domingo, 29 de Junho de 2008

Inquietude(s)

A propósito da comemoração de mais um aniversário do dia da cidade de Espinho dei comigo, descendo a rua 19, a cogitar com a “revolução”, que o enterramento da linha representa para o futuro da cidade e do concelho.
De facto já é possível imaginar como poderá ficar a ampla superfície libertada pelo enterramento da linha de comboio
Também é conhecido o projecto vencedor do concurso efectuado pela Câmara, ( da autoria do arquitecto espinhense Rui Lacerda) , com vista ao que nela será edificado.
E aqui, fui assaltado por alguma(s) inquietude(s).
Como circulará o trânsito automóvel? Que zonas de estacionamento serão ou não permitidas?
Que se poderá construir nas “margens” da superfície libertada?
Vai-se ou não aproveitar a “embalagem” urbanística que o enterramento da linha desencadeou, para definitivamente solucionar de forma equilibrada a frente marítima da cidade entregue desde à muito à indefinição?
Que projecto(s) existem para toda esta zona (das mais nobres) de Espinho?
Que se vai permitir edificar na área ocupada até agora pelo estádio Comendador Manuel Violas?
Como se fará a articulação urbanística entre uma “zona nova” e o FACE por um lado e o Bairro Piscatório por outro? A Câmara ,avisadamente já terá pensado neste e noutros problemas, mas será assim?
A “obra do século” vai ser aproveitada para maximizar a “revolução” urbanística possibilitada pelo enterramento da linha?
O poder político terá projectos e vontade para o fazer?
A sociedade civil através das suas associações representativas será convocada para neles participar?
Num momento destes, a que se deve juntar, a conclusão das obras desse importante equipamento cultural que é a Biblioteca Municipal, qual o projecto de desenvolvimento para Espinho,se é que há algum?
Com efeito, dispondo actualmente Espinho de quadros técnicos, de infra-estruturas e equipamentos de qualidade confirmada, o que está na “forja”, se é que há alguma coisa?
O desenvolvimento de Espinho assentará num projecto integrado, que necessariamente
terá de estar estribado no Turismo, no Comércio, na Informação e no Conhecimento.
Só assim, tal como em 1900, voltará a ser um Centro, uma placa giratória que estabelecerá pontes com o “hinterland” e uma das ÁGORAS de referência da Área Metropolitana do Porto. Só assim será a “Obra do Século”, e se cumprirá Espinho.

António José Teixeira Lopes
Professor

Angústia e Indignação

Nesta data de comemoração, e para ilustrar o meu estado de alma relativamente à situação do nosso Concelho e da nossa Cidade, passo a contar um episódio passado comigo recentemente.
Pois, há poucos dias atrás, um amigo meu apresentou-me a um outro amigo seu. Depois das formalidades habituais acabei por lhe dizer que vivia em Espinho. Como comentário essa pessoa afirmou de uma forma seca, que Espinho era a única cidade do país que, nos últimos 30 anos, tinha retrocedido. Fiquei, confesso, algo surpreendido com a frontalidade e a frieza da afirmação. A pessoa em causa acabava de me conhecer e tinha criticado frontalmente a minha terra. A minha terra, a terra que sempre senti orgulho em exibir como tal, principalmente quando, por razões diversas, nos anos setenta, vivi na Capital. Essa terra que era então unanimemente reconhecida como um modelo de equilíbrio, de prosperidade e de bom gosto.
Mas a verdade é que perante tal afirmação fiquei sem palavras, o que quer dizer sem argumentos e dei comigo a pensar que mesmo eu já tinha escrito para os meus conterrâneos que Espinho havia perdido protagonismo, competitividade e consequentemente, e de uma forma manifesta, o seu peso em relação aos concelhos vizinhos. Assim sendo, e em termos relativos, o meu interlocutor tinha dito a verdade nua e crua, por muito que me custasse ouvir.
Assunida esta conclusão angustiante para quem se sente um cidadão espinhense, julgo que interessa, de uma forma necessariamente sucinta, seriar as razões porque chegámos a esta realidade, que tem tanto de dura como de irrefutável.
É evidente que a mãe de todas as razões é o facto de termos vindo a ser governados por um poder sem qualquer sentido estratégico, incompetente, arrogante e que revela uma falta de zelo e de sentido de reponsabilidade gritante.
Vamos então por partes e a alguns factos concretos que são exemplos de opções erradas e de muito dinheiro mal investido:
Mesmo antes do desastre da gestão “motista”, o desaparecimento provocado da zona pedonal da avenida 8, conhecida pelo “picadeiro”, descaracterizou uma centralidade turística sem paralelo no país. Apesar daquela área ter continuado pedonal, a eliminação dos cafés e esplanadas que davam vida à cidade e lhe emprestavam animação, ditou o fim desse local de atracção.
Justamente, abordando a questão da esplanadas, continuou-se entretanto a perder oportunidades de se criarem espaços que promovessem o aparecimento dessas estruturas. É absolutamente inacreditável como foi possível, na transformação operada na avenida 2, da rua 23 até ao seu limite a Sul, não se ter reservado toda aquela zona como pedonal. Com a quantidade de estabelecimentos de restauração existentes, actualmente quinze, o que aconteceria é que caso se tivessem criado essas condições, a cada estabelecimento haveria lugar ao aparecimento de uma esplanada. Acresce ainda que, naquela obra, com a elevação do nível do passeio da beira mar, acabaram por tirar a visibilidade para a praia e para o mar de quem utiliza os estabelecimentos ali existentes.
Quanto à avenida pedonal a Norte da piscina, para além de se ter “comido” milhares de metros quadrados de areal, de forma escusada, não se compreende a ausência de equipamentos de restauração e de lazer, o que torna aquela área ainda mais sobredimensionada. Entretanto os equipamentos que ali são instalados no Verão não têm a dignidade exigível, sendo alguns de uma qualidade absolutamente confrangedora.
A Nave Desportiva não cumpre nem a função de promoção do desporto, nem a de pólo de atracção com realizações com verdadeiro impacte, sendo uma estrutura também sobredimensionada com custos de funcionamento e de manutenção elevadíssimos. Está completamente desenquadrada da cidade e da população. O estado de degradação em que se encontra, comprova esta triste realidade.
O “novo” Mercado Municipal constitui um enorme fracasso, com inúmeras lojas vazias e sem as condições adequadas de funcionamento, o que tem sido objecto de protestos e de reinvidicações dos comerciantes ali instalados. O parque subterrâneo em devido tempo reclamado, não foi construído, com claro prejuízo não só para o mercado, mas também para o comércio do centro da cidade. Não foi sequer contemplada uma zona de cargas e descargas para o abastecimento do Mercado.
O Centro Multimeios construído com aquela ideia absurda de instalação de um cinema panorâmico e de um planetário, pouco mais é que um sorvedouro de dinheiro com rentabilidade muito reduzida. Arquitectonicamente defendido como sendo uma obra de referência, não passa de um grande e estranho edifício sem qualquer enquandramento.
A requalificação urbana que foi pomposamente exibida é um desastre completo. A panóplia de materiais utilizados com relevo para a tijoleira, tijoleira de fraca qualidade e que naturalmente não tem nada a ver com a nossa tradição, os mecos enferrujados, as rampas e as rampinhas mal concebidas, os espaços desproporcionados, as dificuldades criadas em situações de emergência, as vias para os velocípedes rapidamente reconvertidas para estacionamento, etc, etc. Uma desgraça completa! Que o digam os comerciantes...
O estado em que se encontra o Sporting Clube de Espinho, tecnicamente falido e envolvido no projecto do novo estádio que deixou de ser municipal, cuja construcção nunca mais arrancou apesar de diversos anúncios. A primeira pedra foi lançada também pomposamente há alguns anos, mas continuamos à espera da segunda e, já agora, das restantes. Entretanto, continua a promiscuidade escandalosa entre o poder político e a direcção do clube, nomeadamente no processo da venda dos terrenos do actual estádio e pavilhão, promiscuidade comprometedora e indigna que já vem de trás e que colocou o clube na actual situação calamitosa.
O enterramento da linha é finalmente uma realidade e apesar da obra ser manifestamente insuficiente pelo facto de não abranger toda a malha urbana, é já um privilégio ver o espaço criado e perspectivar o aproveitamento que será realizado. Apesar do Sr. Presidente da Câmara precisamente a 13 de Junho do ano passado ter afirmado para este jornal que “ numa obra deste género as coisas vão acontecendo” alguém lhe concedeu algum bom senso para seguir o que foi reclamado pela Associação Cívica em 2003 que se procedesse a um concurso público internacional de ideias para definição do espaço resultante do enterramento da linha. Ou seja, tarde e a más horas, como é regra do nosso executivo, abriu-se o concurso e definiu-se o vencedor. Do mal o menos, mas como é evidente uma obra que já deveria estar a arrancar vai naturalmemente passar por um período de preparação e negociação que a fará arrastar por mais uns anos.
O .FACE, ex Fábrica Brandão Gomes, constitui o maior escândalo da gestão motista e o melhor exemplo de irresponsabilidade e do completo desprezo como esta gestão autárquica gere os dinheiros públicos, o dinheiro dos contribuintes. Também na referida entrevista de há um ano o Sr. Mota com a desconstracção dos inconscientes e ignorantes afirmou “ Lá poderá acontecer muita coisa...poderá desenvolver-se um processo que poderá culminar com a instalação de estabelecimentos e de desenvolvimento tecnológico”. Em resumo, com a obra quase pronta o Sr. Mota não fazia a mínima ideia de qual a utilidade a dar a um investimento de vários milhões de euros. Agora, já com a obra terminada continua-se a não se saber qual a utilização a dar àquele espaço.
Estes são apenas alguns exemplos dos erros cometidos que no conjunto são responsáveis pela situação que hoje vivemos. Refiro-me no fundo a muito dinheiro, mesmo muito dinheiro muito mal aplicado que deveria ter produzido resultados para o desenvolvimento económico do Concelho e para o bem estar da população mas que, para pouco serviu.
Há ainda contudo a somar a ausência de uma política cultural, a falta de políticas sectoriais, nomeadamente turística e comercial, e também do que sentimos no nosso dia, a falta de cuidado na gestão do que é mais elementar como a limpeza, criticada por todos os que nos visitam, as passadeiras cuja existência tem que ser confirmada à lupa, o estado das ruas e dos passeios, a falta de segurança, etc, etc.
Eu, como muitos espinhenses, sinto uma enorme angústia e indignação. Dirão os defensores do actual poder que apesar de todas as críticas continuam a ganhar eleições e eu respondo que o Sr. Valentim, a Sra. Fátima, o Sr. Ferreira Torres e outros quejandos também ganham. Se acrescermos que em Espinho nas duas últimas eleições também contaram com a falta de comparência da oposição, não é de admirar que o tenhamos que aguentar.
Aguentar, temos que aguentar, mas sem exercer o direito à indignação é que não!

Pedro Nelson Sousa

Economista

A Democracia não pode ser levada a mal...!

