sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Na terra do faz de conta

Espinho, como local escolhido para a realização do próximo Congresso Nacional do PS, não pode deixar de representar, uma boa opção.
Trazer um evento que deveria ser a consagração/festa do debate politico/ideológico de um partido, para uma terra onde tal prática não existe, é de facto uma boa razão.
E que melhor cenário ainda, para os “efe-erre-á” de um PS também do faz de conta? De um PS, que em tempos meteu o socialismo na gaveta, mais tarde foi deixado à beira de um pântano e agora vive atolado em casos nada dignificantes!?...
De um PS/GOVERNO que asfixia diariamente os trabalhadores com as Leis que vai fazendo sair e que, justifica como necessária à sustentabilidade da segurança social o prolongamento da carreira contributiva de quem já está na fase final da sua actividade, mas que, ao mesmo tempo, acha normal e justo a promoção de um quadro de uma instituição púbica (ou do PS?) após saída da mesma e assim, conseguir mais um bónus na sua reforma. É a nova modalidade do “salto à vara”!...
De um PS que mandou ás malvas os fundamentos da doutrina socialista, onde a preocupação fundamental dos seus governantes deveria ser orientada para uma lógica de usufruto equilibrado do bem comum por toda a sociedade, e não pela repartição do seu maior quinhão por uma elite de vigaristas, que tem vindo a engrossar com a entrada de uma classe de novos ricos, saídos da politica do pós-Abril.
De facto, para um congresso também do faz de conta, nada como ter por cenário uma terra a condizer. Por coincidência, só por coincidência, com uma autarquia PS governada ao jeito de uma qualquer colectividade recreativa, e com uma administração do tipo empresa familiar, onde o organigrama da mesma se confunde com a árvore genealógica de algumas famílias.
Mas enquanto militante socialista, logo ausente deste “espectáculo” (ou, missa – na opinião de João Cravinho), vou deixar aqui um pequenino contributo para uma moção que, ao estilo “suponhamos”, deveria merecer – digo eu! - a discussão dos congressistas. E isto, para não dizerem que o autor destas linhas mais não faz do que engrossar o grupo dos “bota abaixo”.
Aqui vai em jeito de tópicos para uma virtual moção:
a) Sobre a endémica crise – Estudar, compreender e diagnosticar as suas causas, começando por correr com todos os responsáveis, distraídos e incompetentes que nos arrastaram até aqui e depois - tomar decisões.
b) Justiça – criar todas as condições para uma verdadeira independência dos vários órgãos judiciais. Que todos os órgãos de topo do nosso sistema judicial tenham uma representação significativa, que resulte da escolha por votação dos seus pares e não por escolha exclusiva dos directórios partidários.
c) Obrigações cívicas – Tornar o voto obrigatório. Ninguém deve ser dispensado, por laxismo ou indiferença, à obrigação de manifestar a sua posição através do voto. Nem que seja para votar em branco, ou nulo.
d) Discutir sobre o interesse em voltar a tornar obrigatório o serviço militar, como obrigação cívica de todos os cidadãos. Nesta lógica de serviço, estudar o interesse na criação de uma nova especialidade do tipo: “Protecção Civil”, ministrada a todos os novos recrutas e que serviria no futuro, como base de recrutamento para todos os ramos militares profissionais, forças da ordem, bombeiros, socorristas, etc.… Reforçar com as FA o patrulhamento físico do país, funcionando como mais uma força dissuasora ao crime e de prevenção a catástrofes, como os incêndios de verão.
e) Reorientar todo o investimento público a realizar, numa lógica de interesse nacional e incorporando o máximo de tecnologia e recursos nacionais.
f) Modernizar todo o nosso sistema produtivo e potenciar ao máximo os nossos recursos naturais. Recuperar e dinamizar a excelência da nossa indústria naval, reconvertendo toda a nossa primitiva frota pesqueira e multiplicando as unidades de socorro a náufragos. Dinamizar e fomentar o regresso à agricultura biológica, aproveitando ainda os recursos e saberes das nossas anteriores gerações. Investir na aquisição de equipamento auxiliar para a agricultura, a disponibilizar de forma programada e planeada, por todos os pequenos agricultores que, quer pelo tamanho das suas propriedades, quer por incapacidade financeira, não tenham acesso a tais meios.
g) Garantir a toda a população o direito e acesso gratuito aos principais meios de sobrevivência, dignidade e formação. Não permitir que se transforme em negócio, o fornecimento dos recursos naturais indispensáveis à vida.
h) Reorientar o mercado disponível de trabalho numa lógica de libertação dos lugares pelos mais idosos, privilegiando assim a entrada dos mais novos no mercado de trabalho existente. Sempre é preferível pagar reformas a quem já tenha uma longa carreira contributiva, do que pagar subsídios de desemprego a jovens à procura de trabalho e que se vão acomodando cada vez mais à subsídio dependência e atrasando a sua aquisição de hábitos de trabalho.
i) Alterar por completo toda a lógica de nomeações para o exercício de cargos públicos. Acabar de uma vez por todas com as inusitadas regalias, mordomias e outras patifarias com que a classe política se apoderou nestes últimos anos. Acabar com a indecência escabrosa das reformas e vencimentos milionários dos protegidos do sistema. Diminuir o número de deputados e reformular os seus vencimentos numa lógica de serviço em exclusividade de funções. Dotar a classe política com remunerações dignificantes aos cargos e ao tempo de serviço efectivamente prestado.
Muito mais haveria a acrescentar, mas por agora, fico por aqui - concluindo: É URGENTE REINVENTAR A NOSSA DEMOCRACIA E ENCONTRAR NOVOS PROTAGONISTAS POLÍTICOS, ANTES QUE O PAÍS SOFRA UMA IMPLOSÃO.

