quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Relatório de Contas aprovado

A Assembleia Municipal de Espinho reuniu-se ontem à noite para discutir e votar o Relatório de Contas da Autarquia referente ao ano de 2007. Sem surpresas, e porque o Partido Socialista detém a maioria na assembleia, o documento foi aprovado, mas foi preciso Graça Guedes usar do seu voto de qualidade para que tal acontecesse. À parte da discussão, os vogais aprovaram ainda duas saudações relativas à comemoração do 1º de Maio, Dia do Trabalhador.

No cumprimento do ponto dois da ordem de trabalhos da reunião inaugural da segunda sessão de 2008 a autarquia levou à assembleia municipal o Relatório de Contas de 2007. Apesar de a aprovação do documento ser, à partida, uma garantia, os vogais da oposição não quiseram deixar de analisar o seu conteúdo. Simplício Guimarães, do CDS/PP foi um dos primeiros a questionar a autarquia, representada por Rolando Sousa, o vice-presidente. De entre várias questões, o vogal sublinhou o lucro de cerca de meio milhão de euros com a água e ainda aquilo que considerou, um elevado gasto de combustível, de cerca de 500 mil euros. O vogal sublinhou ainda o elevado gasto da câmara no pagamento de horas extraordinárias.
Em resposta ao vogal do CDS/PP, Rolando Sousa garantiu que é uma preocupação da Câmara “tentar restringir as horas extraordinárias”. No entanto, explicou, “há serviços em que tal não é possível”, como é o caso das “pessoas com vencimentos mais baixos que estão habituadas a ganhar as horas extraordinárias”. Rolando Sousa lembrou ainda aos vogais que “os sectores que criam horas extraordinárias criam também receitas”.
Quanto ao suposto lucro resultante da cobrança da água, Rolando Sousa explicou que o que está retratado no Relatório de Contas “é aquilo que recebemos da água e aquilo que pagamos às Águas do Douro e Paiva apenas”. No entanto, o vice-presidente lembra que as despesas com a manutenção do fornecimento da água vão muito além disso e que, mesmo assim, este suposto lucro ajuda a equilibrar as despesas com o saneamento.

CDU critica “má gestão autárquica”
Vicente Pinto abriu a segunda parte da discussão acerca do Relatório de Contas e deixou logo o aviso de que o PSD iria “votar contra a prestação de contas”. Em primeiro lugar, porque o vogal considerou que “a Câmara tem sempre nota negativa na avaliação”. E foi ainda mais longe: “É como na escola, apesar de serem maus alunos passam de ano na mesma”. Vicente Pinto que o relatório é uma consequência da “falta de capacidade para gerir a coisa pública” e de uma má gestão da própria Câmara Municipal.
Para António Regedor, representante do Bloco de Esquerda, “há uma permanente divida a terceiros que é preocupante” e ainda “uma dificuldade em fazer investimento porque há uma grande necessidade de manutenção das infra-estruturas espinhenses”.
Jorge Carvalho, líder de bancada da CDU, considera que “há uma má gestão de 2007” e que o ano passado “foi um mau ano de relação da Câmara com a Assembleia Municipal”. “Não há respeito pela assembleia. A Câmara não procura o apoio da Assembleia”, atirou.
No final o Relatório de Contas relativo a 2007 foi, apesar das críticas dos vogais da oposição, aprovado, com o voto de qualidade de Graça Guedes. Ainda antes da votação, Rolando Sousa anunciou que a autarquia está a estudar a hipótese de participar no programa “A Tempo e Horas” que vai permitir à Câmara solucionar dividas que, actualmente, não tem capacidade para solver.

sábado, 26 de Abril de 2008

Direito à indignação

Como espinhense e profissional de saúde do antigo Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda, Espinho, actualmente integrado no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, EPE – fiquei estupefacta e indignada após a leitura do artigo “ Mota contestado por causa de hospital” publicado no Jornal de Notícias de 21 de Março de 2008.
Sendo o Sr. José Mota, natural de Castelo de Paiva, Presidente da Câmara Municipal de Espinho desde 1993, eleito pela maioria dos espinhenses, seria desejável que fosse mais cauteloso nas afirmações que profere acerca de uma instituição hospitalar que muito custou aos espinhenses, onde muitos espinhenses nasceram e onde a grande maioria dos espinhenses sempre recorreu quando dos seus serviços precisaram.
O Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda foi inaugurado em 1958.
Nasci no Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda em 1961 e desde que me conheço, conheço esta instituição, guardando as melhores recor­dações de todas os profissionais que ali trabalharam, do Ex.mo Sr. Padre Antero, capelão da instituição, e de todas as freiras pois, desde os meus 4-5 anos de idade e durante muitos anos, acom­panhava a minha mãe para o ensaio do grupo coral da Capela da Nossa Sr.ª da Ajuda, que se realizava na referida instituição.
Tive o orgulho de participar em muitos peditórios e cortejos de oferendas a favor do Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda.
Sempre que a minha família necessitou, recorreu aos seus serviços, nada tendo a apontar.
Como médica, licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, com a especialidade de Anestesiologia e Reanimação contacto com o hospital desde 1989, orgulhando-me do hospital, como instituição, e de fazer parte de uma equipa de profissionais – médicos, enfermeiros, auxiliares de acção médica, administrativos, entre outros – que em todos os aspectos tornaram a instituição em que trabalharam digna e merecedora da confiança de todos os espinhenses.
Por esta casa passaram e estão, agora integrados no C. H. V. N. de Gaia/Espinho, profissionais de grande prestígio que muito contribuíram para a dignificação do Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda.
Perante o artigo citado ocorre-me fazer os seguintes comentários.
Que conhecimentos tem o Sr. José Mota para dizer que o Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda “era uma pocilga”.
Se ao fazer esta afirmação se estava a referir ao imóvel, de certeza que não conhece a realidade hospitalar nacional, pois não é preciso ir muito longe de Espinho para conhecer instituições hospitalares com deficiências estruturais muito mais graves do que as existentes no antigo hospital.
Se ao dizer que o Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda “era uma pocilga” se estava a referir aos profissionais que ali trabalhavam, o que devo informar é que todos estes profissionais sempre se esforçaram para prestar os melhores cuidados de saúde a todos os utentes que ali ocorreram, dignificando e continuando a dignificar, agora integrados no C. H. V. N. de Gaia/Espinho, o bom nome desta instituição e em nada se sentindo inferiorizados em relação a outros profissionais de saúde.
Perante este artigo e citando a frase “ Agora, há que dar o nome ás coisas. O hospital, antes das obras era uma verdadeira pocilga.” até parece que as obras nesta instituição apenas se iniciaram quando o hospital foi integrado no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia.
As obras de remodelação e modernização do hospital iniciaram-se na década de 80 com a remodelação do Serviço de Urgência/Serviço de Atendimento Permanente e foram-se realizando em várias etapas com a construção de um novo Bloco Operatório, com a remodelação dos Serviços de Internamento e da Consulta Externa. Com a integração do hospital no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia apenas se realizaram obras na ala nascente do Serviço de Medicina, para a criação da Unidade de Cuidados Continuados de Convalescença.
Mas mais do que uma casa nova era preciso saber se a rentabilidade e produtividade do Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda estavam a ser eficazes para servir a população de Espinho, coisa que o Sr. José Mota nunca se interessou.
No entanto, sempre que precisou, recorreu á “ pocilga “ para ser consultado por médicos desta instituição, sem trazer uma credencial, vulgar P1, do seu médico de família, sendo atendido de imediato, em consultas sem agendamento, isto é não programadas, não aguardando em lista de espera, como qualquer espinhense e não tendo pago a Taxa Moderadora, referente a consultas e exames auxiliares de diagnóstico, como qualquer utente; a “pocilga” e os “porcos” que lá trabalhavam ainda lhe serviram. Além disso, trouxe ao Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda familiares seus para serem ali operados, arriscando assim o internamento numa “ pocilga “, em vez de procurar instituições com mais prestígio, segundo o seu critério.
Não conhecerá o Sr. José Mota o ditado popular que diz “ Não se deve cuspir no prato onde se comeu”?
É do conhecimento de todos os funcionários, os almoços que o Sr. José Mota tinha com alguns profissionais do Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda e da viagem ao Brasil que ofereceu a um antigo director do referido hospital, pelo que seria conveniente que obtivesse, da parte desses seus amigos, uma reacção ás suas declarações.
Era seu dever ter denunciado e alertado, na devida altura, a quem de direito e toda a população, que o Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda “era uma verdadeira pocilga”, aconselhando-os a não recorrerem ás suas instalações, nem aos profissionais que nele trabalhavam.
Desde 1999 e até 2006, o Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda participou no programa nacional de redução de listas de espera de cirurgias, na altura PPA – Programa de Promoção do Acesso, operando doentes dos distritos de Viseu, Aveiro e Porto, tendo obtido da parte dos utentes oriundos destes distritos manifestações de apreço, não só pela dignidade das instalações mas também pela qualidade e atenção de todos os profissionais que aqui encontraram.
É de lamentar que actualmente, e estando esta instituição integrada no C. H. V. N. de Gaia/Espinho, sendo designada por Unidade 3 do referido Centro Hospitalar, e não Hospital de Espinho como o Sr. José Mota continua a dizer, existam pessoas das suas relações a meterem “ cunhas “ a funcionários do antigo Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda, para conseguirem marcações mais rápidas de consultas e de cirurgias, querendo passar, á frente de qualquer cidadão, e que coloquem na credencial, passada pelo médico de família, uma nota escrita dizendo que são funcionários da Câmara Municipal de Espinho.
Se todas estas mudanças foram para bem e melhor servir a população de Espinho, como diziam os panfletos que, em tempos atrás, foram distribuídos pela Câmara Municipal, para quê tantos pedidos?
É lamentável que o Sr. José Mota nunca tenha tido a coragem de falar com os profissionais do Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda, que sempre o receberam com respeito, e que com todas estas mudanças sofreram grandes transtornos pessoais, familiares e monetários, conduzindo-os, em muitos casos, a graves problemas de saúde.
Falando do S.U./SAP do Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda, aquele sempre foi o que as várias administrações hospitalares quiseram, isto é, o reflexo do investimento que os vários conselhos de administração fizeram nesta área do hospital. Convém referir que, até há bem poucos anos, muitos dos médicos que prestavam serviço no SAP do hospital eram clínicos gerais do Centro de Saúde de Espinho, que actualmente se encontram a trabalhar na Consulta Aberta e com quem tive o prazer de trabalhar; no entanto, nessa altura, sempre que solicitado e dentro do possível, havia apoio das vários especialidades existentes no referido hospital – Ortopedia, Cirurgia Geral, Medicina Interna, Pediatria, Radiologia, Patologia Clínica, Oftalmologia e Anes­tesiologia.
Pessoalmente tenho a consciência que salvei a vida a muitos doentes trazidos, para este SAP, com as mais diversas patologias - A.V.C., Edemas Agudos do Pulmão, Enfartes Agudos do Miocárdio, Trauma­tismos Craneo-encefálico, Paragens Cardio-respiratória, etc.
Embora não sendo um serviço de urgência, prestou a muitas pessoas cuidados de saúde que foram cruciais na evolução favorável da patologia de que padeciam, antes da transferência para outra instituição hospitalar.
Seria desejável que o Sr. José Mota tivesse informado a população de Espinho que a ambulância do INEM que se encontra á frente da Unidade 3 do C. H. V. N. de Gaia/Espinho, tem duas pessoas que são TAE – Técnicos de Ambulância de Emergência – que possuem um Curso de Suporte Básico de Vida, um Curso de Desfibrilação Auto­mática Externa e um Curso de Condução de Ambulância, e não um médico, um enfermeiro e um condutor, como muitos espinhen­ses ainda pensam.
Informo que a maioria os funcionários do antigo Hospital de Nossa Sr.ª da Ajuda, incluindo administrativos e auxiliares de acção médica, tinham o Curso de Suporte Básico de Vida e muitos outros funcionários tinham o Curso de Suporte Avançado de Vida.
Se o SAP era assim tão mau porque é que o Sr. José Mota fez o “frete” de dizer á população que tinha lutado pelo seu não encerramento?
Não vimos o Sr. José Mota em qualquer reunião no Ministério da Saúde, onde se fez representar pelo Sr. Rolando de Sousa, tendo o Sr. José Mota, com toda a certeza, afazeres mais importantes.
Em relação á Consulta Aberta porque é que ela não se manteve no Centro de Saúde de Espinho, onde já funcionava e bem, e se mudou para as instalações da Unidade 3 do C. H. V. de Gaia/Espinho, contra a vontade de muitos dos clínicos gerais que aí trabalham?
Não entendo o que pretende dizer com “hoje as pessoas são mais bem tratadas do que no antigo SAP” mas se isso corresponde á realidade é o que todos queremos e é para isso que todos trabalhamos – para a melhoria de cuidados de saúde a que todos temos direito.
Como espinhense muitos comentários poderia tecer acerca das modificações que Espinho tem vindo a sofrer desde que o Sr. José Mota é Presidente da Câmara Municipal de Espinho, mas prefiro abster-me de as fazer, estando ciente que elas ficarão na memória, para o bem e para o mal, de todos os espinhenses.
É com muito orgulho, competência e brio profissional que todos os dias me dirijo para o C. H. V. N. de Gaia/Espinho, seja para a Unidade 1 ou para a Unidade 3, para exercer a minha actividade profissional como médica anestesiologista, saindo ao fim de um dia de trabalho com o sentido de dever cumprido e de cabeça erguida, ciente que prestei um serviço de qualidade a todos os doentes que de mim precisaram.
Deus permita que o Sr. José Mota nunca tenha de esperar pela VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação), esta sim com um médico e um enfermeiro, para ser reanimado, deitado no chão e em paragem cardio-respiratória, em frente da Unidade 3 do C. H. V. N. de Gaia/Espinho, como já aconteceu a algumas pessoas este ano.

