domingo, 23 de Novembro de 2008

Homem vive na miséria

As paredes são bocados de madeira e de chapas; o piso é de areia e a casa de banho é um balde. Estas são algumas das características muito especiais do local que António Cântara chama de lar há 20 anos. Por muita limpeza e desinfecção que faça, o silvaldense divide a sua habitação com ratos, pulgas e insectos. Já expôs a sua situação às autoridades políticas, mas nada foi feito. O seu maior desejo é que lhe seja atribuída uma habitação social que, apesar dos parcos rendimentos, não se importa de pagar.

São poucos os que imaginam que, em pleno século XXI, no coração do Bairro Piscatório de Silvalde, ainda se pode viver numa miséria total. No entanto, é assim que vive, há 20 anos, António Cântara, numa casa junto dos armazéns da Companha dos Pescadores que muito poucos se atreveriam a chamar de lar.
O pescador silvaldense de 57 anos abriga-se do frio, da chuva e da noite num espaço que, no máximo, atinge os cinco metros quadrados. As paredes são, na sua maioria, bocados de madeira e de chapa unidas umas às outras. O pouco tijolo que se vê foi posto por António Cântara, numa altura em que trabalhava numa empresa de construção civil.
Como o Jornal de Espinho verificou no local, a “humilde” casa, mesmo sendo de exíguas dimensões, tem duas divisões: a primeira é, simultaneamente, o hall de entrada e a cozinha; a segunda serve de quarto, de sala de estar e de quarto de arrumações... O espaço contém uma cama de solterio em ferro, um frigorífico, uma pequena televisão e muitas canas de pesca pendem do tecto, onde se vêem também inúmeros fios de extensões eléctricas e uma lâmpada, sem qualquer candeeiro.
Desengane-se quem pensar que o lar do silvaldense possui electricidade ou água. O primeiro serviço é “oferecido” pelos armazéns vizinhos; o segundo, António Cântara tem agora que comprar se quiser cozinhar. O casa de banho é um balde, nada mais.
Àquilo que o pescador chama de lar, a maioria das pessoas designa barraco. As poucas condições da casa são agravadas pelos muitos bichos que ali se encontram. Ratos, pulgas e outros inscetos partilham o mesmo espaço com António Cântara, que luta contra os “hóspedes” indesejados. Desinfecta toda a área da casa diariamente e os cantos têm constantemente veneno. O seu cão é um ajudante nessa tarefa e os ratos que mata são recompensados com comida e muito carinho.

Pescador quer uma casa
O silvaldense nem sempre viveu assim. Vivia em Anta, já foi casado e teve cinco filhos, que o visitam com regularidade. António Cântara teve também muitos ofícios e trabalhou em empresas míticas do concelho de Espinho, como foi o caso do Casino Solverde (que ajudou a edificar), da Corfi, ou da vizinha Cordex, em Esmoriz. Foi, no entanto, quando fez uma sociedade que a sua vida se “entortou”. O pescador passou cheques sem cobertura e foi preso, tendo estado na cadeia nove meses. Perdeu a esposa que, com vergonha, se separou dele e, quando saiu da prisão, foi viver para aquela que ainda é a sua casa.
António Cântara não pede muito. O sonho deste homem de 57 anos é ter um lar com condições melhores e já expressou esse desejo às autoridades: “Expus a minha situação na Câmara, na Assembleia Municipal e na Junta de Freguesia, mas ninguém fez nada, guardaram o meu processo na gaveta”. Sem respostas e com o desespero a ser cada vez maior, o silvaldense não se importava de ir morar para uma habitação social e pagar tal como os outros pagam. “Sou pobre e honesto, mas tenho forças graças a Deus, por isso, pagava como pagam os ciganos, dois euros, para poder ter uma casa melhor”, desabafou ao Jornal de Espinho.
O seu único rendimento é a pesca. Apesar de estar inscrito no Centro de Emprego, não consegue um trabalho, na sua opinião, devido à sua idade. Tentou também o Rendimento Social de Inserção, mas, depois de gastar dinheiro na burocracia, não foi contemplado. Na Associação de Desenvolvimento do Concelho de Espinho também não obteve ajuda. Aliás, foi-lhe dito que fosse trabalhar que “tinha bom corpo”. Sem ter mais a quem recorrer, o silvaldense sobrevive muitas vezes com as ajudas individuais, quando o dinheiro da pesca não é suficiente.
Nas construções ilegais onde vive, é o único morador. Os que lá tinham casa, foram contemplados com habitações sociais no Bairro e desocuparam o espaço. No entanto, não de desfizeram dele. Aquilo que outrora eram habitações, são agora galinheiros, situação que piora a concentração de insectos e animais no local.
Há cerca de duas semanas, e após uma queixa de António Cântara, o delegado de Saúde de Espinho, Guilhermino Ribeiro, deslocou-se ao lar do pescador. Pelo que pôde observar, o responsável concelhio pela saúde pública considerou o local insalubre e deu conhecimento, através de uma carta, da sua decisão ao presidente da Câmara Municipal, José Mota. Depois desta pequena vitória, António Cântara espera que o seu desejo seja, depois de 20 anos, concretizado.