Ficámos todos contentes e com o ar feliz de quem saía do bairro de lata para um apartamento novo.
Este era o sentimento geral, pois passávamos de uns contentores que serviam de estação provisória, para uma estação nova de belas e modernas linhas; descendo as escadas deparávamos com a novidade:
Ei-la enterrada...a linha!
Diz-se que todos gostaram de a ver assim, enterradinha sem dificultar a vida a ninguém...Não que “a defunta” tivesse mau comportamento em vida, tendo mesmo sido um enorme factor de desenvolvimento da cidade ao longo de décadas. Mas a evolução tem destas coisas, o que antes era bom pode ser mais tarde um empecilho. Como no caso do nosso Hospital, que passou de exemplar, a “pocilga”, com a mesma velocidade que um treinador de futebol passa de bestial a “besta”; mas nada de desmoralizar, nem de levar a mal, que de “besta” também se pode voltar a ser bestial, demora é mais um pouco e depende de onde soprarem os ventos!
Nesta democracia estranha em que hoje se leva a mal qualquer opinião diferente, que questione as decisões ou o rumo que levamos, muito engrossa a coluna dos yesmen seduzidos pela proximidade do poder, ou condicionados pelo emprego próprio ou de familiar. Consegue-se defender em simultâneo coisas incompatíveis, como colocar parquímetros em quase toda a cidade (a posição da câmara) ou colocá-los apenas na zona central entre as ruas 15 e 25 (a posição de muitos cidadãos), e faz-se isso com a maior naturalidade, como se não houvesse total incoerência. Afirma-se também, que este (meio) enterramento era o único possível, argumentando primeiro com riachos “difíceis” de ultrapassar e finalmente com a impossibilidade financeira para prolongar o túnel até ao Rio Largo a norte, e até ao início do Golfe, a sul. Quem se atreve a discordar leva com as frases políticamente em voga: “velhos do Restelo”, “arautos da desgraça”, “gente que nunca fez nada na vida e só sabe dizer mal”, etc, etc...
Tendo sido provávelmente real o problema financeiro, precisava-se de uma política de verdade e transparência quanto às limitações do projecto, para tentar com a população e a oposição, fazer a pressão política necessária para ter um enterramento completo, com o mesmo empenho com que conseguiram este meio-enterramento. Depois, se melhor não fosse obtido, ficávamos todos com a consciência tranquila de tudo ter sido tentado. Diz-se que havia outras cidades a querer o mesmo, e não convinha alaridos ? Havia que lutar nos bastidores, pois foi certamente mais difícil convencer os diversos Governos a fazer um qualquer enterramento, do que a prolongar um já aprovado...
Apesar da satisfação que hoje todos temos de ver a linha enterrada, está à vista a obstrução causada pelos muros no centro (a norte do Hotel Praiagolfe), e da ex-Brandão Gomes para sul, agravando o isolamento desta zona, e piorando claramente a situação para os seus moradores e restantes cidadãos, pois zonas “ghetto” nunca são boas para a sociedade. Depois se gastarem tantos milhões e anos a recuperar essa fábrica, agora chamada de FACE–Fórum de Arte e Cultura de Espinho, deixam-lhe “na face” os muros do enterramento, uma lota(?) em ruínas e um terreiro ao abandono do lado do mar; com um enquadramento desses e com a falta de um objectivo estratégico realista para o que ali se (re)construíu, não é difícil perceber porque não se encontra quem para lá vá, tal como não se encontra quem vá para o 1º andar do mercado, e qualquer dia para dentro do próprio, devido ao seu ar escuro e pouco atractivo! Mas duvido que alguém “perca a face” por causa disso...
Exceptuando as zonas prejudicadas, o enterramento traz um aumento de funcionalidade para a cidade, ao acabar com a falta de integração entre a área turística e de lazer, com a zona comercial e habitacional. Por agora ainda só temos a ausência das aborrecidas passagens de nível, e a “novidade” daquelas monstruosas saídas de ar, nova “atracção turística” da cidade “os trombones de Espinho”, os substitutos em altura das nossas antigas palmeiras! Alguém em consciência acha que a ventilação do túnel tinha que ser assim? Pessoalmente, acho que não, e nunca vi nada semelhante em cidade alguma... Claro que a resposta dos nossos responsáveis a esta questão será provávelmente que tinha que ser assim, porque os técnicos é que sabem! Um pouco como se permitíssemos a um técnico qualquer fazer o que entender em nossa casa, sem o controlar e sem fazer ouvir a nossa opinião, porque ele é que sabe... O enterramento é bom para o centro da cidade, e podia ter sido bom para toda ela, e estes “trombones” parecem mal a toda a gente, com certeza.
Ao contrário, a estação valoriza a cidade, embora pareça um pouco deslocada em relação aos centros de interesse com a maioria dos passageiros a dirigir-se para norte à saída da estação; talvez fosse melhor situada entre as ruas 19 e 23. Nota-se a falta de uma cafeteria agradável, espaçosa e com esplanada para esperas mais longas. O túnel é arejado (demasiado?), bem iluminado, mas muito monótono quando se espera regularmente pelo comboio a olhar para paredes nuas (precisa de imagens da cidade, etc), e tem falta de bancos na zona onde se concentram as pessoas.
Agora, a recuperação da superfície vai ser feita (leia-se, paga!) pela Câmara com os apenas 5 milhões reservados para o efeito ... Que jeito faria certamente o dinheiro enterrado no FACE...
Pena que o pontão/viaduto tenha sido demolido, e não recuperado, pois perdemos a mais bonita entrada em Espinho com uma bela vista lá de cima. Futuramente, a entrada será por uma avenida sem vista, pelo antigo traçado da linha, algo condicionada pelo estreitamento na curva do Rio Largo e pelos muros do enterramento, e sem acesso imediato e fácil à orla marítima.
Tenho esperança que a equipa que ganhou o concurso de ideias para a recuperação da superfície, chefiada por um Arquitecto espinhense bem conhecedor do que a terra precisa, consiga algumas boas sinergias com a Solverde para espaços de animação na zona do Casino, e uma melhoria significativa naquela área central tão depauperada. Mas antes de mais, é preciso fazer o parque automóvel subterrâneo ao longo da linha, sem o qual nada pode ser feito na superfície, e sem o qual as pessoas não podem vir cá, e estacionar fácilmente... Devia ser começado imediatamente para evitar mais paragens prejudiciais! Já haverá projecto, financiamento e concurso preparados, ou teremos que aguentar mais tempo perdido? Foram os anos da “requalificação” urbana, os anos do enterramento, e agora mais 2 anos (só?) da “recuperação da superfície”? Serão mais de 10 anos de obras e poucos comerciantes vão poder sobreviver-lhes, com as várias crises que temos em simultâneo, mais os centros comerciais anunciados cá para a terra, o da ex-Corfi, e agora outro no actual estádio, ficamos com a cidade sitiada. É isto que precisamos? Mais oferta comercial na periferia para ajudar a liquidar o centro da cidade, como se vai replicando loucamente por esse país fora...Em Lisboa e no Porto já ultrapassamos o nº 1 dos shoppings por mil habitantes na Europa (a Suécia), e não temos o clima deles; quantos serão necessários para chegar à conclusão que não é preciso mais comércio, mas sim melhor, e que isso não nasce com esta proliferação infinita...
O que se pode fazer ? Tomarmos consciência que esse caminho é errado, que penaliza o comércio local e o centro da cidade, favorece os interesses imobiliários de grandes grupos, as grandes cadeias de retalho (espanholas, principalmente), gera um desemprego maior do que os postos de trabalho criados, standardiza as cidades e os hábitos, secundarizando tudo o que nelas é específico e autêntico.
Minorar desde já o problema do estacionamento temporário: podia-se experimentar o controle das viaturas estacionadas em 3 ou 4 ruas do centro; teria que se obter a necessária colaboração policial, para que com 4 controles diários garantissem a efectividade da medida, sem custos relevantes para a autarquia, e sem despesa para o cidadão que não ultrapassasse as 2 ou 3 horas permitidas. Seria também de avançar com uma passagem provisória para ligar a Rua 19 à parte de baixo da linha, antes de se começar a tratar de tudo o resto. São sugestões, que não se podem levar a mal...
José Serrano
Economista

Espinho, cidade e cidadania

Corria o ano de 1973 quando, a 16 de Junho, o Diário do Governo, 1ª série, n.º 141 (Decreto-Lei n.º 309/73) dava público testemunho da elevação de Espinho à categoria de cidade. Com Espinho ascendiam também, a essa mesma condição, Almada e Póvoa de Varzim.
35 anos de cidade!
Hoje, já sem a passerelle de outrora nem a passagem subterrânea da qual sobra apenas uma pequena amostra da azulejaria evocativa da nossa história… sem pontão nem comboios à superfície… sem a estrondosa buzina nem o martirizante trepidar à passagem do “mercadorias”… sem o cadenciado tilintar das campainhas ao baixar das cancelas (e como guardo nas minhas memórias esse “toque”, particularmente sentido no silêncio da noite, dos tempos em que, finais dos anos sessenta, fazia férias em Espinho numa casa de praia bem perto da linha)… sem a velha Estação que sempre serviu Espinho, desde que o caminho-de-ferro por cá passou, mas que nenhum PDM classificou como de interesse patrimonial (se não arquitectónico, pelos menos histórico e sentimental)… sem aquela Avenida 8 transformada em “picadeiro”, qual vai e vem de gentes e conversas num desfile de conviventes e sociáveis cumplicidades… sem as tertúlias que se produziam em emblemáticos cafés cá da terra mas cujo espírito se perdeu, também, e em parte, porque esses emblemáticos estabelecimentos entretanto desapareceram… sem… sem… sem…!
Não se pense, porém, que a cidade se circunscreve tão só e apenas a esta espécie de permanente “inventário” entre o que tivemos e o que já não temos ou entre o que ainda não temos e o que esperamos vir a ter. Uma cidade é muito mais do que isso! Tão pouco podemos reduzir a ideia de cidade a uma mera ligação a conceitos como o urbanismo, esquecendo e postergando a importância do urbano e da urbanidade.
Já Aristóteles falava da polis, a cidade como espaço de uma intervenção cívica constituída pelos cidadãos, apontando-a mesmo como condição essencial para tornar possível a vida humana, donde, a intrínseca ligação entre palavras como cidade, cidadão, cidadania, civilização, civilidade ou civismo. Contudo, e pelas mais variadas razões, este espaço de cidadania a que chamamos polis (cidade) torna-se, não raras vezes, difícil de conseguir.
Espinho, por exemplo, tem apenas 35 anos de (c)idade e, enquanto concelho, pouco mais de um século, o que faz desta jovem terra de acolhimento(s) alvo fácil para aqueles que a acusam de não ter uma matriz, um denominador comum, um fio estruturante ou até uma identidade própria. Confesso que não partilho integralmente desta depreciativa visão!
Não obstante, já não me repugna aceitar a crítica de que falta a Espinho uma certa organização em torno da sua vida colectiva, o que acaba por se traduzir num deficit de poder neste espaço de debate e de devir que é pertença de todos cidadãos.
Neste contexto, parece-me até que singrou, entre nós, aquele espírito de corporação de interesses onde a perspectiva ou escala é sempre mais a do grupo do que a do colectivo como um todo. Sem me deter em prolongados exemplos lembraria a recente questão do “TGV”, em Espinho, onde a mobilização à volta desta questão se fica, quase exclusivamente, por aqueles que presumivelmente serão afectados com a sua passagem pelo nosso concelho. Outrossim se diga em relação à “guerra” contra as portagens, que contará apenas com aqueles a quem a contenda aproveita, e o mesmo é válido para o que se passou com o enterramento da linha ou com o hospital.
Ora, perante estes assomos de “activismo parcial ou sectorial” dir-se-á que há ainda um longo caminho a percorrer até àquele genuíno e verdadeiro exercício de cidadania que nos confere a todos, sem excepção, o direito a decidirmos (discutirmos) o nosso futuro.
Esperemos que esta confortante acalmia, em contraponto com aquela peculiar agitação que a passagem do comboio (à superfície) sempre provocava, não seja presságio de um adormecimento colectivo ou de uma serenidade participativa que não augura nada de bom.
O meu desafio, nestes 35 anos da cidade de Espinho, vai no sentido de procurarmos, todos, e em conjunto, uma cidade melhor… certo de que não há cidades perfeitas mas, ainda assim, algo bem próximo disso, o que no dizer de Jean Nouvel será “uma cidade onde apetece amar os lugares e as pessoas".

Correia de Araújo
Membro fundador da Força Espinho

Retrato e anseios de um Espinhense que gosta da Cidade

Quem tem o privilégio de morar/trabalhar em Espinho ou passar o fim-de-semana na nossa Cidade, sente que “viver em Espinho” é muito agradável. E, não tenho dúvidas, Espinho está cada vez melhor! Ainda permanecem alguns hábitos característicos de muitos “Espinhenses” - leitura do jornal no “seu café” (instituição em vias de extinção – menos em Espinho), dar uma volta pela 19 ou 23 (que está muito melhor, com os seus largos passeios) e, principalmente, passear junto ao mar, de preferência, de manhã ou ao cair da tarde, antes de haver outro mar, o mar de gente! É também esta simplicidade que transforma Espinho num local de lazer muito apetecível. São grandes as expectativas quanto ao aproveitamento dos “espaços de luxo” que conquistamos para a nossa Cidade com o rebaixamento da linha férrea. A “grande exigência” vai para a necessidade vital de criação de “zonas verdes” nesse e noutros espaços do Concelho. Numa “terra” que já foi “Rainha da Costa Verde” e tem a “Solverde” como atracção turística, convém que não nos fiquemos apenas pelo Sol e pelas Praias – que também precisam de mais azul. Mas “o mar e a cidade” não podem acabar na “Brandão Gomes” – agora com outra FACE - e a “zona dos Pescadores” necessita de um segundo fôlego, melhorando as condições de vida e de trabalho dos Pescadores do “nosso mar”, que criaram a “nossa terra”.
Espinho está a ficar mais rico em termos de equipamentos culturais/desportivos (Multimeios, Nave, Academia de Música, FACE, Biblioteca, etc.) e com uma oferta de qualidade - Cinanima, Festival Internacional de Música, Tucá Tulá e diversas Competições Desportivas internacionais – são alguns exemplos, sendo fundamental que se dinamizem “novos públicos”. Os Espinhenses - e as suas Colectividades - têm um papel decisivo para que utilizemos mais os nossos espaços culturais/desportivos. Por seu lado, a Autarquia tem também a responsabilidade de apostar forte numa vertente fundamental para o futuro do Conselho - a Educação. A construção dos Centros Escolares previstos na Carta Educativa aprovada no Conselho Municipal de Educação, órgão dinamizado de forma brilhante pelo Dr. Carlos Gaio – é uma prioridade defendida pela Federação Concelhia das Associações de Pais do Concelho de Espinho – devendo ser dada particular atenção à redução do abandono escolar e à integração / apoio social dos alunos / famílias das zonas mais desfavorecidas / problemáticas. Foram boas notícias sabermos que as duas Escolas Secundárias de Espinho – instituições que prestigiam a Cidade - vão ser objecto de profunda requalificação. São crescentes as competências/responsabilidades atribuídas à Autarquia no âmbito da Educação e é grande o potencial dos milhares de jovens – do Concelho ou não - que frequentam as nossa Escolas – autêntico filão com inesgotáveis oportunidades e desafios. O futuro de Espinho passa pelo que formos capazes de investir hoje no conhecimento dos nossos jovens – na cultura, nas artes, nas ciências, na política. Gostaria que Espinho fosse cada vez mais uma “cidade de crianças, jovens e adultos” irreverentes, críticos, criativos, empreendedores, “ amigos do ambiente e da sua Cidade”. Espinho, ao longo da sua História, sempre teve Pessoas de grande qualidade e sabedoria que se destacaram por assumir na sua plenitude os valores da cidadania, quer procurando a liberdade, quer praticando a solidariedade. Bem hajam, nesta data festiva para a Cidade.
Filipe Milheiro
Presidente da FCAPE
(Frederação Concelhia das Associações de Pais de Espinho)

sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Cidadão de Espinho e vilão de Anta

Pouco antes de Abril da liberdade chegar a Espinho, já lá vão 35 anos, num dos últimos actos da decadente ditadura, então já marcelista, Espinho numa confusão administrativa pouco entendível, passa a ser cidade.
Cidade que se constitui deixando de fora as freguesias de Guetim e Paramos e pede emprestado pedaços de Anta e Silvalde. Anta e Silvalde que se constituirão mais tarde vilas com pedaços de Espinho – Cidade. E é assim que nesta confusão pseudo-administrativa gente como eu é simultaneamente cidadão de Espinho e vilão de Anta, sem ser freguês de Espinho.
Seja como for no dia 16 de Junho não vou trabalhar. Com os aldeões de Guetim e Paramos, com os vilãos de Anta e Silvalde e os cidadãos/vilãos de Anta e Silvalde e os ciadadãos/fregueses de Espinho vamos todos festejar o concelho/município (aqui há coincidência) de Espinho. Afinal o feriado é dos munícipes, de todos, mesmo dos que não comemoram a subida a cidade.
Por tudo isto preferia a festa móvel (até porque a mobilidade está na moda) da Sra. da Ajuda, muito mais genuína e vareira, mais antiga e nada política.
Seja como for no dia 16 de Junho como munícipe de Espinho não vou trabalhar. Cumprirei como é de lei o feriado, tal como vem publicado no Boletim Oficial, transformado depois em Diário da Republica.
Lá para finais de Setembro, garantidamente a uma 2ª feira (o que dá sempre mais jeito), as cebolas dar-me-ão direito a mais um feriado, patrocinado pela genuína Nossa Sr.ª da Ajuda.
E como nesta desordem regionalista e administrativa alem de ser vilão de Anta e cidadão de Espinho sou também metropolitano do Porto, terei que matar o cordeiro do S. João mesmo sem decreto no Boletim Oficial, nem no Diário da República.
Isto se o Bispo do Porto, pastor diocesano de Anta, não achar por bem que, lá para Novembro, celebre o S. Martinho, também bispo e militar descamisado pela caridade devida aos pobres esfarrapados, meteorologista de verões atrasados, enólogo e escanção distinto, e se as castanhas e o vinho doce assim mo reclamarem.
Felizmente ando de relações cortada (juro que por questões pessoais) com a tricana Joana Princesa e nem o Governador de Aveiro me vai obrigar a prestar-lhe vassalagem.

