sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Estão em Espinho os melhores do mundo...

Espinho volta a ser o quartel-general de Ricardo e Emanuel na concentração para os Jogos Olímpicos. A dupla brasileira, número 1 do ranking mundial de voleibol de praia, quer que a nossa cidade sirva novamente de talismã para a conquista da medalha de ouro, tal como sucedeu, há quatro anos, em Atenas

É, para muitos, a melhor dupla da história do voleibol de praia mundial. Os próprios não assumem essa distinção, mas consideram que são mais fortes juntos do que com os antigos companheiros (Emanuel jogava com Loiola e Ricardo com Zé Marco). Mas se as opiniões são discutíveis, os factos nem por isso e esses dizem que estes brasileiros são os líderes do ranking mundial, há vários anos, e que são os actuais campeões olímpicos. Então, a pergunta que enche qualquer um de curiosidade é: porquê Espinho como cidade escolhida para preparar mais uma participação nos Jogos Olímpicos? A justificação tem vários motivos, mas é dada de forma simples e directa por Emanuel. “Espinho permite-nos fazer uma rotina de treinos parecida à que fazemos no Brasil, temos aqui o Ginásio Activa, onde nos sentimos muito bem, e também a possibilidade de treinarmos com o Miguel e o João, que são excelentes jogadores e fazem-nos evoluir diariamente. Além disto, esperamos que Espinho nos volte a dar sorte, tal como há quatro anos, porque também nos preparámos para Atenas aqui”, desvenda. Ricardo acrescenta que, em Espinho, a dupla se sente “como se estivesse em casa” e, por isso, optaram por passar estes meses na nossa cidade, saindo apenas para jogarem as etapas do Circuito Mundial.
Ambos os jogadores conhecem a cidade há muitos anos. Emanuel jogou no Open de Espinho pela primeira vez em 1994 e Ricardo estreou-se quatro anos depois, pelo que lamentam o facto de, este ano, não haver etapa na praia da Baía. Segundo Emanuel, “a areia de Espinho é especial e torna os jogos melhores”, já Ricardo diz que esta era uma das suas “provas preferidas”.

“A dupla diferente”
A dupla brasileira nutre uma enorme amizade pelos espinhenses Miguel Maia e João Brenha. Emanuel recorda que os conheceu, há 14 anos, no Japão, e Ricardo lembra que os portugueses também já estiveram a treinar com eles no Brasil. Ambos são da opinião que Maia e Brenha são “uma dupla de respeito” e Emanuel deixa um apontamento curioso sobre eles. “São vistos como uma dupla que tem um estilo completamente diferente de todas as outras. O Miguel é muito habilidoso, o que lhes permite jogar bolas mais rápidas, e por isso têm uma maneira diferente de jogar. Eles montaram uma escola diferente e, treinando na difícil areia de Espinho, conseguem superar mais facilmente as dificuldades no estrangeiro”. Ricardo concorda e lembra que já sofreu na pele a valia de Miguel Maia e João Brenha, quando perdeu, ao lado de Zé Marco, duas finais com a dupla espinhense.

Leonardo Abreu, dono do Ginásio Activa
Leonardo Abreu é compatriota de Ricardo e Emanuel, o que ajudou à criação desta amizade que já dura há vários anos, e sente-se especialmente feliz pela dupla treinar no seu ginásio. “Eles não quiseram quebrar a tradição e voltaram a escolher Espinho para se prepararem. É um orgulho ter no meu ginásio os campeões do mundo, porque é sinal que gostam das nossas condições. De certa forma, eles depois também vão representar um pouco Espinho, que é praticamente a cidade deles neste momento”, afirma. Leonardo Abreu está bastante esperançado que Ricardo e Emanuel “voltem a conquistar o ouro olímpico”.

Época balnear com muita animação

O calor sentido no final do mês de Abril já levou muitas pessoas às praias espinhenses, mas só a partir do próximo dia 15 de Junho é que será inaugurada oficialmente a época balnear. No concelho, a única praia a ser galardoada com o título de Bandeira Azul este ano, e como aconteceu o ano passado, é a praia da Baía.
A partir do próximo mês e até ao final de Setembro, as praias espinhenses estão prontas para receber as centenas de pessoas, quer de localidades próximas como até do estrangeiro, que se deslocam à cidade para desfrutar da areia branca e do mar, embora gélido, que são um dos cartazes do turismo de Espinho.
Apesar da abertura oficial da época balnear estar ainda a cerca de um mês, há já alguns bares de praia que estão abertos. É o caso do Marbelo e do Surfing, da propriedade de Luís Carvalho, que é também presidente da Associação dos Concessionários dos Bares de Praia de Espinho.
Luís Carvalho promete “um Verão com muita animação”. Em relação ao Marbelo, “está previsto dar continuidade com o projecto desportivo. Vamos fazer torneios de voleibol, andebol e futebol de praia e temos a intenção também de promover o rugby de praia e o futvolei”. Além disso, a iniciativa das 24 horas de andebol de praia, já realizado em outros anos, “vai ser neste Verão de 48 horas”. Para o Surfing, Luís Carvalho desvendou que estão programadas “várias festas temáticas, com DJ´s convidados, e ainda estamos a ver se conseguimos fazer uma grande festa de praia para encerrar o Verão”.
Animação é o que também promete Celestino Carvalho, um dos proprietários do bar de praia Do Boop, na Praia da Baía. “Todas as sextas-feiras, vai haver animação no bar. Já nesta sexta-feira, vamos ter uma jam session”. Além disso, estão planeados concursos de danças, de cocktails e também música ao vivo.