Paula Neves, Assistente Hospitalar Graduada de Anestesiologia do C. H. V. N. de Gaia/Espinho, EPE.

Comentários populistas... cobardes e frustrados

Ao longo da minha vida sempre procurei tentar ver o que está para lá da montanha, e não a montanha. Da mesma maneira sempre valorizei mais os actos do que as palavras, talvez porque estas não exijam grande esforço e possam ser oportunistas/falsas, enquanto que os actos são trabalhosos, difíceis e exigentes e quase sempre mais verdadeiros do que as palavras. Também sempre procurei ser justo, o que nem sempre é fácil, por isso sempre evitei ser juiz em causa própria pois dificilmente teria a distância e lucidez para ser justo e isento.
Foi essa filosofia de vida que me fez escrever este artigo de opinião, uma vez que já não tenho qualquer ligação ao “nosso” Hospital de Espinho, nem como presidente do Hospital, nem como vogal do conselho de administração do C.H. Gaia / Espinho, EPE, nesse sentido, penso estar em condições de livre e objectivamente deixar registada a minha opinião, a qual tentarei que seja o essencialmente técnica, tendo por base a evolução do sector da saúde e baseada em factos, tendo por base a posição privilegiada, fruto do lugar que ocupei durante cerca de ano e meio no hospital.
Se o Hospital é hoje uma unidade de saúde respeitada e tida em consideração, muito se deve a todos os colaboradores/profissionais e amigos do hospital que sempre zelaram por dignificar o bom nome da “nossa” instituição, mas dificilmente teria as óptimas instalações que hoje têm se não existissem duas pessoas: o Sr. Dr. Cruz Pires e o Sr. José Mota.
É essencialmente a estes dois Senhores que a comunidade de Espinho deve agradecer, podendo hoje, orgulhar-se de ter o hospital de nível 1, com as melhores instalações do país, as quais, em tempos não eram dignas para tratar pessoas.
Posso testemunhar que durante o tempo que tive o prazer de trabalhar no hospital, tive sempre a colaboração de todos os autarcas de Espinho, desde o presidente da câmara, passando pelos vereadores, presidentes de junta, tanto para dotar a instituição de equipamentos, como para iniciativas diversas.
Para além da colaboração prestada, existiu sempre uma manifesta preocupação em garantir aos seus cidadãos os melhores cuidados de saúde.
Também consigo compreender que possa haver algum desconforto, da parte dos profissionais que ao longo dos tempos tudo deram pelo hospital, sentimento esse que é legítimo, sempre que se está perante uma mudança.
Todos nós ficamos muito ligados ao hospital, mas os tempos evoluem e felizmente hoje temos melhores vias de comunicação e a evolução tecnológica e do conhecimento é muito rápida, transformando as boas práticas de hoje, em práticas erradas de amanhã e o que hoje é tido como equipamento/tecnologia de ponta, amanhã será visto como obsoleto.
É esta frenética evolução dos tempos que faz com que os hospitais mais pequenos e com menor área de influência tenham de alterar a sua missão, para poderem continuar a servir os seus doentes, sem risco, com a mesma qualidade, as mesmas práticas, técnicas e tecnologia que os hospitais de maior dimensão conseguem oferecer.
Hoje já não há necessidade de um pequeno hospital fazer tudo como os outros mais diferenciados, com mais meios e massa critica, pois tem uma grande probabilidade de fazer pior.
É nesse sentido que o hospital de Espinho deve seguir fazer uma grande aposta no ambulatório, com mais consultas de mais especialidades e mais cirurgias sem recurso a internamento, bem como para os cuidados de internamento pós agudos, como é o caso dos cuidados continuados.
Sei que entender isto talvez não seja fácil, para quem não acompanha a evolução dos cuidados de saúde com a mesma proximidade de quem tem responsabilidades nesta matéria, mas é hoje consensual da direita á esquerda que os hospitais, conhecidos por hospitais de proximidade, são o futuro para os hospitais de dimensões mais reduzidas que tenham por perto, outro de maior dimensão, em nada diminuindo a sua utilidade, antes de mais reforçando-a.
Foi nesse contexto, de necessária mudança de missão, que o Hospital de Espinho voltou a renascer, tendo sido contemplado pelo ministério com uma unidade que se pretende de excelência para a prática de cirurgia de ambulatório, e uma vez mais, a comunidade de Espinho pode agradecer a alguém … e neste caso, não é ao nosso querido Dr. Cruz Pires, nem a nenhum dos directores que o sucederam.
Quem tem independência técnica e política, sabe que opções existiam para que o hospital continuasse a prestar cuidados de saúde com a qualidade que a população merece.
Depois de tudo isto, foi com muita … indignação que li os comentários populistas que vieram a público, comentários cobardes e frustrados de alguém que nem a montanha quer ver, que tem a mais na língua, o que tem a menos na acção e talvez esteja demasiado comprometido com ambições mesquinhas e pessoais para ser tido em consideração.