José Luís Peralta
Presidente da Comissão Política Concelhia do PS

Aniversário da cidade de Espinho

Festejar o dia da cidade de Espinho implica, necessariamente, festejar também as suas gentes.
Gentes de hoje e de ontem, com protagonismos marcantes em contextos diversificados, que honram a História desta terra onde muitos de nós nascemos; onde muitos vivem e viveram, assumindo-se muito justamente espinhenses de coração, apesar de não terem aqui nascido. Outros, que já não estão entre nós, merecem também o nosso reconhecimento, a nossa lembrança e a nossa saudade.
Festejar, recordando a História de Espinho, que muitos partilharam ou ouviram de seus Pais e de seus Mestres, ou porque a leram nos textos de Álvaro Pereira, de Azevedo Brandão, de Carlos Morais Gaio.
Pessoalmente, lendo e relendo a Génese de Espinho, escrita com saber, alma poética e cientificidade, pelo punho de Carlos M. Gaio, numa magnífica publicação patrocinada pela Câmara Municipal de Espinho, organizada graficamente por Nuno Lacerda Lopes e editada pelo Campo de Letras em 1999, tenho um sentimento que expressa orgulho, tristeza e esperança.
Orgulho, pela trajectória que se foi moldando a partir da segunda metade do século XIX, fruto de uma civilização burguesa, resultante da revolução industrial, que transformou os transportes, alterou os sistemas económicos e gerou novas dinâmicas sociais (Gaio, 1999).
Em 1874, Espinho era um lugar da freguesia de Anta; em 1889, tornou-se uma freguesia do Concelho da Feira; em 1899, conquistou a autonomia concelhia; em 1928, ficou com uma área alargada a mais quatro freguesias. Em 16 de Junho de 1972, é elevado a cidade pela acção do Presidente da Câmara de então - Dr. Nunes dos Santos.
Nesta evolução de Espinho, gradativamente consolidada por um forte desenvolvimento industrial, com a Fábrica Brandão Gomes, a Fosforeira Portuguesa, as fábricas de plásticos Leon Petit, Luso Celoloide e depois a Hércules, o turismo avança, graças ao verde dos nossos mares e ao dourado do nosso areal, às acessibilidades rodo e ferroviárias, aliadas a infra-estruturas hoteleiras de grande qualidade (Palace Hotel e Grande Hotel) e a locais de diversão e de cultura, como o Casino, o Café Chinês a Assembleia, o Teatro Aliança, tornando-a uma instância balnear atraente, nesta costa verde que deu a Espinho a coroa de rainha.
Neste contexto sócio-económico, é fundamental destacar também as infra-estruturas desportivas, culturais e sociais, quase ou já centenárias, mas ainda com o mesmo vigor de sempre, todas elas foram criadas por espinhense generosos e desinteressados, que deram vida a estes bens colocados ao serviço de todos e que se têm mantido até hoje.
No início dos anos 20, é construída a Igreja Matriz; no final dos anos 50, é construído o Hospital de Nossa Senhora da Ajuda.
E, se o mar atraiu os turistas para esta instância balnear, foi também cão enfurecido, com investidas violentas e algo regulares sobre a malha urbana da beira-mar, arruinando famílias e não poupando a capela da nossa padroeira. Com os progressos da engenharia portuguesa e o empenho dos políticos, hoje o mar já não investe; recuou até, devolvendo à praia as suas areias douradas e um extenso areal.
Mas nem só o mar fez estragos em Espinho. Os homens também. Destruíram o Teatro S. Pedro, construído no início dos anos 50 do século passado, para ali aparecer um centro comercial. Com o mesmo objectivo, destruíram a avenida, com as esplanadas do Palácio, do Nery, do Lugil, do Avenida, resguardadas dos ventos agrestes que nos assaltam e que era um ponto de encontro sistemático nas tardes e noites de verão.
E, se nunca mais recuperaremos o Teatro S. Pedro, dispomos hoje de um vasto conjunto de bens culturais e desportivos que são motivo do nosso orgulho: a Nave, o Complexo de Ténis, o Multimeios, a Piscina Municipal, a Academia de Música, o FACE, a Pousada da Juventude. A Piscina Solário Atlântico, a Escola da Rua 23 e o Mercado foram reconstruídos e reconvertidos, mas mantiveram a sua traça original. A Biblioteca Municipal está já em construção. O centro da cidade e toda a beira-mar estão totalmente requalificados.
Ser-nos-á em breve devolvido também o espaço da avenida, com a mesma vocação lúdica e social, que norteou o concurso internacional para o projecto de aproveitamento da área devolvida a Espinho com o enterramento da via férrea.
Se a via férrea, foi factor fundamental para o progresso da nossa cidade, acabou por a dividir e a prejudicar. Agora enterrada, acabaram os ruídos e toda uma multiplicidade de transtornos.
Um cidade nova nascerá, com um novo rosto e uma nova centralidade.
Parabéns, Espinho. Parabéns, espinhenses.

Graça Guedes
Presidente da Assembleia Municipal

Desporto espinhense homenageado

Nas comemorações do 35.º aniversário da elevação de Espinho a cidade, a câmara municipal organizou a habitual sessão solene, que reuniu centenas de pessoas no Auditório do Centro Multimeios. Desta vez, o aniversário foi, segundo José Mota, presidente da edilidade, “uma festa da juventude”. Os jovens atletas espinhenses que se sagraram campeões nacionais nas várias modalidades foram homenageados pela autarquia. Inês Pinto e Sara Santos foram ainda distinguidas com os prémios de Atleta do Ano e Revelação de Ano, numa cerimónia em que o desporto espinhense esteve em destaque.

Na passada segunda-feira, Espinho festejou mais um ano de cidade. A festa começou logo pela manhã, com o hastear da bandeira. O momento contou com a presença da fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Espinho e teve como protagonistas o presidente da câmara municipal, José Mota, e o Presidente da Junta de Freguesia de Paramos, Américo Castro. Segundo o que o Jornal de Espinho conseguiu apurar, tal situação gerou algum desconforto político com o autarca espinhense, Rui Torres, por não ter sido um das personalidades a hastear a bandeira.
Um dos pontos altos das comemorações do 35.º aniversário da elevação de Espinho a cidade foi a sessão solene que decorreu no Auditório do Centro Multimeios, pequeno para receber todos os presentes. A sessão teve o seu início com uma actuação musical de Irene Vieira – que, entre outros, cantou o “Fado de Espinho” – e que mereceu muitos aplausos de toda a plateia.
A iniciativa prosseguiu com “discursos estrangeiros”. Ao palco, subiu uma representante de Brunoy (localidade francesa que foi a primeira a ser geminada com Espinho), que congratulou os espinhenses “pelas obras que, graças à tenacidade de José Mota, continuam a modernizar a cidade”. Seguiu-se o discurso de Gilmar Chaves, secretário da Cultura da cidade brasileira de Limoeiro do Norte, onde existe um lugar chamado Espinho e que se encontra em processo de geminação com a nossa cidade.

“Espinho é um concelho em movimento permanente”
Seguiu-se o discurso de José Mota. O presidente da Câmara Municipal começou por enaltecer todos os homenageados da tarde, numa cerimónia que estava a ser “uma festa da juventude”. Como esclareceu o autarca, “a maioria dos homenageados de hoje são atletas que, no último ano, atingiram o topo nas várias modalidades desportivas”, o que só vem provar que “Espinho continua a ser um alfobre de campeões”. O exemplo dado pelos desportistas “não se circunscreve aos domínios desportivos”, até porque o seu esforço “é visto como um exemplo para os mais novos para as duras batalhas da vida”.
Num dia em que Espinho comemorava 35 anos, José Mota lembrou que nenhum espinhense “poderá deixar de se sentir gratificado com o surto de desenvolvimento que veio para ficar” e que confere à cidade a modernidade que faltava para “se impor como pólo de referência no contexto nacional”.
O presidente da autarquia não deixou de destacar a linha férrea, que “continua na ordem do dia”, numa altura em que se aproximam as obras de requalificação da superfície deixada livre pelo enterramento. “Agora que o túnel já permite a passagem das composições, os trabalhos continuarão e só poderão ser dados como concluídos quando a requalificação estiver terminada”, esclareceu. José Mota lembrou as críticas daqueles que queriam que as duas obras – o enterramento e a requalificação – tivessem sido feitas lado a lado, algo impossível “com 120 comboios a circular diariamente por Espinho, mais de 90% dos quais entre as seis e as 24 horas”.
Para o autarca, “esta obra não é do passado nem do presente, é uma obra do futuro”. Embora o rebaixamento da linha férrea seja um facto consumado, José Mota destacou as muitas dificuldades que tiveram que ser enfrentadas: “Primeiro foi preciso sonhar, depois foi necessário acreditar e, a seguir, foi constante o desgaste para conseguir vencer as barreiras.” E acrescentou: “Lutamos por uma obra que é fundamental para todos os cidadãos de Espinho”; onde, disse, podem ser destacadas as preocupações com o urbanismo e com o ambiente, entre outras, já que “a situação que se vivia tinha-se tornado insustentável e insuportável e a câmara estava e continua a estar definitivamente empenhada em entregar a cidade aos cidadãos”.
Depois “de a parte mais difícil” estar consumada, falta aguardar, segundo José Mota, “com ansiedade pelo desfecho definitivo de um empreendimento que se adivinha da mais elevada qualidade”. O presidente da câmara municipal deixou ainda um agradecimento a toda população, principalmente “aos comerciantes, que, de alguma forma, têm sido afectados pelo decurso dos trabalhos”, mas lembrou que “não há parto sem dor, não se pode fazer obra sem a fazer”. Todos os prejudicados pelas obras vão, segundo José Mota, ser recompensados com o processo de requalificação. Com esta obra, a cidade de Espinho “tornou-se num exemplo para o todo nacional”, e a requalificação da superfície deixada livre pelo enterramento da linha férrea vai “dar origem à requalificação total da cidade”.
José Mota enalteceu também outras obras da cidade, que está enriquecida “pela existência de muitos equipamentos vocacionados para a cultura, para o turismo e para o desporto, como são exemplos a Nave Desportiva, o Centro Multimeios e o FACE – Fórum de Arte e Cultura de Espinho”. O autarca não esqueceu a “nova biblioteca municipal, que está em construção e que no próximo ano ficará concluída, um significativo contributo para o desenvolvimento cultural da população do concelho”. A Pousada da Juventude, inaugurada no passado mês de Dezembro, e as intervenções na zona litoral das freguesias de Espinho, Silvalde e Paramos, cujas candidaturas ao QREN já foram aprovadas, foram outros dos destaques de José Mota. O presidente do município concluiu, dizendo que “Espinho é hoje, e assim, um concelho em movimento permanente”, e agradeceu aos representantes estrangeiros presentes na cerimónia.

Desporto foi rei nas homenagens
A sessão solene continuou com as homenagens que a Câmara Municipal de Espinho prestou aos espinhenses campeões nacionais das diversas modalidades, que subiram ao palco do Centro Multimeios para receberam as medalhas. O primeiro homenageado foi António Pinto, do Rio Largo, campeão nacional de pista coberta em salto em comprimento para veteranos. Seguiu-se o badminton e os atletas António Pereira e Rui Pereira, que se sagraram campeões nacionais de pares homens na categoria C.
Nuno Ramos, atleta de boxe do Sporting Clube de Espinho, conquistou o topo como cadete, em menos 86Kg, e foi um dos homenageados, assim como Inês Pinto, ciclista da Cerciespinho que se sagrou campeã nacional de juniores e absoluta. De seguida, receberam as medalhas a equipa feminina de iniciados de esgrima da Nova Semente Grupo Desportivo, a equipa de esperanças de ginástica rítmica desportiva e o campeão nacional da segunda divisão júnior, Carlos Dias, da Académica de Espinho.
Tiago Rodrigues e Vanessa Vasconcelos foram dois dos atletas do Oporto Golf Clube que foram distinguidos por terem sido campeões nacionais. Da natação, destacaram-se os atletas do Sporting de Espinho: Pedro Costa, Rita Freitas e Maria Salomé Oliveira. Da Escola de Ténis de Espinho, subiram ao palco do Multimeios para receber as medalhas de homenagem os campeões nacionais sub-14 de equipas masculinas, as campeãs nacionais da segunda divisão de juniores e as campeãs nacionais seniores em absoluta pares, Ana Catarina Nogueira e Joana Panguaio. As homenagens encerraram com o destaque para os atletas de trampolins da Associação Académica de Espinho que se sagraram campeões nacionais juniores por equipas. Ana Simões e Sílvia Saiote, e com os atletas dos Mochos, que foram campeões nacionais de indoor do INATEL e também conquistaram o primeiro lugar no voleibol de praia do INATEL.

