segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

“Metade do comércio de Espinho não ganha para poder estar aberto”

Joaquim Rocha é o gerente de dois estabelecimentos comerciais na cidade de Espinho: a Casa Telerocha e a Casa Maia Alves, dedicadas aos electrodomésticos e às utilidades para as habitações respectivamente. O comerciante falou ao JE da época de saldos e do período de Natal, onde as vendas aumentaram. Quanto à situação actual, Joaquim rocha garante que o comércio local passa por sérias dificuldades.

Jornal de Espinho (JE) – Estamos em plena época de saldos. Os estabelecimentos que gere também aderiram às promoções?
Joaquim Rocha (JR) – Por norma, fazemos promoções o ano inteiro, estamos sempre em promoções. Outros ramos de negócio, como as confecções, têm campanhas de grandes saldos. Mas, nos electrodomésticos, para conseguirmos acompanhar os grandes espaços comerciais, que são a nossa maior concorrência, temos que ter sempre os preços tão baixos, que são sempre promoções. Ficamos com uma margem de lucro muito reduzida, mas temos que fazer assim para manter alguma clientela que prefira comprar nas nossas lojas.

JE – Mas, mesmo assim, nesta época de saldos, conseguem vender mais?
JR – Eu costumo dizer que o negócio está mau para todos, assim como para nós. No entanto, o mês de Dezembro é sempre um mês muito bom, porque as pessoas recebem o décimo terceiro mês; está mais frio e os clientes procuram certos equipamentos que, de Verão, não são necessários; há as festas de Natal… As pessoas costumam guardar algum dinheiro para nesta época consumir mais alguns artigos e, por isso, as vendas aumentam.

JE – Em relação a anos anteriores, as vendas aumentaram, mantiveram-se ou houve um decréscimo de vendas a nível do comércio?
JR – Nas vendas normais, deveremos estar a perder uma percentagem pequena em relação a 2007…

JE – Mas isso deve-se ao poder de compra que é menor agora?
JR – Sim. As pessoas que têm mais possibilidades, quando precisam, compram. As outras que têm uma vida menos estabilizada, aproveitam esta altura para comprar mais alguns produtos. Nós, para vivermos razoavelmente, deveríamos ter todos os meses como Dezembro, porque a venda, quer para nós, quer para o comércio em geral, é sempre superior e melhor.

JE – O ramo dos electrodomésticos é um ramo que vende muito a crédito. Essas vendas aumentaram?
JR – Nós estamos a procurar fazer os preços que fazem os grandes espaços comerciais, vendendo em igualdade de circunstâncias, através de crédito bancário.

JE – Ou seja, têm empresas financeiras com quem trabalham por causa do crédito?
JR – Sim, três ou quatro. Se calhar, este ano, fizemos o dobro dos créditos bancários que tínhamos feito o ano passado. Isto está a evoluir muito, já que antigamente as pessoas custavam muito a aderir, mas agora já não. Só assim é que conseguimos vender, tal como acontece nos grandes espaços comerciais.

JE – O decréscimo de vendas, que diz ter vindo a sentir, tem a ver com Espinho? Sente que a cidade deveria ser dinâmica para os comerciantes poderem vender mais?
JR – Se, em Espinho, há alguma riqueza ou existem algumas casas domésticas que, de facto, têm algum poder de compra, isso acontece porque essas lojas estão a trabalhar fora do concelho. Espinho não tem quase riqueza nenhuma, porque não há indústria. As pessoas que vivem bem cá, trabalham fora… Em Espinho, não há nada. Se ainda há algo na cidade e no concelho, é por causa do mar, que chama muitas pessoas, às quais eu chamo a média burguesia, que já tem uma vida económica boa para fazer compras.

JE – Acha que devia haver alguma estrutura que dinamizasse mais a cidade, nomeadamente em termos de animação, como a Associação Comercial?
JR – Falar disso é complicado, mas há casos de cidades com menos capacidade, mas que fazem algo para a realidade mudar. Aqui em Espinho, não se tem feito muito, mas talvez não seja fácil fazer. No entanto, na realidade, deveria haver algo que fizesse mexer a cidade para a situação melhorar, porque Espinho chama muitas pessoas, mas é necessário haver algo diferente para chamar sempre mais gente.

JE – Com este andar, a cidade corre o risco de ver muitas lojas a fechar?
JR – Se começarmos a apercebermo-nos, se passarmos em algumas ruas e cruzamentos, já se começa a ver montras com papéis a anunciar o encerramento das casas. Os restantes estabelecimentos que continuam abertos estão-se a endividar, porque, se assim não fosse, já tinham fechado portas. Eu julgo que 50 por cento do comércio de Espinho não está a ganhar hoje para poder estar aberto. Se não houver movimento na loja, se não entrar ninguém, se à noite não houver dinheiro no caixa, a loja e a pessoa que lá trabalha não pode sobreviver. Os que estão ainda abertos, sobrevivem com dificuldade, com a ajuda de familiares, dos bancos…

JE – Está previsto abrir, no local da ex-Corfi, um grande centro comercial. É a favor ou contra a construção de grandes superfícies em Espinho?
JR – Se a situação não está boa, com os centros comerciais não ficam melhores. No nosso ramo, esses centros vieram prejudicar-nos, assim como é o caso do vestuário e supermercados. Esses locais trazem mais gente à cidade, mas que vêm ao centro e vão-se embora.

JE – Há já comerciantes que pensam sair do centro da cidade e alugar uma loja lá. Concorda com essa ideia?
JR – Nós pensamos nisso, mas não sai do pensamento. Se o centro comercial for igual à maior parte dos que existem, as rendas são incomportáveis para o comércio tradicional, que tem lojas pequenas e cujos donos são pessoas com poucos recursos.