Gaspar Pais, ex-presidente do Conselho de Administração do ex-Hospital N.ª Sr.ª da Ajuda.

A arte de abrir uma garrafa através do fogo

Pratos especiais e vinhos de excepção. É esta a combinação perfeita que o restaurante “Os Castelhanos” propõe para o jantar degustativo que vai ter lugar já no próximo dia 2 de Maio. É uma iniciativa no mínimo diferente; só de ler já se fica com água na boca.

Ao todo são seis pratos diferentes, cada um deles confeccionado de uma maneira única. E, claro, acompanhados do vinho mais adequado a cada sabor. A ementa ainda é surpresa, mas Carlos Pinho, um dos responsáveis pela escolha dos pratos, revelou ao Jornal de Espinho que os clientes vão poder provar duas entradas, um prato de carne, um de peixe e duas sobremesas. Para acompanhar, uma selecção cuidada, feita pelo próprio restaurante, vai envolver os mais curiosos numa noite única. Espumantes, vinhos brancos, vinhos tintos e licorosos são as propostas da gerência para acompanhar as iguarias da casa.
Para além da boa mesa, os clientes poderão ainda assistir a uma demonstração de como abrir uma garrafa através do fogo, pela mão do escanção Victor Pinho. Formador da Escola de Hotelaria de Santa Maria da Feira, Victor Pinho conta já com uma vasta experiência profissional, e vai, no jantar do dia 2 de Maio, repetir mais uma experiência nos “Castelhanos”.
Para uma noite que promete ser de convívio e diversão, estão ainda convidados os representantes de uma Quinta do Douro que, para já, são ainda uma surpresa. São ainda esperadas figuras públicas do mundo da TV e do espectáculo que Carlos Pinho, filho do gerente do restaurante, prefere manter incógnitas. Além de empregado de mesa no restaurante do pai, o jovem é ainda formador do Instituto de Emprego e Formação Profissional na Póvoa de Varzim, Porto e Lousada.
Carlos Pinho conta ainda que esta não é uma iniciativa inédita dos “Castelhanos”, pois já existe há mais ou menos dois anos e sempre com casa cheia. Para o próximo jantar espera-se lotação esgotada, e quem desejar participar tem de fazer uma reserva antecipada. O preço do jantar por pessoa é fixo e situa-se nos 35 euros.

Maria João Magalhães

quinta-feira, 17 de Abril de 2008

“Um novo ciclo abre-se no PS”

Foi no passado domingo que a recentemente eleita comissão política concelhia do Partido Socialista tomou posse, no Hotel Praia Golfe. Carlos Lages, Rosa Maria Albernaz e José Mota foram apenas alguns dos ilustres socialistas que não quiseram faltar à sessão, que se assemelhou a um simples encontro de amigos. Do discurso de José Luís Peralta ficou a certeza de que o legado da antiga presidente vai ser difícil de igualar.

“Estas eleições assumem particular importância para nós, enquanto órgão, mas fundamentalmente enquanto partido plural, multifacetado e garante de uma sociedade mais justa, participada e democrática”. Foi assim que José Luís Peralta deu início ao seu primeiro mandato como presidente da concelhia do PS Espinho.
Na sucessão a Rosa Maria Albernaz, que o recentemente empossado presidente fez questão de elogiar, José Luís Peralta afirmou contar “com todos, com os que cá estão e com aqueles que se identificam com os valores do Partido Socialista, sem excepção”. O objectivo da nova concelhia é claro: “Queremos muito ajudar o Partido Socialista nacional a obter vitórias”. No entanto, o novo presidente admite que o desafio maior é “renovar a vitória de 2005 e liderar novamente a Câmara Municipal de Espinho”.
No novo ciclo que agora se inicia, José Luís Peralta demonstrou o desejo de ter “um programa que se quer actual, moderno e progressista, com novas respostas sociais para os cidadãos deste concelho”. E acrescenta: “Queremos que, com o contributo de todos, possamos ter um PS/Espinho aberto à sociedade, capaz de responder cabalmente aos desafios futuros que se avizinham”.
Para o futuro do partido em Espinho, o novo presidente está ciente da responsabilidade que lhe cabe, “a de continuar o trilho das vitórias a que estamos habituados” naquela que constitui “uma nova etapa duma estafeta dum percurso que todos queremos vitorioso e na qual a experiência e o voluntarismo da Rosa Maria será ainda determinante”.
No final de um discurso de continuidade, José Luís Peralta reafirmou o desejo de o PS voltar a vencer a Câmara e de, ainda, “conquistar a presidência da Junta de Freguesia de Espinho”.

“A luta não vai ser fácil”
Visivelmente emocionada, Rosa Maria Albernaz, a ex-presidente que é agora vice, não poupou elogios a José Luís Peralta e salientou que “não poderia haveria melhor candidato”.
Depois de demonstrado todo o seu apoio ao novo presidente, a deputada socialista elogiou ainda aquele que considera “um grande amigo”, José Mota. “Temos um autarca que facilitou a vida à concelhia e que vai continuar a facilitar”, considerou. E neste momento em que “um novo ciclo se abre no PS”, Rosa Maria Albernaz acredita que, em 2009, o Partido Socialista vai ter uma grande vitória com José Mota.
Napoleão Guerra, em nome dos presidentes de Junta, não quis deixar de saudar o novo presidente da concelhia. A José Luís Peralta não poupou elogios: “Encerra todas as virtudes socialistas. É um exemplo extraordinário de homem e de socialista. Os socialistas não podiam ter escolhido melhor”.
Apesar de considerar que Rosa Maria Albernaz “deixa um legado valioso”, que a nova concelhia vai tentar honrar, o presidente da Junta de Freguesia de Anta tem a certeza de que esta lista “vai repetir os êxitos autárquicos na Câmara Municipal de Espinho, com muita luta”.

Recandidatura é uma incerteza
José Mota aproveitou a tomada de posse da nova direcção do PS em Espinho para reafirmar que ainda não há uma decisão acerca da possível recandidatura. À ex-presidente, o autarca agradeceu todo o trabalho desenvolvido na concelhia, e a José Luís Peralta não se conteve nos elogios. “É um excelente militante, um homem notável. É um homem que está sempre disponível e é dotado de um grande nível político, com grande preparação política”, declarou José Mota.
Apesar de admitir que a luta pelas autárquicas “não vai ser fácil”, o presidente da Câmara não tem dúvidas: “Só perdemos a Câmara se quisermos”.
No final da sessão, os membros socialistas elegeram ainda o secretário da Comissão Política por unanimidade, que ficou assim constituído: António Cavacas, Napoleão Guerra, Maria José Vieira, Justino Pinto, José Carlos Teixeira, Liliana Ferreira, Ângelo Cardoso, Manuel Salvador, Carla Reis e Nuno Almeida.

Maria João Magalhães

Uma vida dedicada ao SCE

Além da política, Napoleão Guerra é conhecido em Espinho pela sua ligação ao clube dos tigres. O autarca representou o emblema espinhense no voleibol durante muitos anos e quando deixou o desporto passou a estar na parte directiva do clube. Ainda hoje Napoleão Guerra se assume como uma fanático do Espinho.

Napoleão Guerra nasceu há 63 anos em Viseu, mas com apenas três anos mudou-se com a família para Espinho, local para onde o pai, funcionário público, foi transferido. Desde então, o presidente da Junta de Freguesia de Anta nunca mais abandonou o concelho, que não o viu nascer, mas sim crescer.
O autarca estudou na Escola da Tourada e fez o liceu no Colégio de S. Luís. Depois dos estudos terminados, Napoleão Guerra trabalhou durante muitos anos como chefe de venda na Cotesi, fábrica do grupo Violas. No entanto, um dia decidiu partir para novos desafios e, com mais dois sócios, fundou “uma pequena empresa de importação e exportação, principalmente de materiais relativos à pesca, desde barcos, cordas, redes e anzóis”. Pelo caminho, o actual presidente da Junta abriu uma nova empresa, no mesmo ramo e até hoje mantém os negócios ,“principalmente com os PALOP”, se bem que é a sua esposa que assume o comando da empresa.