domingo, 18 de Maio de 2008

Carta de indignação dos comerciantes do Mercado Municipal de Espinho

Vimos por este meio expressar a nossa tristeza perante as decisões da Câmara Municipal de Espinho que, ao longo dos anos, muito têm prejudicado os comerciantes do Mercado Municipal.
Comecemos, então, pelas tão esperadas obras de melhoria do Mercado Municipal. Estas, de facto, aconteceram, mas não agradaram nem aos comerciantes, nem tão pouco aos clientes e população espinhenses. Tanto a nível estético como de funcionalidade, o “reconstruído” Mercado ficou muito aquém das expectativas. O que lamentamos profundamente, pois não compensou as despesas que tivemos durante esse processo.
Cumprimos a nossa parte, desocupamos as lojas para que as obras tivessem início na data apresentada pela Câmara, mas nem por isso o prazo de 10 meses que nos foi dado foi cumprido. E mesmo assim continuamos a suportar as despesas inerentes a esse processo, a saber: aluguer de monoblocos; pagamento dos metros que estes ocupavam no terreno e que, ironicamente, serve agora de estacionamento gratuito; água; electricidade; bem como a dependência dos nossos clientes se mostrarem receptivos a deslocarem-se e serem servidos num monobloco.
Quando, finalmente, as obras terminaram, regressamos com novo alento e esperança de sobreviver às inúmeras despesas que tínhamos tido. Infelizmente, estas despesas estavam longe de terminar! Para nosso espanto, as lojas foram-nos entregues em bruto e, com isto, esclarecemos que só tinham as portas, portanto, lá tivemos de sobrecarregar o orçamento – pintura, tijoleira, projecto de electricidade, etc.
Enfrentamos todo este processo e sobrevivemos, tentando honrar o Mercado que reconhecemos com orgulho, ser uma referência na cidade – embora, as paredes em lastimável estado, após 3 anos da sua reconstrução e o crescendo de desocupação das próprias lojas nos leve a crer que o Mercado Municipal terá poucos anos de vida.
As rendas aumentam anualmente e a nossa pergunta impõe-se: Qual a justificação para esse aumento? Que mais valias temos tido? Acrescem aqui as perguntas para as quais também não temos resposta: Por que motivo o piso superior ainda está inutilizado? Qual a finalidade ou a funcionalidade de um espaço vazio? Estas perguntas não são só nossas, são também dos clientes do Mercado e é com frustração que não encontramos resposta.
Até aqui permanecemos calados, mas agora não podemos pactuar mais com o nosso silêncio. Somos obrigados a fechar o estabelecimento nos feriados!
Não podemos ser insultados desta forma, quando o que queremos é trabalhar. Todo o comércio de Espinho está aberto, como conseguimos, então, engolir, que o Mercado, mesmo após requerimento entregue na Câmara, com a nossa necessidade de trabalhar, encerre?
Como comerciantes do Mercado não podemos deixar de exprimir a nossa preocupação e desgosto por não sermos ouvidos e respeitados. O Mercado Municipal merece outro tratamento e estima!
Atentamente,
António Júlio Gonçalves
António Carlos Gonçalves (militante PS nº 23937)
Sérgio Oliveira
Laurinda Alves
Maria Silva
Aurora Prazeres
Glória Duarte
Margarida Silva
Manuel Barros
Talho Pessegueiro
Talho Moderno
Alzira Almeida
Ângelo Marques
Maria Santos
Joaquim Coelho
Rosa Sousa
Mª Conceição Maganinho
Maria Loureiro
Maria Moreira
José Carlos Ferreira
Rogério Conceição

Desta carta, constam ainda mais seis nomes, cuja assinatura não é legível.