Lília Marques

quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

“Empowerment e Inclusão Social”

A partir de amanhã à tarde e durante toda a sexta-feira, o Centro Multimeios de Espinho vai acolher o Encontro “Empowerment e Inclusão Social”, organizado pela Associação Nacional de Oficinas de Projecto (ANOP).
O primeiro dia do evento começa às 14h00 com a recepção dos participantes e, meia hora mais tarde, decorre a sessão de abertura do seminário. Às 15h00, o Multimeios acolhe a conferência de Guy Berger, a qual se seguirá um debate. Duas horas depois, está programada a apresentação do “Sistema Automunus – Tecer a Inclusão” e da “Comunidades de Prática para a Inclusão”.
Já na sexta-feira, os trabalhos começam bem cedo. Às 09h00, realiza-se uma conferência de José Manuel Henriques, que será seguida de um debate. Para as 11h00, está marcada uma mesa-redonda subordinada ao tema “Sistemas de Inclusão Social e Empowerment”. Já da parte da tarde, às 14h30, decorre outra conferência, dada por Albino Lopes, a qual se segue um debate. Duas horas mais tarde, está programada a sessão de encerramento do seminário.

Formar população para aceitar os ciganos

O Auditório da Junta de Freguesia de Espinho recebeu, no passado domingo, o 3º encontro de sensibilização para integrar a comunidade cigana na restante população. Organizado pela Obra Vicentina de Auxílio aos Ciganos (O.V.A.C.) e pelo Secretariado Diocesano das Migrações de da Pastoral dos Ciganos do Porto, o evento contou com a presença do bispo do Porto, D. Manuel Martins, que apelou ao amor, caridade e paciência.