Mérito Desportivo para José Pedrosa e Vanessa Fernandes
Depois das medalhas, estava na hora de anunciar os prémios mais importantes da tarde. Inês Pinto, ciclista da Cerciespinho, conquistou, por unanimidade do júri, o título de atleta do ano, após ter conquistado cinco lugares no pódio no Campeonato do Mundo de Cadetes Femininos e seis primeiros lugares nos campeonatos nacionais do ano passado. Para a Revelação do Ano, o júri escolheu Sara Santos, atleta do Rio Largo, lançadora do peso e do martelo.
Para terminar a sessão solene, a Câmara Municipal de Espinho tinha reservado a entrega da medalha de Mérito Desportivo a duas personalidades que estiveram e estão ligadas à cidade por razões diversas. A distinção com maior valor desportivo foi entregue, em primeiro lugar, a José Afonso Pedrosa, ex-capitão da equipa de voleibol do Sporting Clube de Espinho, que se despediu este ano da competição após largos anos de sucesso desportivo. A segunda medalha de Mérito Desportivo foi entregue a Vanessa Fernandes, atleta que dispensa apresentações no que diz respeito ao triatlo nacional e internacional e que começou a sua carreira na natação em Espinho. Para receber o prémio, esteve entre nós o seu pai, Venceslau Fernandes.

Lília Marques

“Espinho tem todo o potencial para ser a melhor terra do mundo”

Na semana em que se comemorou os 35 anos da cidade de Espinho, Rui Torres fez uma viagem pelos três anos de presidência, num diagnóstico do estado da freguesia. Por um lado, o autarca continua a pedir mais competências para a junta a nível social e educativo. Além disso, Rui Torres falou ainda das iniciativas da junta para 2008 e lembrou que a cidade tem crescido de forma sustentável reunindo todas as condições para ser um bom local para se viver.
Jornal de Espinho – Qual o balanço que faz do tempo que está à frente da Junta de Freguesia de Espinho?
Rui Torres – De forma alguma posso considerá-lo negativo. Para mim, tem sido uma experiência bastante positiva e lucrativa em termos pessoais. Sinto-me muito orgulhoso pelo cargo que tenho desempenhado e ainda não sei o que irá acontecer no futuro. Mas a verdade é que me sinto satisfeito que o trabalho que vou desenvolvendo, sinto que a Junta de Freguesia de Espinho tem responsabilidade de fazer muito mais do que o que tem feito no município mas para isso basta só ter a capacidade de o executar…
JE – No ano passado, queixou-se da escassez de competências que a Câmara Municipal permitia à Junta. É dessa situação que está a falar?
RT – É exactamente isso. É normal, não é caso único na freguesia de Espinho. Portanto, nas freguesias onde está sedeada a sede do município, é normal que o município abranja as competências que pode delegar à Junta de Freguesia. Eu continuo disponível para ter outras competências e para assumir outros desafios e responsabilidades e, certamente, eu e ajunta iremo-nos preocupar em fazer o que é melhor para a cidade. Tenho a certeza que serei capaz de concretizar isso, espero é ter a oportunidade.
JE – De que tipo de desafios é que se refere? O que é que a junta poderia desenvolver que não está a desenvolver neste momento?
RT – A Junta de Freguesia vai procurando posicionar-se em várias áreas. Eu também não quero as competências todas, até porque a Câmara Municipal tem uma estrutura que a Junta de Freguesia não tem. Mas eu acho que, em primeiro lugar, as juntas de freguesias todas deveriam ser as responsáveis pelo sector social, por estarem mais próximos da população e de todos os seus fregueses, por terem também uma estrutura muito leve e muito ágil de solucionar os problemas que surgem e os problemas socais são problemas que quando surgem têm que ser resolvidos rapidamente. As Juntas de Freguesia estão preparadas para encontrarem soluções rápidas, desde que tenha os meios ao seu alcance. Portanto, no sector social, acho todas as juntas deveriam ter uma competência própria, delegada pelo Estado, que era a parte social. Em relação a outras competências que as Juntas de Freguesia deviam ter como espaços próprios de acção: as juntas deviam funcionar como pequenas lojas do cidadão, onde o munícipe pudesse deslocar-se e procurar informações sobre de tudo um pouco. Eu acho que era ideal as Juntas de Freguesia serem um local de serviços e de apoio aos munícipes e um local onde se resolva os problemas sociais. Em relação a Espinho, procurando ver as situações e as áreas que estão menos bem na cidade, eu gostava de poder colaborar com a Câmara Municipal no sentido de as melhorar. Falo, por exemplo, na higiene e limpeza das ruas. Obviamente que é muito complicado dizer que as ruas não estão limpas ou que não higiene; haver há. Mas é complicado porque a freguesia está em obras já há largos anos e vai continuar, e com as frequentes nortadas, é normal que as ruas estejam sujas com pó. Temos que evitar isso e a colaboração entre a junta e a Câmara era salutar no sentido de minimizar esse impacto. Podemos também nos jardins e na sua limpeza, que está a ser muito bem feita pelo município. Gostávamos que houvesse mais zonas verdes, algo que não é fácil numa zona tão urbanizada como em Espinho. Outro assunto importante é relativamente à educação. As escolas da freguesia de Espinho ainda estão a ser alvo de uma ligação muito forte ao passado e têm lacunas em termos estruturais bastante grandes. São situações que serão minimizadas no futuro com a criação do centro escolar, mas sinto que a Junta de Freguesia de Espinho já teve a competência do ensino básico e dos jardins-de-infância no passado e podia tê-la também agora. Agora estamos dispostos a colaborar com a Câmara Municipal e com os espinhenses relativamente aos equipamentos urbanos, tais como o parque de campismo ou como o desafio que lancei para o primeiro piso do Mercado Municipal, onde podemos potenciar um espaço social e para as colectividades, sem causar transtorno para o estacionamento. A solução que eu dou vem trazer movimento ao edifício, o que é importante, mas não implica problemas no trânsito. Estamos a falar da utilização pelos cidadãos de Espinho…
JE – Como é que está a vossa solução?
RT – Não sei. A Junta de Freguesia oficializou a proposta e estamos à espera. Eu estou em crer que a Câmara Municipal está a analisar outras soluções que possa lá criar e espero que encontre a melhor solução. Eu não estou a dizer que a junta encontrou a melhor solução, acho que é uma boa solução, mas a verdade é que, cada dia que passa, aquele equipamento continua abandonado e era importante que lhe fosse dada alguma utilidade. A Junta de Freguesia continua disponível para lhe dar essa utilização.
JE – Este ano, a Junta decidiu novamente decidiu festejar o Dia da Cidade com uma programação autónoma da Câmara Municipal.
RT – A Junta de Freguesia de Espinho sempre comemorou o aniversário da elevação a cidade. Acontece que nos anos 89/90 essa incumbência começou a passar para a Câmara e a junta protelou e acabou ser o município a fazer as comemorações. A Junta de Freguesia deixou de comemorar a data durante uns 15 anos, mas eu achei por bem retomar essa tradição e retomei. No primeiro ano, terá sido surpresa, no segundo ano procurei a necessidade de articular os festejos com a Câmara e este ano, atempadamente, solicitei que o programa fosse articulado entre as duas autarquias, mas isso não chegou a acontecer. As duas autarquias tiveram os programas e ninguém quis fazer concorrência a ninguém.
JE – Quais foram as principais actividades que a Junta organizou para o Dia da Cidade?
RT – A Junta de Freguesia de Espinho, este ano aproveitando também o facto do Campeonato da Europa de Futebol se desenrolar durante o mês de Junho, decidiu criar um evento no recinto da Tourada, onde os espinhenses pudessem ir visualizar os jogos do Euro num ecrã gigante, junto com a comunidade e com as colectividades. Isso obrigou a um grande empenho da Junta de Freguesia para que se concretizasse e agora está a concretizar-se com muito sucesso. O sucesso está a conquistar-se dia a dia, com a participação de todos. No jogo de Portugal-República Checa, estiveram cerca de 1200 pessoas no recinto, com um ambiente fantástico. À parte disso, a Junta fez o protocolo de hastear a bandeira e teve também a possibilidade de organizar uma concentração de 100 minis no passado domingo, com um passeio pelo concelho todo… Foram cerca de 250 pessoas que vieram a Espinho passear e passar o dia em Espinho. A Junta de Freguesia está também a reestruturar o edifício com a criação de novas valências e a manutenção de valências que já existiam, de forma a optimizar o espaço que existe no edifício. Era nosso objectivo que a cafetaria abrisse no passado fim-de-semana, mas deverá abrir no final do mês, já que vai passar agora por um processo de licenciamento junto da Câmara Municipal. Quanto ao centro de convívio de idosos, estamos a aguardar da segurança social um parecer técnico das instalações para podermos fazer uma pequena inauguração. O edifício está 99% ocupado e optimizado, na sua plenitude, o que para mim é uma satisfação pessoal. Na próxima sexta-feira, vamos ter aqui o Rui Lacerda, o arquitecto responsável pelo projecto vencedor do arranjo da superfície deixada livre pelo enterramento da linha, e vamos divulgar o futuro de Espinho e as ideias. Os espinhenses podem vir para terem uma ideia do projecto que ele avançou para Espinho. Ainda no âmbito das comemorações, a junta está a promover um concurso de montras de comércio. Temos cerca de 20 inscrições e vão a estar em concurso até ao final da semana. O tema é a cidade de Espinho e a iniciativa vai acontecer outra vez no Natal e esperemos que seja algo que se faça ciclicamente.
JE – Neste momento, o recinto da Tourada está ocupada até ao final do mês. Depois deste evento, já há alguma novidade para o espaço?
RT – As novidades vão-se falando, mas a verdade é que eu continuo a achar que aquele recinto que deve servir Espinho e os espinhenses e também deve, de alguma forma, servir a Junta de Freguesia. Começando melhor as realidades da freguesia do que conhecia na altura em que me candidatei, vejo que Espinho tem necessidades e tem carências muito maiores e vou procurar dotar aquele espaço dos equipamentos e dos meios necessários para servir os espinhenses. O projecto está a ser melhorado e, em breve, será apresentado, assim como os meios necessários para o construir. E aí sim, será preciso saber com que meios a Junta de Freguesia poderá contar para realizar uma obra que vai optimizar aquele espaço.
JE – Qual são os planos para aquele recinto?
RT – A ideia inicial é de criar um espaço social e vinco muito o espaço social porque a freguesia de Espinho está a ficar muito envelhecida e começamos a ter uma necessidade de ter espaços onde os espinhenses se possam encontrar e conviver. Um espaço também para as colectividades da freguesia, temos muitas que fazem trabalhos muito importantes e que continuam sem condições para se poderem reunir. E uma zona de serviços. Eu lancei um desafio ao município de criarmos no espaço da Tourada uma loja do cidadão, sabendo que o governo quer fazer lojas do cidadão nas sedes de concelho. Ali, pela localização, podia descentralizar-se e tirar algum trânsito e resolver alguns dos problemas de estacionamento e de zonas para cargas e descargas que afecta o centro da cidade. Acho a zona da Tourada é boa para podermos concentrar outros serviços e a área que o terreno tem serve perfeitamente para todos os projectos. Para mim o mais importante é que os espinhenses possam tratar os seus assuntos em Espinho e não ter que se deslocar ao Porto ou a Aveiro. A Câmara Municipal de Espinho ficou receptiva e deu o passo para que a cidade seja dotada, no futuro, de uma loja do cidadão.
JE – Já foi referido o tema do ambiente durante esta entrevista. O Rio Mocho, vulgo Rio Largo, espera por uma requalificação. Agora que as obras de enterramento estão quase no fim, o que é que a Junta pretende fazer?
RT – Sim, a autarquia pretende realmente mostrar que é possível optimizar aquele espaço e devolver aquele espaço à cidade e à população. Acontece que a zona que foi lançado o concurso para a requalificação da superfície comportava uma parte do Rio Largo e havia necessidade de ver qual foi a ideia que o arquitecto apresentou para essa parte para depois a Junta poder complementar com uma outra oferta. A ideia de que como podemos optimizar aquele espaço está a ser pensada e vai haver uma articulação com o arquitecto, para apresentarmos ali uma ideia que os espinhenses vão gostar muito.
JE – O que gostaria de ver mudado em Espinho?
RT – Eu gostava de poder ver mais colegas da minha geração na cidade. Sinto que eles se têm afastado, não por não gostarem de Espinho, mas porque as ofertas de emprego surgem noutras localidades que não na nossa terra. Gostava de ver mais pessoas da minha geração e as suas famílias aqui. Gostava de ver também, por parte dos residentes, manifestações de alegria por viverem em Espinho e ver as pessoas mais alegres na rua, não tão críticas quanto à situação da nossa cidade. De resto, Espinho tem todo o potencial para ser a melhor terra do mundo. Eu sou um optimista e acredito que Espinho continua com um grande potencial. Se perdemos e andamos alguns passos atrás relativamente a outros municípios que andaram mais depressa, estamos e vamos dar passos para sermos uma grande cidade sem perdas de qualidade de vida e com segurança.
JE – A cidade tem evoluído num bom ou mau caminho?
RT – A cidade tem evoluído, para mim, no seu caminho normal. Os outros municípios é que andaram muito depressa. É importante crescer de forma sustentável e Espinho tem crescido de forma sustentável, sem ter sido depressa demais. Em termos de obra, não há dúvidas que as obras aparecem e abundam na cidade grandes obras. Mas não só as obras que fazem a terra, também sãos as pessoas, jovens, idosos, e é preciso que eles se sintam bem e isso que às vezes sinto que não está a acontecer.
JE – O que é que a autarquia fez no primeiro semestre do ano?
RT – A Junta de Freguesia de Espinho, não tendo espaço para trabalhar noutras áreas, vai procurando dinamizar a nossa terá com iniciativas culturais, que promovam a nossa cidade e que as pessoas saiam à rua, se divirtam, se distraiam e convivam. Essa tem sido uma preocupação da junta. O Carnaval, o “Arraial d’Espinho” durante o Euro 2008 são exemplos disso. Acho muito engraçado ver pessoas a entrar no recinto da Tourada e dizem que já não lá entravam há mais de 20 anos, que vêm aquele espaço com algum saudosismo e mostram-se surpreendidos pelo espaço estar tão diferente. Isso é reconfortante.
JE – Até ao final de 2008, o que é que já está planeado?
RT – Vamos fazer novamente a Feira do Livro, falta apenas procurar o local; vamos continuar a apoiar as construções na areia. A médio prazo, até ao final do ano, são estas as iniciativas planeadas. Entretanto, há um passo que é importantíssimo que é a entrega do edifício da junta à população, com a abertura da cafetaria. O edifício será optimizado e rentabilizado, o que era um desafio que andávamos a tentar realizar há anos, e que vai dar algum sustento financeiro à junta, através da entrega da exploração do espaço a privados.