JE – Pondera a hipótese de se instalar nesse centro comercial?
JR – Normalmente, há dois tipos de centros comerciais. Uns já têm as lojas certas e não dão hipótese a ninguém, são as chamadas lojas âncoras. Se for outro tipo e se tivéssemos a oportunidade de ocupar uma loja, para nós era muito bom, mas não é fácil.

JE – Antes do enterramento da linha-férrea, diziam que isso iria trazer benefícios às lojas que estão ali à volta. No entanto, o enterramento já foi concluído. Acha que aquele comércio foi beneficiado ou que ainda vai beneficiar?
JR – O espaço deixado livre, quando estiver preparado para receber comércio, vai ser uma maravilha e vai ser um ponto de excelência. Quem lá está agora, não sei como metade deles ainda não faliram. As obras ainda vão continuar e isso é um martírio para os comerciantes. Daqui a 10 anos, quem lá ficar, vai ter um benefício fantástico.

JE – O que é que acha que se poderia fazer em Espinho para atrair mais pessoas ao comércio local?
JR – Aqui, há à volta temos grandes espaços que nos prejudicam. Assim, não há muito a fazer. É necessário lutar, manter a clientela, dar a cara pelos produtos, um bom atendimento, agradar o cliente, ter preços baixos… Mas, mesmo assim, há muitas dificuldades e problemas para sobreviver. A cidade deverá estar limpa e evoluir mais.

JE – Se o presidente da Câmara Municipal lhe pedisse um conselho sobre a cidade, o que lhe diria?
JR – Ao presidente, não lhe digo nada porque ele já tem muitos anos de política e tem obrigação de saber o que fazer. Há que olhar para as outras cidades que têm evoluído e saber o que eles fazem. Nota-se que todas as cidades à volta de Espinho evoluíram e Espinho não.


José António Moreira

Mais brio profissional precisa-se

A nossa autarquia vive momentos difíceis. Isso já todos nós sabemos, pelo menos quem anda mais atento às lides autárquicas. Os políticos fazem o que podem, bem ou mal, mas vão fazendo. Por isso é que existem eleições de quatro em quatro anos, para reeleger quem se portou bem e afastar quem não cumpriu os objectivos, neste caso traduzido em promessas.
Sei que o nosso povo é brando e vota cegamente, sem olhar a objectivos ou promessas feitas, mas também não é menos verdade que depois este tipo de erros se pagam caros. É claro que para isto muito contribuiu esta democracia mascarada em que vivemos, que preza direitos iguais para todos e que respeita os votos das maiorias, mas tudo isso não passa de uma treta se olhar-mos aos partidos que expulsam ou dispensam (este termo é mais bonito e não faz tantos estragos políticos) aqueles que não cumprem a chamada a vontade dos partidos, muitas vezes, quem sabe, reduzidas a um núcleo duro que se encontra no centro do poder. Quero com isto dizer que democracia este sistema republicano não tem nada e só por cegueira política vivemos muitos dos pesadelos aprovados pelos nosso políticos.
Vem isto a propósito da nossa autarquia estar mal financeiramente. Prova disso são os constantes empréstimos que a Assembleia Municipal tem aprovado para fazer face às dificuldades de tesouraria que a Câmara tem. Mas se tudo isto é verdade e se sempre que existem problemas as culpas recaem nas costas dos políticos, desta vez entendemos que a situação também tem a ver com os técnicos superiores que estão à frente da secção de contabilidade e tesouraria. Isto porque muitas são as pequenas e médias empresas que fornecem os serviços municipais, que depois de venderem esperam (meses) para receber o produto que venderam. A maioria dos empresários que vende para a as autarquias vende, não recebe de imediato e, na maioria das vezes, ainda tem de pagar o IVA ao Estado sem o ter recebido das autarquias. Pior do que tudo isso é ainda ter de apresentar uma declaração do fisco e da segurança social para provar que a empresa não tem dívidas ao estado. Só depois de devidamente provado é que a câmara pode efectuar o pagamento. Mas entretanto já se passaram mais de nove meses e em muitos casos até mais de um ano, desde que o empresário efectuou a operação de venda. Mas como ia dizendo tudo isto começa a ser normal. O caso não é único em Espinho.
O que me parece de facto anormal é a maneira como a nossa autarquia está a funcionar. Quando nos dirigimos a respectiva secção para saber como está o processo de pagamento da factura A, B ou C falamos com uma menina que, embora simpática, se limita a dizer que não sabe quando vai ser pago e que não tem previsões de pagamento. Insistimos e, por mais simpática que seja a voz, não conseguimos arrancar o que quer que seja. Pedíamos pelo menos uma previsão, uma data que fosse para saber quando podemos receber. Mas a resposta teima em ser a mesma. Não sei e não tenho previsões de pagamento. Pede-se então para falar com os responsáveis, superiores hierárquicos, mas esses nunca falam connosco. Mandam sempre recados e a resposta continua a ser sempre a mesma. Conheço muitos casos que até nem se importam de esperar, mas pediam apenas para conhecer a data em que esperam receber o cheque, embora agora os pagamentos sejam feitos por transferência bancária.
Era bom que os técnicos superiores dessem também a cara e não deixassem tudo para os políticos. Cabe aos políticos dar a cara e aprovar ou não os os assuntos em discussão, mas gestão é um trabalho que cabe aos técnicos dessa área que estudaram para isso e são pagas para apresentar soluções.
Com tudo isto lembrei-me agora da voz do nosso povo que fala muitas vezes com o coração, em forma de desabafo. Se calhar sem razão, ou talvez não, a verdade é que dizem que muitos funcionários entram por cunha. Nós não queremos acreditar nisso, mas que muitos deles deixam muito a desejar, lá isso deixam. Mas para esses coitados, se não fosse a porta do funcionalismo público o que seria da vida deles?! Morreriam à fome?
José António Moreira

quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

As contradições do enterramento da linha férrea

OPINIÃO
O Túnel Ferroviário de Espinho foi inaugurado sem qualquer pompa ou circunstância. Para um projecto que elegeram como sendo a obra do século, a sua inauguração foi de facto pobre demais para assinalar a efeméride. A inauguração foi pobre mas compreende-se que assim seja, ou não fosse necessário fazer render a popularidade (leia-se inauguração) para as próximas eleições, sejam elas autárquicas ou legislativas. No entanto, para nós, espinhenses, a questão que se levanta agora tem a ver com as consequências que vamos ter de pagar para ter-mos esta obra, que dizem ser do século mas que afinal não serve muito mais do que o Casino de Espinho e meia-dúzia de comerciantes que têm a sorte de ficar nas imediações. Ora para uma obra do século é muito pouco. O que se pretendia era aquilo que não foi feito: o prolongamento das pontas do túnel. Isso sim viria de facto trazer uma mais-valia à cidade e às populações que ali vivem.
Isso não aconteceu. José Mota quis aproveitar o que na altura lhe deram, porque terá pensado que mais vale um pássaro na mão do que dois a voar. Só que neste caso o pássaro que lhe deixaram na mão está doente e enferma de várias “patologias” que chegam mesmo a prejudicar a desfigurar a cidade e até a dificultar quem tem de atravessar o local que deveria ter ficado com a linha enterrada, mas que afinal ficou foi com muros de quatro ou cinco metros de altura. Se a tudo isto juntarmos as ruas e avenidas que foram estranguladas, os guetos que a obra veio facilitar, mais as passagens desniveladas que foram prometidas e não foram cumpridas esta obra do século transforma-se facilmente, e, em vez de terem enterrado apenas a via-férrea podem é ter enterrado também a cidade. Se é que já não está, digo eu! Ainda a propósito da via-férrea, que sentido faz a estação que foi construída no local? Esteticamente o projecto está desenquadrado do local onde foi implantada, para além de ter coarctado a tão saudosa Avenida 8, que servia, entre outras coisas, de parque de estacionamento, especialmente durante a época balnear. Será que não poderia ter sido construída subterraneamente ou então ter ficado mais a meio do espaço que ficou disponível?! Francamente, enquanto o projecto tomava corpo eu cheguei a pensar que estavam a fazer ali uma pista de “snowboard”. Depois constatei que não.
Mas mais do que “chorar sobre leite derramado” o que interessa agora é resolver o que vai ser e como vai ficar a parte de cima do espaço libertado pelo comboio. É preciso saber o que se vai lá fazer para que aquela zona possa funcionar como pólo de atracção turística e dinamizador da vida quotidiana da cidade. È preciso articular tudo isto para que o futuro não se mostre cinzento e, em vez de atrair, Espinho possa afastar os visitantes.
Mas infelizmente, por aquilo que está à vista, parece ser “pior a emenda do que o soneto”. Pelos vistos ainda se desconhece se o projecto vai ou não ter um centro coordenador de transportes, cujos os diversos meios possam inter-agir ente si. Também continuam a existir dúvidas sobre o parque de estacionamento subterrâneo que dizem estar previsto ao longo da linha e quem o vai explorar?! Mas estas são respostas que parecem ainda não existir.
A par de tudo isto ainda sobram (não se sabe se a solução é fixa ou provisória) aqueles tubos ou “trombones” (como já lhes chamam) colocados à superfície, sem qualquer estética ou enquadramento. Uma solução criticada por quase toda a gente.
Coincidência do destino, cá se fazem e cá se pagam. Ora aqui está o agradecimento dos nossos políticos aqueles que lhes têm vindo a dar o sabor da vitória… e até me parece que já há quem tenha engolido sapos vivos só por se ter metido na política. Mas enfim, cada um sabe de sí. Uma coisa é urgente: repensar a cidade e elaborar um plano estratégico que defina as principais linhas de orientação em direcção ao futuro.
José António Moreira

Carro arde em plena madrugada

Eram três da madrugada quando o primeiro alarme foi dado por um casal, que passava no local e viu o carro de Ana Arruda em chamas. O automóvel, estacionado mesmo junto à fachada de um prédio no Bairro Piscatório, começou a arder e podia ter posto em risco a vida dos moradores do local.

Na madrugada do passado domingo, o bairro da Marinha assistiu a um incêndio pouco usual. Por volta das 03h00, o automóvel de Ana Arruda, que estava estacionado junto ao prédio habitacional da zona piscatória, começou a arder sozinho, sem motivos aparentes.
A proprietária do veículo explicou ao Jornal de Espinho que tinha andado com o automóvel até cerca das 23h00 de sábado, hora a que o deixou estacionado junto a casa de sua mãe, de forma a evitar que fosse alvo de vandalismos. “Um mês antes, o carro foi atacado e apareceu com um vidro partido”, disse Ana Arruda. “Como era uma zona com muitos moradores, pensei que era seguro deixá-lo lá e encostei-o mesmo à fachada do prédio”, continuou.
O incêndio foi detectado por um casal que passava pela zona e pela própria mãe de Ana Arruda. Os meios de socorro foram chamados de imediato e a população, que entretanto foi acordando devido ao alarido, também começou a actuar devido ao perigo eminente, provocado pela gasolina existente no veículo. “O casal que detectou o fogo partiu logo uma janela do carro para evacuar os gases que poderiam acumular-se e começamos também a tentar apagar as labaredas com água, mas quanto mais água púnhamos, mais ardia”, explicou a proprietária do carro. Entretanto, segundo Ana Arruda afirmou ao JE, chegaram ao local os bombeiros e a PSP e a situação acabou por ser resolvida. O automóvel ficou completamente destruído pelas chamas, mas já foi removido do local devido ao intenso cheiro que imanava e que incomodava os moradores da zona.