No passado domingo, o Auditório da Junta de Freguesia de Espinho recebeu o 3º encontro de sensibilização para a inserção dos ciganos na sociedade. A acção, organizada, durou durante todo o dia e teve diversos convidados e oradores, nos quais se incluiu o bispo do Porto, D. Manuel Martins.
Como explicou ao Jornal de Espinho Maria do Carmo Rocha, presidente da O.V.A.C., “há cada vez mais dificuldades de integração dos ciganos na comunidade em que vivem”. Por isso, a obra vicentina tem vindo a organizar diversos eventos e iniciativas para sensibilizar as pessoas para esta causa. Na opinião da dirigente, não basta fazer formação à população cigana, não basta falar em educação e em bom relacionamento com as outras pessoas, se essas também não fizerem um esforço. Também a restante população deve, para Maria do Carmo Rocha, ter formação. “Uma simples palavra de conforto é muito importante e todos devemos fazer tudo que podemos para inserirmos os ciganos no nosso meio. No entanto, muitas pessoas não pensam assim”, desabafou.
Em relação à acção de sensibilização realizada no domingo, a presidente da O.V.A.C. considerou ter corrido muito bem, até porque “tinha um programa aliciante”, mas isso não foi suficiente para que a população espinhense aderisse. Maria do Carmo Rocha explicou ao JE que convidou imensas pessoas (professores, assistentes sociais, elementos de paróquias, entre outros) que no dia-a-dia ligam com a comunidade cigana, mas a maioria dos convites não foi correspondido, o que, na sua opinião, “foi uma pena”.
Uma das razões apontadas pela dirigente para tão pouca adesão prende-se com a proximidade do S. Martinho. “Durante o fim-de-semana, já se realizaram algumas festas, o que veio estragar a participação”, afirmou Maria do Carmo rocha. No entanto, a presidente da O.V.A.C. lembrou que, na altura da marcação do encontro, os responsáveis verificaram essa possibilidade, mas tiveram que manter o dia 9 de Novembro devido à apertada agenda do bispo do Porto, D. Manuel Martins.

Caridade, amor e paciência
Para Maria do Carmo Rocha, a intervenção do bispo foi uma das mais marcantes da acção de sensibilização. A dirigente da Obra Vicentina de Auxílio aos Ciganos recordou as palavras de D. Manuel Martins, que defendeu uma maior irmandade entre todos. “Quem tiver caridade, amor e paciência, como disse o senhor bispo, não pode desanimar e tem sempre mais vontade para trabalhar”, explicou.
É a nível da religião, mais concretamente nas paróquias e nos vicentinos, que há uma “sensibilidade” para a questão da integração da comunidade cigana. Maria do Carmo Rocha não deixou de lembrar o importante trabalho do Secretariado Diocesano das Migrações de da Pastoral dos Ciganos do Porto, que ajuda a O.V.A.C no seu projecto de sensibilização, “por vezes caro”. A dirigente quis também agradecer todo o apoio dado pela Câmara Municipal e pela Junta de Freguesia de Espinho, entidades que “colaboraram de todas as maneiras possíveis”. Maria do Carmo Rocha agradeceu também ao Grupo de Jovens da Paróquia de Silvalde que actuaram de manhã e de tarde na eucaristia e ao Presidente Nacional dos Jovens Vicentinos, José Garrido, pelo apoio.
Na presidência da O.V.A.C. há sete anos, Maria do Carmo Rocha aposta todas as forças e preocupação “nas crianças que estão na escola, principalmente naqueles que não têm possibilidade de comprar livros e materiais”. A Obra Vicentina de Auxílio aos Ciganos tem limites muito extensos. A sua acção estende-se desde Vila do Conde até Arouca, de Ovar a Baião, não esquecendo o centro do Porto. A dirigente não duvida que “todos os ciganos que estão a ser assistidos pela obra são mais educados e sabem dar-se com as pessoas vizinhas”. São estas vitórias que fazem com que os vicentinos trabalhem mais e que cada vez mais se veja os frutos desse trabalho.


Lília Marques

Apreensão de armas de fogo

"Um total de 64 armas de fogo, entre pistolas, revólveres, carabinas e caçadeiras, foram apreendidas, esta terça-feira, em duas buscas realizadas pela GNR a residências de um médico, de 70 anos, em Vila Nova de Gaia e Espinho."
O desenvolvimento desta notícia está na edição on-line do Jornal de Notícias.

terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Alunos da Sá Couto promovem manifestação