Política e solidariedade
“O bichinho da política já vem desde há muitos anos”. De facto, Napoleão Guerra começou a ouvir falar de política ainda muito jovem, dentro das paredes de sua casa: “O meu pai era da oposição contra o antigo regime e manifestou-se sempre contra Salazar”. Além da influência paterna, também na escola o autarca “tinha muitos amigos que eram militantes activos e que lutavam à socapa contra o Estado Novo”, e ele acompanhava-os.
Com o 25 de Abril, aderiu ao Partido Socialista, do qual é militante há 34 anos, e começou por ser dirigente e membro dos primeiros secretariados do PS de Espinho. Depois, Napoleão Guerra esteve uns anos afastado da política, devido à sua vida profissional.
O autarca afirma que gosta da “política pelo que ela tem de melhor, no sentido lúdico da política”. Ou seja, “no sentido de ajuda, de solidariedade, de bem ao próximo”, princípios pelos quais Napoleão Guerra guia a sua vida. Outro dos princípios que pautam a vida do presidente da Junta é a solidariedade, que lhe foi incutida desde muito cedo. “Eu comecei a minha actividade associativa e que já tinha um cunho político na Acção Católica, e sendo um católico praticante, já nessa altura, eu era ainda um jovem, comecei a ajudar o próximo”, esclareceu.
E mesmo hoje, essa vertente pessoal está sempre presente: “Sou amigo dos meus amigos e estou, enquanto presidente da Junta, sempre disponível para ouvir os outros”. Aliás, “até em minha casa, durante o fim-de-semana, eu recebo pessoas e procuro resolver sempre os problemas que me apresentam, mesmo os pessoais”.
Há seis anos e meio que Napoleão Guerra ocupa o cargo mais alto do executivo da Junta. Antes, o autarca já tinha sido presidente da Assembleia de Freguesia de Anta durante quatro anos e também membro da Assembleia Municipal.
A meio do segundo mandato, Napoleão Guerra faz um balanço positivo do trabalho que tem vindo, juntamente com a sua equipa, a realizar. No entanto, não sabe se voltará a candidatar-se para mais quatro anos: “Isto também cansa, é muito absorvente e eu prejudico muito a minha vida profissional, acabando por sobrecarregar a minha mulher. Acho que não me vou recandidatar”. E acrescenta: “Muito para além de todas as obras que se possam fazer, o que levo de melhor da Junta, no coração para sempre comigo, são os muitos amigos que fiz. Esse é o melhor capital que levo”.

Fanático pelo SCE
Em termos desportivos, o autarca tem como clube do coração o Sporting Clube de Espinho, do qual é sócio há mais de quarenta anos. Desde criança que Napoleão Guerra está intimamente ligado ao clube espinhense: “Eu tinha sete, oito anos, e morava na Rua 20, perto da Tourada. Para brincar, colocávamos um cordão e uma estaca no passeio da Fosforeira Portuguesa e jogávamos lá voleibol”. “Um dia, estava a jogar com um amigo e um dirigente do Espinho, Carlos Ferreira, parou e perguntou-nos se não queríamos ir jogar para o Espinho”, recorda.
Foi assim que Napoleão Guerra começou a jogar voleibol em representação do seu clube do coração. Fez todas as camadas de formação, foi campeão nacional e ainda esteve muitos anos na equipa sénior. Além do voleibol, o autarca também passou pelo futebol e pelo atletismo.
Com o andar dos anos, deixou o desporto e passou para a parte directiva: “Fui director da secção de voleibol, treinei as camadas jovens, fui durante muitos anos secretário da direcção. Culminei com a vice-presidência do clube e com a presidência da assembleia-geral, da qual saí há cerca de três anos”.
Pelos serviços prestados ao clube, em 1989, foi nomeado por unanimidade e aclamação, numa assembleia-geral, sócio de mérito do Sporting de Espinho e, em 2004, recebeu o louvor do clube espinhense. Aliás, apesar de afastado dos cargos de direcção, Napoleão Guerra ainda vibra muito pelo clube do seu coração e admite ser “um fanático pelo Espinho”.
Além do Espinho, o autarca tem uma ligação muito forte com o Benfica. Actualmente, é presidente da Assembleia-geral da Casa do Benfica de Espinho, da qual foi um dos fundadores. “Sou benfiquista e sou sócio do Benfica há mais de trinta anos”, afirmou.

Emocionado com assinatura do protocolo
Napoleão Guerra não quis deixar de estar presente na assinatura do protocolo para a construção do novo estádio do Sporting de Espinho. Na cerimónia, o autarca revelou estar “satisfeitíssimo e até emocionado”, o que já tinha acontecido na altura em que o cube tomou posse dos terrenos.
O presidente da Junta de Freguesia de Anta acredita que “agora, depois de assinado o protocolo com a presença de José Mota, é mesmo para ir para a frente”. Tal como disse o presidente do clube, Napoleão Guerra espera que “dentro de um ano, possamos ter o nosso complexo desportivo, não só o estádio como o próprio pavilhão”.

Vias municipais em boas condições

A Estrada de S. Tiago, em Silvalde, estava em muito mau estado, mas, finalmente, foi reparada e asfaltada. As obras, da responsabilidade das Estradas de Portugal, eram uma exigência da autarquia. Manuel Rocha, vereador responsável pelas obras, acredita que as ruas municipais estão em bom estado. As que não estão, garante, já estão identificadas para serem reparadas.

Na passada semana, a Estrada de S. Tiago, em Silvalde, foi alvo de obras de reparação e asfaltamento do pavimento. Manuel Rocha, vereador responsável por este pelouro, explicou ao Jornal de Espinho que a estrada em questão é da tutela da antiga Junta Autónoma das Estradas e actual Estradas de Portugal, que foi a entidade que procedeu à sua restauração.
Apesar de não ser da responsabilidade da Câmara Municipal de Espinho, o vereador recorda que a reparação da Estrada de S. Tiago era “uma exigência antiga da autarquia, pois a rua estava em muito mau estado e as pessoas reclamavam com razão”. Manuel Rocha explicou que, não sendo uma estrada municipal, a Câmara fez “o que podia, que era pedir à entidade em questão que a reparasse”.
Manuel Rocha lembrou também que, na última Assembleia Municipal, José Mota tocou no assunto para dizer que “já tinha feito diligências para que se resolvesse o problema”. Aliás, o vereador reconheceu que a autarquia “fez uma pressão grande” para que a rua fosse reparada.
Quanto às estradas da responsabilidade do município, Manuel Rocha não aponta muitos problemas. “Todos os anos, está previsto fazermos uma restauração das estradas municipais, mas acho que as ruas de Espinho não estão em mau estado, no geral”, afirmou o vereador. E acrescentou: “Evidentemente, as estradas vão-se degradando e nós, regularmente, vamos restaurando”.
Segundo Manuel Rocha, é a partir desta época do ano que começa a ser a altura própria para as obras de reparação e de asfaltamento. Aliás, o vereador explicou que a equipa responsável já está “no terreno a identificar as estradas que estão mais degradadas” para depois serem reparadas.
As obras feitas para a instalação de infra-estruturas, como o saneamento ou o gás, acabam por estragar as estradas. Nestes casos, a Câmara Municipal tem tido o cuidado de avisar as entidades responsáveis pelas obras para, no final, repararem as ruas. “Se tal não acontecer, nós dificultamos-lhes a vida e obrigamos a repor a rua como ela estava”, afirma Manuel Rocha.

Lília Marques

quarta-feira, 16 de Abril de 2008

“A saúde é um direito, sem ela nada feito”

Foram mais de 70 as manifestações que, um pouco por todo o país, reivindicaram a reabertura das urgências e SAPS já encerrados devido ao novo mapa elaborado pelo Ministério das Saúde. Em Aveiro, mais de 1000 utentes lutaram para mostrar ao Governo que o fecho dos serviços foi um erro que está a prejudicar seriamente as populações. Espinho não faltou ao protesto e, pela voz de Alexandre Silva, o país ficou a conhecer os problemas dos espinhenses.