Primeira parte da “obra do século” está pronta

Com 20 meses de atraso o túnel ferroviário da obra de enterramento da linha está pronto. Apesar dos inúmeros contratempos ocorridos desde o início, o primeiro comboio, um alfa pendular, fez as honras do túnel ao início da manhã do último domingo. A nova estação abriu também ao público, com novos serviços e uma nova forma de comodidade. Resta agora esperar pela requalificação à superfície que, apesar de ter já um projecto aprovado, não tem ainda data prevista para o arranque. José Mota conquistou, assim, uma vitória que ansiava há mais de dez anos.

O dia 3 de Maio de 2008 entrou para a história de Espinho como uma data que alterou os hábitos, as rotinas e os percursos há muito instituídos na cidade. Desde as 23h00 do passado sábado, os espinhenses deixaram de ouvir os apitos estridentes dos comboios a anunciar a sua chegada, partida ou passagem pela cidade; deixaram de se preocupar em atravessar a linha-férrea com atenção e deixaram de ter que esperar que as cancelas das passagens de nível abrissem para poderem passar com os carros para o lado da praia ou no sentido inverso. Foi a essa hora que Espinho viu passar o último comboio à superfície.
Às sete da manhã de domingo, o túnel ferroviário que agora se encontra por debaixo da antiga linha-férrea, recebeu o seu primeiro “inquilino”. O Alfa Pendular, que partiu de Braga e se dirigia para Lisboa, foi o primeiro comboio a passar e a atravessar oficialmente a grande obra do século XXI, como José Mota tem vindo a apelidar ao longo dos anos.
A nova estação de Espinho e o novo túnel ferroviário abriram as portas à população por volta das 06h55 e foram vários os populares que se levantaram mais cedo da cama e que não quiseram perder este momento histórico para a vida da cidade. A passagem do Alfa Pendular pelo novo túnel foi festejada pelos espinhenses presentes assim como pelos vários trabalhadores da obra com palmas e sorrisos.
Durante o dia de domingo, apenas uma das duas linhas que constituem a Linha do Norte esteve funcional, para que alguns trabalhos de última hora fossem finalização. Entre Esmoriz e a Granja, as composições circularem numa única via, o que acabou por provocar muitos atrasos na Linha do Norte. Já na segunda-feira de manhã, o tráfego ferroviário voltou à normalidade e os comboios passavam pelas duas linhas.

Grande aposta de José Mota
O enterramento da linha-férrea na cidade é uma ideia com alguma longevidade. O presidente da Câmara Municipal, José Mota, assumiu-se sempre como o maior impulsionador e defensor da “obra do século” e, desde 1995, lutou para que o projecto fosse avante. No entanto, o PSD, que esteve no poder antes do Partido Socialista, reivindica para si a “paternidade” da ideia.
Polémicas à parte, foi José Mota que convenceu João Cravinho, na altura ministro das Obras Públicas do primeiro governo de António Guterres, a dar o sinal positivo para o arranque da empreitada. Com o aval de João Cravinho, ficou também decidido que, do orçamento de 60 milhões de euros, o Estado comparticiparia com 40 milhões e a autarquia espinhense pagaria os restantes 20 milhões. Cinco milhões estão guardados para a requalificação urbana do espaço deixado livre à superfície.
As obras começaram em 2004 para criar um túnel subterrâneo com um comprimento de 954 metros. O rebaixamento das duas linhas estende desde o quilómetro 315,775 até ao 317,725 da Linha do Norte, numa extensão de quase dois mil metros. No total, a intervenção a nível ferroviário na cidade de Espinho fez-se num comprimento de 3750 metros, desde o quilómetro 314,950, junto ao apeadeiro de Silvalde, até ao quilómetro 318,700, próximo do lugar de Juncal.
Durante os quatro anos de execução das obras, a cidade viu-se alvo de muitas alterações, polémicas e problemas. Recorde-se que, para o enterramento da linha-férrea, a histórica estação de Espinho foi demolida e foi substituída por uma provisória implantada nuns pré-fabricados e ainda que as famosas palmeiras da Avenida 8 foram transplantadas para a Avenida 32. Até os históricos azulejos que retratavam a vida e as gentes da cidade de antigamente, construídos pela mão de Romeu Vitó, na altura presidente da Junta de Freguesia de Espinho, foram destruídos como consequência da obra que fechou a passagem subterrânea em frente ao Casino.
Além disso, a zona envolvente à linha-férrea começou a sofrer com os trabalhos. Os habitantes da zona queixaram-se muitas vezes do barulho das obras que decorriam dia e noite; os rebentamentos das pedreiras subterrâneas causaram muitos sobressaltos e a constante circulação de veículos pesados danificaram as estradas nos locais mais críticos. O emblemático pontão perto do Rio Largo, que unia pelo ar a parte este ao lado oeste da cidade e que era muito utilizada por aqueles que não queriam esperar que as cancelas abrissem, principalmente na altura balnear, foi cortado e teve como alternativa uma nova passagem de nível, de apenas um sentido, na Rua 15. Quem não se lembra também dos protestos dos habitantes do Bairro da Marinha, que viam nas paredes de betão entretanto criadas para protecção das vias uma forma de criar guetos na cidade?
As situações em redor da obra do século fizeram muita tinta correr nos jornais e muitos foram os transtornos que se somaram ao longo destes quatro anos de obra. Agora, finalmente os espinhenses podem ver os seus frutos. Com quase 20 meses de atraso, o novo túnel e a nova estação já estão em funcionamento e as obras relativas ao rebaixamento da linha-férrea devem ser dadas como concluídas no final de Junho.

