e PSD representam sempre cerca de 40% do eleitorado e, na Freguesia de Espinho, representam quase 50% dos eleitores.
Ora, estes resultados, embora europeus, não poderão deixar de ter uma visão local: toda a política é local na sua essência, pelo que, é necessário saber como agir face à queda geral de 20% do Partido Socialista. Note-se que, mesmo em Silvalde o Partido Socialista perde 800 votantes ou cerca de 15% do eleitorado e, em Paramos, cerca de 20%. Os números falam por si só.
Estando, por motivos que ora não interessam, afastado da política partidária, não tenho acompanhado de perto as movimentações diárias da oposição, mas, dizem-me vozes amigas, que o PSD ainda não leu os sinais e continua entretido (como nos últimos anos) a conspirar “da copa para a cozinha e da cozinha para copa”. Resta-nos o CDS. Espero que seja daí que venha a alavanca da vitória.
Saiba o CDS olhar para o lado. Olhemos para Gaia, mas olhemos também para a Feira ou para São João da Madeira, sem complexos de superioridade que, hoje, pouco ou nada se justificam.
Todos os nossos vizinhos se souberam reinventar, combater o desemprego, gerar riqueza e ser um pólo de atractividade. Ora, tendo Espinho condições naturais únicas no seu enquadramento geográfico não está destinado a ser como as velhas famílias nobres caídas em desgraça, agoniando até ao momento final.
Julgo que o caminho da mudança, apesar de tudo, é fácil: ao CDS apenas se pede que apresente os seus melhores. Sem fazer contas, sem medo, tendo apenas por móbil um amor quase doentio pela nossa cidade. Mas, naturalmente, não bastam pessoas. É preciso falar directamente com Espinhenses, sem receio de aplaudir o que de bom José Mota tenha feito, mas explicando que é possível fazer melhor. E é tão possível.
Mobilizemos os Jovens, apresentemos um programa moderno de requalificação urbana, voltemo-nos para o mar e para a cultura e seguramente será fácil mudar. Será fácil ao CDS reunir todos os que hoje votaram em branco ou em novos partidos que lhes transmitiram uma nova esperança; muitos dos que ainda votaram no bloco central e alguns dos descontentes que fugiram para o voto de protesto na extrema-esquerda.
Para esse trabalho, todos teremos que dizer presente. Pessoalmente, estou mobilizado.
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Caravelas em exposição
Se gostar da época dos Descobrimentos, não perdeu a exposição “Símbolos do Passado”, da autoria de Mário Rodrigues e que se encontrou patente na Junta de Freguesia de Espinho até ao passado domingo, dia 21. Depois de 14 anos sem expor, o espinhense voltou a mostrar à população o seu trabalho através desta exposição, constituída por 33 peças e divididas entre esculturas, pinturas e relevos. Todos os elementos têm como base o mar e as descobertas marítimas conquistadas pelos portugueses.
As naus e os galeões foram as peças centrais desta mostra. Há já 31 anos que o artista espinhense se dedica à sua construção nos seus tempos livres. É a partir dos blocos de yton, material cuja consistência se assemelha à pedra-pomes e é utilizado na construção civil, que tudo nasce. Mário Rodrigues recorta e esculpe os blocos na praia, devido ao pó que isso faz, e, depois, numa oficina que tem em casa, faz o resto do trabalho, a parte da pintura e dos acabamentos.
Para embelezar as caravelas e naus que constrói, Mário Rodrigues usa materiais muito diversos, como “cortinas, buchas de furos das paredes, paus de gelados, madeira, bijuterias, colares, marroquinaria, peças de calçados”, e que são mais consistentes do que aqueles que usava no passado.
A paixão que tem por barcos e pelo passado marítimo dos portugueses só pode advir do facto de a família de Mário Rodrigues estar ligada à pesca. Para o futuro, o espinhense morador no Bairro da Marinha tem ainda o sonho de construir uma nau em granito.