Lília Marques

“Senão fosse eu, a obra de enterramento da linha-férrea não tinha sido feita nesta altura”

Em semana de comemoração de mais um ano de vida da cidade de Espinho, o presidente da Câmara de há 15 anos, José Mota, faz um balanço do que a Rainha da Costa Verde já foi, do que é, e do que ainda poderá ser. Saúde educação e muitas polémicas à mistura…Já lá vão 35 anos e a cidade à beira-mar plantada tem assistido a transformações radicais, que nem sempre têm colhido a unanimidade de toda a população.

Jornal de Espinho - Que balanço faz destes 15 anos de governação?
José Mota - O balanço que eu faço pouco importa. O que importa é o balanço que a população faz. E que só pode ser positivo. Quando chegamos há 15 anos em Espinho não tínhamos por exemplo um espaço municipal coberto para desporto, não tínhamos um espaço para a cultura, tínhamos a rua 20 muito mal iluminada e de resto tínhamos uma zona litoral que não tinha o mínimo de condições. A recente construção da passagem da linha-férrea em túnel foi uma inovação fantástica com uma importância muito grande para a cidade, penso que os espinhenses já perceberam isso. A qualidade de vida que se ganhou com isso é inegável e penso que quando estiver completamente concluída a requalificação urbana a cidade será uma cidade completamente diferente. Nós hoje somos uma cidade completamente diferente. Se não fosse a Nave a maior parte das coisas que se fazem em Espinho não se faziam, os hotéis estavam vazios, havia menos gente nos restaurantes. Vamos inaugurar brevemente o FACE…

JE - Vai ser inaugurado no dia da cidade?
JM - Não. Há aí muitas pessoas preocupadas com o dia das inaugurações. A nós preocupa-nos em por as coisas a funcionar. Isso é que é importante. Neste momento estamos a estudar muitas propostas para a utilização daquele espaço, que é um espaço grande. Estamos ainda a negociar. Há uma utilização diversificada que pode ser feita e é isso que estamos a estudar. Não queremos ferir susceptibilidades, por isso, não iremos divulgar já, mas muito brevemente vamos divulgar quais são as opções que fizemos para a ocupação daquele espaço.

JE - Mas isso já foi dito há cerca de um ano atrás. Rolando Sousa já disse que estavam a estudar várias actividades para lá…
JM - Se há uns tempos o Rolando de Sousa lhe disse isso estava a dizer a verdade e o que lhe estou a dizer agora também é verdade. Desde essa altura que temos tido muitas propostas, porque entretanto o FACE concluiu-se, falta apenas alguns arranjos exteriores e entretanto começaram a surgir propostas diversas.
Há de facto muitas propostas para a utilização do espaço, e neste momento podemos fazer opções porque há propostas muito diversificadas. É um espaço enorme mas é um espaço óptimo para congregar muitas actividades ligadas ao desenvolvimento tecnológico, ligadas à cultura o que vai ajudar a desenvolver uma parte significativa do concelho de Espinho.

JE - É uma obra polémica o FACE em termos de projecto… Há quem não goste por exemplo da cor exterior, há quem não concorde com os materiais utilizados, muitos dizem que a parte de trás parece um celeiro… Há quem chame aquilo de muitas maneiras… O que é que chama a quem critica a obra?
JM - Não chamo nada. Há pessoas que olham para o espelho e não gostam delas próprias. Ainda bem que temos opiniões diferentes. Há pessoas que não gostam de nada, que são assim desde que nasceram. Respeito a opinião e espero que o tempo passe e que os possa convencer que eles nunca tiveram razão.

JE - E o presidente gosta da obra?
JM - Eu adoro. Já foi inclusive visitado por imensas pessoas ligadas à arte e à cultura que dão os maiores elogios àquele espaço e quando daqui a algum tempo estiver em funcionamento até as pessoas que agora não gostam vão passar a gostar.

JE - Passamos do FACE para a biblioteca. Há também quem critique a localização da biblioteca. Há quem considere que ela deveria ter sido construída nos terrenos que antes eram para o Multimeios, há outros que defendem que a biblioteca deveria ser um projecto de aproveitamento do Palacete da Pena. Acha que alguns destes projectos teria mais viabilidade?
JM - Essas pessoas são as que ao longo dos anos sempre teceram criticas mas nunca foram capazes de fazer nada. Andaram sempre a discutir o sexo dos anjos em vez de fazer as coisas. A biblioteca está no espaço adequado, no espaço nobre da cidade, numa zona central. Num jardim, que é um dos pulmões da nossa cidade. Também não queremos que toda a gente concorde connosco.

JE - O projecto da biblioteca no parque não contempla nenhum parque de estacionamento… E o estacionamento é um dos problemas da nossa cidade…
JM - É capaz de faltar alguns equipamentos no local, mas temos o instituto da biblioteca e do livro, que é importantíssimo, feito por um arquitecto com base nas regras estabelecidas. Mas há sempre quem ponha defeitos em tudo. Espinho vai ter pela primeira vez uma biblioteca de raiz.

JE - Em relação aos parques de estacionamento anunciados, um nos terrenos para lá do Multimeios e outro junto à igreja, ainda não há nada de novo. Em que ponto está o projecto?
JM - É um processo que está em curso, que passou por várias alterações nos tramites legais, quer em termos de Assembleia Municipal, quer através do próprio consórcio que o vai construir e muito brevemente a construção irá acontecer. Parque de estacionamento junto à nova biblioteca vai haver.

JE - Sempre é para construir os dois parques?
JM - Vamos construir inicialmente um…

JE - O primeiro a avançar será o do Multimeios?
JM - Sim, depois ver-se-á se há condições para o outro.

JE - Fala-se também num parque de estacionamento previsto para a zona de intervenção das obras da linha-férrea. Confirma?
JM - Está previsto um parque que não vai ser feito pela Câmara e a REFER pelos vistos também não o vai construir. Mas certamente que vai ser construído em regime de concessão. Mas está de facto previsto a nasceste da linha-férrea um parque de estacionamento.

JE - Vai ficar então paralelo à linha-férrea?
JM - Sim. Poderá também ser usado pelo Casino, para as pessoas que venham cá.

JE - O que é que tem a dizer àquelas pessoas que afirmam que a Câmara tem relações demasiado amigáveis com o Casino?
JM - Eu sempre defendi desde a primeira hora que a autarquia e a Solverde deviam ter uma boa relação. A Solverde é um grupo privado muito grande, que é o maior grupo económico privado do concelho de Espinho e a cidade só tem a ganhar com uma boa relação entre o grupo e a Câmara. O Grupo Solverde tem contribuído para o desenvolvimento do concelho de Espinho. O Doutor Manuel Violas é um homem com uma grande dimensão humana.

JE - Acha que o grupo Solverde tem contribuído para o crescimento não só da cidade mas também da evolução da população?
JM - Acho que isso é inegável. Aliás, o Grupo Solverde tem participado em muitas iniciativas deste concelho, com muitas colectividades. As principais colectividades recebem apoios do Grupo Solverde.

JE - Admite que à conversas entre a autarquia e o Grupo Solverde sobre os projectos da cidade, nomeadamente aquelas que ficam à volta do Casino?
JM - O Casino está na cidade e é evidente que eu não tenho dificuldade nenhuma em falar com o Grupo Solverde e com o Doutor Manuel Violas acerca disso. Agora, o presidente da Câmara sou eu e quem toma decisões a nível de autarquia somos nós. Qualquer cidadão de Espinho pode ouvir o Doutor Manuel Violas e pedir-lhe opiniões, e é sempre um prazer ouvi-lo.

JE - Ouviu Manuel Violas em relação à obra de enterramento da linha-férrea?
JM - Ouvimos, como ouvimos também muitas outras pessoas.

JE- Ele concorda integralmente com a obra?
JM- Ele concordar concorda, agora se é integralmente, isso já não sei. Se cada um de nós fossemos a fazer esta obra, com certeza que haveria pormenores que faríamos de maneira diferente.

“Senti uma grande felicidade quando passou o primeiro comboio pelo novo túnel”

JE - Na obra de enterramento da linha-férrea, o que é que não gosta?
JM - Gostava que o comboio fosse enterrado em todo o concelho. Segundo, há cento e muitos anos que Espinho tem linha-férrea e ninguém foi capaz de fazer a obra e eu fi-lo. Garanto que esta obra, se não fosse eu, não tinha sido feita nesta altura. Uma coisa é eu querer que ela fosse feita em todo o concelho, outra coisa é isso ser possível. Se não tivéssemos duas linhas água, uma a Norte e outra a Sul a limitar a obra tínhamos feito melhor do que o que fizemos. Só que os custos são tão elevados que poderíamos por e causa a realização de toda a obra. Havia também um problema de impacto ambiental.
JE - O que acha que fez com que o Governo aceitasse esta obra. Foi o peso político da figura de José Mota?
JM - A autoridade política com que o assunto foi tratado. Saber ser realista e exigir aquilo que era realista e impedir que houvesse elementos para que dissessem que não e no momento certo dizer “nós também comparticipamos”. Se não tivéssemos feito isso no momento certo não tínhamos nenhum túnel em Espinho.
JE - Mas há algum aspecto concreto no enterramento da linha que não tenha gostado?
JM - Neste enterramento não vejo nenhum. Gosto daquilo tudo.
JE - E aqueles tubos que estão no local onde estava a linha-férrea?
JM - Aqueles tubos não estão lá porque eu ou a REFER quisemos, mas porque são importantes para o caso de haver um incêndio num túnel. Evidentemente que com a requalificação urbana vai ficar disfarçado. E a requalificação ainda se vai fazer. Esta é uma obra exemplar da engenharia portuguesa porque foi feita com mais de 120 comboios a passar por dia.
JE - O que sentiu quando passou o primeiro comboio pelo túnel?
JM - Senti uma grande felicidade. E algum nervosismo antes de ele passar porque é quase como aqueles aparelhos que vão à lua. Os minutos antes da descolagem são terríveis. Pela primeira vez passou um comboio num túnel que se acabou de fazer. Tudo era falível. Senti uma grande felicidade em ver que as pessoas têm agora uma estação moderna, com conforto, em segurança total.
JE - O que tem a dizer aos comerciantes que durante as obras se queixavam dos transtornos? Vai haver algum tipo de apoio ou iniciativa para ajudar esses comerciantes?
JM - Não. Em primeiro ligar tenho de agradecer aos comerciantes por terem compreendido a nossa mensagem, por terem compreendido que o sacrifício ia valer a pena. Peço ainda um bocadinho mais paciência durante a obra de requalificação à superfície. A todos, mesmo aos habitantes e aqueles que nos visitam, tenho de dizer obrigado por terem compreendido, e por terem colaborado. Mas devo dizer aos comerciantes que aqueles que mais sofreram são aqueles que mais beneficiados vão ser depois da requalificação feita, porque as casas e os estabelecimentos vão ser valorizados. E a compensação será essa. Uma vez terminada a obra os seus negócios vão melhorar muito. E espero que sejam ressarcidos de todos os prejuízos que tiveram.
JE - Como está a cidade em termos de iniciativas culturais?
JM - Está óptima. Penso que poucas cidades têm as iniciativas culturais que tem a cidade de Espinho. Temos o Festival de Música, o CINANIMA, o Tucátulá e poucas as cidades têm. E para tudo isto a autarquia está sempre presente. Temos de apostar cada vez no turismo. No turismo de cultura e claro no turismo de sol e mar.
JE - Em relação ao projecto para a requalificação urbana. Já está definido?
JM - Numa coisa que está em curso ainda não está tudo definido até ao fim. Pode sempre haver mudanças. O que está já definido é uma zona verde. Há sempre coisas que vão surgindo novas e que devem merecer a nossa atenção.
JE - É o arquitecto Rui Lacerda que está a frente do projecto?
JM - É o arquitecto principal do consórcio a quem foi entregue este projecto. É um arquitecto bem conhecido, com provas dadas no concelho e no país e portanto não há qualquer dúvida que dali sairá um trabalho de grande qualidade.
JE - Assistimos a um corte brusco de Nuno Lacerda e Rui Lacerda. Começamos a ver obras que habitualmente eram assinadas pelo primeiro, que começaram a ser assinadas pelo segundo. Porquê este corte brusco?
JM - Não houve corte nenhum. Como sabe fazemos concurso para tudo. Não temos adjudicado directamente projectos a obras. Cumprimos a legislação que está em vigor. Abrimos um concurso e depois o júri procura escolher a melhor proposta. Não há aqui um corte com quem quer que seja. O júri não é só composto por gente da Câmara, mas também ligada a outras entidades.
JE - Passamos para o Hospital. Apelidou o hospital de pocilga. Admite que foi um termo infeliz que os arautos da desgraça utilizaram para dizer mal de José Mota?
JM - Não considero ter sido um termo infeliz. Quando inauguramos há 12 anos o Centro de Saúde, veio lá a Ministra da Saúde, Maria de Belém. E a pedido do director Cruz Pires visitou o Hospital, mas apenas alguns espaços seleccionados, porque outros com certeza, não tinham condições para ser visitados. Toda a gente sabe que o Hospital de Espinho estava em más condições. Se for verificar as obras que entretanto foram feitas, são obras de muitas centenas de milhares de contos. Ora, se o Hospital estava bem, para que se fizeram as obras. Agora, houve muita gente que interpretou mal estas palavras e que eu queria dizer que as pessoas que trabalhavam no hospital eram limpas, mas não era nada disso. Só queria dizer que há doze anos atrás o hospital estava mal, tinha coisas muito velhas.
JE - Como estamos em termos de educação no concelho de Espinho?
JM - Estamos a caminhar no bom sentido. Estamos a avançar com obras importantes nas nossas escolas, nomeadamente nas escolas secundárias, por exemplo a Gomes de Almeida, que vai sofrer obras de grande monta. A própria Laranjeira também precisa de obras. Todas elas precisam, mas está em curso um processo que não é só nosso, é do país e tem a ver com o apoio do QREN, para equipamentos escolares e que vai ser por nós bem aproveitado. Temos vindo a fazer obras regulares com a consciência que o Parque Escolar tem que ter uma atenção permanente, porque é onde as nossas crianças passam a maioria do tempo. Tem que ser por isso, confortável e seguro.
JE - Considera a hipótese do FACE poder vir a acolher um pólo universitário e cativar assim a população de outras Universidades para o nosso concelho?
JM - Neste momento, como eu disse, estão a ser estudadas várias possibilidades de utilização do espaço. Portanto, seria prematuro estar a dizer o que o vai acontecer. Se houver condições para colocar lá um pólo universitário, isso é bom. Mas há também outras coisas que se podem colocar lá com muitas vantagens para ao
JE - A parte debaixo do FACE, junto ao mar, que ainda está em aberto…a Câmara está a pensar em fazer uma hasta pública do terreno?
JM - Neste momento a Câmara está a repensar o que fazer àquele terreno. Como sabe já foi uma ideia vender o espaço e fazer uma hasta pública. Neste momento estamos a repensar este processo. JE - Há alguma coisa prevista para a marginal, em termos de obras?JM - Neste momento assinamos um dos contratos para diversas obras na zona do litoral entre Espinho e Paramos. Há vários projectos que tínhamos a concorrer ao QREN e a assinatura dos contratos para as obras ocorreu ontem em Matosinhos. Essas zonas vão ser objecto de grandes modificações. Neste momento, em Silvalde, já está a decorrer uma obra de defesa da costa.
JE - Outra das vitórias como presidente da Câmara foi a abolição da carreira de tiro, mas ainda não está nada previsto para lá?
JM - Aquele espaço não é nosso, é terreno militar. E tentaram fazer hasta pública daquilo mas não conseguiram, julgo por causa da utilização que tem lhe ser dada. Quem tem que determinar a utilização do espaço que pode ter somos nós. E não estamos virados para qualquer tipo de construção. Será um espaço que não vai ser objecto de qualquer construção. Pode inclusivamente ser utilizado pelo golfe, até este momento ainda não foi possível concretizar.
JE - Como estão as relações entre o presidente da Câmara e a oposição?
JM - São normais, não vejo grandes dificuldades. Há uma ou outra picardia, mas nada de mais. JE - Há quem diga que não tem oposição…JM - Tenho oposição e tenho consciência disso. Penso que há na oposição gente de qualidade e gente que não tem qualidade nenhuma. É importante, principalmente quando são pessoas que podem contribuir.
JE - Vai voltar a ser candidato à Câmara Municipal de Espinho?
JM - Não faço a menor ideia. Se andamos preocupados com as eleições acabamos por não fazer nada. Sou lhe sincero, não pensei nisso e não vou pensar até ao final do ano. É muito precipitado. Tudo pode estar diferente daqui a um ano.
JE - Tem tido uma relação excelente com os presidentes de junta. Gostava de ver Alfredo Rocha e Américo Castro na série de candidatos do Partido Socialista?
JM - Para mim é indiferente serem candidatos do Partido Socialista ou não. O que me interessa é que sejam sérios e que façam o trabalho que lhes compete. E tanto um como o outro têm grandes competências.
JE - Admite que para se voltar a candidatar terá que mexer na sua equipa…
JM - Na altura quando decidir se vou ou não recandidatar-me terei de falar com as pessoas. Até porque eu não sei o se as pessoas que estão comigo vão querer concorrer também.
JE - O que nos pode adiantar relativamente ao Parque Urbano?
JM - Não posso adiantar muito porque vamos fazer agora a apresentação do estudo, feito por um grande paisagista português, Sidónio Pardal, e que em conjunto com a Faculdade de Engenharia de Lisboa foi incumbido de fazer este estudo. Neste momento sabemos que queremos fazer do pulmão da cidade um espaço saudável e onde os espinhenses poderão usufruir de uma boa qualidade de vida. O Parque da cidade no fundo já existe, já está delimitado, o que importa agora é desenvolvê-lo.
JE - Já se sabe o que vai ser feito na zona do actual estádio?
JM - Há uma ideia do que poderá acontecer, mas ainda não está nada definido. Só poderá ser definido quando houver projectos.
JE - O que vai acontecer às instalações da Corfi?
JM - Ainda não está nada definido. Estava prevista a instalação lá do Centro Tecnológico. Transformar aquilo num espaço comercial é uma hipótese. Mas não foram vendidas como têm dito. Podem ser alugadas.
JE - Mudou de opinião em relação à instalação de grandes superfícies no concelho de Espinho?
JM - Não, não mudei. Mas há uma realidade que não podemos esconder. Quer queiramos quer não, a população do concelho de Espinho gosta das superfícies comerciais. Se as superfícies não vêm cá, as pessoas vão lá. E mais, entre termos superfícies comerciais na fronteira com Espinho e termos no interior do concelho, não vejo qual é a diferença. Até pode ser prejudicial. Porque uma grande superfície pode ser um factor de aumento de emprego e mesmo de mobilização.