Menos trânsito, mais qualidade de vida
Apesar de alguns espinhenses defenderem que Espinho sem comboios é como “um jardim sem flor”, outros há que acreditam que este projecto agora finalizado tem muitas vantagens. Opinião idêntica é a de Susana Abrantes, da Direcção de Comunicação e Imagem da Rede Ferroviária Nacional (REFER). Em declarações ao Portugal Diário, Susana Abrantes expressa que, para a REFER, a obra de enterramento da linha-férrea é uma mais-valia para Espinho.
A redução do ruído acústico é uma das consequências desta obra. Recorde-se que, aquando da implantação da estação provisória, cujas passagens de nível tinham avisos sonoros muito acentuados, muitos foram os moradores que se mostraram incómodos. Agora, pelo menos no centro da cidade, o barulho causado pelas três passagens de nível existentes está extinto. A poluição sonora causada pelo próprio passar dos comboios por Espinho deixou também de existir, promovendo assim uma melhoria da qualidade de vida dos habitantes da cidade.
Também o trânsito vai, com o desaparecimento dos comboios à superfície, sofrer alterações. As filas que se criavam quando as cancelas estavam fechadas deixaram de transtornar os automobilistas, o que vai mostrar útil para a época balnear que se aproxima.

Requalificação à superficie
Depois da obra de enterramento da linha-férrea ficar concluída em finais do próximo mês, devem seguir-se as obras da requalificação do espaço deixado livre à superfície. Já é público que Rui Lacerda foi o vencedor do concurso de ideias para a elaboração do projecto de reabilitação da superfície. O arquitecto espinhense projectou, para aquele espaço, uma espécie de rede esticada constituída por módulos, que poderão ser preenchidos com diversos materiais (como madeira, pedra ou água e espaços verdes). O espaço poderá depois receber cafés, parques infantis, galerias, parques de estacionamento, entre outras possibilidades.
Apesar de já ter sido anunciado o vencedor, o projecto da requalificação da superfície deixada livre pelo rebaixamento da linha-férrea ainda é tema de polémica, como aconteceu na última Assembleia Municipal.
Vicente Pinto, vogal do PSD, recordou na última assembleia municipal que, em 2006, os vogais aprovaram um documento apresentado pelo PSD que propunha um concurso de ideias internacionais para a requalificação da superfície da obra de enterramento da linha-férrea. Qual o seu espanto quando, na passada semana, leu na comunicação social que o concurso já foi lançado, aprovado e que já há, inclusive, um vencedor. Vicente Pinto mostrou-se indignado pelo facto de a Assembleia Municipal não ter sido ouvida sobre o assunto, e ter tido apenas conhecimento do caso pelos jornais.
Graça Guedes, presidente da Assembleia Municipal, aproveitou a oportunidade para responder e explicou que a autarquia aprovou em reunião de Câmara o referido concurso. Acrescentou ainda que o presidente da Câmara, José Mota, deu a conhecer à Assembleia o decorrer do concurso. A presidente explicou que ela própria fez parte do júri, “como representante da Assembleia Municipal” e sugeriu que se fosse marcada uma sessão extraordinária da assembleia para que o arquitecto ganhador pudesse apresentar a sua proposta a todos os vogais.

Interface voltado para o futuro
O dia três de Maio vai ficar ainda marcado na história da cidade pela inauguração da nova estação de Espinho. Situada em frente ao edifício Palmeiras, em plena Avenida 8, a nova estação encontra-se adequada às exigências dos novos tempos, tendo presente o conceito de inter modalidade projectado numa infra-estrutura futurista.
Do lado de fora, o edifício, vestido de cinza e castanho, destaca-se na paisagem e confere ao centro de Espinho uma imagem de modernidade. Do lado de dentro, que os passageiros têm acesso através da Avenida 8, o primeiro andar está equipado com máquinas de venda de bilhetes, e postos andantes, assim como bilheteiras com serviço personalizado. Os passageiros podem ainda ter acesso a um quiosque à semelhança e a um posto Multibanco.
Mas a grande mais valia da nova estação é a comodidade que vai oferecer aos passageiros. Se antes, quem esperava pelo comboio estava sujeito à chuva e ao frio, agora a situação é bem diferente, pois a interface é subterrânea. O acesso à plataforma da linha é feito através de escadas rolantes e à semelhança de grandes estações ferroviárias, os passageiros podem saber, através de painéis electrónicos, quando é que vai chegar o próximo comboio, e qual o tempo de espera.