Foram verdadeiros testemunhos da luta pelas urgências. No passado sábado, Aveiro encheu-se de cidadãos preocupados que defendiam as urgências e SAPS dos seus concelhos e reivindicavam melhorias do serviço de saúde. Ao todo, cerca de mil manifestantes juntaram-se na Praça Melo Freitas, bem no coração de Aveiro, e, entre tantas centenas de pessoas, o grupo oriundo de Espinho fazia ouvir a sua voz.
Depois de concelhos como Vale de Cambra ou Anadia terem mostrado as suas preocupações, foi a vez de Alexandre Silva, em nome da Comissão de Utentes do Hospital de Nossa Senhora da Ajuda, dar a conhecer aos presentes os principais problemas da nossa cidade.
“Quando o hospital novo estiver pronto o antigo vai fechar. Estamos a fazer um hospital novo para depois entregar aos privados”, explicou o também vogal da CDU na Assembleia Municipal, depois do anúncio da aprovação do projecto do novo hospital. O nome do presidente da Câmara, José Mota, também foi ouvido, pois Alexandre Silva não esqueceu as palavras do autarca, que disse: “Antes das obras, o Hospital de Espinho era uma pocilga”.
No seu discurso de luta, o membro da CDU demonstrou uma certeza: “Alguém está a fazer mal aos hospitais e esse alguém tem um nome: Partido Socialista”.
Ao Jornal de Espinho, Alexandre Silva explicou que a participação da Comissão de Utentes do Hospital se prende com o facto de “Espinho ter sido prejudicado com o protocolo assinado”, aliás, de todo o país, “Aveiro foi o distrito mais castigado”. “Ao perder o SAP temos de nos deslocar a Gaia e isso é caro, custa dinheiro”, lamentou o representante dos utentes. Mas a sua maior preocupação vai para a situação que se vive no serviço de internamento do Hospital de Espinho à noite. É que, segundo Alexandre Silva, “ durante a noite, não há nenhum médico de permanência”.

Governo Civil encerrado
“A saúde é um direito, sem ela nada feito” era o grito de guerra que se fazia ouvir na marcha de protesto que se seguiu às reivindicações na Praça Melo Freitas. O destino era o Governo Civil de Aveiro onde os cerca de mil manifestantes se juntaram à espera que ali estivesse pelo menos um representante do Governo. Mas as esperanças morreram quando os utentes se depararam com duas grandes portas fechadas.
Apesar da comissão organizadora do megaprotesto ter dado conhecimento ao Governo Civil da sua acção, o governador informou que “ao sábado os serviços estavam fechados e que não podiam responder ao pedido”, explicou revoltado um dos membros da organização do protesto.
O objectivo dos cerca de mil manifestantes era entregar um documento reivindicativo ao governador Civil de Aveiro, num esforço conjunto de todos os concelhos do distrito para mostrar as preocupações e queixas dos utentes.
Para além disso, os manifestantes exigiam a abertura de tudo o que foi encerrado e ainda o aumento do investimento nos serviços hospitalares. Como a entrega do documento não chegou a ser consumada, ela acabou por acontecer na passada segunda-feira, mas de uma forma menos ruidosa do que a que tinha sido planeada.

terça-feira, 15 de Abril de 2008

Paixão pelas caravelas em miniatura

Começou a fazer caravelas e naus quando tinha apenas 15 anos e, desde então, já construiu 50 peças representativas da época dos Descobrimentos. Para Mário Rodrigues, o gosto e a motivação são essenciais para se conseguir dar asas à imaginação. Em média, o espinhense necessita de 200 horas para construir, passo a passo, uma caravela. Além disso, o grande sonho de Mário Rodrigues é fazer uma grande nau em granito.

Tem 45 anos e há 30 que se dedica, nos seus tempos livres, à construção de caravelas, naus e galeões em miniatura. Mário Rodrigues, espinhense residente no Bairro da Marinha, explica que foi por causa de uma greve na construção civil, sector onde começou a trabalhar aos 14 anos, que descobriu a paixão pelos barcos.
Os blocos de yton, material cuja consistência se assemelha à pedra-pomes, são a base para todo o trabalho. Mário Rodrigues recorta e esculpe os blocos na praia, devido ao pó que isso faz, e, depois, numa oficina que tem em casa, faz o resto do trabalho, a parte da pintura e dos acabamentos. Para embelezar as caravelas e naus que constrói, Mário Rodrigues usa materiais muito diversos, como “cortinas, buchas de furos das paredes, paus de gelados, madeira, bijuterias, colares, marroquinaria, peças de calçados”, e que são mais consistentes do que aqueles que usava no passado. “Antes eu fazia uma caravela e, com o passar dos anos, ela deteriorava-se. Hoje, posso garantir que isto é para a eternidade”, afirmou, com orgulho.

Peças decorativas e representativas
A primeira fase do trabalho de Mário Rodrigues passa pela idealização da peça: “50% das peças são inventadas por mim, tenho uma ideia, arranjo, às vezes, uma foto para me orientar”. Aliás, o objectivo do espinhense é sempre “tentar fazer uma peça representativa e decorativa”, para que quem as veja se recorde das outras épocas.
Ao longo dos 30 anos que dedicou a esta arte, Mário Rodrigues já fez 50 peças e muitas delas vendeu-as para Espanha. “Além de não poder ficar com todos, os que vendi foram aqueles cujo resultado final não foi o que eu idealizei”, explica. E acrescenta: “Tenho a sorte de ter lá um sobrinho e ele, por um preço irrisório, vende-as, mesmo para as despachar”.
No entanto, Mário Rodrigues guarda em casa uma colecção de peças que não se imagina a vender a ninguém: “São o melhor do meu trabalho, aquelas que saíram perfeitas, tal como as idealizei”. Apesar dos materiais que usa nas construções não serem muito caros, o espinhense não duvida que só vendia a colecção que tanto gosta se lhe aparecesse “um coleccionador destas peças”, mas “teria que pagar muito dinheiro” para levar da Marinha a colecção estimada.

Gosto e motivação são essenciais
Mário Rodrigues inspira-se em vários livros que foi comprando e que “têm ilustrações de naus e caravelas de diversas épocas”. Depois, o espinhense tenta adaptar o que “estudou” nos livros e, sem construir à escala, transforma as suas referências mentais em peças originais.
Trabalhador num laboratório de desenvolvimento de novos produtos de uma corticeira, Mário Rodrigues apenas se dedica às caravelas nos seus tempos livres, ma só quando está “bem mentalmente e inspirado”. E acrescenta: “Primeiro, é preciso gosto e, depois, é necessário motivação, porque nada corre bem se não tivermos gosto no que fazemos”.
Para construir uma caravela ou uma nau, o espinhense ainda demora algum tempo: “Se fosse a contabilizar as horas, perco sempre umas 200 horas. Mas nem sempre trabalho. Às vezes, é três horas num dia, duas noutro…depende como esteja”.

Nau em granito é o grande sonho
Além das caravelas e naus, Mário Rodrigues também pinta e faz baixos-relevos. Aliás, o espinhense já realizou quatro exposições: duas em Espinho, uma em São Paio de Oleiros e outra em Fiães, no concelho de Santa Maria da Feira. No entanto, há 13 anos que não expõe o seu trabalho, algo que lhe dava muito gosto.
Sendo um homem tão habilidoso para os trabalhos manuais, Mário Rodrigues tem um grande sonho que gostaria de realizar: “Construir uma nau grande em granito”.

A triste sina dos tigres

Antepenúltimos classificados dos respectivos campeonatos, José Amadeu (juniores) e Bruno Tavares (juvenis) não têm problemas em admitir que, em termos desportivos, o balanço da época “é negativo”, mas recordaram ao JORNAL DE ESPINHO as dificuldades que sentiram para trabalhar. A culpa é das precárias infra-estruturas dos “alvinegros”, que cada vez mais se vêem ultrapassados por clubes com um historial e uma dimensão bem inferiores.

Chegaram ao fim, e sem glória, as aventuras dos juniores e dos juvenis do Espinho nos respectivos Campeonatos Nacionais da I Divisão. As duas equipas, que haviam alcançado a subida de escalão no final da temporada passada, sentiram imensos problemas para se adaptarem às exigências da competição e confirmaram a tendência dos “alvinegros” para conviverem pouco tempo com os “grandes”. Os juniores, embora ainda restem duas jornadas à fase inaugural da prova, já têm o destino traçado desde a recepção ao Candal, há duas semanas: vão cair para a II Divisão, pelo facto de, até aqui, não terem conseguido desprender-se do antepenúltimo lugar, apesar de ainda existir um pequena hipótese de, pelo menos, acabarem ligeiramente mais acima na tabela. A vitória (1-0) frente ao Boavista e os empates com Braga (0-0) e Académica (1-1), clubes que seguem nos seis primeiros lugares da geral, ficam para a história como os resultados mais sonantes dos pupilos de José Amadeu ao longo de 32 penosas jornadas, das quais 18 - até ao momento - redundaram em derrotas. Um registo bastante semelhante ao da equipa de juvenis, que no próximo ano vai regressar ao Distrital. Isto porque o melhor que os tigrezinhos foram capazes de fazer foi ganhar a Académica e Moimenta da Beira e empatar com Boavista e Tourizense, este por duas ocasiões. Os restantes 17 encontros terminaram em desaires, enterrando o conjunto de Bruno Tavares numa desoladora antepenúltima posição, apenas com nove pontos conquistados. A explicação para as dificuldades sentidas pelos escalões de formação do Espinho está umbilicalmente relacionada com a qualidade das infra-estruras que o clube oferece. Pelo menos é esta a ideia de José Amadeu e Bruno Tavares, que tiveram de realizar “autênticos milagres”, como o primeiro fez questão de sublinhar em declarações ao JORNAL DE ESPINHO, para apresentar uma equipa capaz de discutir o resultado com outros clubes de dimensão bastante inferior à dos espinhenses, mas cujas condições de trabalho são incrivelmente superiores. É por estas e por outras que todos os milagres começam a ser poucos para evitar a triste sina dos tigres.

