segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Parte da rede de água é em fibrocimento

Manuel Rocha, vereador responsável pelo pelouro das Obras, Água e Saneamento da Câmara de Espinho, em entrevista exclusiva ao Jornal de Espinho, revela que parte da rede de abastecimento de água é ainda em fibrocimento, mas desdramatiza o facto de este produto poder conter substâncias cancerígenas. “A água é de excelente qualidade”, justifica.

JE - Têm sido muitas as rupturas na rede de abastecimento da cidade de Espinho. A nossa rede está velha, cansada e muito usada?
MR – Há parte da rede que está muito velha e muito usada, porque já é muito antiga, mas há muita parte da rede que é moderna e está em muito bom estado.

JE – Não há necessidade de uma intervenção de fundo que leve a uma remodelação da totalidade da rede no concelho de Espinho?
MR – Eu penso que isso nunca se põe, porque há partes da rede que são relativamente novas. Posso-lhe dizer que todo o centro de Espinho, na altura que foi feita a requalificação urbana foi reconvertida, é toda nova.

JE – Mas já houve uma série de rupturas, nomeadamente na Rua 19, com custos acrescidos para o comércio.
MR – Sim, vai havendo rupturas. Quando são persistentes em zonas em que a rede é muito antiga, nós tomamos a opção de a substituir em troços grandes.

JE – Houve um caso em que, dois dias depois de ter sido feita uma repavimentação da Rua 19, para cima da Rua 24, houve duas rupturas, o que acabou por estragar o piso que tinha sido colocado. Parece que se arranja de um lado e se estraga do outro?
MR – A indicação que eu tenho dos serviços não é exactamente essa. Depois de se colocar o tapete, houve a necessidade de recolocar as caixas de manobra das válvulas, e também se substituiu uma válvula que começou a verter, isto é, ao meter o tapete as caixas ficaram mais fundas.

JE – Aí é pior a emenda que o soneto, essas obras deviam ter sido feitas antes?
MR – Provavelmente, até por alguma razão a válvula começou a verter, isso pode acontecer, e verteu a seguir à repavimentação e tinha de ser reparada.

JE – Quando estas rupturas provocam prejuízos avultados no comércio local a Câmara tem indemnizado?
MR – Não, essa questão nunca foi posta.

JE – Confirma que a rede pública de abastecimento de água do concelho de Espinho utiliza condutas ou tubos de fibrocimento?
MR – A rede de Espinho usa três tipos de materiais, o fibrocimento, o pvc e o polietileno. Naturalmente, o fibrocimento é a parte mais antiga, e usou-se no mundo inteiro.

JE – O fibrocimento, como é do seu conhecimento, tem produtos cancerígenos. Presumo que encare esta situação com alguma preocupação?
MR – Não, porque não conheço a composição química de nenhum destes elementos, mas sei e posso garantir que semanalmente fazemos análise da qualidade da água, temos 89 pontos de colheita em todo o concelho, incluindo os reservatórios, e a qualidade da água no concelho de Espinho é excelente. É evidente que existem estes tubos onde circula a água e onde sempre circulou, ma o que eu posso garantir é que toda a água de abastecimento público é de excelente qualidade.

JE – Até que ponto esta situação pode prejudicar a saúde pública?
MR – Não conheço. De acordo com os parâmetros que nós somos obrigados a medir, a indicação que eu tenho é que a qualidade da agua é excelente, aliás, qualquer pessoa pode, no site da Câmara, aceder aos editais da qualidade da água, porque trimestralmente temos de fazer editais, fixando-os na Câmara e na Internet. A população pode estar descansada, a água que bebemos é boa, até eu próprio bebo água da torneira.

JE – Em relação aos produtos cancerígenos, não tem qualquer estudo sobre essa matéria?
MR – Não. Fazemos as análises que se têm revelado de excelente qualidade e todos estes equipamento estão na rede de Espinho e de todo o mundo.