Lília Marques

sexta-feira, 9 de Maio de 2008

TGV já mexe com o concelho

Foi aprovado, a 27 de Março de 2007, um decreto de lei que instaura medidas preventivas para a zona de passagem da futura linha do TGV. No traçado que vai do Porto a Lisboa, Espinho vai ser uma das zonas afectadas, sendo que a freguesia de Anta fica mesmo no centro da área reservada. Estas medidas, ainda não decretam nada em definitivo, apenas servem para prevenir a construção no local sem autorização prévia da REFER, e os autarcas espinhenses não se mostram preocupados.

No decreto de lei número 7 de 2008, lançado a 27 de Março, foram implementadas medidas preventivas em todo o concelho de Espinho no âmbito da implementação da linha-férrea de alta velocidade. O documento explicita que “a rede ferroviária de alta velocidade constitui um empreendimento público de excepcional interesse nacional e dimensão ibérica e europeia, que representa um compromisso de desenvolvimento económico, de coesão territorial e social e de sustentabilidade ambiental do País, e que tem por objectivo a reformulação do sector ferroviário, enquanto meio privilegiado de reforço do aumento da produtividade e competitividade do tecido empresarial instalado em Portugal e de satisfação das necessidades de mobilidade das populações”. No entanto, e em termos práticos, o que vai esta nova obra implicar na vida dos espinhenses?

Terrenos reservados por dois anos
Segundo o decreto de lei lançado, as medidas preventivas servem para, de grosso modo, preservar os possíveis espaços para a obra, para “face ao risco real de ocorrência de alterações do uso do território, bem como da emissão de licenças ou autorizações que contendam com os estudos já realizados e que possam comprometer a concretização da ligação Lisboa-Porto da rede ferroviária de alta velocidade, ou torná-la mais difícil e onerosa, estabelecer medidas preventivas que acautelem a necessidade de programação e a possibilidade de execução deste empreendimento público”.
Ou seja, as infra estruturas que se localizarem na zona afecta ao traçado do TGV, terão de consultar a REFER para qualquer alteração no terreno. Em concreto, qualquer cidadão ou entidade terá de pedir autorização à REFER para os seguintes casos: criação de novos núcleos populacionais, incluindo operações de loteamento; construção, reconstrução ou ampliação de edifícios ou de outras instalações; instalação de explorações ou ampliação das já existentes; alterações importantes, por meio de aterros ou escavações, à configuração geral do terreno; derrube de árvores em maciço, com qualquer área e destruição do solo vivo e do coberto vegetal.
Assim, quem quiser proceder a alterações nas zonas demarcadas tem que apresentar um requerimento à REFER que tem um prazo de 20 dias úteis para apresentar a resposta. Estas medidas preventivas estão definidas por um prazo de dois anos, podendo esse período alargado por mais um ano.

Traçado só em 2009
Em Assembleia Municipal, Rolando Sousa, vice-presidente da Câmara Municipal de Espinho, confirmou as medidas preventivas do decreto de lei, afirmando que as mesmas se estendem em 4,5 km2 da cidade de Espinho. O traçado das medidas preventivas estendem-se, segundo o autarca, a nascente de Paramos, Anta e Guetim, num túnel de 300 a 400 metros de largura. Na reunião o vice lembrou ainda que se tratam apenas de medidas preventivas, o que “quer dizer que qualquer obra tem que ter um parecer da REFER”. A definição do traçado porém, tal como adiantou, está prevista apenas para 2009.