“Podia ter sido um desastre”
Ana Arruda acredita que o incêndio começou com fogo posto, “até porque o carro não tinha problema nenhum e fazia sentido ter começado a arder quatro horas depois de ter sido desligado”. No entanto, essa sua ideia ainda não tem confirmação e o caso continua em investigação.
Mesmo com a perda do seu veículo, que ainda não tinha acabado de pagar, a espinhense sente que a situação poderia ter sido bem pior. “Se o fogo chegasse ao tanque da gasolina, de certeza que o prédio entrava a arder, tal seria a explosão”, desabafou ao JE. Esse cenário não aconteceu e os únicos danos materiais resultantes do incêndio foram a destruição do carro e os estragos da fachada do edifício, uma vez que o calor das labaredas acabou por quebrar alguns vidros de janelas e deixar as paredes pretas.
Aquela madrugada foi, para Ana Arruda, “um autêntico inferno”. Não esquece os gritos e os choros das crianças e a aflição do momento. “Muitas vidas estiveram em risco, mas felizmente ninguém se magoou”.

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Montepio assaltado durante o dia de feira

Foi durante o dia de ontem, segunda-feira, ao início da tarde, que o Montepio Geral, em Espinho, foi assaltado. Tudo aconteceu muito rápido escreve o Correio da Manhã na sua edição de hoje.
"Um indivíduo munido de uma arma de fogo e encobrindo a sua identidade com um gorro e um cachecol assaltou pouco antes das 14 h00 de ontem a dependência do Montepio Geral, em Espinho".
Pode ler mais em Correio da Manhã.

sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Casa do FC Porto homenageou Reinaldo Teles

Na festa do seu nono aniversário, comemorado na segunda-feira, no Casino de Espinho, a Casa do FC Porto de Espinho homenageou Reinaldo Teles, o carismático dirigente do clube azul e branco, que atravessou, há pouco tempo, um grave problema de saúde. Entre as cerca de 300 pessoas presentes, destaque para a comparência de Pinto da Costa, Jesualdo Ferreira, Pedro Emanuel e Fernando Couto

Foi com a habitual elegância que a Casa do FC Porto de Espinho comemorou o seu nono aniversário, numa gala realizada, na segunda-feira, no Casino de Espinho. Numa cerimónia a que não faltaram o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, o treinador, Jesualdo Ferreira, e o capitão da equipa profissional, Pedro Emanuel, a Direcção da filial espinhense decidiu homenagear Reinaldo Teles, naquele que foi momento mais marcante da noite. Depois de, recentemente, ter passado por graves problemas de saúde, o famoso dirigente azul e branco viveu uma noite de enorme felicidade, dadas as palavras de gratidão que lhe foram endereçadas, e o Dragão de Espinho, que lhe foi entregue. Júlio Lemos, presidente da Casa do FC Porto de Espinho, justificou a distinção na relevância que o “Chefinho”, como é tratado carinhosamente, tem no clube. “Esta não é mais do que uma pequena homenagem para simbolizar o quão você é importante para a família portista”, declarou. “É uma alegria muito grande, sobretudo depois de tudo o que passei nos últimos meses. O presidente Pinto da Costa não falhou um único dia no hospital”, agradeceu Reinaldo Teles.
À margem da homenagem, Júlio Lemos dirigiu-se a Jesualdo Ferreira, que o ouvia na plateia. “Apesar de termos vindo a ser prejudicados pelas arbitragens, como aconteceu com o Trofense, vamos ser campeões”, afirmou, de forma convicta. Já a finalizar o seu discurso, Júlio Lemos apelou para a necessidade de “continuar ao lado do presidente Pinto da Costa, que tem sido injustamente denegrido na sequência do processo Apito Dourado”.

Hernâni Gonçalves: “Roubos de igreja”
O primeiro discurso da noite foi da autoria de Hernâni Gonçalves, conhecido no mundo do futebol por “Bitaites”, e que tem uma ligação muito próxima com o FC Porto, clube onde trabalhou durante vários anos na qualidade de preparador-físico. Actualmente reconhecido por ser o comentador do programa da RTP, Liga dos Últimos, aproveitou a ocasião para lançar algumas farpas aos adversários do FC Porto na luta pelo título, isto um dia depois do polémico Benfica-Braga, que ficou marcado por vários casos de arbitragem. “Roubos de igreja como antigamente que ressurgem com descarada intensidade”, ironizou.

Carlos Magno: “Campeonato mais saboroso”
Ao discurso de Hernâni Gonçalves, seguiu-se o de Carlos Magno, jornalista e adepto confesso do FC Porto. Numa abordagem ao momento actual que a equipa dos dragões atravessa, Carlos Magno reconheceu que este tem vindo a ser um campeonato mais equilibrado do que os anteriores e que por isso “vai ser o mais saboroso de ganhar nos últimos anos”.

Jesualdo venceu leilão
A certa altura da festa, foi leiloada uma camisola oficial do FC Porto, com o nome de Reinaldo Teles. Num trabalho insistente mas que arrancou vários sorrisos aos presentes, o apresentador do evento, Álvaro Costa, pivô do programa Liga dos últimos, conseguiu com que fosse Jesualdo Ferreira a ficar com a camisola. O treinador dos dragões pagou 500 euros por ela.

Pinto da Costa não falou
A presença de Pinto da Costa motivou a atenção de vários jornalistas de órgãos de comunicação social nacionais, que aguardavam ansiosamente pelo discurso presidencial, mas tal não veio a acontecer. Ao contrário do previsto e do que foi sendo prometido ao longo da festa, Pinto da Costa não discursou, pelo que, na sua vez, acabou por tomar a palavra o presidente da Assembleia-Geral do FC Porto, Sardoeira Pinto.