sexta-feira, 20 de Junho de 2008

BUMP recebe medalha de ouro da freguesia

No passado sábado, a Banda União Musical Paramense viveu um dia que vai ficar marcado na já longa história da colectividade, ao receber da Junta de Freguesia de Paramos a medalha de ouro da freguesia. Numa altura de homenagem, todos os elementos que, desde 1933, passaram pela banda não foram esquecidos.

2008 vai ficar marcado na história da Banda União Musical Paramense (BUMP) como o ano em que a colectividade comemorou 75 anos de existência, mas também como o ano em que recebeu, por parte da autarquia de Paramos, a medalha de ouro da freguesia.
O passado sábado, dia 14, foi o escolhido pela Junta de Freguesia de Paramos e pelo seu presidente, Américo Castro, para homenagear a colectividade por toda a história e trabalho feitos ao longo de tantos anos de vida.
A homenagem começou por volta das 17h00. A BUMP, com todos os seus músicos e elementos directivos, o executivo da Junta de Freguesia, todas as colectividades de Paramos e o Presidente da Câmara Municipal de Espinho, José Mota, concentraram-se no local onde foi a primeira sede/sala de ensaios da banda, em 1933. Dai, todos os presentes saíram em desfile, que foi encabeçado por Américo Castro, José Mota e por Manuel Dias, presidente da direcção da BUMP, até à sede da Junta. Pelo meio, o desfile fez uma pequena paragem em frente à sede da colectividade homenageada, para os músicos interpretarem uma música, como uma forma também de prestar tributo àquelas instalações e à própria banda.

“Menina dos olhos paramenses”
Após a chegada de todos os participantes no desfile à Junta de Freguesia, passou-se para a sessão solene. O primeiro a tomar da palavra foi o autarca da freguesia, Américo Castro. O presidente começou por agradecer a todas as colectividades que estavam presentes e foi logo direito ao assunto: “Estamos cá todos para prestar uma homenagem honrada da à Banda União Musical Paramense”.
Américo Castro frisou que, passados 75 anos do nascimento da banda, o momento era de homenagem à “colectividade de âmbito cultural que tem dado um excelente contributo à freguesia e ao concelho”. O presidente da Junta de Freguesia relembrou toda a história da BUMP, a quem apelidou de “menina dos olhos paramenses” e que nasceu “do amor, entusiasmo, dedicação e gosto dos paramenses pela música”.
Segundo o autarca, o aparecimento da BUMP está intimamente ligado com “um musical de seu nome Tuna ou Estudantina”, que existiu em Paramos “de 1910 a 1926”. Em 1933, “Domingos Alves Vieira Júnior fundou a banda e com dinheiro teu e, com algum dinheiro de uma cautela premiada da lotaria espanhola, comprou o instrumental dos Bombeiros Voluntários da Invicta”. Américo Castro lembrou que “o primeiro serviço da banda foi em Esmoriz na inauguração do campo de futebol e a primeira função paga foi em Maceda, concelho de Ovar, em 1935 pela importância de 300 escudos”.
O presidente da Junta de Freguesia de Paramos não deixou de lembrar e homenagear “todos aqueles que ao longo dos 75 anos estiveram presentes e serviram com carinho e dedicação a BUMP”. Além destes, “também temos que lembrar aqueles que hoje se dedicam à banda como é o caso do executante mais velho da banda, Joaquim Rodrigues Guimarães”, afirmou.
Américo Castro falou também dos piores momentos e de como a colectividade tem seguido em frente: “A banda tem conseguido ultrapassar todos os obstáculos quer no que concerne à formação musical, valorizando a sua escola de música ou mesmo melhorando as condições da sua sede social”. O autarca finalizou agradecendo a “todos os músicos e a todos os directores que tudo têm feito pela colectividade” e mostrando “gratidão pelo vosso trabalho e vosso empenho”. “Pelo contributo dado pela BUMP ao longo destes anos, a Junta de Freguesia de Paramos decidiu agraciá-la com a distinção de medalha de ouro da freguesia”, concluiu.
Depois das palavras, passou-se à acção. Américo Castro colocou no estandarte a medalha de ouro, perante o aplauso de todos os presentes.

Homenagem para uma história de 75 anos
Após a homenagem, foi a vez de Manuel Dias, presidente da direcção da BUMP, dizer algumas palavras. O dirigente começou por agradecer à Junta por “honrosa distinção, que não é para os dirigentes e para os órgãos sociais nem para os músicos de hoje”. Manuel Dias explicou que a homenagem “é para toda uma história de 75 anos, para muitas pessoas que passaram pela colectividade, que sacrificaram as suas famílias, as suas vidas pessoais e financeiras para que esta casa esteja a celebrar hoje esta festa organizada pela Junta de freguesia, que representa o povo da nossa terra”. E acrescentou um agradecimento ao povo de Paramos, “àqueles que hoje fazem parte da nossa freguesia, mas também e sobretudo àqueles que fizeram parte da freguesia desde 14 de Janeiro de 1933”.
O presidente da direcção da BUMP lembrou os 75 anos de vida que celebraram este ano estão marcados por “muitos sacrifício e muito trabalho”. Por exemplo, na construção da sede, que “se deveu ao apoio de milhares de pessoas”. “Hoje vivemos bem, estamos muito bem acomodados naquela casa onde podemos desenvolver um trabalho junto dos nossos jovens e não só”. Manuel Dias concluiu dizendo que a distinção feita pela Junta de Freguesia “homenageia todos que passaram pela banda, o seu fundador e muitos outros, todos que passaram pela BUMP onde vincaram o gosto pela música”.
Para acabar os discursos, o presidente da Câmara Municipal de Espinho destacou que a BUMP mereceu a homenagem de que foi alvo. Aliás, para José Mota, a colectividade “merece todas as homenagens e a seu tempo, a Câmara Municipal também a homenageará”.

Lília Marques

quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Desporto espinhense homenageado

Nas comemorações do 35.º aniversário da elevação de Espinho a cidade, a câmara municipal organizou a habitual sessão solene, que reuniu centenas de pessoas no Auditório do Centro Multimeios. Desta vez, o aniversário foi, segundo José Mota, presidente da edilidade, “uma festa da juventude”. Os jovens atletas espinhenses que se sagraram campeões nacionais nas várias modalidades foram homenageados pela autarquia. Inês Pinto e Sara Santos foram ainda distinguidas com os prémios de Atleta do Ano e Revelação de Ano, numa cerimónia em que o desporto espinhense esteve em destaque.

Na passada segunda-feira, Espinho festejou mais um ano de cidade. A festa começou logo pela manhã, com o hastear da bandeira. O momento contou com a presença da fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Espinho e teve como protagonistas o presidente da câmara municipal, José Mota, e o Presidente da Junta de Freguesia de Paramos, Américo Castro. Segundo o que o Jornal de Espinho conseguiu apurar, tal situação gerou algum desconforto político com o autarca espinhense, Rui Torres, por não ter sido um das personalidades a hastear a bandeira.
Um dos pontos altos das comemorações do 35.º aniversário da elevação de Espinho a cidade foi a sessão solene que decorreu no Auditório do Centro Multimeios, pequeno para receber todos os presentes. A sessão teve o seu início com uma actuação musical de Irene Vieira – que, entre outros, cantou o “Fado de Espinho” – e que mereceu muitos aplausos de toda a plateia.
A iniciativa prosseguiu com “discursos estrangeiros”. Ao palco, subiu uma representante de Brunoy (localidade francesa que foi a primeira a ser geminada com Espinho), que congratulou os espinhenses “pelas obras que, graças à tenacidade de José Mota, continuam a modernizar a cidade”. Seguiu-se o discurso de Gilmar Chaves, secretário da Cultura da cidade brasileira de Limoeiro do Norte, onde existe um lugar chamado Espinho e que se encontra em processo de geminação com a nossa cidade.

