No passado sábado, os novos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Hóquei tomaram pose na Câmara Municipal de Espinho. A sessão solene foi ainda mais especial para os espinhenses quando Fernando Menezes, natural da cidade, foi homenageado pela sua dedicação de 60 anos ao hóquei. No momento de receber a distinção, o espinhense pediu a José Mota e a Rolando Sousa para libertarem um terreno onde a Académica possa construir o campo da modalidade, esperado há 25 anos.No passado sábado ao final da tarde, a Câmara Municipal de Espinho acolheu a tomada de posse dos novos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Hóquei. A cerimónia, que reuniu cerca de meia centena de pessoas nas instalações do município, ficou ainda marcada pela homenagem a um cidadão espinhense, Fernando Menezes, que dedicou a sua vida à modalidade.
A sessão solene começou com as palavras do presidente da mesa da Assembleia-geral da federação, Pinto da Costa. O dirigente, que ocupou o cargo durante os últimos quatro anos e para o qual voltou a ser reeleito, não deixou de afirmar que a homenagem que iria ser feira a Fernando Menezes era apenas a constatação pública do “passado de uma pessoa que vimos nos campos a jogar hóquei” e cujas “qualidades morais, vivência de espírito e rectidão de personalidade” eram inegáveis. Pinto da Costa lembrou a todos os presentes que já conhece o espinhense há muitos anos e que o galardão que lhe seria entregue servia como “reconhecimento do esforço que sempre fez como pessoa, como atleta e como dirigente”. A todos os presentes, o presidente da mesa da Assembleia-geral desejou as maiores felicidades e acabou a sua intervenção, brincando e intitulando-se de um “embalsamado do hóquei”, devido à sua ligação de mais de 30 anos à modalidade.
Seguiu-se o discurso de Graça Guedes, representante da Câmara e da Assembleia Municipal. A espinhense congratulou-se pelo facto de a Federação Portuguesa de Hóquei ter escolhido a cidade e a sede do município em particular para a tomada de posse, para as homenagens e para a apresentação do livro “Experiência de Dirigismo Desportivo – LPH 2004/2008”. Para a presidente da Assembleia Municipal, “é uma honra e privilégio para os espinhenses” a distinção dada pela federação ao concelho. Graça Guedes lembrou-se também da Associação Académica de Espinho, a qual implicitamente ligou à “justificada homenagem a Fernando Menezes”.
Para Sílvio Rafael, representante da Academia Olímpica de Portugal, o hóquei, modalidade olímpica, “tem mostrado um excelente desenvolvimento” e a sessão de sábado foi “no fundo, a expressão mais visível da vitalidade do movimento associativo” onde a modalidade se insere.
Hóquei está a modernizar-se
Coube a Pedro Sarmento, presidente reeleito da direcção da Federação Portuguesa de Hóquei, encerrar a parte protocolar dos discursos. O dirigente começou por agradecer a disponibilidade de todos para acompanhar o acto e todo o apoio demonstrado pela Câmara Municipal de Espinho à modalidade hoquista. Aliás, Pedro Sarmento lembrou que “o concelho de Espinho foi e continua a ser uma terra de hóquei”.
O presidente da direcção, eleito para mais quatro anos, explicou aos presentes na sala que a modalidade deu “passos importantes na modernização”. Num país com a vincada tradição do futebol, o hóquei tem que “acompanhar as lógicas do século XXI”. Pedro Sarmento não esqueceu as dificuldades por que passou ao longo destes quatro anos e o que mais lhe chocou foi haver “clubes que acabam por ser inimigos da modalidade se os seus interesses não forem acautelados”. Por isso mesmo, assumir o cargo foi “a actividade mais complexa” que enfrentou na vida profissional e associativa. Mesmo assim, voltou a recandidatar-se, até porque “após uma tempestade, vêm sempre marés mais calmas”.
Pedro Sarmento afirmou, no seu discurso, que “estão criadas as condições para o hóquei ter mais atleta e clubes”, para se constituir “um porto seguro para o desenvolvimento de jovens”. Por isso, o desafio é criar uma “estrutura credível e inovadora”, uma vez que os objectivos traçados em 2004 ainda não estão todos alcançados. Este mandato vai, assim, servir para “alcançar novos patamares”, como criar novos núcleos no Minho e no Algarve, tornar o desporto escolar como impulsionador da modalidade e inaugurar dois campos sintéticos, um em Espinho e outro no Porto. A complementaridade entre os clubes e a federação deverá ser, na opinião do dirigente, maior e as politicas de comunicação da instituição vão tornar-se no próximo ano mais agressivas, para alcançar novos públicos.
Uma vida dedicada ao hóquei
Depois dos discursos, seguiu-se a parte da tomada de posse dos novos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Hóquei. Quando todos os elementos assumiram as suas funções, passou-se para o momento das homenagens.
O primeiro a ser chamado para receber o galardão máximo atribuído pela federação foi Fernando Menezes. O espinhense e vice-presidente eleito da mesa da Assembleia-geral da instituição foram distinguidos pelos 60 anos em que esteve ligado ao hóquei, modalidade para a qual contribuiu de “forma desinteressada e continuada”. Foi das mãos do seu amigo Pinto da Costa e perante uma salva de palmas que Fernando Menezes recebeu o seu galardão. No momento de dizer algumas palavras, o espinhense não escondeu a sua satisfação, mas aproveitou a ocasião para deixar um apelo à autarquia relativamente à Académica de Espinho. “Em Dezembro, perfaz 25 anos do primeiro projecto para o campo da modalidade do clube”, explicou. Por isso, o dirigente espinhense fez um apelo pessoal a José Mota e Rolando Sousa para que esqueçam todas as promessas que fizeram e que libertem “um terreno onde a Académica possa construir e concretizar o sonho de centenas de atletas”.
Todos agradeceram a honra de serem homenageados pelo seu empenho à modalidade hoquista.
Depois das homenagens, seguiu-se a apresentação do livro “Experiência de Dirigismo Desportivo – LPH 2004/2008”, feita por Graça Guedes. Para a espinhense, a obra é “uma magna carta orientadora de todos os que aceitam o desafio da liderança desportiva em todas as modalidades”. O seu autor, Pedro Sarmento, é o presidente da direcção da federação e foi aluno e colega da espinhense. Por isso mesmo, Graça Guedes apresentou a receita para o êxito que o seu pupilo alcançou e que se baseia na competência.