Depois do sucesso alcançado pelo musical Jesus Cristo Super Star, que teve 60 mil espectadores em dois meses e meio, Filipe La Féria traz um novo espectáculo ao Rivoli. O Principezinho é a nova aposta do encenador para o Porto e para o Norte. Nos bastidores do teatro, La Féria recorda-se de Espinho como uma cidade maravilhosa, mas que tal outras cidades do país, não tem capacidades logísticas para o teatro.
No passado dia 15, o Teatro Municipal Rivoli, no Porto, assistiu à estreia de um novo espectáculo de Filipe La Féria, o Principezinho. Depois de Lisboa, foi a vez da cidade invicta poder ver a representação baseada no conto de Antoine de Saint-Exupéry, que para o encenador é “um espectáculo lindíssimo, um património da Humanidade, com uma mensagem muito actual e humana”. Aliás, para La Féria esta obra é “um texto para todos aqueles que não mataram a criança dentro de si próprio. Esta história ensina-nos a ver com os olhos do coração”.
O sucesso do musical Jesus Cristo Super Star foi um factor determinante para esta nova aposta do encenador no Norte: “O Jesus Cristo Super Star ultrapassou os 60 mil espectadores em dois meses e meio. Nem em Londres nem na Broadway isso acontece. De facto, é um número fabuloso, está sempre esgotado, é sempre aqui uma verdadeira apoteose todas as noites”.
Foi necessário um investimento de 800 mil euros para que o Rivoli pudesse receber estes espectáculos. La Féria teve que renovar a sala de teatro a nível técnico e, mesmo com um investimento tão elevado, a aposta “já valeu a pena, sobretudo pelo público do norte que é fantástico. Eu acho que o Rivoli se tornou, com este espectáculo, num teatro nortenho, um teatro de Portugal”.
Trazer o teatro para o norte do país é importante para a descentralização cultural. Pelo menos, na opinião do encenador, já que, por um lado, os espectáculos são vistos por muitas pessoas mas também porque “se descobrem novos talentos e é um verdadeiro serviço público, apesar de não ter um único subsídio nem da Câmara nem do Estado”. Porém, levar as suas obras a outras cidades nortenhas sem ser o Porto é impensável: “Infelizmente não há teatros e, os que há, são reduzidos. Mesmo o Rivoli teve que ser transformado para receber o musical. Os nossos teatros são muito pequeninos, com palcos muito antiquados…”.
Espinho, cidade maravilhosa mas sem teatro
Para Filipe La Féria, Espinho também não tem capacidades logísticas para grandes obras de teatro. O encenador já esteve no Casino de Espinho com o espectáculo Amália, mas as condições não são as melhores, uma vez que “o Casino é muito pequenino. É um teatro de bonecas…”. La Féria recorda-se de Espinho como uma cidade “maravilhosa, com uma praia maravilhosa. É uma cidade que me lembra muito os contos de José Régio e de vários escritores da literatura portuguesa. É uma cidade lindíssima, mas não tem teatro”.
Porém, o encenador não defende a construção de novos teatros. Para La Féria, “É sobretudo necessário que o Estado não seja o patrão dos teatros e que dê azo a empresários fazerem os seus espectáculos, como acontece em todos os países. Em nenhum país, o Estado controla os teatros…”. Além disso, o encenador critica a inexistência em Portugal de “uma única companhia nacional de teatro nacional como deve ser, nem de uma companhia de teatro ópera”.
Filipe La Féria estará no Porto até Dezembro, altura em que acaba o protocolo que tem com a Câmara Municipal. Depois, ainda não sabe se ficará, já que a concessão do Rivoli está em tribunal. De qualquer modo, até ao final do ano, Jesus Cristo Super Star e o Principezinho estarão em cena.
Para acabar, o encenador deixou um apelo para as professoras e toda a população de Espinho: “Tragam as crianças ao teatro, para que elas comecem a amar o teatro desde pequeninas e, sobretudo, para verem um texto e um espectáculo belíssimo, como é o Principezinho, cheio de humanidade e cheio de ternura”.
Lília Marques
Maria João Magalhães