José Amadeu, treinador dos juniores
Como “os resultados não apareceram e o objectivo principal [permanência] não foi atingido”, José Amadeu vê-se forçado a fazer “um balanço negativo” da época realizada pelos juniores. No entanto, o técnico considera que a experiência no principal campeonato da categoria “foi boa”, até porque as circunstâncias em que trabalhou levaram-no a efectuar verdadeiros milagres. “Devíamos ser os únicos que treinavam em pelado e, depois, ao fim-de-semana, tínhamos de jogar em relvado ou sintético. Por isso, tenho de louvar os jogadores, que conseguiram fazer 24 pontos e andar a lutar pela permanência até quatro jornadas do fim, mesmo com estas condições”, salienta Amadeu, que também se viu impossibilitado de treinar no “Comendador”, para poupar a relva natural. “Jogamos sempre no estádio, exceptuando dois jogos, que foram em Paços de Brandão, mas não treinámos lá uma única vez”, lamenta. E é assim que explica o facto de “os miúdos sentirem dificuldades quando chegam aos seniores”, porque, na sua opinião, “até aparecem alguns jogadores com qualidade” nos escalões de formação.
Bruno Tavares, treinador dos juvenis
Mesmo desapontado com a campanha da equipa no nacional de juvenis, ou não pensasse que “acabar com nove pontos é manifestamente pouco”, Bruno Tavares considera que “os jogadores evoluíram um pouco jogando contra equipas teoricamente mais fortes”. Uma força que advém das condições de trabalho que possuem e no Espinho são bastante precárias. “É inglório lutarmos com equipas que estão habituadas a treinar em relvado e que, se calhar, até têm mais material. As condições que, tanto eu, como o José Amadeu, tivemos para trabalhar contribuíram muito para o insucesso de ambas”, aponta. No entanto, acredita que tudo poderia ter sido diferente se não tivesse sido vetada a instalação de um relvado sintético no Campo do Golfe. “Se o Espinho conseguisse ter melhores condições, seguramente seria bastante melhor. Existem clubes com menor tradição nesta área geográfica com os quais já é difícil ombrear. Não digo para fazer algo como o Feirense. Bastava relvar o campo e, porque não, criar um campo de futebol de 7, para que os jogadores não optassem por jogar noutros clubes”.

sábado, 12 de Abril de 2008

Comunicado dos profissionais de saúde do Hospital N.ª S.ª da Ajuda

Não acreditamos que o Presidente da Câmara Municipal de Espinho, no momento em que disse que o Hospital Nossa Senhora da Ajuda - Espinho era uma “pocilga” (Jornal de Notícias de 21 de Março de 2008) antes das recentes obras nele efectuadas, soubesse mesmo o que estava a dizer.
È que senhor José Mota, uma “pocilga” é um curral de porcos ou então uma casa muito imunda.
È lamentável, que um Presidente de Câmara, que representa o interesse de todos os Espinhenses e deveria estar sempre ao lado deles, venha agora, por conveniência politica do seu partido, dizer que o Hospital de Espinho era uma “pocilga” e agora com as novas medidas do Ministério da Saúde, passou a ser um local decente. Como autarca, porque é que não denunciou na devida altura a “pocilga” as autoridades competentes?
Dizemos nós, o sr. José Mota, alem de ingrato para com a terra que o acolheu e ajudou a ser conhecido politicamente, tem mesmo a memória curta, pois esse tal Hospital de Espinho que chamou de “pocilga”, já lhe serviu de cavalo de batalha em campanhas politicas eleitoralistas quando se colou nitidamente a um ex-director. Nesse tempo o Hospital de Espinho, não só tinha profissionais competentes, como era um Hospital de qualidade que até o acolheu e a familiares para cuidados de saúde.
Sr José Mota, como cidadão acolhido em Espinho e como líder da autarquia, como é possível que tenha insultado os espinhenses e os profissionais que dignamente trabalharam e trabalham no Hospital?
O que o sr. José Mota, demonstra, ao indirectamente chamar “porcos” aos espinhenses (tenha paciência, quem nasce nas “pocilgas” são os porcos) é um descaramento politico inaceitável para com os habitantes que o ajudaram a ser alguém na sociedade civil. O sr. deveria estar eternamente grato aos espinhenses, sobretudo aos que tiveram a felicidade de nascer no Hospital de Nossa Senhora da Ajuda – Espinho.
Ó sr. José Mota, o que um presidente de Câmara deve fazer, é defender os interesses dos seus munícipes, nunca por nunca, trair a população que o elegeu. O sr. mentiu aos espinhenses, com esta inqualificável atitude de chamar “pocilga” ao Hospital.
Os trabalhadores que dedicaram uma vida a trabalhar no Hospital de Espinho (alguns agora obrigados a ir para outra bandas, como o Hospital de Gaia), não só lamentam a atitude irresponsável do líder da autarquia, como afirmam veementemente e negam que alguma vez, a situação no Hospital tenha atingido os patamares de ser comparado a uma “pocilga”.
O Hospital de Espinho, a exemplo de outros no País teve sempre as suas carências, mas foi fazendo obras, acrescentando valências, melhorando os seus quadros profissionais e equipamentos, por vezes com a colaboração da autarquia e sociedade civil, de tal modo que o nível das instalações aquando da integração no Centro Hospitalar de Gaia foi elogiado por todos os profissionais que chegaram ao Hospital.
E o objectivo foi sempre o mesmo: servir o melhor possível todos os espinhenses, na área da saúde.
E, o sr. José Mota, ao invés de continuar a lutar por benfeitorias do Hospital, não só faz jogo sujo com o Ministério da Saúde (aceitou o encerramento do serviço de atendimento permanente e não passou cavaco á população), como agora caiu na desfaçatez de dizer que o Hospital de Espinho era uma “pocilga”.
Esperemos bem que os espinhenses não lhe perdoem ofensa tão grave.
Nós, dedicados espinhenses e profissionais da saúde, que tanto trabalharam no Hospital de Espinho, repudiamos com firmeza de cidadãos desta terra e ao mesmo tempo, exigimos que o sr. José Mota peça desculpa á população de Espinho.
Realmente, o Sr. José Mota, nada percebe da matéria relativa á saúde pois se assim não fosse, estaria na primeira linha, contra as medidas avulsas emanadas do Ministério da Saúde. O que faz o Presidente da Câmara Municipal de Espinho? Prefere seguir a sua fidelidade politica e deixar os habitantes mais fragilizados em matéria de cuidados básicos de saúde.

quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Director do Serviço de Urgência demite-se

Na passada semana, Jorge Santos substituiu Carlos Centeno nas funções de director da urgência do Centro Hospitalar Gaia/Espinho. As razões para a demissão do antigo director não são conhecidas, mas fonte hospitalar contactada pelo Jornal de Espinho, e que solicitou o anonimato, admite que a demissão de Carlos Centeno poderá, eventualmente, ter a ver com o aumento significativo de utentes naquele serviço.
O JE, inclusive, teve acesso a um documento do próprio hospital, e assinado pelo director do serviço de Urgência, Carlos Centeno, que diz: “A título meramente informativo, dá-se conhecimento que a afluência ao Serviço de Urgência durante a segunda quinzena de Janeiro e início de Fevereiro tem atingido valores que constituem recordes absolutos”. Declarações estas que vêm confirmar a fonte contactada pelo Jornal de Espinho.

Menos doentes em relação a 2007
Entretanto, o Conselho de Administração vem, através do gabinete de Imprensa, apresentar uma outra versão da situação. Segundo a administração do Hospital, o “Serviço de Urgência não registou um aumento da afluência após a transformação do Serviço de Urgência de Espinho em Consulta Aberta”. Segundo “dados monitorizados, mensalmente, do Serviço de Urgência”, a Administração conclui que “os doentes urgentes/emergentes já se dirigiam ao Serviço de Urgência do CHVNG ou ao Hospital S. Sebastião, em Santa Maria da Feira, antes mesmo da integração do Hospital de Espinho no CHVNG”.
Em comunicado, o Gabinete de Imprensa afirma estar em condições de adiantar que “a afluência ao Serviço de Urgência do CHVNG/E tem vindo a diminuir ligeiramente comparativamente ao ano transacto”, diminuição esta que poderá estar relacionada, segundo a mesma fonte, com “a implementação da Triagem de Manchester, que introduziu uma triagem de prioridades”.
Correcção
Por lapso o Jornal de Espinho publicou na presente edição uma foto trocada. Apesar da notícia estar correcta e referir-se ao Dr. Carlos Centeno, como director dos Serviços de Urgência, a foto publicada pertence ao director clínico do Centro Hospitalar Gaia/Espinho Raúl César de Sá. Reposta a verdade a todos os envolvidos pedidos as nossas desculpas.

domingo, 6 de Abril de 2008

Junta de Anta ajuda menino com cancro

Depois de saber da história do Rafael Gomes, a autarquia de Anta, através do presidente Napoleão Guerra, decidiu abrir uma conta solidária com 100 euros para ajudar o menino de oito anos a quem há quatro anos foi diagnosticado um cancro. Desde então, Rafael luta diariamente para vencer a doença.