Os alunos da EB2/3 Sá Couto, em Espinho, fecharam hoje a escola a cadeado em protesto pelas políticas de educação. Os alunos impediram professores e funcionários de se aproximar do portão, a polícia foi chamada a intervir, e um aluno de 17 anos foi detido depois de supostamente ter agredido um bombeiro que tentava cortar o cadeado.
O aluno, dos cursos de educação e formação, que frequenta a escola pela primeira vez, foi presente a tribunal para ser julgado em processo sumário, que baixou a inquérito, enquanto não chegam os resultados do exames médico-legais efectuados ao bombeiro supostamente agredido. A presidente do Conselho Executivo, Noémia Proega, sem querer falar em procerssos disciplinares, adiantou aos jornalistas que a escola irá tomar os procedimentos previstos na lei.
A manifestação terá sido convocada na noite anterior por SMS e tinha como alvo “a ministra da educação”, explicaram alguns dos alunos que se manifestaram. Quando professores e funcionários chegaram já os alunos estavam concentrados em frente ao portão, não deixando ninguém aproximar-se. A presidente do Conselho Executivo foi obrigada a chamar a PSP para abrir a escola, no entanto, só com a intervenção dos bombeiros é que o cadeado foi cortado. Terá sido nessa altura que um dos alunos que aparentemente liderava os protestos terá insultado o bombeiro que lhe foi pedir explicações, mas a resposta terá sido um murro.
Cerca das 10h00 os problemas estavam sanados e as aulas prosseguiram depois da responsável da escola ter reunido com um grupo de alunos, aparentemente os promotores da manifestação.
Apesar da PSP ter sido obrigada a “forçar” a entrada, afastando os alunos, estes garantem que a polícia não agrediu ninguém. “Usaram a força necessária, mas não aleijaram ninguém”, explicaram.
Alguns alunos denunciaram no entanto a presença de um alegado elemento da PSP que terá fotografado a manifestação.

Indoor Karting de Espinho assaltado

Um mecânico da discoteca e karting Abox, em Espinho, é suspeito de ter assaltado aquele estabelecimento comercial com a ajuda de pelo menos quatro “amigos” que também já foram identificados pela Esquadra de Investigação Criminal da PSP local. A polícia já anunciou a recuperação de grande parte dos mais de 100 mil euros de material furtado, mas o proprietário diz que o material recuperado é apenas "terço daquilo que foi furtado".
O principal suspeito, de 22 anos, residente em Espinho, tal como todos os outros alegados cúmplices, terá justificado o furto com uma alegada dívida que o empresário teria com ele, situação que o dono da discoteca, Álvaro Sabença, diz “não tem pés nem cabeça”.
O assalto ocorreu no dia 01 de Outubro, altura em que o suspeito, servindo-se de uma chave se terá introduzido nas instalações da Abox com os quatro “amigos” que carregaram amplificadores, luzes, arca frigorífica, retroprojectores, aparelhos DVD, vários telemóveis para um atrelado que “puxaram” com um Jipe, também este furtado na discoteca.
Segundo a PSP as investigações não estão terminadas.
O empresário Álvaro Sabença, depois de saber que os suspeitos com idades entre os 21 e os 26 anos, todos residentes em Espinho, vão aguardar julgamento em liberdade, sem terem sido presentes ao Juíz, uma vez que não se verificou flagrante delito.
O principal supeito trabalhava no karting desde Maio e desde o final do Verão que estaria na iminência de ser despedido.

Mais respeito!