Fernando Couto presente
O antigo internacional português e ex-jogador do FC Porto, o espinhense Fernando Couto, foi uma das presenças mais notadas na noite comemorativa. O também espinhense Vítor Hugo, antigo hoquista do FC Porto, também não faltou, assim como o “bibota” Fernando Gomes e o jornalista Júlio Magalhães. O presidente da Câmara Municipal de Espinho, José Mota, o presidente da Junta da Freguesia de Espinho, Rui Torres, e o deputado Luís Montenegro, também marcaram presença.

Banda de Paramos assinala hoje 76 anos

A Banda Musical União Paramense (BUMP) comemora hoje o seu 76º aniversário com um programa recheado. A festa começa às 18h00 com a recepção aos convidados, seguindo-se, 15 minutos depois, o hastear da bandeira na sede da colectividade. Às 18h45, o adro da Igreja Paroquial de Paramos vai ser palco da marcha musical e, às 19h00, está programada começar uma missa solene, abrilhantada pela música da BUMP. Uma hora depois, decorrerá a bênção da carrinha da colectividade e a romagem ao cemitério como forma de homenagem aos músicos e sócios já falecidos. A partir das 21h30, o salão da banda vai acolher um concerto dado pela própria colectividade, ao qual se seguirá uma sessão solene, com a presença de diversas entidades oficiais, e um espectáculo de humor da responsabilidade de José Manuel Baptista. No final da noite, haverá o tradicional bolo de aniversário.

Conclusão do saneamento em discussão na AM

Ontem à noite, os vogais da Assembleia Municipal de Espinho debateram uma recomendação apresentada por Ricardo Sousa, na qual o social-democrata pedia a conclusão da obra estruturante do saneamento básico no concelho. O elemento do PSD defendeu que, ao longo dos 16 anos em que José Mota está à frente da autarquia, nada foi feito nessa área nem na distribuição da água. Para o presidente da Câmara Municipal, o documento tem inverdades.

A reunião da Assembleia Municipal realizada ontem à noite começou por discutir um documento apresentado pelo social-democrata Ricardo Sousa, pedindo a conclusão da obra estruturante do saneamento básico no concelho, nomeadamente no Lugar da Praia de Paramos. A recomendação do vogal surgiu, como o próprio explicou, na sequência de uma declaração pública do presidente da Câmara Municipal, José Mota, aquando da inauguração do passadiço na freguesia paramense. Na altura, o autarca, confrontado com uma faixa colocada pelo PSD nesse local, afirmou que o partido da oposição não se tinha preocupado com o tema do saneamento. Para Ricardo Sousa, as palavras de José Mota não foram as melhores, porque, segundo o vogal, os sociais-democratas fizeram muito pela rede de saneamento e o seu partido não está no poder há 16 anos.
Para o autarca, “o documento tem inverdades”, já que o PSD assim como outros vereadores do município tiveram responsabilidades na implantação do saneamento. Aliás, José Mota garantiu que há que fazer justiça a quem, antes dele, fez obras nesse sector. Por isso mesmo, o presidente da Câmara Municipal considerou inadmissível que o documento dissesse que “não se fez nada desde 1993”, até porque José Mota enumerou, em plena assembleia, todas as obras de saneamento e distribuição de água executadas no concelho entre 96 e 2008. “Vir aqui dizer que não se fez nada é pura brincadeira, é mentira”, acrescentou. Segundo o autarca, o município gastou, desde que o PS está no poder, cerca de 15 milhões de euros a melhorar as condições da rede de saneamento e de água. E para os próximos dois anos, 2009 e 2010, “a Câmara Municipal irá investir mais sete milhões de euros”.

Documento rejeitado
João Passos quis saber que substituições na rede a autarquia andava a fazer, já que “num ano substitui uma conduta e no ano seguinte, volta à mesma rua”. Já Alexandre Silva inquiriu o autarca se a intervenção urbana incluiria a Rua 19, local onde as condutas têm rebentado com frequência.
José Mota não tardou a responder, dizendo que “quando se repetem as obras numa rua, não é no mesmo local” e que “as substituições equivalem a uma rede nova”. Quanto à Rua 19, o autarca garante que as condutas vão continuar a rebentar, “tal como acontece em qualquer lado”, até porque a via sofre com problemas de lençóis de água.
Para Ricardo Sousa, o documento é admissível, porque aborda uma questão que é importante. O vogal lembrou que a discussão se centrava na conclusão ou não da obra de rede de saneamento, começando pelo Lugar da Praia de Paramos. No entanto, o presidente da Câmara Municipal voltou a atacar a recomendação, que “não faz uma crítica construtiva, mas sim chacota”, feito para “atingir muita gente”.
No final, o documento apresentado pelo vogal do PSD Ricardo Sousa foi recusada pela Assembleia Municipal, com 16 votos contra, 9 votos a favor e uma abstenção.

Orçamento aprovado por unanimidade

Na passada sexta-feira, realizou-se mais uma Assembleia de Freguesia de Guetim. Durante a reunião, os vogais aprovaram por unanimidade o Plano Plurianual de Investimentos e o orçamento para 2009. O presidente da Junta de Freguesia aproveitou o momento para referir quais as principais prioridades da autarquia em termos de obras públicas.

