JE - Na obra de enterramento da linha-férrea, o que é que não gosta?
JM - Gostava que o comboio fosse enterrado em todo o concelho. Segundo, há cento e muitos anos que Espinho tem linha-férrea e ninguém foi capaz de fazer a obra e eu fi-lo. Garanto que esta obra, se não fosse eu, não tinha sido feita nesta altura. Uma coisa é eu querer que ela fosse feita em todo o concelho, outra coisa é isso ser possível. Se não tivéssemos duas linhas água, uma a Norte e outra a Sul a limitar a obra tínhamos feito melhor do que o que fizemos. Só que os custos são tão elevados que poderíamos por e causa a realização de toda a obra. Havia também um problema de impacto ambiental.
JE - O que acha que fez com que o Governo aceitasse esta obra. Foi o peso político da figura de José Mota?
JM - A autoridade política com que o assunto foi tratado. Saber ser realista e exigir aquilo que era realista e impedir que houvesse elementos para que dissessem que não e no momento certo dizer “nós também comparticipamos”. Se não tivéssemos feito isso no momento certo não tínhamos nenhum túnel em Espinho.
JE - Mas há algum aspecto concreto no enterramento da linha que não tenha gostado?
JM - Neste enterramento não vejo nenhum. Gosto daquilo tudo.
JE - E aqueles tubos que estão no local onde estava a linha-férrea?
JM - Aqueles tubos não estão lá porque eu ou a REFER quisemos, mas porque são importantes para o caso de haver um incêndio num túnel. Evidentemente que com a requalificação urbana vai ficar disfarçado. E a requalificação ainda se vai fazer. Esta é uma obra exemplar da engenharia portuguesa porque foi feita com mais de 120 comboios a passar por dia.
JE - O que sentiu quando passou o primeiro comboio pelo túnel?
JM - Senti uma grande felicidade. E algum nervosismo antes de ele passar porque é quase como aqueles aparelhos que vão à lua. Os minutos antes da descolagem são terríveis. Pela primeira vez passou um comboio num túnel que se acabou de fazer. Tudo era falível. Senti uma grande felicidade em ver que as pessoas têm agora uma estação moderna, com conforto, em segurança total.
JE - O que tem a dizer aos comerciantes que durante as obras se queixavam dos transtornos? Vai haver algum tipo de apoio ou iniciativa para ajudar esses comerciantes?
JM - Não. Em primeiro ligar tenho de agradecer aos comerciantes por terem compreendido a nossa mensagem, por terem compreendido que o sacrifício ia valer a pena. Peço ainda um bocadinho mais paciência durante a obra de requalificação à superfície. A todos, mesmo aos habitantes e aqueles que nos visitam, tenho de dizer obrigado por terem compreendido, e por terem colaborado. Mas devo dizer aos comerciantes que aqueles que mais sofreram são aqueles que mais beneficiados vão ser depois da requalificação feita, porque as casas e os estabelecimentos vão ser valorizados. E a compensação será essa. Uma vez terminada a obra os seus negócios vão melhorar muito. E espero que sejam ressarcidos de todos os prejuízos que tiveram.
JE - Como está a cidade em termos de iniciativas culturais?
JM - Está óptima. Penso que poucas cidades têm as iniciativas culturais que tem a cidade de Espinho. Temos o Festival de Música, o CINANIMA, o Tucátulá e poucas as cidades têm. E para tudo isto a autarquia está sempre presente. Temos de apostar cada vez no turismo. No turismo de cultura e claro no turismo de sol e mar.
JE - Em relação ao projecto para a requalificação urbana. Já está definido?
JM - Numa coisa que está em curso ainda não está tudo definido até ao fim. Pode sempre haver mudanças. O que está já definido é uma zona verde. Há sempre coisas que vão surgindo novas e que devem merecer a nossa atenção.
JE - É o arquitecto Rui Lacerda que está a frente do projecto?
JM - É o arquitecto principal do consórcio a quem foi entregue este projecto. É um arquitecto bem conhecido, com provas dadas no concelho e no país e portanto não há qualquer dúvida que dali sairá um trabalho de grande qualidade.
JE - Assistimos a um corte brusco de Nuno Lacerda e Rui Lacerda. Começamos a ver obras que habitualmente eram assinadas pelo primeiro, que começaram a ser assinadas pelo segundo. Porquê este corte brusco?
JM - Não houve corte nenhum. Como sabe fazemos concurso para tudo. Não temos adjudicado directamente projectos a obras. Cumprimos a legislação que está em vigor. Abrimos um concurso e depois o júri procura escolher a melhor proposta. Não há aqui um corte com quem quer que seja. O júri não é só composto por gente da Câmara, mas também ligada a outras entidades.
JE - Passamos para o Hospital. Apelidou o hospital de pocilga. Admite que foi um termo infeliz que os arautos da desgraça utilizaram para dizer mal de José Mota?
JM - Não considero ter sido um termo infeliz. Quando inauguramos há 12 anos o Centro de Saúde, veio lá a Ministra da Saúde, Maria de Belém. E a pedido do director Cruz Pires visitou o Hospital, mas apenas alguns espaços seleccionados, porque outros com certeza, não tinham condições para ser visitados. Toda a gente sabe que o Hospital de Espinho estava em más condições. Se for verificar as obras que entretanto foram feitas, são obras de muitas centenas de milhares de contos. Ora, se o Hospital estava bem, para que se fizeram as obras. Agora, houve muita gente que interpretou mal estas palavras e que eu queria dizer que as pessoas que trabalhavam no hospital eram limpas, mas não era nada disso. Só queria dizer que há doze anos atrás o hospital estava mal, tinha coisas muito velhas.