Da virtual moção que gostaria de ver discutida, ao faz de conta deste “espectáculo”, uma certeza eu tenho. Daqui vai sair um secretário-geral, acabado de ser reeleito por uma maioria nada dignificante, mas com as suas fantasias ampla e efusivamente aclamadas.
Refiro também e tendo em conta as várias noticias vindas ultimamente a público, acerca do medos existentes no interior do PS, de que não tenho qualquer complacência por aqueles militantes que se refugiam atrás do medo, com o único interesse de verem protegidas as suas posições. Não quero um PS de “cagarolas” a viver de cócoras perante os seus dirigentes. Quero um PS de gente de coragem e ousada, capaz de criticar e pôr travão aos desvarios dos que exercem cargos de poder, numa lógica de que todo o poder em democracia tem sempre um carácter provisório. Mas isso…
Entrem pois os rufos e os tambores que o espectáculo vai começar. Entrem os actores e os figurantes que se vai dar início a este “Baile Mandado”. E no final, para acabar em apoteose, vamos lá todos a cantar o” Malhão, Malhão…” (novo hino deste PS).
Como espinhense, quero também desejar a todos os congressistas e demais convidados, as boas-vindas à “cidade costeira mais bonita do litoral”.
E já agora!...aproveitem para dar um passeio pela baixa de Espinho e deliciem-se com o cenário (este real) da “entulheira” do século, orgulho maior da nossa prefeitura.

Carlos Alberto

Militante da Concelhia de Espinho do Partido Socialista.

sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Aprender com sucesso a ser profissional

No restaurante pedagógico da Escola Básica e Secundária Domingos Capela, formam-se muitos dos futuros empregados de mesa do concelho e arredores. No entanto, o trabalho ali desenvolvido ultrapassa a simples questão de ensinar uma profissão. Os alunos são moldados no carácter, no comportamento, na disciplina. A exigência e o rigor dos dois professores do curso transformam os jovens adolescentes em verdadeiros profissionais.

Foi, durante muito tempo, estigmatizada como sendo problemática e como tendo alunos oriundos de famílias de estratos sociais baixos, que não gostavam de estudar e, por isso, abandonavam a escola. Era este o estigma da Escola Básica e Secundária Domingos Capela, mas já não o é. Graças a uma luta constante e a um trabalho árduo, o Conselho Executivo, os professores e todos os funcionários conseguiram transformar a realidade do estabelecimento de ensino, tornando-o num exemplo de sucesso.
Para os alunos com um historial de reprovações e de pouco interesse pelas aulas, foram criados vários Cursos de Educação e Formação (CEF), onde esses podem, em apenas dois anos, concluir o nono ano de escolaridade. Esta nova abordagem aos estudos acabou dar novas perspectivas de futuro para muitos jovens que, antes, não sabiam que rumo dar à sua vida. A aposta nos CEF's como plano de estudos alternativos, onde as disciplinas básicas, como o português e matemática, são alternadas como uma vertente de formação prática muito intensiva devolveu a muitos alunos o gosto por aprender, por estudar, por andar na escola. Para testemunhar o sucesso dos CEF na Domingos Capela, o Jornal de Espinho assistiu, ao vivo, a uma aula do curso de empregado de mesa onde, de jovens adolescentes, os alunos se transformar em autênticos profissionais...