O que vai mudar em Espinho?
Alfredo Rocha, presidente da Junta de Freguesia de Guetim, considera que “as medidas são altamente prejudiciais para o concelho e não eram uma prioridade”, no entanto, acredita que são apenas previsões. Para já, as medidas da REFER abrangem cerca de 700 metros, numa área desde a Igreja até ao Campo de Guetim. Para o autarca, seria muito melhor que o traçado fosse construído junto da A1, até porque “já existe um estudo de impacto ambiental e há pouca habitação na zona”. Apesar de ter consciência que, na realidade, o traçado só vai ter entre 30 a 40 metros, Alfredo Rocha considera que a linha de alta velocidade “ao passar em Guetim vai dividir a freguesia”. E mais, “o concelho de Espinho já é pequeno e tudo o que seja feito para dividir a cidade é mau”. Para já, tem uma convicção: “Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para tirar o TGV da freguesia de Guetim”.
Américo Castro é, para já, o mais descansado dos presidentes de Junta do concelho de Espinho. “Felizmente Paramos não é a freguesia mais afectada do concelho, porque o traçado passa em toda a freguesia mas numa área florestal, não ficando próxima de qualquer habitação”, explica o autarca. Para já, e segundo o autarca, “não parece que traga problemas para a freguesia, embora reconheça que o resto do concelho não pode falar da mesma forma”. Tal como explicou Américo Castro, ao ser concretizado este traçado, “vai passar a nascente do campo desportivo e do complexo habitacional da quinta, cerca de 500 metros a nascente”, sendo que “não colide com os interesses directos da freguesia”.
Também Napoleão Guerra, não se mostra de todo alarmado com as medidas preventivas lançadas, e vai ainda mais longe: “É prematuro e alarmista, porque ainda vai ser muita coisa alterada”. Mesmo por uma questão de economia de custos, o autarca acredita que no traçado definitivo as faixas agora consideradas vão ser reduzidas para metade. Para o dia 27 deste mês, Napoleão Guerra tem já agendado uma reunião com José Mota e com a REFER para defender os interesses da sua freguesia. O presidente confessa até estar tranquilo até porque, se este traçado fosse definitivo, a sua casa em Cassufas desaparecia.
O autarca silvaldense Abel Gonçalves também não está preocupado. Primeiro porque “são apenas medidas de prevenção e ainda não está nada definido” e o que está previsto para Silvalde é apenas “uma pequena porção”. Em suma, a zona afectada na freguesia pelas medidas preventivas fica situada junto a Gulhe, entre Oleiros e Paramos.

Maria João Magalhães

Apanhado com 2,13g/l

Na última semana, a PSP de Espinho deteve sete pessoas. Três indivíduos foram detidos por apresentarem uma taxa de alcoolémia superior à permitida por lei enquanto conduziam; outros dois homens pela condução sem estarem devidamente legalizados para o efeito. As forças de seguranças espinhenses detiveram ainda um homem e uma mulher em cumprimento de mandatos judiciais.

No passado domingo, em plena tarde, a PSP de Espinho deteve um homem de 48 anos por este se encontrar a conduzir um veículo automóvel sob o efeito de álcool. Os elementos policiais verificaram que a taxa de alcoolémia do indivíduo era de 2,13 g/l, valor que já e considerado crime pelo código da estrada.
Também no domingo, mas de madrugada, um outro homem, de 30 anos, foi detido pela Polícia de Segurança Pública da cidade por condução de um automóvel com 1,84 gramas de álcool por litro de sangue. O mesmo motivo esteve na origem da detenção de um indivíduo de 33 anos, que no passado feriado, dia 1, foi apanhado a conduzir com uma taxa de alcoolémia de 1,72 g/l.
A PSP de Espinho deteve ainda mais quatro pessoas. No dia 2 e no dia 3, as forças de segurança detiveram dois homens, um desempregado de 59 anos e um electricista de 39 anos, por ambos conduzirem um ciclomotor sem estarem devidamente legalizados para o efeito. Já na passada semana, nos dias 28 e 29 de Abril, os elementos policiais procederam à detenção de uma mulher de 31 anos e de um homem, empregado de hotelaria de 28 anos, em cumprimento de mandatos de detenção.
Na última semana, a Polícia de Segurança Pública registou dez acidentes de viação e foram, levantados seis dezenas de autos de contra-ordenação, por infracção às regras de trânsito do Código da Estrada.

segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Perfil do presidente da Junta de Espinho

Oriundo do coração da cidade, Rui Torres é o actual presidente da freguesia que o viu nascer. Depois de um percurso pelas colectividades espinhenses, decidiu lançar-se no desafio de fazer algo pela sua terra e, apesar dos receios de ingressar na política, “a paixão por Espinho falou mais alto”. Para o futuro da cidade, o presidente apenas deseja que ela reencontre as suas raízes para voltar a ser a “Rainha da Costa Verde”.