JE – Há já autarquias que estão a implantar soluções para não andarem sempre a rebentar o piso das estradas, fazendo galerias técnicas, onde todas as infra-estruturas são lá colocadas. Espinho encara no futuro vir a fazer este tipo de galerias?
MR – Isso é, de facto, uma possibilidade. É evidente que é uma solução extremamente dispendiosa, mas é uma solução que nós também temos presente.

terça-feira, 22 de Julho de 2008

Trabalhos arrancaram sábado

Pedro Barny começou sábado passado a preparar a quarta participação consecutiva do Espinho na II Divisão. Dar continuidade ao trabalho iniciado na época passada foi a aposta do técnico, que, nas últimas duas semanas, teve a garantia de mais quatro reforços, Hugo Pinheiro, Joel, Carlos Manuel e Horácio, que assim se juntam a Glauco

A temporada passada não terminou há muito e a próxima já começou. Sábado passado, eram 9h30, quando o Espinho fez a habitual apresentação aos sócios e á comunicação social, numa cerimónia que teve como palco, primeiro, o Pavilhão Joaquim Moreira da Costa Júnior, onde os responsáveis principais fizeram algumas declarações, e, depois, o Estádio Comendador Manuel de Oliveira Violas, onde se realizou um jogo entre as equipas sénior e júnior. Um formato utilizado na época passada e que vai manter-se na apresentação deste ano.
E por falar em manutenção, essa poderá ser mesmo a palavra-chave deste Espinho, versão 2008/2009. Não em termos de objectivos, como é evidente, mas, sim, no que respeita à construção do grupo de trabalho. Conforme o JE noticiou ao longo do último mês, o plantel dos tigres sofreu poucas alterações, sobretudo se levarmos em linha de conta as “revoluções” operadas em épocas não muito distantes. O núcleo duro da época passada manteve-se: quatro jogadores tinham contrato e nove renovaram o vínculo, num total de 13 permanências. As entradas, por isso, registaram-se, até ao momento, em número pouco significativo. Foram apenas cinco e quase todas “cirúrgicas”: saíram dois pontas-de-lança, Moreira e Milton, e entraram Glauco e Horácio; saiu um médio-centro, Flávio Casal, e entrou Joel; saiu um extremo, Pedro Mendes, e entrou Carlos Manuel; e saiu um defesa-direito, Bruno Lucas, e entrou Hugo Pinheiro. Acrescentando-se a promoção do ex-júnior Cristiano aos seniores, o plantel, que vai ser treinado por Pedro Barny, conta, neste momento, com somente 19 jogadores, pelo que, nos próximos dias, deverão chegar mais reforços ao “Manuel Violas”. Um defesa-central e mais um ponta-de-lança são os desejos de Paulo Mendes, que agora também poderá ir buscar um extremo, já que Nuno Silva, que esteve para ser novamente emprestado pelo Leixões ao Espinho, acabou por ser cedido ao Freamunde.

REFORÇOS
JOEL
Depois de dois anos seguidos no Fátima, com o qual subiu à Liga de Honra e deu nas vistas na Taça da Liga, está de regresso ao Espinho, clube que representou entre 2003 e 2006. É ainda jovem (25 anos) e pode ser uma injecção de grande criatividade ao meio-campo tigre.

CARLOS MANUEL
É terceira vez que o avançado, de 28 anos, ingressa no Espinho, clube no qual fez uma das suas melhores épocas de sempre: em 2003/2004, marcou 16 golos e subiu à Liga de Honra. Na temporada passada, intercalou entre o Portimomense e o União da Madeira.

GLAUCO
Foi o primeiro reforço a ser anunciado e dele espera-se que faça esquecer o melhor marcador do Espinho nas duas últimas épocas, Moreira. Ponta-de-lança de sucesso na Madeira, onde representou União e Pontassolense, aos 30 anos vai jogar pela primeira vez no Continente.

HORÁCIO
Não é propriamente a mais conhecida das aquisições, mas, há duas épocas, marcou ao Espinho pelos Dragões Sandinenses. Formado no Boavista, passou por Espanha no ano passado (Orense) e, no “Manuel Violas”, será uma alternativa a Glauco. Tem apenas 21 anos.

HUGO PINHEIRO
Este jovem defesa-direito (22 anos) fez o seu percurso juvenil no Famalicão, mas, na temporada passada, jogou no Chaves, ingressando agora no Espinho, onde vai ocupar um lugar que, em 2007/2008, foi de Bruno Lucas. Também pode jogar a central.