Metade da vida do Rafael Gomes tem sido marcada pelo cancro de que sofre. O menino de oito anos tinha apenas quatro quando se começou a queixar de uma dor no joelho direito e a sua coxa ficou muito inchada.
Assustados, Fernando Gomes e a sua esposa levaram o Rafael a vários médicos, mas nenhum conseguiu descobrir a doença do menino. Só ao fim de duas semanas, precisamente no dia 26 de Outubro de 2004, numa segunda ida ao Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira, e após a realização de um TAC, os médicos souberam qual a doença da criança, que foi transferida de imediato para o IPO do Porto. Pai e filho estiveram na unidade hospitalar durante três meses sem vir a casa.
Nestes quatro anos, Rafael já fez mais de 175 sessões de quimioterapia, mais do que o limite máximo. O menino está consciente da doença que tem e o que lhe custou mais foi a quimioterapia, porque o faz vomitar. Quando o seu cabelo começou a cair, Rafael não deixou que o cortassem e arrancou-o ele próprio com as mãos.
Também nesses anos, o menino foi operado nove vezes. A última foi há cerca de um mês, quando Rafael deixou de urinar e os seus rins deixaram de funcionar. Ultimamente, e segundo Fernando Gomes, o pai, Rafael tem tido muitas dores, que só são controladas quando o menino está na banheira.

Pedido de ajuda
Há pouco tempo, os médicos que tratam o menino no IPO disseram a Fernando Gomes que já não havia mais nada que pudessem fazer pelo Rafael. Porém, o pai não quer desistir do seu filho: “Lutei até aqui, não vou deixar de lutar”. Por isso, conseguiu que um médico de Barcelos tratasse o menino, levando-o para Espanha para experimentar um novo tratamento que não existe ainda no nosso país.
O único problema de Fernando Gomes é a falta de dinheiro, pois, havendo verbas, o tratamento poderia começar de imediato. Fernando perdeu o trabalho que tinha como empregado de cozinha de um restaurante e o único sustento da família é o ordenado da sua esposa.
Porém, as iniciativas para ajudar o Rafael já se começaram a ver. No passado fim-de-semana, realizaram-se duas festas em honra do menino em Lourosa e na Vergada (concelho de Santa Maria da Feira), onde foram vendidas mais de 250 t-shirts com a fotografia do menino, o que já rendeu uma boa quantia.
Ontem, Fernando e Rafael Gomes estiveram também presentes no programa de televisão da TVI, Você na TV, para contarem a sua história e tentarem angariar verbas. O programa deu ao menino 1000 euros e outras pessoas já contactaram a família para ajudar.

Junta de Anta abriu conta bancária
Apesar de ser de Mozelos, a família de Rafael Gomes tem ligações de amizade com pessoas de Anta e foi através dessas amizades que o presidente da Junta de Freguesia da vila soube da história do menino e ficou sensibilizado.
Napoleão Guerra decidiu então, através da autarquia, abrir uma conta solidária para o menino. A Junta depositou também na mesma conta uma quantia de 100 euros, à qual se juntarão todas as verbas que forem dadas à família. Para Napoleão Gomes, o pai do menino só quer “deixar uma palavra de agradecimento e de atenção pela ajuda que lhes deu”. Além disso, Fernando Gomes referiu também que o presidente da Câmara Municipal de Espinho “tem ajudado muito”.
Os interessados em ajudar podem fazê-lo através do NIB: 003802610554927277182.

Lília Marques

“Abdiquei de tudo por esta viagem”

A meta é, na mesma, a longínqua China, mas com uma passagem pelo início do Campeonato Europeu de Futebol, a realizar em Junho na Suíça e na Áustria. Mário Cales parte de scooter, no próximo dia 13 de Abril, para visitar todos os países europeus que participam no Euro, com o objectivo de angariar apoios, através da colaboração com os media, para depois partir em direcção à Ásia.

Mário Cales parte no próximo dia 13 de Abril numa viagem que o levará até à longínqua China. A data da partida era inicialmente 16 de Março, mas o espinhense decidiu adiá-la para estar na Europa quando começasse o Campeonato Europeu de Futebol. “Quando iniciei este projecto, a ideia era chegar aos Jogos Olímpicos, mas, com o desenrolar de todo o processo, eu verifiquei que a ideia não era muito apelativa para patrocínios ou apoios. Comecei a verificar que a seis meses da realização do Campeonato Europeu de Futebol, quando Portugal se qualificou, se falava muito mais do Euro que dos Jogos Olímpicos. Então resolvi fazer a ligação entre esses dois eventos”, esclareceu.
Mário Cales quer estar “presente no início da fase final do campeonato” e, dessa forma, não havia necessidade de partir com três meses de antecedência. O fotojornalista vai viajar durante dois meses por todos os países que participam no Euro e quer, durante esse período, provar que é “capaz de fazer a outra parte do percurso, chegar à China”. Mário Cales até acrescenta: “Penso que houve muita gente que duvidou que seja possível fazer esse percurso de moto e, pelo facto de eu nunca ter feito nada do género, não tenha capacidade de angariar esse acreditar”.
A viagem pela Europa, custeada totalmente pelo espinhense, não será como ele gostaria: “Vou passar um dia em cada cidade que vou visitar, ficando menos tempo em viagem e abdicando do prazer da viagem no sentido de conseguir utilizar o dinheiro que tenho para fazer as várias etapas até à China”. Ao mesmo tempo que Mário Cales viaja por países como Espanha, Itália, Turquia, Rússia, Alemanha, entre outros, até chegar à Suíça e Áustria (países organizadores do Euro), terá “duas pessoas em Portugal que irão tentar potencializar esse investimento pessoal na viagem para tentar angariar os apoios necessários para chegar à China nos Jogos Olímpicos”.

Apoio mediático
Desde o passado mês de Agosto, Mário Cales andou à “procura de media partners, de imprensa, que justifique o investimento que os patrocinadores possam fazer em mim”. Com a ideia de estar presente na fase final do Euro, o espinhense conseguiu ter o apoio da SIC, da Motojornal, da Scooting Magazine, da Foto Digital, do Rádio Clube Português e da Rádio Internacional da China. O fotojornalista vai colaborar com estes meios de comunicação social para que “durante os dois meses de viagem na Europa possa angariar financeiramente apoios” que lhe permitam concretizar a ideia de chegar à China durante os Jogos Olímpicos.
Mário Cales está decidido a fazer a viagem até Pequim independentemente dos apoios que tenha: “Se não tiver dinheiro, não me importo de parar a moto e ficar um mês a trabalhar num restaurante no Irão…”. E acrescenta: “Só venho embora quando não tiver mais dinheiro e não tiver mais possibilidades de o arranjar ou quando me mandarem embora. A minha vontade de cumprir aquilo que inicialmente estava previsto é muita”.

Novo objectivo
O espinhense reconhece que esta viagem é muito importante para si: “Abdiquei de tudo na minha vida por esta viagem. Abdiquei do meu emprego, do meu carro, a nível emocional abdicaram de mim e tudo o que eu tenho, tudo o que sou vai comigo nesta viagem”.
Desde Agosto que Mário Cales se tem ocupado da primeira etapa da viagem, que é a sua preparação, e que lhe ensinou “muito como pessoa, como português e como ser humano”. O fotojornalista apercebeu-se que “o país vive num sistema poluído, numa sociedade que se assenta em falsos conceitos de segurança e liberdade e justiça”. E acrescenta: “A maioria da população portuguesa vive numa rotina de ter uma família, uma casa, um emprego e de, ao final do mês, contar os tostões para pagar aos bancos. Habituam-se tanto a essa rotina que não têm noção do que está para além disso, que é muito mau”.
Mário Cales completou assim a sua lista de objectivos para esta viagem: “Além de querer chegar à China com os Jogos Olímpicos, promover o meu trabalho como fotojornalista e promover a minha imagem e a dos portugueses, tenho um novo objectivo: ajudar os portugueses a perceberem quem são, filhos dos velhos do Restelo ou filhos dos navegadores que descobriram novos mundos”. O espinhense acredita que “é necessário uma revolução de ideias, de mentalidades. As pessoas têm que ver se estão a fazer alguma coisa para deixar o mundo melhor para a próxima geração ou se contribuem para que Portugal seja o último país da Europa”.