Espinho viu nascer, a 10 de Janeiro de 1973, Rui Torres, actual presidente da Junta de Freguesia de Espinho, eleito nas últimas eleições autárquicas. Uma parte da infância foi passada fora da sua terra natal. “Até aos meus 11 anos, fiz os meus estudos na Granja, onde a minha falecida mãe tinha um salão de cabeleireiro”, conta Rui Torres. Mas para o ciclo, as saudades da cidade falaram mais alto e matriculou-se em Espinho, naquele que foi “o ano inaugural da Escola Sá Couto”, que, na altura, recorda, “era enorme e muito moderna”. Algumas das amizades que hoje prevalecem, confessa, começaram na Sá Couto. Na continuação do percurso académico, o ensino secundário foi passado na Gomes de Almeida, “muito embora tenha ido para o colégio liceal de Santa Maria de Lamas repetir e concluir o 12º ano”, o que, tal como recorda, “era a moda” da altura. Da antiga Industrial, Rui Torres não esconde que tem “recordações de momentos fantásticos”, que foram reavivadas numa recente visita ao estabelecimento.
Depois de concluído o secundário, o presidente chegou a ingressar no ensino superior. Engenharia Civil no ISEP (Instituto Superior de Engenharia do Porto) foi o curso escolhido, que Rui Torres não pode terminar devido à morte do seu pai.
Ainda antes de ingressar na faculdade, começou a trabalhar. “O meu primeiro ordenado foi como vigia da Praia POP, durante o Verão dos meus 17 anos. Queira ser nadador-salvador. Fiz o curso no ano seguinte e aproveitei os sete anos seguintes para subsidiar as minhas férias e os meus estudos”, recorda. A experiência como jogador de voleibol também ajudou a juntar “algum dinheirito”, que “dava para ir jantar fora com os amigos ao sábado à noite”.

Das finanças para a política
1996 foi um ano marcante para Rui Torres. “Após o falecimento do meu pai fui “forçado” a interromper os estudo e a iniciar uma actividade profissional”, conta. A actividade profissional no sector bancário começou no ano seguinte quando ingressou no Banco Pinto & Sotto Mayor. A partir deste momento, a evolução profissional foi evidente. “Comecei em Santa Maria de Lamas, no atendimento geral. Fazia de tudo um pouco”, explica Rui Torres. No ano seguinte, no dia 18 de Janeiro, foi colocado no Balcão de Espinho, na Avenida 24 com a Rua 33. “Comecei no balcão como caixa e saí em 2004 na função de gestor de clientes”, conta orgulhoso. Hoje, tal como explicou, o Balcão do Millennium chama-se “Avenida”, por sua sugestão.
O ano de 2004 ficou marcado pela transferência para o Banco Santander, também na função de gestor de clientes, função que manteve até final de Abril de 2007. “Agora dedico-me em exclusividade à Junta de Freguesia de Espinho. A actividade bancária e gestão financeira ficam para mais tarde”, explica.
Voltando dois anos atrás, quisemos saber como é que Rui Torres chegou à presidência da Junta de Freguesia de Espinho, e a resposta não tardou: “A paixão por Espinho deu nisso”. E vai ainda mais longe: “Quem quer saber o vai acontecendo na sua terra, quem quer contribuir com ideias e projectos, mais dia menos dia estará na política. Foi assim que comecei”, remata. Mas, apesar de ter ficado “muito satisfeito com o convite para as eleições”, Rui Torres confessa: “Hoje penso que não fiz a devida reflexão. Espinho “falou” mais alto”.
A desilusão é clara na voz do presidente e principalmente quando conta que, “ao tomar posse como presidente de Junta, tinha a expectativa de poder contribuir para uma cidade mais aprazível, aquela que tem tradição” e que, confessa, está no seu coração. No entanto, cedo se apercebeu que “a Junta de Freguesia de Espinho não tem competências para intervir como pensava ser possível. Não tem um espaço próprio de intervenção. Há quem olhe para a Junta de Freguesia como uma colectividade”. Mas Rui Torres é firme e o desejo de modificar esta visão é claro quando diz: “Quero a Junta de Freguesia de Espinho com todas as possibilidade de trabalhar em prol de Espinho e dos espinhenses, mas no terreno”.

“O movimento associativo é uma paixão”
Sócio-fundador do Clube de Voleibol de Espinho, Rui Torres confessa que se sente ligado “a quase todas as colectividade da freguesia”. Sendo “forçado” a dialogar com as colectividades”, aproveita sempre esses momentos “para satisfazer algumas necessidades pessoais, nomeadamente ajudar e contribuir com ideias ou soluções”.
Quanto ao desporto, Rui Torres considera-o fundamental na formação de um jovem. “Como praticante de voleibol, passei pela Académica de Espinho, pelo CVE, pelos Mochos e, claro, pelo S. C. de Espinho, onde aprendi muito do que sou hoje”, explica. Apesar de ter passado por vários clubes, Rui Torres não esconde: “Mentiria se não considerasse o S.C. de Espinho como o “meu clube””.
No entanto, confessa que a sua grande paixão “sempre foram os bombeiros”. Hoje questiona “como é possível passar dias sem ir ao quartel”, pois a ligação à colectividade é muito forte. “Fui director e presidente dos Bombeiros Voluntários de Espinho, também nadador-salvador, mergulhador e, claro, bombeiro”, explica orgulhoso. “O movimento associativo é uma paixão. Servir Espinho é, provavelmente, uma necessidade pessoal”, acrescenta.