A quarta sessão ordinária de 2008 da Assembleia de Freguesia de Guetim realizou-se na passada sexta-feira. No ponto três da ordem de trabalhos, a apreciação da informação escrita do presidente da Junta sobre as actividades do executivo, Joaquim Sá da CDU quis saber o porquê do documento mencionar a colocação de um sinal STOP na Travessa do Souto sem tal constar da postura. O autarca Alfredo Rocha explicou que essa situação poderia ser resolvida na próxima reunião com uma adenda e uma revisão à postura. O presidente do executivo afirmou ainda que o projecto relativo ao hidro pressor programado para a pressão da água já estava em posse da autarquia e que o processo deveria avançar. Alfredo Rocha falou ainda dos problemas de saneamento na zona do Coteiro e que, por falta de acordo com o proprietário, a Câmara Municipal deverá avançar com uma passagem administrativa. Já nas ruas da Columbofilia e da Nossa Senhora da Guia, a Junta de Freguesia vai fazer um levantamento dos terrenos para depois tentar entrar em acordo com os proprietários.

Obras são prioridade
Seguiu-se o principal ponto de trabalhos, a discussão e votação do Plano Plurianual de Investimentos e o orçamento para 2009. Em termos de investimentos para este ano, Alfredo Rocha traçou algumas prioridades. A Rua do Ermo sofrerá obras para implementação da rede de saneamento e de água e depois será alcatroada. Outra situação que deverá ser resolvida é o problema das águas pluviais no cruzamento da Rua do Rameiro com a Rua das Manas, onde deverão ser criadas duas sarjetas para escoamento das águas. Também o cemitério será uma prioridade para a Junta de Freguesia, que quer renovar o piso degradado. A autarquia pretende ainda em 2009 tentar fazer a ligação da Rua Alves Dias Martins à Rua General Humberto Delgado. Se tal não for possível, Alfredo Rocha quer, pelo menos, fazer uma passagem pedonal. Por último, a autarquia tem planeado ainda fazer um acesso através da escola para os terrenos que comprou recentemente junto ao estabelecimento de ensino.
Depois de algumas críticas, Joaquim Sá elogiou o documento, dizendo que era “uma lufada de ar fresco”, que fazia com que a CDU votasse a favor. A obra de ligação entre a Rua Alves Dias Martins e a Rua General Humberto Delgado agradou ao vogal, assim como a compra dos terrenos junto ao jardim-de-infância. No final da discussão, o documento foi aprovado por unanimidade, com nove votos a favor.

Competências ratificadas
Seguiu-se a ratificação das competências transferidas da Câmara Municipal de Espinho para a freguesia, que Alfredo Rocha explicou serem iguais aos anos anteriores. Procedeu-se então à votação das diversas alíneas, que foram todas aprovadas por unanimidade, com a excepção da relativa à construção do edifício sede da Junta de Freguesia. Joaquim Sá votou contra pelo “local da sua implementação.
O ponto seguinte na ordem de trabalhos era a discussão e votação da proposta do novo Regulamento e Tabela de Taxas e Licenças da autarquia. Por informação do vogal da CDU, Joaquim Sá, de que a lei referente ao assunto estava suspensa, a votação foi adiada para a próxima sessão.

domingo, 4 de Janeiro de 2009

Aprender com os outros

José Serrano
Economista

Há alguns anos atrás Espinho comparava-se habitualmente com cidades costeiras com características de desenvolvimento semelhantes e com o facto em comum de terem um casino, como a Póvoa de Varzim e a Figueira da Foz. Hoje, seria bastante irrealista e atrevida semelhante comparação, no sentido de sermos equiparáveis ...
Mas, podemos sempre procurar aprender com quem “vai à frente” e já tem experiência, neste caso com a problemática do estacionamento pago.
Na passada semana abordei com algum detalhe o Regulamento do estacionamento em Espinho publicado a propósito dos parcómetros a serem colocados próximamente. Nem de propósito, descobri recentemente na net uma notícia do diário JN datada de 14/11/2007 , que se refere a algumas questões passadas na Figueira da Foz.
Faço de seguida um quase integral extracto do artigo da jornalista Carina Fonseca publicado nessa data, com o título

Excesso de parcómetros irrita utentes:
Excesso de parcómetros, aumento “de preços e falta de alternativas para estacionar. São estas as queixas dos munícipes que o JN abordou, em parques de estacionamento pago, nas ruas da Figueira da Foz.
"Há parcómetros a mais e não foram criadas alternativas. Também aumentaram o preço, pagava 60 cêntimos por duas horas e agora pago um euro", lamenta um condutor. Este ano, o número de lugares de estacionamento a pagar aumentou: de 950 passou para 1132. O preço também subiu de 30 para 50 cêntimos/hora.
Ali perto, Alcides Ramos acaba de estacionar. Vive em Montemor-o-Velho, mas visita muito a Figueira e tem uma visão mais positiva dos parques pagos. "São maus para quem precisa de ter o carro estacionado o dia todo, mas ajudam quem estaciona pontualmente, porque tem lugar garantido em sítios estratégicos", afirma, sereno.

Residentes não pagam
Lídio Lopes, vereador da Câmara da Figueira da Foz e responsável da Figueira Parques - Empresa Municipal, garante que há alternativas aos parcómetros. "A cidade tem uma rede de estacionamento pago e de estacionamento gratuito", diz, dando como exemplo o parque da Avenida de Espanha, que "comporta 600 lugares gratuitos". E frisa a existência de cartões mensais que permitem estacionar, em locais pagos, quer a moradores, quer a trabalhadores das áreas abrangidas por parcómetros.
Para os residentes na Figueira da Foz, o cartão é gratuito, bastando apresentar um atestado de residência. Os moradores foram, aliás, "a principal e prioritária preocupação", ao nível do estacionamento, explicou Lídio Lopes, "Antes só podiam estacionar na sua própria rua, se houvesse lugar disponível e em determinados períodos do dia. Em quaisquer outras ruas e fora do período gratuito, tinham de pagar o estacionamento. Agora, com a Figueira Parques, ficaram isentos durante todo o dia e em toda a área de influência da sua habitação". Já os trabalhadores podem adquirir os cartões por valores entre os 20 e os 60 euros.