Mensagem de coragem
Mário Cales vai, depois da viagem pela Europa, partir em direcção à Ásia, passando pelos “países do médio oriente, Irão, Paquistão, Índia, Vietname, Tailândia, até chegar à China”. O espinhense vai tentar, sempre que possível, viajar à beira-mar, porque adora “o mar”.
Além disso, quer “passar sempre por sítios com significado espiritual”. Por exemplo, no dia da partida, no próximo dia 13 de Abril, Mário Cales vai partir do adro do Mosteiro de Leça do Balio com o nascer do sol, vai passar por Espinho, sua terra natal e segue em direcção a Lisboa, onde quer estar na Torre de Belém às 10h30. Depois, parte em direcção ao Algarve, com paragem em Sagres, local histórico de onde os navegadores portugueses partiam. Depois de sair de Portugal, Mário Cales vai tentar passar sempre por lugares que sejam de grande importância espiritual, até porque “é uma vertente muito importante na viagem e tem a ver com os objectivos pessoais” do fotojornalista.
Como palavras finais, Mário Cales garante que vai “fazer tudo o que é humanamente possível para chegar à China, não só por uma questão de brio próprio”, mas também porque a mensagem que quer transmitir é “uma mensagem de coragem, de incentivo, para que os portugueses procurem ser pessoas melhores”.

Lília Marques

quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Manter a vila de Silvalde limpa e asseada

Há um ano, a Junta de Freguesia de Silvalde contratou seis funcionários para tratarem da higiene e da limpeza da vila. A autarquia, juntamente com o Centro de Emprego de Gaia, deu, assim, trabalho, por um ano, a três homens e três mulheres que estavam no desemprego ou a receber o rendimento mínimo nacional. Com o final dos contratos à vista, o presidente da autarquia quer seleccionar nova equipa, já que o trabalho que é efectuado é muito útil.

O final deste mês marca também o término do contrato de um ano que seis trabalhadores têm com a Junta de Freguesia de Silvalde. Os funcionários foram contratados ao abrigo de uma iniciativa entre a autarquia silvaldense e o Centro de Emprego de Vila Nova de Gaia, que permitiu empregar pessoas que estavam no desemprego (e consequentemente, a receber o subsídio de desemprego) ou que recebiam o rendimento mínimo nacional.
As três mulheres e os três homens foram escolhidos pessoalmente pelo presidente da Junta de Freguesia, Abel Gonçalves. Como critério de selecção esteve o facto de serem todos de Silvalde e demonstrarem “grande vontade de trabalhar”, explicou o autarca.
Desde então, a Junta de Freguesia conta com uma equipa que trata de todas as questões relacionadas com a higiene e a limpeza da vila. “Cuidam das ruas, do adro da Igreja, das valetas, das praias, dos locais públicos da vila”.
Quanto às remunerações, a autarquia paga aos seis trabalhadores o rendimento mínimo garantido (valores que depois são retribuídos à Junta pelo Centro de Emprego), mais o subsídio de alimentação e o seguro contra acidentes de trabalho. “O subsídio de transporte não pagamos, porque eles são todos de cá”, acrescentou Abel Gonçalves.
Embora esta equipa de trabalhadores acabe o seu vínculo agora, o presidente da Junta quer brevemente repetir a experiência: “Vou seleccionar outra equipa nos próximos meses. Fazemos uma folga de um mês e voltaremos a dar início ao processo”. Abel Gonçalves considera que “o trabalho que eles fazem é de muita utilidade e, além disso, não fica muito caro à autarquia”. E acrescenta: “Doutro modo, a Junta não tem pessoas suficientes e o trabalho deles é muito precioso”.
O presidente da Junta de Freguesia de Silvalde explica que os seis funcionários “estão muito satisfeitos com o contrato e queriam renovar, mas, infelizmente, por lei, isso não é possível”. Os trabalhadores que agora acabam só poderão voltar a participar no processo para o ano seguinte e o autarca pensa, “se estiverem ainda sem emprego, voltar a chamá-los para a equipa”.

Boa experiência
O Jornal de Espinho foi encontrar as três mulheres da equipa de limpeza e higiene na Capela da Nossa Senhora das Dores, em Silvalde. Entre as funcionárias, o humor e a boa disposição é uma constante no trabalho. Porém, a tristeza é bem visível quando se fala no final dos seus contratos.
Maria Fernanda Dias confessou ao JE que, no início, não gostava do que fazia e que lhe custava um pouco: “Nunca tinha feito este tipo de trabalho, mas com o tempo habituei-me e agora gosto muito”.
Com Maria Fernanda trabalha a sua filha, Ana Santos, de 19 anos. “Na altura, quando começamos, eu tinha vergonha. Tinha acabado de sair da escola e conhecia muita gente”, conta. Passado um ano, Ana Santos encara o seu trabalho de outra forma e quando conhece alguém, brinca com a situação. “Agora que está a acabar, eu queria voltar ao princípio, porque é uma experiência muito boa”, esclarece. Ana Santos gosta “de trabalhar ao ar livre” e só é mais incómodo quando chove: “Temos que permanecer no local onde estamos a trabalhar, mesmo com a chuva”. A jovem tem consciência da importância do trabalho da equipa: “Mantemos a vila limpa e asseada”.
Anabela Santos é a última mulher da equipa de higiene e limpeza. Encarou este ano como uma “experiência maravilhosa” e lamenta não poder renovar o contrato, mas sabe que é uma imposição da lei.

Anta segue o exemplo
Também há um ano, a Junta de Freguesia de Anta aderiu a esta iniciativa. A autarquia antense contratou quatro funcionários, dois do sexo feminino e dois do masculino, que estavam, na altura, a auferir o rendimento mínimo de inserção.
À semelhança do que acontece em Silvalde, os trabalhadores ocupam-se da limpeza da vila, mantendo-a asseada. Para o autarca Napoleão Guerra, o trabalho destes funcionários “é muito útil para a própria Junta, que tem poucos recursos humanos, e para a vila”. Com os contratos também a fecharem ao fim de Março, Napoleão Guerra pretende repetir a experiência e contratar novos funcionários.

BE denuncia irregularidades

Desde 2004 que a obra de rebaixamento da linha tem vindo a causar transtornos e a dividir as forças políticas do concelho. Agora, o Bloco de Esquerda une-se contra a opinião do PS e PSD acerca do parque de estacionamento a construir a norte do Rio Largo. Em causa está a Reserva Ecológica Nacional e a falta de um estudo de impacto ambiental para a aprovação da obra.

O núcleo do Bloco de Esquerda de Espinho divulgou recentemente uma comunicação onde denuncia certas irregularidades no projecto de construção de um parque de estacionamento a norte do Rio Largo, no âmbito da obra de enterramento da linha férrea.
Em causa está uma informação do vogal Carvalho e Sá, apresentada em Assembleia Municipal, sobre uma reunião com a REFER no passado dia 16 de Janeiro. No comunicado, e segundo o documento enviado pelo BE, há uma consideração que merece o destaque do bloco. É a que refere a ocupação da praia e da Reserva Ecológica para a construção do túnel para viaturas que a Câmara Municipal de Espinho e a Junta de Freguesia de Espinho querem construir a norte do rebaixamento da linha do caminho-de-ferro.
Na já referida reunião, foi apresentado um projecto da CP que vai para além da actual localização dos parques de estacionamento do Rio Largo construídos durante uma governação social-democrata.
Ora, o Bloco de Esquerda considera que essa ocupação da Reserva Ecológica Nacional é ilegal e constitui mais um “atentado ao ambiente, como já o fora a construção do referido estacionamento em cima da duna”.
Segundo o documento, o problema agrava-se porque a Câmara e a Junta “querem avançar ainda mais com a construção para cima da praia”, o que é uma contradição, diz o BE, pois a Junta já se afirmou “amiga do ambiente”.
O núcleo do BE de Espinho salienta ainda que “não há nenhum estudo de impacto ambiental que autorize a ocupação de mais um pedaço de praia”. Ora, o PSD não refere no seu comunicado haver qualquer problema com o estudo do impacto ambiental.

Modificações constantes no plano de obra
O Bloco de Esquerda não deixa de salientar ainda as constantes contradições e mudanças no projecto inicialmente previsto. Desde a ideia inicial do Partido Socialista em fazer o rebaixamento da linha em toda a extensão da cidade, para depois ser feito apenas na zona central. A incoerência verifica-se também, segundo o BE, quando estava previsto um parque de estacionamento subterrâneo para a Avenida 8, que agora já pode não ser construído. Mas o mais flagrante é quando a própria oposição, mais concretamente o PSD, e segundo o BE, disse que era contra as saídas do túnel a Norte e Sul, e agora apresenta soluções que, além de piorarem “o projecto, que já é mau”, ainda ajudam o PS.
Por fim, o Bloco de Esquerda salienta que “o projecto de rebaixamento da linha-férrea enganou os Espinhenses, é um enorme erro do ponto de vista ambiental, e que com as propostas de ajuda do PSD ao PS o projecto fica ainda pior”.