“Espinho é um concelho em movimento permanente”
Seguiu-se o discurso de José Mota. O presidente da Câmara Municipal começou por enaltecer todos os homenageados da tarde, numa cerimónia que estava a ser “uma festa da juventude”. Como esclareceu o autarca, “a maioria dos homenageados de hoje são atletas que, no último ano, atingiram o topo nas várias modalidades desportivas”, o que só vem provar que “Espinho continua a ser um alfobre de campeões”. O exemplo dado pelos desportistas “não se circunscreve aos domínios desportivos”, até porque o seu esforço “é visto como um exemplo para os mais novos para as duras batalhas da vida”.
Num dia em que Espinho comemorava 35 anos, José Mota lembrou que nenhum espinhense “poderá deixar de se sentir gratificado com o surto de desenvolvimento que veio para ficar” e que confere à cidade a modernidade que faltava para “se impor como pólo de referência no contexto nacional”.
O presidente da autarquia não deixou de destacar a linha férrea, que “continua na ordem do dia”, numa altura em que se aproximam as obras de requalificação da superfície deixada livre pelo enterramento. “Agora que o túnel já permite a passagem das composições, os trabalhos continuarão e só poderão ser dados como concluídos quando a requalificação estiver terminada”, esclareceu. José Mota lembrou as críticas daqueles que queriam que as duas obras – o enterramento e a requalificação – tivessem sido feitas lado a lado, algo impossível “com 120 comboios a circular diariamente por Espinho, mais de 90% dos quais entre as seis e as 24 horas”.
Para o autarca, “esta obra não é do passado nem do presente, é uma obra do futuro”. Embora o rebaixamento da linha férrea seja um facto consumado, José Mota destacou as muitas dificuldades que tiveram que ser enfrentadas: “Primeiro foi preciso sonhar, depois foi necessário acreditar e, a seguir, foi constante o desgaste para conseguir vencer as barreiras.” E acrescentou: “Lutamos por uma obra que é fundamental para todos os cidadãos de Espinho”; onde, disse, podem ser destacadas as preocupações com o urbanismo e com o ambiente, entre outras, já que “a situação que se vivia tinha-se tornado insustentável e insuportável e a câmara estava e continua a estar definitivamente empenhada em entregar a cidade aos cidadãos”.
Depois “de a parte mais difícil” estar consumada, falta aguardar, segundo José Mota, “com ansiedade pelo desfecho definitivo de um empreendimento que se adivinha da mais elevada qualidade”. O presidente da câmara municipal deixou ainda um agradecimento a toda população, principalmente “aos comerciantes, que, de alguma forma, têm sido afectados pelo decurso dos trabalhos”, mas lembrou que “não há parto sem dor, não se pode fazer obra sem a fazer”. Todos os prejudicados pelas obras vão, segundo José Mota, ser recompensados com o processo de requalificação. Com esta obra, a cidade de Espinho “tornou-se num exemplo para o todo nacional”, e a requalificação da superfície deixada livre pelo enterramento da linha férrea vai “dar origem à requalificação total da cidade”.
José Mota enalteceu também outras obras da cidade, que está enriquecida “pela existência de muitos equipamentos vocacionados para a cultura, para o turismo e para o desporto, como são exemplos a Nave Desportiva, o Centro Multimeios e o FACE – Fórum de Arte e Cultura de Espinho”. O autarca não esqueceu a “nova biblioteca municipal, que está em construção e que no próximo ano ficará concluída, um significativo contributo para o desenvolvimento cultural da população do concelho”. A Pousada da Juventude, inaugurada no passado mês de Dezembro, e as intervenções na zona litoral das freguesias de Espinho, Silvalde e Paramos, cujas candidaturas ao QREN já foram aprovadas, foram outros dos destaques de José Mota. O presidente do município concluiu, dizendo que “Espinho é hoje, e assim, um concelho em movimento permanente”, e agradeceu aos representantes estrangeiros presentes na cerimónia.

Desporto foi rei nas homenagens
A sessão solene continuou com as homenagens que a Câmara Municipal de Espinho prestou aos espinhenses campeões nacionais das diversas modalidades, que subiram ao palco do Centro Multimeios para receberam as medalhas. O primeiro homenageado foi António Pinto, do Rio Largo, campeão nacional de pista coberta em salto em comprimento para veteranos. Seguiu-se o badminton e os atletas António Pereira e Rui Pereira, que se sagraram campeões nacionais de pares homens na categoria C.
Nuno Ramos, atleta de boxe do Sporting Clube de Espinho, conquistou o topo como cadete, em menos 86Kg, e foi um dos homenageados, assim como Inês Pinto, ciclista da Cerciespinho que se sagrou campeã nacional de juniores e absoluta. De seguida, receberam as medalhas a equipa feminina de iniciados de esgrima da Nova Semente Grupo Desportivo, a equipa de esperanças de ginástica rítmica desportiva e o campeão nacional da segunda divisão júnior, Carlos Dias, da Académica de Espinho.
Tiago Rodrigues e Vanessa Vasconcelos foram dois dos atletas do Oporto Golf Clube que foram distinguidos por terem sido campeões nacionais. Da natação, destacaram-se os atletas do Sporting de Espinho: Pedro Costa, Rita Freitas e Maria Salomé Oliveira. Da Escola de Ténis de Espinho, subiram ao palco do Multimeios para receber as medalhas de homenagem os campeões nacionais sub-14 de equipas masculinas, as campeãs nacionais da segunda divisão de juniores e as campeãs nacionais seniores em absoluta pares, Ana Catarina Nogueira e Joana Panguaio. As homenagens encerraram com o destaque para os atletas de trampolins da Associação Académica de Espinho que se sagraram campeões nacionais juniores por equipas. Ana Simões e Sílvia Saiote, e com os atletas dos Mochos, que foram campeões nacionais de indoor do INATEL e também conquistaram o primeiro lugar no voleibol de praia do INATEL.

Medalhas para José Pedrosa e Vanessa Fernandes
Depois das medalhas, estava na hora de anunciar os prémios mais importantes da tarde. Inês Pinto, ciclista da Cerciespinho, conquistou, por unanimidade do júri, o título de atleta do ano, após ter conquistado cinco lugares no pódio no Campeonato do Mundo de Cadetes Femininos e seis primeiros lugares nos campeonatos nacionais do ano passado. Para a Revelação do Ano, o júri escolheu Sara Santos, atleta do Rio Largo, lançadora do peso e do martelo.
Para terminar a sessão solene, a Câmara Municipal de Espinho tinha reservado a entrega da medalha de Mérito Desportivo a duas personalidades que estiveram e estão ligadas à cidade por razões diversas. A distinção com maior valor desportivo foi entregue, em primeiro lugar, a José Afonso Pedrosa, ex-capitão da equipa de voleibol do Sporting Clube de Espinho, que se despediu este ano da competição após largos anos de sucesso desportivo. A segunda medalha de Mérito Desportivo foi entregue a Vanessa Fernandes, atleta que dispensa apresentações no que diz respeito ao triatlo nacional e internacional e que começou a sua carreira na natação em Espinho. Para receber o prémio, esteve entre nós o seu pai, Venceslau Fernandes.

quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Doutoramento com 20 valores

O professor Armando Sousa e Silva, docente desde 1985 na Escola Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida, apresentou e defendeu com brilhantismo uma tese de doutoramento na área da Sociologia e Filosofia da Educação.
O acto académico decorreu na Sala Nobre do departamento de Teoria, História e Filosofia da Educação da Faculdade de Ciências da Educação da prestigiada Universidade de Santiago de Compostela.
A classificação do candidato correspondeu a 20 valores tendo merecido do tribunal académico a menção de “sobre saliente cum laude”. Trata-se do primeiro doutor do conjunto dos professores em exercício na Escola Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida.
Pelo exposto daqui, felicitamos vivamente o novo doutor que honra a escola onde lecciona para além de valorizar substantivamente as suas competências académico-profissionais.
O próprio Jornal de Espinho está de parabéns, uma vez que o professor Armando Sousa e Silva tem sido um valioso colaborador com artigos de opinião deste periódico.

segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Espinho é cidade há 35 anos

Daqui a alguns dias, Espinho está de parabéns ao comemorar 35 anos de elevação a cidade. A Junta de Freguesia e a Câmara Municipal festejam a data com programações diferentes. A primeira entidade vai apostar em três dias de festejos, aproveitando o facto de o dia 16 ser uma segunda-feira. Das actividades da Junta, podem destacar-se a inauguração do centro de convívio de idosos, a concentração nacional de “minis” na cidade e a Taça da Freguesia. Quanto à Câmara Municipal, até ao fecho da edição, ainda não havia novidades quanto ao programa para a efeméride.

No próximo dia 16 de Junho, Espinho está de parabéns. Há 35 anos, Espinho foi elevado à categoria de cidade. As comemorações do aniversário estão já aí à porta.
No que diz respeito à Junta de Freguesia da cidade, os festejos da elevação começam dois dias antes, no sábado, dia 14. Para as 10h00, a autarquia tem programada uma caminhada, cuja concentração se fará na Junta. Depois, à tarde, por volta das 15h00, vai decorrer a inauguração do centro de convívio dos idosos, intitulado “Convida”, que se localiza no edifício da autarquia. Meia hora mais tarde, começa a actuação do Orfeão de Espinho. No dia seguinte, logo às 10h00, vai realizar-se uma concentração nacional de “minis”, junto à Câmara Municipal, e às 10h45 os automóveis vão participar num cortejo pelas ruas da cidade. Para o meio-dia está programada uma prova de perícia para os “minis” e às 15h00 vai decorrer um torneio de futebol de veteranos. Às 19h30, o espinhense Mário Cales, que viajou pela Europa de scooter e esteve na estreia de Portugal no Europeu, vai chegar ao recinto do Arraial d’Espinho.

Junta aposta na Taça da Freguesia
Para o dia de festa propriamente dito, as actividades da Junta de Freguesia de Espinho começam às 10h15 com o hastear da bandeira na autarquia e, cinco minutos mais tarde, vai haver uma largada de pombos. Depois, às 17h00, tem início a Taça da Freguesia de Futebol Popular, que vai ser disputada entre o Cantinho da Rambóia e o Rio Largo.
Na sexta-feira seguinte, dia 20, está programada a apresentação pública do projecto de arranjo da superfície que era ocupada pela linha-férrea, sob a responsabilidade do arquitecto Rui Lacerda. A apresentação vai realizar-se no Auditório da Junta de Freguesia e tem início marcado para as 21h30.
Além destas actividades, a Junta de Freguesia de Espinho tem ainda agendadas outras iniciativas durante todo o mês. De 9 a 21 de Junho, vai decorrer o Concurso de Montras. De 7 a 29, a antiga Tourada vai receber o “Arraial d’Espinho”, onde se pode assistir ao Euro 2008 em directo. No dia 15, Espinho vai acolher a 1ª Concentração Nacional de Minis e, nos dias 20 e 21, a Praia das Sereias acolherá a 3ª Etapa do Circuito Nacional de Skimboard. Além disso, nos dias 14 e 15, realizar-se-á na Paria da Baía, o Circuito Regional de Espinho de Surf, de Bodyboard e de Longboard.

Câmara sem programa
Relativamente ao programa da Câmara Municipal para as comemorações do 35º aniversário da elevação de Espinho a cidade, o Jornal de Espinho tentou obtê-lo da parte da autarquia. No entanto, a Câmara Municipal explicou que o programa ainda não estaria concluído, não nos tendo sido possível assim divulgar as actividades da autarquia para a efeméride.

quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Pontão já foi abaixo

Depois da inauguração do novo túnel ferroviário que atravessa Espinho, Espinho assistiu a outro momento importante no processo do enterramento da linha-férrea.
Há alguns dias, o pontão que se localiza no norte da cidade, perto do Rio Largo, desapareceu completamente. Recorde-se que, com o início das obras, o pontão foi destruído parcialmente e uma parte dele ainda permanecia intacta. No entanto, agora o que ainda nos remete para a existência dele são os montes de pedras, entulho e terra, que estão a ser retirados do local.
Uma das infra-estruturas emblemáticas da cidade de Espinho, que funcionava como uma alternativa às passagens de nível para aqueles que não queriam esperar pelos comboios, e que dava um fácil acesso à beira-mar, aos casinos, aos hotéis, aos restaurantes e ao estádio de futebol, existe apenas na memória dos espinhenses.

“Há crianças que já consomem drogas”

Saúde, alimentação e segurança infantil. Foram os temas que estiveram em cima da mesa no debate realizado na passada sexta-feira na Escola EB 2/3 Sá Couto. Entre questões e controvérsias, os pais viram desmistificados alguns mitos que assombram a sociedade actual.

PSP, Centro de Saúde e Agrupamento Sá Couto juntaram-se para dar uma aula de como enfrentar um dos maiores desafios de hoje em dia: ser pai e mãe. Num clima de expectativa e abertura ao conhecimento sobre os mais novos, Noémia Brogueira, presidente do conselho executivo do Agrupamento fez as honras da reunião e sublinhou a importância do encontro pois “os tempos mudaram e os jardins de infância têm agora um papel mais preponderante e planear actividades estruturadas é fundamental”. Segundo a docente, este foi um projecto da responsabilidade das educadoras de infância das várias instituições do Agrupamento Sá Couto, e que surgiu no âmbito do planeamento do ano de actividades. Mas para a presidente, o grande objectivo deste projecto é envolver os pais nas actividades e no processo educacional. No fundo, trata-se de fundir a educação que é dada na escola, com os valores transmitidos em casa.

Os pais têm de dar o exemplo
Um dos maiores problemas que os pais têm nos dias de hoje é fazer com que os mais novos adoptem desde cedo hábitos de alimentação saudável. Mas as educadoras previnem: têm de ser os próprios pais a dar o exemplo.
Num levantamento de problemas recorrentes nos jardins-de-infância do agrupamento, as educadoras afirmam que os maiores se centram na alimentação, pois a maioria das crianças têm hábitos menos saudáveis que vêm já de casa. Na promoção da saúde e bem-estar das crianças, as educadoras mostraram-se ainda muito preocupadas com a falta de descanso necessário em muitos casos, assim como a falta de diálogo e convívio familiar, que é fundamental para que os mais novos cresçam saudavelmente.

“Não devemos normalizar comportamentos”
Pombeiro Veloso, pediatra, deu o seu contributo a esta aula colectiva ao desvendar dúvidas chave que “todos os dias surgem nos consultórios médicos”. O médico deixou vários alertas aos pais presentes, entre os quais destacou o perigo de os progenitores exigirem que o seu filho seja o melhor de todos, quer em tamanho, como em peso ou inteligência, esquecendo-se que cada criança tem o seu nível próprio de crescimento.
A controvérsia instalou-se quando o pediatra fez uma chamada de atenção para o erro de “normalizar comportamentos nos jardins de infância”, pois “cada caso é um caso” e um simples acto de obrigar a criança a largar a chupeta ou a fralda pode deixar marcas psicológicas profundas na criança”. Tal como o pediatra fez questão de frisar: “é mais fácil curar dentes tortos do que mentes tortas”. Em jeito de conclusão, e também de provocação, Pombeiro Veloso referiu que “uma criança só educada na escola é uma criança sem educação”, o que demonstra a importância do papel da família no crescimento infantil.