Fuga de clientes
As queixas face aos parcómetros em demasia chegam ao restaurante-café Cais. "As pessoas dizem-me 'Não vou aí porque pago 25 cêntimos para estacionar, mais o preço do café. Para isso, vou a outro onde pago só 50 cêntimos'", conta o proprietário, Mário Espadilha. E atira: "Na Baixa, não há onde estacionar sem pagar! É uma pouca vergonha. Todo o comércio está a morrer". A mulher, Fátima, tem a mesma opinião: "O exagero de parcómetros e o aumento dos preços afectaram imenso o comércio aqui. As pessoas vão para os hipermercados porque não estão dispostas a pagar para ir às compras".
Outro problema é a falta de moedas. "As pessoas andam aqui, de loja em loja, à procura de trocos para os parques. Passo a vida a dar trocos e, quando não tenho, ainda ficam chateadas comigo!". Um lamento partilhado por uma lojista da Rua 5 de Outubro, que pede o anonimato "Massacram--nos com os trocos. É mais o dinheiro que troco do que aquele que entra na caixa". Garante que o negócio perde com a existência de parcómetros. "Protegem mais os grandes do que os pequenos. Mas, se fechamos, as cidades tornam-se cidades fantasma".
Lídio Lopes rebate estas críticas "A inexistência de lugares disponíveis para estacionar era uma razão apontada antes da instalação dos parcómetros, que é anterior a 1996, no que à área da zona comercial diz respeito ".
O aumento, em 66%, do preço do estacionamento (de 30 para 50 cêntimos/hora) gerou críticas dos utentes. De acordo com Lídio Lopes, da Figueira Parques - Empresa Municipal, a taxa "não era alterada há 11 anos e não o foi para os cartões mensais [que permitem estacionar nos parques pagos]", explica. A média de ocupação diária, nas áreas de influência dos parcómetros, é de 690 viaturas, desde o início do ano.

Notas a reter deste artigo, comparando com o nosso Regulamento:
- em 1º lugar o preço 0,50 Euros /hora contra os nossos 0,80 Euros/hora
- só aumentaram o preço/hora passados 11 anos (de 0,30 para 0,50), quando em Espinho se pretende fazer uma revisão anual em função da inflação, o que me parece de todo impraticável nos trocos ( por exemplo, uma inflação de 2,5% daria 0,82)
- a flexibilidade dada aos residentes para estacionarem numa zona alargada, e sem pagamento de cartão anual
- a existência de cartões de estacionamento para os trabalhadores locais
- a existência de um parque gratuito com 600 lugares
- a exploração dos parcómetros por empresa municipal
- as consequências para o comércio, boas e más, mas se a solução a implementar não fôr equilibrada, podem ser “apenas” desastrosas
- a ocupação média diária verificada na realidade pelo responsável da empresa municipal Figueira Parques 690 viaturas nos 1132 lugares, permite obter uma taxa de ocupação de 61%, bem acima da hipotética taxa de 33% de que falei no passado artigo, e que permitia recuperar em cerca de 3 anos o investimento do parque subterrâneo de 200 lugares no Multimeios, obtendo-se assim uns 47 anos de lucro, nos 50 anos de exploração.

Claro que a taxa de ocupação dependerá sempre de vários factores como o preço/hora, a extensão da área abrangida, e a capacidade de atracção da cidade! E este último factor, é o de mais difícil solução...

O Túnel existe, e a luz ao fundo?

José Serrano
Economista
Depois do Enterramento...
Caminhamos a passos largos para 9 meses de enterramento da linha, e não se vê nenhum sinal que esteja algo para nascer. Foram lançados os concursos e os projectos para a superfície quando a 1ª fase do enterramento- a existente- estava quase concluída. E aí temos as consequências óbvias, atraso em cima de atraso, se é que algo está em efectivo andamento, pois com a total ausência de notícias da autarquia, todas as hipóteses se podem colocar. Tal como já aqui escrevi uma vez, depois dos anos da remodelação (!?) do centro, dos anos do enterramento, mais os anos que vamos esperar para que aconteça algo à superfície, em que estado estará a cidade, os seus habitantes e os seus negócios, quando tudo terminar?