EDITORIAL
A visita da ministra da Educação a Espinho, no sábado passado, para entregar diplomas a alunos dos estabelecimentos de ensino ligados ao Externato Oliveira Martins, em cerimónia que decorreu na Junta de Freguesia da cidade, passou despercebida ao Jornal de Espinho, pois à nossa redacção não chegou qualquer informação sobre o programa de Maria Lurdes Rodrigues para esse dia. Estranhamos o facto, tanto mais sabendo que outros órgãos de comunicação social foram atempadamente informados da visita.
Pedimos, obviamente, desculpa aos nossos leitores por uma lacuna a que somos alheios, mas, ao mesmo tempo, não deixamos de repudiar o que pensamos ter sido um esquecimento, propositado ou não, por parte dos organizadores da sessão.
Numa sociedade que se quer plural e aberta a todas as correntes de opinião, a informação ocupa lugar de destaque. Por isso, era para nós importante fazermos a cobertura de tal cerimónia. Mas os organizadores optaram por ignorar o Jornal de Espinho, esquecendo que não é a nós que estão a discriminar, mas sim os imensos leitores deste jornal no concelho. É por isso que cada órgão de comunicação social tem o direito de ser respeitado, não só na orientação editorial própria, mas sobretudo pelo dever de informar os seus leitores. Há infelizmente ainda quem não entenda que o caminho do sucesso se faz com a conjugação de opiniões e saberes diversos, tanto na forma como na própria ideologia.
Esta situação faz-me lembrar uma afirmação recente de um alto responsável da área da comunicação social, referindo-se ao controlo do sector por parte da Alta Autoridade para a Comunicação Social. “Com estas atitudes, Portugal precisa apenas de um jornal, de uma rádio e de uma televisão”. Não me parece que cheguemos a esse ponto, mas, em Espinho, a postura de alguns, felizmente uma minoria, deixa transparecer essa ideia de totalitarismo e controlo dos órgãos de informação do concelho. Uma informação comandada, imparcial e, sobretudo, desrespeitadora dos estratos sociais mais desfavorecidos.
Pensamos, todavia, que não houve essa intenção por parte dos promotores da cerimónia presidida pela ministra da Educação, mas não nos cansamos de exigir mais respeito pelos nosso leitores.

Director

sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Libanês visita amigos de Espinho

Há cerca de duas semanas, a cidade de Espinho recebeu um visitante especial para o Regimento de Engenharia Nº 3, que se situa em Paramos. Hassan Abdulmajid Saleh trabalhou com os militares portugueses no seu país natal, o Líbano, durante uma missão de paz das Nações Unidas. O libanês, intérprete da unidade, aprendeu a falar português em Angola e aperfeiçoou a língua convivendo com os militares lusos. Dessa convivência, nasceu uma amizade, da qual Hassan Saleh veio matar saudades.

Hassan Abdulmajid Saleh tem 29 anos e é natural de Tiro, uma cidade situada no sul do Líbano. Mestre em Administração Internacional, Hassan Saleh é funcionário das Nações Unidas e trabalha, desde Fevereiro do ano passado, como intérprete e elemento de ligação entre as entidades libaneses e os portugueses que integram a missão de paz da ONU.
O libanês conviveu, até há bem pouco tempo, com os militares do Regimento de Engenharia (RE) Nº3, cuja sede é em Paramos. Da convivência de muitas horas diárias com os portugueses surgiu uma forte amizade que o fez viajar, há cerca de duas semanas, até Portugal, mais concretamente até Espinho, para visitar os amigos, que já são muitos.
Para Hassan Saleh, a missão de paz onde estiveram integrados os militares do RE3 foi a terceira vez que esteve a trabalhar com portugueses e “foi das mais especiais”. Dos outros trabalhos, o intérprete da ONU ficou com uma ideia da população do centro do país e, no último, esteve em contacto com pessoas mais do Norte, especialmente da zona de Espinho. Segundo o libanês, os últimos portugueses com quem trabalhou são muito parecidos com a população do seu próprio país em termos de aparência. “Quando um grupo de portugueses saia da base como civil, ninguém conseguia perceber que o grupo era estrangeiro”, lembrou, com um sorriso nos lábios.
Hassan Saleh explicou ao Jornal de Espinho que a adaptação dos portugueses ao Líbano não podia ter sido melhor. Apesar do país ainda não viver em paz, o que impossibilitou grandes passeios, o libanês notou que os portugueses ficavam satisfeitos quando saíam para “ir às compras ou para fazer algum trabalho perto da unidade”. A afinidade entre os dois povos foi muito grande e o funcionário das Nações Unidas disse que os libaneses sentiram saudades dos portugueses, com quem tinham uma relação espacial, até porque os militares ajudaram muito as pessoas do sul do Líbano “a construir estradas, parques, jardins, ou a dar aulas de primeiros socorros nas escolas”.
Como intérprete da ONU, Hassan Saleh fala e escreve perfeitamente português. Sendo a sua língua materna o árabe, como é que o libanês aprendeu a língua de Camões? Como o próprio explicou ao JE, esteve durante oito meses em Angola a trabalhar para uma empresa que vende material de construção em Luanda. Como o acordo assinado entre ele e o seu patrão não estava a ser cumprido como tinha sido estipulado, o libanês teve que arranjar outro emprego e aprendeu, assim, a falar português. De regresso ao seu país, Hassan Saleh começou a trabalhar com os militares lusos e a convivência aperfeiçoou o que já tinha aprendido.
Da visita a Portugal, o funcionário das Nações Unidas leva a vontade de voltar um dia e a ideia de uma possível geminação entre a cidade de Espinho e a de Tiro surgiu num encontro que teve com José Mota, presidente da Câmara Municipal. Hassan Abdulmajid pretende assim passar a informação ao seu pai, que é deputado no Parlamento libanês, de forma a avançar com a ideia.