Dois milhões de euros para pagar dívidas

A última Assembleia Municipal, que se realizou ontem à noite, debateu dois temas principais: a aprovação do empréstimo de dois milhões e 390 mil euros que a autarquia contraiu, no âmbito do programa Pagar a Tempo e Horas, para pagar as dívidas aos fornecedores de conta corrente relativas ao ano de 2007 e a geminação com o Limoeiro do Norte, no Brasil.
Rolando Sousa, que substituiu o presidente da autarquia ausente em serviço, explicou que a Câmara cumpriu os requisitos necessários para concorrer ao programa e assim “o empréstimo foi autorizado”. Do montante de mais de dois milhões de euros, “60% do valor virá de uma instituição bancária e os restantes 40% do Estado”, cujo principal objectivo é a redução dos prazos de pagamento. Diversos vogais interrogaram o vice-presidente se a solução encontrada pela autarquia não teria repercussões financeiras no futuro, uma vez que a Câmara continuaria com dívidas, não aos fornecedores mas a outros credores. Rolando Sousa respondeu que o empréstimo “não é uma situação para remediar”, já que “se não houver redução no prazo de pagamentos, a autarquia será penalizada”. Depois da discussão, a aprovação da abertura da linha de crédito que a Câmara Municipal propôs foi levada a votação e a proposta foi aprovada com 13 votos a favor e 13 abstenções.

Geminação aprovada
Discutiu-se em seguida a geminação com o Limoeiro do Norte, no Brasil. Rolando Sousa garantiu que uma geminação tem sempre vantagens, apesar de “Espinho no Brasil não ter nada a ver” com o concelho, excepto no nome. Para Ricardo Sousa, a geminação “não tem qualquer tipo de benefícios e passa ao lado da população”. Já António Regedor, como outros vogais, quis saber quais saber quais os critérios para esta geminação. Uma das ideias muito frisada por diversos elementos é que as geminações têm que resultar num intercâmbio nos mais variados campos. Apesar das muitas críticas, o protocolo de geminação com Limoeiro do Norte, no Brasil, foi aprovado com 13 votos a favor, 11 contra e duas abstenções.
De notar que todos os presidentes de Junta de Freguesia do concelho se fizeram representar na Assembleia Municipal. Abel Gonçalves, Alfredo Rocha e Américo Castro estiveram, juntamente com José Mota, em Limoeiro do Norte, no Brasil. Já os autarcas de Anta e de Espinho, Napoleão Guerra e Rui Torres, estiveram ausentes por outros motivos.

Lília Marques

sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Festas em Honra de S. Pedro



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Estátuas Vivas



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quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Jovem agredido em rixa no centro de Espinho

Duas pessoas ficaram feridas durante uma rixa que envolveu cerca de 10 indivíduos, ontem à noite, no Largo dos Combatentes, junto à Igreja Matriz de Espinho. Um dos feridos, com 17 anos, foi atingido com várias facadas, tendo sido transportado pelos Bombeiros Voluntários de Espinho para o Hospital de Gaia.
Desconhecem-se ainda as razões que terão originado o conflito, mas o certo é que no meio da discussão um dos envolvidos acabou por ser esfaqueado, sendo visíveis as poças de sangue no passeio. O outro ferido, com escoriações na face, fugiu do local da discussão quando o outro era assistido e refugiou-se no Quartel dos Voluntários de Espinho, situado a poucos metros. Ao ser perseguido, valeu-lhe a intervenção dos próprios bombeiros, que evitaram mais agressões. “ Os bombeiros limitaram-se a impedir agressões dentro do quartel fazendo barreira aos indivíduos quer perseguiam o fugitivo”, como nos disse o comandante do BVE, Moisés Couto. No entanto, o segundo comandante da corporação acabou por ser identificado como um dos envolvidos, já que estava na altura nas instalações da corporação.
A PSP compareceu no local, onde identificou cerca de 10 pessoas envolvidas, desconhecendo os motivos da zaragata.
Segundo populares, tudo terá sido originado por razões passionais. “Houve uma discussão, com uma mulher no meio, e de repente começaram as agressões, mas não me apercebi do que é que se passava”, disse-nos um dos muitos populares que se juntaram no Largo dos Combatentes.