“Verdadeiros” empregados de mesa
É no recém inaugurado restaurante pedagógico do estabelecimento de ensino que o JE é recebido por Emídio Almeida, um dos dois professores formadores responsáveis pelo curso. Sem esperar, e ao abrir as portas que dão para o espaço, a escola transforma-se num “verdadeiro” restaurante, onde falta muito pouco: a mesa de vinhos recebe-nos à entrada; diversos professores e alunos almoçam como clientes de qualquer outro espaço de restauração, com direito a talheres de entrada, peixe, carne, sobremesa ou os diferentes copos para a água ou o vinho... Aliás, no restaurante pedagógico, a comunidade educativa da Domingos Capela pode almoçar pelo mesmo preço do que a refeição na cantina da escola (quatro euros para os professores e 1,46 euros para os alunos sem escalão), sem confusão, sendo atendidos com “requinte”.
E, atarefados, encontramos os alunos do curso, devidamente fardados com camisa branca, calças, sapatos, meias, laço e avental preto, que servem os clientes do seu restaurante. A única diferença deste espaço para qualquer outro fora da escola é a presença dos dois professores, que vigiam constantemente os passos dos seus alunos, repreendendo e chamando a atenção sempre que algum deles faz algo de errado.
É este o ambiente que se vive na aula da turma do segundo ano do CEF de Empregado de Mesa. Os 14 alunos que constituem a turma dividem-se pelas mesas existentes e encarregam-se de servir o vinho e as refeições, tendo cuidado com as diversas regras a seguir (servir sempre pelo lado direito e começando sempre pelas senhoras), colocam os talheres no seu lugar devido, distribuem o pão... Tudo feito sempre com muito respeito, disciplina e educação.

Prestar provas
Este curso comemora, no próximo mês de Setembro, cinco anos desde que foi implementado na Domingos Capela. Desenganem-se os leitores que pensem que optar por seguir para um CEF é mais fácil. Para ser um empregado de mesa, os alunos têm que ter dois anos de formação, nos quais 16 horas semanais são dedicadas à parte da formação, ou seja, à prática.
Depois, há que se aplicar em disciplinas como português, matemática, inglês, francês, educação física, cidadania e mundo actual tecnologias de informação e comunicação e higiene, saúde e segurança no trabalho. No final do segundo ano de curso, os jovens são postos à prova num contexto real, indo estagiar durante 240 horas, ou seja, cerca de seis semanas, para um restaurante ou espaço de restauração fora da escola. Um dos exemplos de sucesso durante o estágio é o caso de uma aluna que, por ter demonstrado capacidades e profissionalismo, acabou por ser contratada para ficar a trabalhar no Aquário Marisqueira, em Espinho.
Por fim, há que realizar uma prova de aptidão global com um júri do Turismo de Portugal. Por ser uma profissão certificada, os estudantes têm que mostrar o que aprenderam perante um júri da entidade certificadora e, se tudo correr bem, obterão uma carteira profissional de empregado de mesa de segunda. A partir desse momento, estão livres para ir para o mercado de trabalho.

Aposta ganha
Para Adelina Pereira, presidente do Conselho Executivo da Escola Básica e Secundária Domingos Capela, a aposta nos Cursos de Educação e Formação tem sido uma aposta ganha. A docente lembrou ao JE que a instituição de ensino foi pioneira na implementação dos CEF, até porque, há uns aos, “a população estudantil era muito heterogénea e os currículos não se adequavam a essa diferenciação”. Além disso, a escola deparava-se com “um problema grande abandono, porque os alunos repetiam muito”, mas o corpo docente e o Conselho Executivo não conseguiam arranjar uma solução.
A luz ao fundo do túnel veio com o surgimento dos CEF, que apostava numa vertente mais prática e com saída para o mercado de trabalho. Adelina Pereira reconheceu que, ao princípio, foi complicado porque o estabelecimento de ensino não tinha estruturas, mas, aos poucos, “os objectivos foram sendo alcançados e começou tudo a correr bem”. Agora, sabe que todos ficaram a ganhar: “os próprios alunos começam a procurar este tipo de cursos e, apesar do interesse por “estudar” ser pouco na mesma, os alunos, como têm muita prática, acabam por interiorizar os conhecimentos”, explicou ao JE. E sentada ao almoço, nota que os jovens, outrora rotulados como “problemáticos”, têm uma mudança de postura ao vestir a farda e encarnarem em empregados de mesa: “têm orgulho de vestir a farda, parecem profissionais”.