Possibilidade de fazer uma geminação
Enquanto o libanês esteve de visita a Espinho, foi recebido por José Mota, presidente da Câmara Municipal. No final desse encontro, o autarca mostrou-se orgulhoso “por receber uma pessoa com grande importância ao nível da ONU no Líbano”, ainda para mais quando isso aconteceu por força de “um trabalho notável que o Regimento de Engenharia tem vindo a fazer”. Para José Mota, muito desse trabalho deve-se ao tenente-coronel Carvalho, que “fez uma missão exemplar no Líbano e que contribuiu para que o prestígio do nosso país aumente”.
No encontro entre o libanês e o espinhense, foi posta a hipótese de se realizar uma geminação entre Espinho e a cidade de Tiro, de onde Hassan Saleh é natural. Segundo o autarca, essa geminação já começou quando os militares portugueses lá chegaram. “Nós estamos sempre disponíveis para fazer as geminações que se achem convenientes para os povos. Desde que isso seja do interesse deles e nosso, não vejo nenhuma razão para que isso não aconteça”, adiantou.
José Mota mostrou-se ainda disponível para visitar os militares portugueses, “respeitando as regras que estão em vigor pelas autoridades internacionais, libanesas e portuguesas”. Na opinião do presidente do município, o trabalho que tem sido desenvolvido no Líbano é “muito importante, mas há muitos portugueses não ainda não se aperceberam disso”.
Na reunião esteve também presente o tenente-coronel Rebelo de Carvalho, responsável no Líbano pelos portugueses da RE3. Em declarações ao JE, o militar viu com “bom grado” a visita de Hassan Saleh, que permitiu “matar as saudades dos momentos” passados em terras libanesas. Tendo como a manutenção de paz e a reconstrução de infra-estruturas, o militar lembrou as relações excepcionais entre os portugueses e os habitantes do sul do Líbano.

Tenente-coronel Carvalho agraciado
Depois de conhecer o trabalho desenvolvido pelo tenente-coronel Carvalho no Líbano, José Mota explicou ao JE que, já este ano, “era intenção a Câmara agraciá-lo no Dia da Cidade”. No entanto, houve um pequeno contratempo a o prémio teve que ser adiado.
Assim, para o próximo ano, já está previsto agraciar o militar nas comemorações do Dia da Cidade, a 16 de Junho. "Ele merece por tudo aquilo que tem feito no Líbano. Podemos dizer que no RE3 se tem desenvolvido uma actividade que nos engrandece a todos”, concluiu.

Lília Marques

quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Sara Santos passa do Rio Largo para o FCP

Uma brincadeira com o irmão levou Sara Santos a praticar atletismo e os sucessos estão à vista de todos. Especialista no lançamento do martelo, embora prefira o do peso ou do disco, a recém-nomeada Atleta Revelação da Cidade de Espinho transferiu-se recentemente para o FC Porto, clube que tem um lugar muito especial no seu coração. Por enquanto garante que apenas quer continuar a evoluir, mas confessa ao JE que gostava de um dia participar na competição com a qual todos os atletas sonham: os Jogos Olímpicos.