Mulheres agridem assaltantes armados

Três indivíduos encapuzados e armados de pistola tentaram assaltaram, em Espinho, duas mulheres, uma delas grávida, mas acabaram por fugir depois de serem agredidos a murro e à paulada pelas vítimas, entretanto auxiliadas por uma amiga e pelo marido de uma delas.
O assalto ocorreu quando as duas amigas chegavam à porta de casa e foram surpreendidas por três assaltantes, dois deles empunhando pistolas supostamente iguais às da polícia (calibre de guerra 7.65mm), que lhes roubaram os telemóveis, disse fonte próxima das vítimas.
De acordo com a mesma fonte, as duas mulheres reagiram de imediato e conseguiram tirar o gorro e uma luva aos assaltantes, na altura em que apareceu em seu socorro uma amiga. Esta, ao se aperceber do que se passava, pegou num ferro e atingiu um dos indivíduos na cabeça, derrubando-o. O assaltante levantou-se logo e fugiu, não sem antes disparar um tiro para o ar.
Os cúmplices, entretanto, foram agredidos a murro pelo marido de uma das vítimas, acabando também por fugir. O caso foi denunciado à PSP, estando as investigações a cargo da PJ do Porto.

Operações de fiscalização
No âmbito da “Operação Polícia Sempre Presente – Verão em Segurança 2008”, o Comando Distrital de Aveiro realizou sete operações de fiscalização, nas quais 947 viaturas foram fiscalizadas e foram levantados 45 autos de notícia por diferentes contra-ordenações rodoviárias. Foram ainda detectadas, por radar, 18 viaturas em excesso de velocidade e passados, também, seis avisos de apresentação de documentos. Nesta operação foram ainda fiscalizados dois estabelecimentos e levantaram-se dois autos por falta de afixação de dístico de lotação e outro por excesso de ruído.

Cerca de 9 mil euros em material apreendido
Numa operação levada a cabo pela PSP, no dia 7 de Julho, na feira semanal de Espinho, o Comando de Aveiro apreendeu 162 dvd’s e 374 cd’s, por suspeita de usurpação e contrafacção. Foram, também, apreendidos 24 artigos de vestuário e acessórios, de marcas internacionais diversas. Por venda ambulante ilegal, foram, ainda, apreendidos 59 têxteis. Os artigos possivelmente usurpados e contrafeitos perfazem um valor total de cerca de 8.850 Euros.

Sete pessoas com posse de droga
Na passada semana, nos 11 e 12 de Julho, a PSP identificou sete indivíduos na posse de drogas. Faltavam quinze minutos para a meia-noite de sexta-feira quando a polícia interceptou um jovem, de 18 anos, empregado fabril, por posse de cerca de 2 doses de haxixe. Já no dia 12, pelas 01h00, foi identificado um jovem de 21 anos, estudante, por posse de cerca de 2 doses de haxixe e 16 de liamba. Trinta minutos mais tarde as forças policiais identificaram também um jovem, de 19 anos, estudante, por posse de cerca de 23 doses de haxixe. Ainda no dia 12 um homem de 22 anos, empregado fabril, foi também identificado, pela Polícia de Segurança Pública, por posse de cerca de 15 doses de haxixe. Entre as 03h00 e as 04h00 do dia 12 foram interceptados mais 3 indivíduos, um engenheiro de 26 anos, um professor de 24 e um estudante de 21 anos, todos eles identificados por posse de drogas.
Ainda no dia 12 de Julho a PSP deteve ainda um homem de 31 anos, músico de profissão, por conduzir sobre o efeito do álcool, apresentando uma taxa de alcoolemia de 1,6g/l.
Na última semana as forças policiais registaram 8 acidentes de viação, dos quais resultaram um ferido ligeiro e um morto. Foram ainda levantados 116 autos de contra-ordenação, por infracção às regras de trânsito.

segunda-feira, 7 de Julho de 2008

“A água de Paramos é a melhor do concelho”

A Assembleia de Freguesia de Paramos foi a única, das que tiveram lugar esta semana, que não discutiu o TGV. Mas falou dele, até porque é um problema de todo o concelho. No entanto, a discussão dos vogais na reunião centrou-se noutros assuntos de interesse local, como o caso da Praia de Paramos, que, segundo um elemento do PSD, foi considerada medíocre. Afirmação que, segundo Américo Castro, é falsa e a prova é a análise positiva das águas do mar.