Mulher atrai homens na Net

Segundo a edição do Diário de Aveiro da passada quinta-feira, as autoridades policiais procuram uma mulher que drogou e roubou três homens que conheceu através da Internet. A cidade de Espinho foi o primeiro local escolhido pela suspeita para se encontrar com um dos seus “alvos”, que drogava, colocando drogas na bebida que eles bebiam.

Na edição da passada quinta-feira, o jornal Diário de Aveiro noticiou a história de um conjunto de assaltos, no mínimo, insólitos. Segundo o orgão de comunicação social, “as autoridades policiais estão na pista de uma mulher suspeita de usar a Internet para atrair homens para um roubo silencioso que as vítimas só descobrem pela manhã, quando acordam do efeito das drogas que ela lhes misturou nas bebidas”.
De acordo com o Diário de Aveiro, o modus operandis da suspeita começa quando esta estabelece contacto com os seus “alvos” na Internet. A mulher descreve-se como “ardente e carente”, estando à procura de “homens sempre acima dos 45 anos”. Depois de algum tempo a manter o contacto virtual, finalmente concorda encontrar-se com as vítimas num local escolhido por ela. No dia em que isso acontece, a suspeita utiliza o método de “Drink Spiking”, ou seja, adiciona drogas na bebida do seu par, que acaba por adormecer. “Quando acordam não se lembram de nada, só se apercebendo do que se passou quando dão pela falta da carteira”, explica o jornal aveirense.

Primeiro roubo foi em Espinho
O primeiro dos três casos conhecidos até hoje aconteceu em Espinho, onde a mulher se encontrou com um homem de 53 anos que viajou, de propósito, desde Castelo Branco. Tal como noticia o Diário de Aveiro, depois das primeiras impressões, a suspeita, que se apresentou como Cristina, e a vítima “foram comeram qualquer coisa”. Aliás, a última recordação do homem, que quis manter o anonimato, foi de “ ter comido uma sandes e bebido um sumo”. As restantes informações dessa noite foram-lhe dadas, segundo o periódico, “pelos responsáveis do hotel, depois de ser encontrado pela PSP a cambalear na rua”. Mais tarde, a vítima descobriu que “a mulher pagou 40 euros por um quarto de hotel, com o seu cartão de multibanco, fez alguns levantamentos em dinheiro e ainda pagou compras em lojas na zona de Gaia”.
Depois de Espinho, foi a vez de Viseu e de Faro conhecerem casos semelhantes. Na cidade algarvia, e de acordo com o Diário de Aveiro, a mulher não teve "oportunidade de drogar a vítima e, por isso, depois de receber um telefonema começou a chorar, explicando que a mãe morreu e que não tinha dinheiro para fazer o funeral”.o choro acabou por comover a vítima que levantou “200 euros ao multibanco e deu-lhe outros 300 que trazia na carteira”.

“Espinho não está seguro”

A possibilidade de acontecer no concelho um sinistro grave é algo que preocupa Rui Torres, presidente da Junta de Freguesia de Espinho. o autarca critica a falta de organização e coordenação da protecção civil municipal e aponta o dedo ao plano de emergência, que garante estar obsoleto e totalmente inadequado às realidades actuais.