O povo espinhense é lutador e ambicioso
Espinho, como cidade, mudou muito desde a juventude de Rui Torres. Então, o que pensa hoje o espinhense sobre a cidade que o viu nascer? O que mais o marcou ou marca na cidade de Espinho? “A resposta é tudo e nada. Nada, quando olho para a cidade na actualidade. Tudo, recordando o passado. Espinho como rainha da Costa Verde”.
Para o futuro, Rui Torres anseia mudanças na sua terra natal. “A nossa Cidade é única. A disposição ortogonal dos arruamentos, o mar e a praia, o comércio e os serviços, as associações e colectividades”. Tudo é perfeito em Espinho, mesmo “o povo espinhense, que é vareiro, amigo e companheiro, lutador e ambicioso”. Por isso, Rui Torres não deseja “que mude muito. Provavelmente apenas que Espinho tenha a mística dos tempos de outrora” e que volte “a ser uma cidade de turismo e tradição”. Confessa que ficará “satisfeito quando sentir que os espinhenses se orgulham de tudo o que temos na cidade”. “A meta é ouvir as pessoas a dizer, com muito orgulho e paixão: Eu vivo em Espinho”, conclui.

Maria João Magalhães

Em Silvalde asfalto substitui paralelo

A autarquia silvaldense prepara-se para fazer obras na freguesia, nomeadamente nas estradas em paralelo. Por serem já antigas e o piso estar muito irregular, a junta decidiu fazer do asfaltamento dessas ruas a principal prioridade de trabalho para este ano. Também o mau estado da Rua do Figueiredo preocupa Abel Gonçalves, que espera que o problema seja resolvido em breve.

O arranjo das ruas de Silvalde é a principal prioridade do executivo local para este ano. Segundo o presidente da Junta de Freguesia, Abel Gonçalves, esse trabalho já estava agendado “no plano de actividades que foi aprovado em Assembleia de Freguesia”.
Desta forma, as ruas da vila que ainda estão em paralelo vão sofrer obras de asfaltamento, até porque, embora não estejam em más condições, “são muito irregulares”. “As pessoas idosas caminham com dificuldade e tropeçam por vezes e têm chegado algumas queixas à Junta”, acrescentou Abel Gonçalves.
As primeiras estradas a ser arranjadas serão as seguintes: Rua António Sales, Rua da Fonte do Loureiro, Rua do Padre Adrêgo e Rua do Silvaldinho. O presidente da Junta de Freguesia quer deixar as ruas de Silvalde “ com um tapete bonito”, para que todas as estradas da vila estejam sempre em boas condições.

Rua do Figueiredo em mau estado
Um dos casos mais flagrantes a nível rodoviário na vila de Silvalde é a Rua do Figueiredo, onde a construção de uns prédios estragou o pavimento, que está cheio de buracos e lombas. Os automobilistas que diariamente têm que lá passar não conseguem deixar de manifestar o seu desagrado quanto às más condições da estrada.
Abel Gonçalves explicou que “a Junta não é a responsável pelo arranjo. O empreiteiro fez as ligações aos ramais do saneamento e da água e tapou os buracos. No entanto, os buracos abriram outra vez”. A Junta de Freguesia, segundo o autarca, “já chamou a atenção do empreiteiro responsável pela obra, que disse que, em breve, vai repor o pavimento”. Aliás, o presidente do executivo local realçou a importância do arranjo: “Os carros têm que ir mesmo muito devagar ou desviarem-se e ir para a outra faixa de rodagem, o que não pode ser”.

Junta pressiona EP
Abel Gonçalves não quis deixar de mencionar as obras de melhoramento da EN 109-4, também conhecida por Estrada de S. Tiago. O autarca recordou ao Jornal de Espinho que a Junta de Freguesia, “há mais de três anos, anda a pressionar as Estradas de Portugal para arranjar a via”. E acrescenta: “A rua estava completamente degradada, cheia de lombas e de covas. E, apesar de não ser uma competência da Junta, pois era uma estrada nacional, nós preocupávamo-nos”.
Da Estradas de Portugal, a autarquia sempre teve a garantia de que “o arranjo estava no seu plano de actividades, mas a disponibilidade financeira não era a melhor” e que “mal tivesse oportunidade que ia levar o seu arranjo a concurso público”, o que aconteceu em 2006. No entanto, as obras só em Março foram realizadas, mas ainda falta a colocação de uma camada de asfalto e das pinturas para estarem mesmo prontas.