Os Parquímetros e a sua Regulamentação
Tendo feito parte de um grupo de cidadãos que apresentou um abaixo-assinado sobre a colocação de parquímetros na cidade, é com alguma satisfação que vejo não ser tarifada, pelo menos por agora, toda a área inicialmente prevista da Rua 7 à Rua 33 e da Rua 8 à Rua 28.
Contestámos essa extensão de parquímetros, bem como a sua exploração por 50 anos.
Os limites da zona a explorar agora, vão desde os cruzamentos da Rua 62 à Rua 27, e da Rua 8 à Rua 20 (com um acréscimo na Rua 22 a norte, e na zona central da Rua 26 e Rua 28-conforme mapa no site da Câmara- www.cm-espinho.pt/publico/assembleia/editais/estacionamento).
No entanto, a Autarquia mantém a ideia de poder aumentar a área para os limites inicialmente propostos, sem sabermos quais as circunstâncias que poderão motivar essa expansão, e se basta apenas a vontade do concessionário para a realizar.
No Regulamento agora em consulta pública, apresenta-se o valor hora a cobrar de 0,80 Eur, que só posso considerar exorbitante e desincentivador de vir ao centro. Comparando com cidades vizinhas, no Porto cobram 0,30 Eur/h na Rua de Cedofeita e 0.60 Eur/h na Rua Sá da Bandeira, em Aveiro, Coimbra e Viseu 0,60 Eur/h, em Oliv. Azeméis 0,50 Eur/h, e em S.J.Madeira, houve uma petição contra a cobrança de 0,60 Eur/h, já que a situação comercial se agravou com a concorrência do novo centro comercial 8ª Avenida, onde como é habitual nessas organizações, o estacionamento é gratuíto.
Parece desnecessária e criadora de confusão para os não-residentes, a ideia de criar dois tipos de zonas de estacionamento, uma geral com duração limitada a 2 horas (com 343 lugares), e outra "preferencialmente destinada a residentes" (com 490 lugares), onde apenas se pode estacionar 1 hora, mas com tempo ilimitado para os residentes, desde que estes estejam dentro da sua zona de residência. Se a ideia foi acautelar o nº de lugares disponíveis, não me parece que exista a possibilidade dos residentes ocuparem a quase totalidade dos lugares das zonas abrangidas, pois basta ver o número de lugares disponíveis à noite para se concluir que os residentes não preenchem as ruas.
Não vejo que faça por isso sentido a restrição no conceito de "residente", limitando-o a um cartão por habitação, tendo esta que se situar obrigatóriamente na zona tarifada, e sem ter garagem própria; só assim se é considerado residente, e se terá direito a comprar o respectivo cartão (15 Eur/ano) para estacionar numa zona delimitada (provávelmente o seu quarteirão) -art.11º do Regulamento de Estacionamento em Espinho.
Não se tem portanto em conta que existem garagens com acessos absolutamente inadequados para uma utilização frequente, e cujos acessos são muitas vezes bloqueados por viaturas mal estacionadas durante o dia. Os habitantes que se deparem com essas situações quando vão a casa, terão que pagar para estacionar...Ridículo, não?
Com o regulamento apresentado condicionam-se os movimentos diários dos habitantes dentro da sua cidade (ir ao Banco, ao Supermercado, à Padaria, almoçar em casa, etc), promovendo as aquisições em lojas fora do centro (médias ou grandes superfícies nos limites da cidade, etc): Não são contempladas as empresas aqui localizadas, os seus empresários e trabalhadores, pois só são considerados "residentes", pessoas singulares com fins habitacionais nas condições acima referidas,
Curiosamente, no desenho das zonas no mapa de estacionamento, deixaram os residentes nas Ruas 15, 20 e 25, sem nenhum lugar para "residentes" nessas ruas, abaixo da Rua 20.
E, já agora, com tanta falta de estacionamento, faz sentido que no mapa apresentado se persista na ideia das ciclovias?
Subjacente à ideia de colocar parquímetros na cidade estava a compensação do investimento em 2 parques de estacionamento subterrâneo a construir por privados. No entanto não existindo sequer “a primeira pedra” de nenhum parque, e com a consulta pública ainda a decorrer, já colocaram as bases de muitos parquímetros nas ruas, implícitamente anunciando sua activação para muito em breve.
Como se sabe, e já foi assumido públicamente, só irá(?) ser construído um parque perto do Multimeios; o segundo, frente à igreja, condicionaram-no à obtenção de uma taxa de ocupação de 80% no primeiro parque, coisa impossível de acontecer em qualquer parque subterrâneo (com 24 h de funcionamento).
Com um único parque a construir (de apenas 200 lugares), valerá a pena entregar a exploração dos parquímetros na cidade por 50 anos?
Julgo que se deveria questionar esta decisão de consequências tão duradouras, ou então, considerar como compensação um segundo parque subterrâneo a ser construído incondicionalmente, no local do enterramento da linha com os previstos 450 lugares, e situado entre as Ruas 15 e 23.
Em jeito de conclusão, com estes valores (0,80 Eur/h mais inflação anual !!), e estas regras para residentes, corre-se o risco de desertificação total do centro, na minha opinião. Ou então, no caso de eu estar redondamente enganado, será então um negócio chorudo para o concessionário, pois construindo apenas um parque subterrâneo de 200 lugares e obtendo por exemplo uma ocupação de 33% nos 833 lugares na rua com parquímetros, consegue recuperar o investimento em pouco mais de 2 a 3 anos, restando-lhe “apenas” 47 anos de lucros.
Na minha opinião seria bem mais aceitável haver apenas um tipo de zona tarifada, com os residentes a poderem estacionar aí gratuitamente. O conceito de residente não devia depender de se ter ou não aparcamento próprio, o nº de cartões devia ser igual ao nº de viaturas do agregado familiar e abranger também as empresas. Era conveniente um intervalo gratuíto na hora de almoço (exemplo 12h30 às 14h30), e os primeiros 10/15 minutos serem gratuítos no período normal, sendo uma taxa horária de 0,50 Eur/hora mais razoável, e uma lógica única de 2 horas de permanência máxima em toda a zona abrangida.
Uma revisão do Regulamento neste sentido torná-lo-ia melhor aceite pela população, desde que também viesse a ser efectuada a construção incondicional do 2º parque subterrâneo na zona do enterramento da linha entre as Ruas 15 e 23.
Assim, poderíamos ter uma pequena justificação para dar a alguém 50 anos de exploração das nossas ruas...

sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

É de Guetim o homem mais velho de Portugal

Augusto Moreira, com 112 anos, é a pessoa mais idosa a viver em Portugal e a quarta mais velha da Europa. Apesar de enfrentar muitos problemas auditivos e quase não ver, de articular as palavras com dificuldade e registar problemas sanguíneos, mesmo assim recusa o estatuto de velho e quem sabe, aos 110 anos ainda disse ao Jornal de Espinho, em jeito de brincadeira ou não, que se encontrasse "uma moça jeitosa" o casamento seria um caso a pensar.
Augusto Moreira vive actualmente aqui ao lado, em Grijo, Vila Nova de Gaia, mas a sua terra foi sempre a freguesia de Guetim, localidade que na passagem dos seus 110 anos o homenageou através da junta de freguesia local.
Pode ler mais no portal da SIC.