JORNAL DE ESPINHO (JE) - Como recebeu o convite para representar o FC Porto?
SARA SANTOS (SS) - Foi através do meu antigo treinador, o José Dias.
JE - Estava à espera de uma proposta destas?
SS - Sinceramente, não estava. Foi bastante surpreendida. Mas quando ele me falou nisso, senti uma enorme alegria e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. O FC Porto é um clube com nome no desporto português e, além disso, tem vários profissionais a trabalhar. Já para não dizer que sou adepta do clube (risos).
JE - Com que objectivos parte para esta nova aventura?
SS - Gostava de continuar a crescer como pessoa, como atleta e, se possível, obter melhores resultados dos que aqueles que obtive no Rio Largo. De qualquer maneira, penso que já não seria mau se tivesse tanto sucesso como tive no Rio Largo.
JE - É fácil conciliar os estudos com os treinos no FC Porto?
SS - Sim, mas eu também não vou ao Porto todos os dias. Quando não posso ir, fico a treinar em Espinho, na Nave ou na esplanada, com os atletas do Rio Largo. O meu treinador, o Rui Carvalho, dá-me um programa e eu aproveito as instalações que o Rio Largo utiliza para o cumprir.
JE - Em que especialidade se considera mais forte?
SS - Todos dizem que sou mais forte no lançamento do martelo, embora prefira o lançamento do peso e do disco. No entanto, o meu objectivo é trabalhar para melhorar em tudo o que poder.
JE - Uma participação nos Jogos Olímpicos faz parte dos seus planos?
SS - Claro que sim. Qualquer atleta sonha um dia estar presente numa competição como os Jogos Olímpicos. Mas sei que é bastante complicado lá chegar.
JE - E vencer o prémio de Atleta Revelação da Cidade de Espinho?
SS - (risos) Não, claro que não. Não estava mesmo nada à espera de receber um prémio como este. Tendo em conta que existiam várias possibilidades, não só colegas meus no atletismo, mas também de outros desportos, nunca pensei que fosse ganhar. Até pensei que ia ser escolhido alguém de outro desporto.
JE - Quando é ficou a saber que tinha ganho o prémio?
SS - Foram alguns dias antes, se não me engano, durante os jogos do Campeonato da Europa de futebol.
JE - Como foi a reacção da família?
SS - Ficaram mesmo bastante satisfeitos e todos me deram os parabéns. Estava com alguma vergonha, mas nada de grave. (risos)
JE - Para quem começou no atletismo após uma brincadeira, não está nada mal?
SS - É verdade. Tudo isto começou numa brincadeira com o meu irmão por causa de um boneco. Eu queria o boneco, por isso, agarrei-o com força e o meu irmão veio atrás. Foi quando o meu irmão se apercebeu que tinha força e, como praticava desporto no Mozelos, inscreveu-me no clube. E, por incrível que pareça, na primeira prova que disputei, sagrei-me logo campeã distrital em infantis. Depois o meu ex-treinador, o José Dias, e o meu melhor amigo, o Rui Dias, que é filho do meu ex-treinador, vieram para Espinho e eu acabei por vir com eles.
JE - Bem, sendo assim calculo que seja um pouco complicado ter na memória todos os títulos?
SS - Sim, alguns deles já não me lembro. Apenas os mais marcantes.
JE - E quais foram esses?
SS - O título de campeã distrital e o facto de ter sido a primeira atleta do Rio Largo a alguma vez subir a um pódio.