A Assembleia de Freguesia de Paramos decorreu, como já é hábito nestas reuniões, num ambiente quase familiar. Dos pontos da ordem de trabalhos, o único que suscitou interesse foi a informação escrita de Américo Castro, presidente da Junta de Freguesia de Paramos. O vogal da oposição social-democrata, António José, acabou por não fazer uma reflexão sobre a actividade do autarca, mas focou alguns problemas da freguesia.
O primeiro destaque do vogal foi para uma notícia de um jornal nacional que revelava uma lista de praias perigosas do Norte do país. Uma delas era a de Paramos. Segundo o artigo, a praia corre, inclusive, o risco de fechar, pois todas as praias com mais de cem metros de extensão têm de ter nadador-salvador. No entanto, Américo Castro afirmou não compreender tal notícia, até porque, afirmou, “a água da praia de Paramos é excelente e é testada de 15 em 15 dias”. O autarca foi ainda mais longe: “Dentro do concelho de Espinho, a água de Paramos é a melhor”. Além da qualidade da água, Américo Castro destacou que a areia da praia recebeu ainda a classificação de “qualidade de ouro”, distinção máxima da avaliação do areal, devido à higiene do local. Quanto à questão do número mínimo de dois nadadores-salvadores, o autarca acrescentou que esse parâmetro só é exigido “quando a praia é concessionada” e acrescenta que a praia da freguesia tem “todo o equipamento exigido por lei”.

Nova ponte já em Setembro
O vogal do PSD focou ainda outros assuntos de interesse para a freguesia, como o novo parque escolar e o estado “lastimável” da ponte sobre o Rio Sabugão e da Lagoa de Paramos. Américo Castro fez questão de esclarecer todas as dúvidas. Em relação à Lagoa, fez questão de esclarecer que a limpeza “não é da responsabilidade da Junta”, mas por vezes fazem lá limpezas, até porque é a “sala de visitas de Paramos”.
Américo Castro não prometeu arranjar a ponte sobre o Rio Sabugão, pois o objectivo é fazer uma nova, com mais condições e “mais segurança”, quer para peões como para automobilistas. Quanto ao início das obras da nova ponte, o presidente prometeu que fará os possíveis para que comecem já em Setembro.
Questionado sobre a hipótese de auscultar a população sobre a localização do novo Parque Escolar, Américo castro afirmou que tal não é possível porque o equipamento “está incluído num Plano de Pormenor”.
O TGV também não poderia passar à margem, mas nesta assembleia de freguesia as únicas palavras que se ouviram foram de lamento aos constrangimentos de outras freguesias do concelho, porque a freguesia de Paramos “não vai ser prejudicada”, assegurou Américo Castro.

sábado, 5 de Julho de 2008

Requalificação do espaço da feira semanal

Nas últimas semanas, a zona da feira tem andando em obras, nomeadamente no quarteirão do mercado do peixe. Segundo Manuel Rocha, vereador responsável pelas obras, a zona está a ser alvo de “uma requalificação”.
Os trabalhos, que se iniciaram em Junho e que devem estar concluídos em Setembro, vão permitir que, depois de concluídos, “as tendas dos comerciantes sejam presas ao chão e não às árvores, que haja espaço para as ambulâncias passarem”. “O espaço vai ficar mais ordenado e com iluminação, para que, nos dias em que não haja feira, as pessoas possam usufruir do espaço, que vai parecer uma praça”, explicou. Neste momento, os comerciantes que costumavam estar naquela zona foram acomodados num cantão junto ao Centro Multimeios.
A requalificação estender-se-á a todo o espaço da feira, mas para agora ainda só há indicação desta primeira fase. “Só depois de acabarem os trabalhos neste quarteirão começaremos a pensar nos outros”, afirmou Manuel Rocha. No decorrer das obras, algumas árvores que lá existiam tiveram que ser derrubadas. Segundo o vereador, “aquelas árvores, que são choupos, têm uma vida relativamente curta e serão substituídas por outra espécie, de porte parecido”.