JE - Como estamos em termos de educação no concelho de Espinho?
JM - Estamos a caminhar no bom sentido. Estamos a avançar com obras importantes nas nossas escolas, nomeadamente nas escolas secundárias, por exemplo a Gomes de Almeida, que vai sofrer obras de grande monta. A própria Laranjeira também precisa de obras. Todas elas precisam, mas está em curso um processo que não é só nosso, é do país e tem a ver com o apoio do QREN, para equipamentos escolares e que vai ser por nós bem aproveitado. Temos vindo a fazer obras regulares com a consciência que o Parque Escolar tem que ter uma atenção permanente, porque é onde as nossas crianças passam a maioria do tempo. Tem que ser por isso, confortável e seguro.
JE - Considera a hipótese do FACE poder vir a acolher um pólo universitário e cativar assim a população de outras Universidades para o nosso concelho?
JM - Neste momento, como eu disse, estão a ser estudadas várias possibilidades de utilização do espaço. Portanto, seria prematuro estar a dizer o que o vai acontecer. Se houver condições para colocar lá um pólo universitário, isso é bom. Mas há também outras coisas que se podem colocar lá com muitas vantagens para ao
JE - A parte debaixo do FACE, junto ao mar, que ainda está em aberto…a Câmara está a pensar em fazer uma hasta pública do terreno?
JM - Neste momento a Câmara está a repensar o que fazer àquele terreno. Como sabe já foi uma ideia vender o espaço e fazer uma hasta pública. Neste momento estamos a repensar este processo. JE - Há alguma coisa prevista para a marginal, em termos de obras?JM - Neste momento assinamos um dos contratos para diversas obras na zona do litoral entre Espinho e Paramos. Há vários projectos que tínhamos a concorrer ao QREN e a assinatura dos contratos para as obras ocorreu ontem em Matosinhos. Essas zonas vão ser objecto de grandes modificações. Neste momento, em Silvalde, já está a decorrer uma obra de defesa da costa.
JE - Outra das vitórias como presidente da Câmara foi a abolição da carreira de tiro, mas ainda não está nada previsto para lá?
JM - Aquele espaço não é nosso, é terreno militar. E tentaram fazer hasta pública daquilo mas não conseguiram, julgo por causa da utilização que tem lhe ser dada. Quem tem que determinar a utilização do espaço que pode ter somos nós. E não estamos virados para qualquer tipo de construção. Será um espaço que não vai ser objecto de qualquer construção. Pode inclusivamente ser utilizado pelo golfe, até este momento ainda não foi possível concretizar.
JE - Como estão as relações entre o presidente da Câmara e a oposição?
JM - São normais, não vejo grandes dificuldades. Há uma ou outra picardia, mas nada de mais. JE - Há quem diga que não tem oposição…JM - Tenho oposição e tenho consciência disso. Penso que há na oposição gente de qualidade e gente que não tem qualidade nenhuma. É importante, principalmente quando são pessoas que podem contribuir.
JE - Vai voltar a ser candidato à Câmara Municipal de Espinho?
JM - Não faço a menor ideia. Se andamos preocupados com as eleições acabamos por não fazer nada. Sou lhe sincero, não pensei nisso e não vou pensar até ao final do ano. É muito precipitado. Tudo pode estar diferente daqui a um ano.
JE - Tem tido uma relação excelente com os presidentes de junta. Gostava de ver Alfredo Rocha e Américo Castro na série de candidatos do Partido Socialista?
JM - Para mim é indiferente serem candidatos do Partido Socialista ou não. O que me interessa é que sejam sérios e que façam o trabalho que lhes compete. E tanto um como o outro têm grandes competências.
JE - Admite que para se voltar a candidatar terá que mexer na sua equipa…
JM - Na altura quando decidir se vou ou não recandidatar-me terei de falar com as pessoas. Até porque eu não sei o se as pessoas que estão comigo vão querer concorrer também.
JE - O que nos pode adiantar relativamente ao Parque Urbano?
JM - Não posso adiantar muito porque vamos fazer agora a apresentação do estudo, feito por um grande paisagista português, Sidónio Pardal, e que em conjunto com a Faculdade de Engenharia de Lisboa foi incumbido de fazer este estudo. Neste momento sabemos que queremos fazer do pulmão da cidade um espaço saudável e onde os espinhenses poderão usufruir de uma boa qualidade de vida. O Parque da cidade no fundo já existe, já está delimitado, o que importa agora é desenvolvê-lo.
JE - Já se sabe o que vai ser feito na zona do actual estádio?
JM - Há uma ideia do que poderá acontecer, mas ainda não está nada definido. Só poderá ser definido quando houver projectos.
JE - O que vai acontecer às instalações da Corfi?
JM - Ainda não está nada definido. Estava prevista a instalação lá do Centro Tecnológico. Transformar aquilo num espaço comercial é uma hipótese. Mas não foram vendidas como têm dito. Podem ser alugadas.
JE - Mudou de opinião em relação à instalação de grandes superfícies no concelho de Espinho?
JM - Não, não mudei. Mas há uma realidade que não podemos esconder. Quer queiramos quer não, a população do concelho de Espinho gosta das superfícies comerciais. Se as superfícies não vêm cá, as pessoas vão lá. E mais, entre termos superfícies comerciais na fronteira com Espinho e termos no interior do concelho, não vejo qual é a diferença. Até pode ser prejudicial. Porque uma grande superfície pode ser um factor de aumento de emprego e mesmo de mobilização.