Igualdade, legalidade e proporcionalidade
Parece o lema de uma qualquer revolução liberal, mas trata-se apenas de três pontos que resumem a intervenção da PSP na educação, nomeadamente através do programa “Escola Segura”. Após uma breve apresentação daquilo que a Polícia de Segurança Pública faz há mais de dez anos no concelho de Espinho na protecção dos jovens em idade escolar, o responsável pelo programa protagonizou um dos momentos mais polémicos da noite ao referir que já há crianças que desde os quatro ou cinco anos, consomem drogas. O agente policial referiu que há conhecimento de casos, nomeadamente em zonas mais desfavorecidas do concelho, em que crianças de tenta idade já experimentaram drogas como o haxixe. O polícia sublinhou, assim, que a grande preocupação actualmente se centra no consumo de drogas que, como demonstrou, não é um problema apenas dos adolescentes.
Após as várias locuções que preencheram a noite, e às quais se juntou a nutricionista Ana Prata e a Técnica de saúde ambiental Sandra Santos, seguiu-se um debate moderado pelo director do Centro de Saúde de Espinho, Joaquim Barbosa, onde os pais puseram finalmente fim a algumas dúvidas que assombram a educação das crianças.

Maria João Magalhães

“Arraial d’Espinho” na Tourada

De 7 a 29 deste mês, um ecrã de 20 metros quadrados vai transmitir os jogos da selecção nacional no antigo espaço da Tourada. Os espinhenses e os forasteiros vão poder vibrar com o Euro e ainda terão à sua disposição uma área de alimentação com oito stands que vão ser entregue a instituições, colectividades e associações espinhenses.

Com o Europeu de Futebol, que se realiza na Suíça e na Áustria, a Junta de Freguesia de Espinho apresenta o “Arraial d’Espinho”. A iniciativa de Rui Torres, presidente da junta, consiste na transformação, do dia 7 ao dia 29, do recinto da antiga Tourada num campo de apoio à selecção nacional, onde a população espinhense, e não só, pode assistir ao Euro em directo.
As partidas do campeonato de futebol estão a ser transmitidas num ecrã gigante de 20 metros quadrados. Para quem lá for assistir aos jogos, há uma bancada com 450 lugares sentados. Além disso, o espaço vai estar equipado com seis stands, que vão ser geridos por colectividades e associações espinhenses: Sporting Clube de Espinho, Cantinho da Rambóia, Rio Largo, Bombeiros Voluntários de Espinho e Bombeiros Voluntários Espinhenses e os Escuteiros. Também na zona de entrada, que será gratuita, vão existir dois stands, um entregue à Cerciespinho e outro à Bobby e Companhia, onde as instituições poderão vender objectos com o intuito de angariar fundos. Quando a fome ou a sede apertarem durante os jogos, o “Arraial d’Espinho” vai ter uma área de alimentação com 50 mesas e 400 lugares sentados.

Atrair forasteiros
A iniciativa da Junta de Freguesia de Espinho vai ser patrocinada por uma marca de cerveja, que depois vai fazer uma oferta monetária à Associação Social da freguesia de Espinho.
Rui Torres acredita que “o Arraial d’Espinho não é concorrência aos comerciantes espinhenses”. Até porque o grande objectivo “é atrair à cidade de Espinho pessoas que não sejam de cá”. O presidente da Junta anunciou ainda que, “durante o Verão, a antiga praça de touros de Espinho poderá ainda receber mais eventos”, dirigindo naturalmente á festa da cerveja.

quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Ameaça de bomba no Tribunal

No início da passada segunda-feira, o Tribunal de Espinho teve que ser evacuado devido a uma ameaça de bomba. Os funcionários e os utentes que se encontravam dentro das instalações deslocaram-se para o exterior e vários elementos da PSP começaram logo a agir.
As forças policiais espinhenses estabeleceram um perímetro de segurança à volta do edifício, que não deixavam ninguém quebrar. Entretanto, ao tribunal chegou uma equipa especializada na busca de explosivos. Com a ajuda de cães, as instalações judiciárias foram revistadas e não houve sinal de nenhuma bomba. Após se verificar que a ameaça era, de facto, falsa, funcionários e utentes regressou novamente para o tribunal, de forma calma e ordeira.

Apreensão de 11 doses de haxixe
O Comando Distrital de Aveiro, por intermédio da Divisão de Aveiro, da Secção Policial de Espinho e da Esquadra de Ovar, realizou quatro operações de prevenção e fiscalização, nas três cidades, entre as 23h00 de sexta-feira passada, dia 30 de Maio, e as 02h00 de segunda-feira, dia 2. Foram detidos cinco indivíduos por conduzirem sob efeito do álcool e por desobediência a cumprimento de inibição de condução. Foram levantados também 13 autos de contra-ordenação:por falta de inspecção periódica obrigatória e seguro de responsabilidade civil, alteração de características do veículo, excesso de velocidade, condução sob o efeito de álcool, excesso de lotação em veículo, estacionamento irregular e falta de documentos diversos, e foram, ainda, passados 12 avisos de apresentação de documentos.
Na mesma operação, e no âmbito da prevenção criminal, as forças policiais apreenderam cerca de 11 doses de haxixe a dois indivíduos. Na fiscalização de segurança privada, foram detectados três seguranças ilegais num estabelecimento de diversão nocturna. Foi levantado um auto de contra-ordenação, por falta de licença para o exercício da actividade, cuja coima corresponde a um mínimo de 10 mil euros.
As operações de fiscalização e prevenção ocorreram sem complicações e envolveram 38 elementos policiais, apoiados por 12 viaturas.

Detido por falta de habilitação para conduzir
Na passada quarta-feira, dia 28, a PSP de Espinho realizou uma operação de fiscalização da qual resultou uma detenção, por falta de habilitação legal para o exercício da condução, entre cerca de 40 condutores fiscalizados.
Foi passado também um aviso de apresentação de documentos e levantados 17 autos de contra-ordenação, por falta de transferência de propriedade, uso ilegal de telemóvel durante a condução e estacionamento indevido.

Três detenções por excesso de álcool
Na passada semana, do dia 26 de Maio até ao dia 1 de Junho, a PSP de Espinho deteve oito indivíduos, sendo que três das detenções ocorreram por condução sob o excesso de álcool no sangue. Um homem de 44 anos foi detido, na passada quarta-feira, quando conduzia um ciclomotor com uma taxa de alcoolemia de 1,44 gramas de álcool por litro de sangue. Na madrugada de domingo, dia 1, foram detidos dois indivíduos, um de 32 anos e outro de 23 anos, por conduzirem um veículo automóvel com taxas de 1,77g/l e 1,42 g/l respectivamente.
Também no passado domingo, a PSP de Espinho deteve um papeleiro de 28 anos, em cumprimento de um mandato de detenção, e um mecânico de 31 anos, que estava a conduzir um automóvel sem estar legalmente habilitado para o efeito. Ainda no domingo, um inspector de crédito, de 35 anos, foi detido por desobediência, já que foi apanhado a conduzir um veículo, quando estava com a carta apreendida.
Na terça-feira da semana passada, as forças policiais detiveram um homem de 38 anos por condução de veículo automóvel sem estar devidamente habilitado para o efeito. Além disso, no dia anterior, uma costureira, de 35 anos, foi detida em cumprimento de um mandato de detenção.

terça-feira, 3 de Junho de 2008

Os arrumadores e a "pressão" da moedinha

São desempregados ou toxicodependentes e arrumam carros nos parques de estacionamento junto à Avenida 24 para arranjar algum dinheiro. Defendem que não fazem mal a ninguém e que nunca riscaram automóveis por vingança, após um condutor não ter deixado “moedinha”. No entanto, a história de Álvaro Loureiro vem dizer o contrário. Além disso, são várias as testemunhas que afirmam já ter assistido à transacção de droga nos parques de estacionamento.

Pelos dois parques de estacionamento adjacentes à Avenida 24, situados entre as Ruas 19 e 11, passam diariamente centenas de automóveis. Pela sua localização, mesmo no centro da cidade e perto de vários serviços, como o Tribunal, as Finanças, a Câmara Municipal e vários bancos, são muitos os que optam ou que são “obrigados”, pelo problema que é o pouco estacionamento em Espinho, em deixar lá os seus carros.
Para quem conduz, entrar num desses parques para estacionar significa ter a “ajuda” de vários arrumadores, que prontamente se disponibilizam a dar indicações dos lugares livres ou das manobras que são necessárias fazer para que o automóvel caiba nesse lugar. E mal o condutor sai do carro, os arrumadores logo estendem a mão e pedem “uma moedinha” para gratificar a sua ajuda e para garantir, segundo eles, que os automóveis fiquem seguros com a sua vigilância.
Nos parques de estacionamento adjacentes à Avenida 24, os espinhenses vêem todos os dias cinco ou seis arrumadores. Algumas caras já são conhecidas dos condutores que lá estacionam os carros e o perfil de cada um não é muito diferente dos que se encontram a seu lado. Estão desempregados, são toxicodependentes e arrumam carros para poder comprar a dose habitual de droga necessário para “matar” o vício. Uns são novos, outros já têm uma idade mais avançada, mas nem todos aceitaram falar sobre a sua experiência de vida ao Jornal de Espinho.

Arrumadores negam riscar carros
Um dos arrumadores que não se importou de ser entrevistado, mas que não quis ser identificado, confirmou que “a maioria consome droga”, tal como ele próprio. “Isto é uma maneira de arranjar dinheiro para a droga; é melhor do que roubar”, explicou. É electricista da construção civil e, embora esteja escrito no Centro de Emprego, “não há trabalho e, quando aparece algo, é muito longe”. O dinheiro que angaria a arrumar carros dá-lhe “para a dose diária de cerca de 30 euros e para o almoço”, mas o seu desejo é deixar a vida de toxicodependente e de arrumador o quanto antes.
Acusados de vandalizar os automóveis daqueles que não dão “moedinha”, todos são peremptórios ao afirmar que isso é uma mentira. Aliás, segundo o arrumador que esteve à conversa com o JE, a PSP passa pelos parques todos os dias e os arrumadores “são sempre identificados e revistados para ver se têm em sua posse droga ou estupefacientes”, uma vez que se algum carro for riscado ou vandalizado, eles “são os primeiros suspeitos”. E acrescentou: “Se continuamos aqui é porque estamos de cabeça tranquila e porque não fazemos nada de mal. A única pessoa que se queixou de que o automóvel apareceu riscado é daquelas que dá moeda diariamente”.

Testemunhas assistem a transacções de droga
Álvaro Loureiro tem uma história diferente para contar. O espinhense estacionou a sua viatura há cerca de três semanas no referido parque de estacionamento por volta da hora de almoço e não deu “moedinha” ao arrumador, como nunca o faz.
Quando chegou ao automóvel, viu que “tinha um risco bem visível, provocado por uma chave ou por uma navalha”. “O risco foi feito por vingança, até porque se pedem moeda, eu ameaço-os logo”, acrescentou. Seguiu-se a queixa na Polícia de Segurança Pública de Espinho e o processo está em andamento, sem que o culpado tenha ainda sido identificado.
Segundo Álvaro Loureiro, o problema dos arrumadores existe em Espinho há já muitos anos, mas actualmente “eles parecem um grupo semi-organizado, além de serem drogados, o que não acontecia há 10 anos atrás”. Embora, segundo o espinhense, a PSP diga que “o problema dos vendedores de droga está erradicado na cidade”, para Álvaro Loureiro isso não é verdade. “Eu próprio já os vi a comprar droga aqui nos parques e o meu irmão vê-os a entrar em carros para irem comprar a Gaia”. E em relação à famosa “moedinha”, o espinhense explicou que “eles exercem coacção sobre as pessoas, o que constitui um crime semi-público”. No entanto, para o espinhense, “a lei protege-os e a própria polícia nem os pode levar à esquadra”.
Segundo declarações de uma fonte que não quis ser identificada, o problema dos arrumadores “é do conhecimento de toda a gente”. “Eles exercem pressão psicológica e coacção sobre os condutores e há um mal-estar permanente, uma vez que eles fazem turnos”, explicou. A fonte anónima que falou com o JE afirmou já ter assistido também a transacções de droga naquele local e que já fez queixa a várias autoridades, mas que “não é fácil provar que ali se trafica droga”.
Para a mesma fonte, já não se pode dizer que a cidade de Espinho é uma cidade segura: “Além da má imagem que passa, os arrumadores funcionam como um gang e isso afasta as pessoas, que têm medo de sofrerem danos patrimoniais nos seus bens”. E essa fonte que preferiu manter o anonimato vai mais longe: “Esta é uma actividade económica completamente ilegal. Um dos arrumadores já confessou tirar 50 euros por dia. São 1500 euros por mês, sem qualquer tributação!”. Para essa fonte, “a economia paralela que os arrumadores criam é aceite pela Câmara Municipal, pela PSP e até pelas Finanças, já que ninguém faz nada! Se alguém reclama, sofre represálias, quer a nível físico, quer patrimonial”.
Para Filipe Barbot, líder da JSD e psicológico, o problema dos arrumadores “é lamentável, é um flagelo que atravessa toda a sociedade portuguesa”. No caso concreto de Espinho, “a autarquia tem responsabilidades grandes numa política de inclusão social e no concelho o combate à toxicodependência e às pessoas com mais dificuldades é feito apenas por uma instituição, no meu conhecimento, de foro privado, que é o Centro Social de Paramos”. Segundo Filipe Barbort, “a autarquia podia ter uma intervenção muito maior no que diz respeito à percentagem de toxicodependentes que há em Espinho”. E embora a toxicodependência seja um problema muito grave, “para o cidadão comum também não é agradável ter que despender de uma moeda diariamente”.
O Jornal de Espinho tentou contactar a PSP de Espinho para que fossem prestados esclarecimentos sobre a situação dos arrumadores e sobre a actuação das forças de segurança neste aspecto. Apesar de ter sido marcado dia e hora para a entrevista com o próprio comissário da PSP, ao chegar às instalações da polícia no dia combinado, a equipa do JE foi informada que o comissário estava ausente, não podendo assim prestar os esclarecimentos devidos.

Lília Marques