Bruno Filipe Monteiro

Rancho de Silvalde faz 30 anos

No próximo dia 29, o Rancho Folclórico S. Tiago de Silvalde vai comemorar o seu 30º aniversário. As celebrações vão começar com a realização de uma missa em memória de todos os elementos já falecidos, que será seguida de uma romagem ao cemitério local para colocação de uma coroa de flores no memorial aí existente. À noite, decorrerá um jantar de confraternização com os componentes, sócios, amigos e convidados. Todos aqueles que se quiseram associar a mais um aniversário, podem inscrever-se no jantar, através do seguinte número: 96 117 11 49.

Aniversário do Sporting Clube de Espinho

Os sócios do Espinho desejavam, há muito, que este dia chegasse. O sonho pelo qual suspiraram nos últimos anos começa agora ganhar contornos de realidade, depois de ontem, de manhã, ter sido iniciada a fase preliminar da construção do novo complexo desportivo. À noite, em Assembleia-Geral, cantaram-se os parabéns ao Espinho, numa cerimónia que registou várias homenagens a actuais e antigos atletas do clube.

O dia do 94º. aniversário do Espinho será para sempre recordado como um marco memorável na história do clube. Depois de vários avanços e recuos, numa polémica com cerca de duas dezenas de anos, o processo de construção do novo complexo desportivo dos tigres deu ontem um passo decisivo, com o início dos trabalhos preliminares, isto, é claro, depois de a terraplanagem ter sido executada, há três anos. A seguir ao tradicional hastear da bandeira, realizado na sede social do clube, arrancou a montagem do estaleiro da obra. A partir de agora, tal como afirma ao Jornal de Espinho o presidente do Espinho, Rodrigo dos Santos, segue-se um período de quinze meses até a obra ficar concluída.
Assumida como a grande bandeira da presidência de Rodrigo dos Santos, o novo complexo desportivo do Espinho comportará, como principais equipamentos, um estádio de futebol, com capacidade para cinco mil espectadores, um pavilhão com lotação máxima de três mil pessoas, e uma sede social. Perante o momento assinalado ontem, com a presença em peso da Direcção do clube espinhense, o famigerado novo estádio dos tigres está encaminhado para, de uma vez por todas, ser uma realidade. No início da semana, ficou também a saber-se qual a empresa que será responsável pela construção da obra. A Bascol, construtora sediada no Porto, fundada em 1982, vai ficar encarregue de materializar o sonho dos adeptos do Espinho.
Assembleia marcada por várias homenagens
Na conclusão das comemorações do aniversário, realizou-se a habitual Assembleia-Geral, que, desta feita, teve como palco o auditório da Junta de Freguesia de Espinho, em vez da sede dos tigres. Na cerimónia protocolar, a Direcção do Espinho levou a efeito várias homenagens. Como de costume, foram distinguidos todos os atletas que, ao longo da última temporada, se sagraram campeões nacionais nas mais diversas modalidades, nomeadamente de voleibol, andebol, ginástica e natação. Em vez de faixas, foram entregues diplomas, o que foi motivo para que uma das equipas de voleibol campeãs não comparecesse. Como também é costume neste dia, a Direcção do Espinho entregou o emblema de prata aos sócios com 25 anos de filiação. Curiosamente, desta vez, não houve nenhum associado que recebesse o emblema de ouro, referente a 50 anos de filiação. De referir ainda, neste contexto, que foram distinguidos os atletas que, no último ano, tiveram excelente rendimento escolar.
Vítor Sá, Miguel Costa, Sandro Correia e José Pedrosa distinguidos
No vasto rol de homenagens, destaque para a distinção feita pela Direcção do Espinho a atletas seniores que brilharam/brilham ao serviço do clube. Por ter terminado a carreira, sempre ligada ao Espinho, o voleibolista José Pedrosa foi recordado pelos tigres, tal como Sandro Correia, que partiu para o Brasil, e Miguel Costa, que interrompeu a sua carreira devido a uma lesão no joelho. A juntar a estes três atletas de voleibol, foi também homenageado o pugilista Vítor Sá, que recentemente se sagrou campeão mundial da WBF, no peso médio, em pleno Pavilhão Joaquim Moreira da Costa Júnior.

Bruno Cabral