Depois de 16 anos de domínio socialista, a Câmara Municipal de Espinho foi novamente conquistada pelo PSD. Olhando para o passado, o Jornal de Espinho esteve à conversa com Valdemar Ribeiro, o homem das finanças dos mandatos dos sociais-democratas Lito Gomes de Almeida, Elsa Tavares e Romeu Vitó. Foi sob o comando deste vereador que a autarquia adquiriu muito do património que hoje ainda tem. Para o futuro, o espinhense deixa alguns conselhos ao executivo: são necessárias verbas camarárias para não se perderem os fundos comunitários.
Numa altura em que a Câmara Municipal se adapta à liderança social-democrata após 16 anos de domínio socialista, o Jornal de Espinho ouviu o homem que foi responsável pelas finanças da autarquia durante os mandatos de Lito Gomes de Almeida, substituído por Elsa Tavares devido a doença, e de Romeu Vitó. Valdemar Ribeiro, hoje a cerca de um mês de completar 76 anos, chegou mesmo a ser chefe do executivo camarário durante alguns meses, como o próprio o disse, “por força das circunstâncias”. O espinhense recordou esses tempos em que, dos bastidores, quis fazer mais e melhor numa daquelas que considerava “uma das Câmaras mais bem dirigidas do país”.
Valdemar Ribeiro explicou ao JE que a primeira vez que colaborou com a Câmara Municipal de Espinho foi há cerca de 34 anos, já que, antes de entrar para a autarquia na equipa de Lito Gomes de Almeida, o espinhense tinha sido já duas vezes vereador substituto, nomeadamente de Ângelo Cardoso e Carvalho e Sá. “Nunca deixava meter o meu nome nos elegíveis”, justificou. Quando Lito Gomes de Almeida concorreu para a presidência da autarquia, Valdemar Ribeiro aceitou o convite porque do partido lhe disseram que o seu nome foi proposto por unanimidade.
Eleições ganhas, Valdemar Ribeiro assumiu o pelouro das finanças e das juntas de freguesia e o seu objectivo foi, desde logo, definido: “a Câmara de Espinho era uma câmara das mais bem dirigidas de Portugal, mas eu acreditava que era possível fazer mais e foi isso que eu fiz”. O espinhense recordou ao JE que, naquela altura, a autarquia tinha “bastante dinheiro à ordem, porque os empregados tinham medo que não houvesse dinheiro para pagar os ordenados”. O vereador decidiu que os salários passariam “a cair na véspera na conta dos funcionários”.
Recordando episódios passados, o ex-vereador deu especial destaque a um que partilhou com o JE: “a Câmara tinha em Lisboa dinheiro do turismo destinado a fazer umas obras que nem projecto tinham. Eram 125 mil contos da autarquia e que não rendiam nada”. Nessa altura e por causa de uma cerimónia da atribuição do dinheiro do jogo, o secretário de Estado do Turismo, Joaquim Caldeira, deslocou-se a Espinho e, numa reunião, Valdemar Ribeiro pediu esse dinheiro para água e saneamento. Quando o dirigente argumentou que essas áreas não eram turismo, ele respondeu que “Espinho era uma terra de luxo, mas que ainda não tinha saneamento”. O responsável pelas finanças da autarquia acabou mesmo por conseguir que o dinheiro viesse para o concelho e foi ele mesmo a Lisboa buscá-lo, como lembrou à nossa reportagem.
Leia o resto da reportagem na edição impressa.