Cidades vivas e dinânicas

Pode ler-se em qualquer dicionário ou enciclopédia que cidade é uma área urbanizada, que se diferencia de vilas e outras entidades urbanas através de vários critérios, os quais incluem população, densidade populacional ou estatuto legal, embora sua clara definição não seja precisa, sendo alvo de discussões diversas.
Em Portugal, as condições necessárias para que uma localidade tenha o estatuto de cidade (elevado a partir de vila) estão definidas pela lei que, salvo quando há "importantes razões de natureza histórica, cultural e arquitectónica", estabelece que uma povoação só pode ser elevada a cidade se tiver mais de oito mil eleitores, num aglomerado populacional urbanizado contínuo e, pelo menos, metade dos seguintes equipamentos colectivos: Instalações hospitalares com serviço de permanência, farmácias, corporação de bombeiros, casa de espectáculos e centro cultural, museu e biblioteca, instalações de hotelaria, estabelecimento de ensino preparatório e secundário, estabelecimento de ensino pré-primário e infantários, transporte público (urbano e inter-urbano) e/ou parques ou jardins públicos.
A cidade é um habitat humano que congrega um conjunto de áreas e funções necessárias e imprescindíveis aos seus residentes. De facto, o desenvolvimento da economia moderna fez acentuar a função “económica” das cidades em detrimento da função “social”, isto é de mero aglomerado de pessoas numa dada entidade político-administrativa urbanizada. É, por isso, que o Prof. Ernâni Lopes, em conferência proferida nesta cidade, dizia que “a afirmação das cidades não é apenas uma questão de arquitectura e urbanismo; é uma questão complexa (geralmente mal percepcionada) de teoria e política económica e social, num contexto geopolítico fortemente dinâmico” e acrescentava que “existem dois elementos comuns a todas as cidades: constituírem pontos de acumulação de capacidades e funções na economia moderna; terem a necessidade de se afirmar perante a competição global pelos recursos, pelas qualificações, pelas tecnologias e pelos capitais”.Espinho é cidade há 35 anos. Ao comemorar o “dia da cidade”, comemora-se o passado mas deverá reflectir-se no presente e construir uma visão prospectiva do futuro.As cidades são organizações “vivas e dinâmicas” e, por isso, para não morrerem, têm que se “desenvolver”; e, à semelhança do que se passa com os seres humanos, para “viver” é necessário traçar metas, objectivos sem os quais a vida é um constante deambular sem sentido.
Diz-nos o passado de Espinho que, algum tempo depois de “nascer”, os obreiros desta terra traçaram o objectivo de ela, um dia, vir a tornar-se cidade, o que veio a ser conseguido, precisamente há 35 anos!Porém, atingido este, que outro objectivo foi traçado a partir daí?
É pouco provável que, como aglomerado urbano e tendo em conta os critérios legais, Espinho venha a desaparecer como cidade (mas sempre é bom lembrar que cidades e vilas, por imobilismo e inacção, já perderam esse estatuto). De facto e não obstante a perda de alguns equipamentos (hospital que deixou de ter serviços de permanência) e possibilidade de perda de outros (tribunal, esquadra de polícia), os ainda existentes são suficientes para manter aquele estatuto; porém, como “teoria e política económica e social”, Espinho tem que apostar no seu desenvolvimento sob pena de perder a guerra pela sua afirmação perante a competição global.
Bem sabemos que as modernas (e perniciosas) teorias neo-liberais, obcecadas com o único objectivo do lucro, tendem a extrair das cidades aquilo que elas têm de melhor, contribuindo para a sua desumanização; porém, compete ao poder político, designadamente o autárquico, contrariar essa tendência, evitando a desertificação do centro e zonas nobres, propiciando uma maior segurança dos cidadãos e desenvolvendo políticas que acentuem o primado do cidadão.
É hoje questão pacífica na sociedade espinhense que a estratégia para o desenvolvimento de Espinho terá obrigatoriamente de passar por três vectores fundamentais: o incremento do turismo, da actividade comercial e dos serviços.
Significa isto que todos os grandes e pequenos investimentos, quer públicos, quer privados, se deverão conformar aos objectivos atrás enunciados. A começar pela utilização do espaço libertado pela “obra do século”, o enterramento da linha férrea, que poderá constituir um importante factor de relançamento da actividade comercial (sobretudo com a projectada construção de um grande parque subterrâneo), do turismo (com a qualificação da oferta, com a liberalização da ocupação de espaços ao ar livre, com a adopção do princípio da subordinação da construção à criação de espaços verdes, com a criação de uma zona de diversão nocturna, com o fomento da gastronomia local) e dos serviços (criação de um centro de serviços (Trading center) de qualidade e apetrechado de forma a aliciar os agentes económicos e a servir as indústrias envolventes).
Rui Abrantes
Advogado