Se, no futuro, Espinho for palco de um sinistro com múltiplos feridos, como irão actuar os meios de socorro? Está previsto algum plano para um acidente no túnel ferroviário ou na feira semanal? São dúvidas como estas que têm preocupado Rui Torres, presidente da Junta de Freguesia de Espinho, que receia um cenário catastrófico, já que, na sua opinião, “a protecção civil municipal não está organizada”.
O autarca garante que confia na actuação dos meios de socorro do concelho, ou seja, a PSP e as duas corporações de bombeiros, que “têm estado ao nível de resolver os problemas”. E esclareceu: “se, quer os bombeiros como a polícia se vêm na obrigação de resolver situações que não são da sua competência, resolvem-nos pela sua boa vontade, acabando por ir para o terreno e tratar dos assuntos”. No entanto, explicou ao Jornal de Espinho, se essas entidades forem chamadas para algo mais importante, pode haver a necessidade de uma coordenação, a cargo da protecção civil municipal, “que não está preparada para funcionar”. A grande preocupação de Rui Torres prende-se com a segurança da população. E o autarca não tem dúvidas de que “Espinho não está seguro em termos de protecção civil”. Já no passado, lembrou, o concelho se viu confrontado com diversos sinistros, como as invasões do mar e, “se hoje a costa está protegida, há outras calamidades que podem acontecer”.
Quando algo grave acontece em outros municípios, o presidente da Junta de Freguesia destaca a presença da protecção civil municipal, “dando a cara, coordenando e gerindo os meios”. Se, na sua opinião, há autarquias que não se empenham muito, mas têm uma estrutura montada ou outras que se esmeram, “Espinho não tem nada”. Rui Torres lembrou que quando há necessidade da actuação da protecção civil, a responsabilidade é da Câmara Municipal, que “funciona de segunda à sexta, das 08h30 às 15h00”. Depois dessa hora, é a “boa vontade dos outros agentes como os bombeiros e a PSP que, ao terem em mãos uma situação que ultrapassa a competência deles, solicitam, por terem o contacto telefónico do vereador com essa responsabilidade, a sua colaboração, que acaba por acontecer à distância”.

Plano de emergência obsoleto
Se acontecer uma situação de calamidade em Espinho, em que existam tenha 20 feridos, vítimas mortais ou a necessidade de realojar alguém, é preciso accionar o plano municipal de emergência. Rui Torres explicou ao JE que, em 2006, consultou o documento, cujos “números de telefone indicados têm que ser marcados com indicativo, ou seja, com elementos que já estão desactualizados pelo menos há 15 anos”.
O autarca sabe que a realidade de Espinho já não é a mesma do que aquela em que foi feito o plano de emergência municipal e que a cidade tem “outros riscos acrescidos”. O espinhense tem medo que ocorra, por exemplo, um acidente no túnel ferroviário ou uma explosão na feira semanal, no casino ou nas escolas, sem saber como se irá efectuar o socorro. “Tem que haver um plano de emergência municipal que preveja todas essas situações”, garantiu.
Rui Torres mencionou ainda a necessidade de existir um comandante operacional municipal, “um efectivo nomeado por concurso público, que seja funcionário da Câmara e que acabe por coordenar a protecção civil”. O presidente da Junta de Freguesia lembrou que, há uns anos, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Espinho, Gomes da Costa, acumulava o cargo de soldado da paz a título voluntário com uma assessoria municipal. “Era ele o responsável pela coordenação da protecção civil e, nessa altura, sentia-me tranquilo porque os problemas estavam entregues a uma pessoa competente”, referiu.
Em Espinho, garantiu, o autarca, não existe qualquer prevenção, já que “o plano de emergência municipal não pode ser accionado por estar obsoleto, por se basear numa realidade que já não existe”. Rui Torres baseia-se na legislação existente e atira as responsabilidades para a Câmara Municipal, “a quem compete, através do serviço de protecção civil, a elaboração do plano de emergência municipal”. Da mesma forma, critica a falta, no concelho, uma comissão municipal de protecção civil. “Está tudo regulamentado, mas nada tratado”, concluiu.

Excesso de velocidade na A29

Depois de, no passado dia 26 de Janeiro, um despiste na A29 ter causado uma vítima mortal, o Jornal de Notícias, na sua edição da passada quinta-feira, apontou a falta de civismo como explicação dos constantes acidentes na via. Segundo a notícia do JN, “o excesso de velocidade, o desrespeito pelo traço contínuo e as ultrapassagens pela direita” são as principais razões, quer para a concessionária quer para os bombeiros, de tal elevada sinistralidade. Aliás, ao jornal diário, a Aenor, empresa responsável pela A29 , explicou que “cerca de metade dos acidentes tem como causa o excesso de velocidade”.
Para a concessionária, citando o JN, a zona mais crítica é no troço entre Espinho e Esmoriz, junto à Ponte da Guimbra, onde 18 acidentes resultaram seis vítimas. “A Aenor aponta, mesmo assim, o dedo aos condutores, sobretudo aos que desrespeitam os limites de velocidade (100km/hora), principalmente quando as condições climatéricas são desfavoráveis”, escreveu o periódico.
O JN ouviu ainda Olímpio Pereira e Barros Loureiro, comandantes dos Bombeiros Voluntários da Aguda e de Valadares, que “consideram que é na sua área de intervenção que mais se nota a falta de civismo dos condutores e, consequentemente, os acidentes”. Ambos os soldados da paz apontam como causa de tantos sinistros o excesso de velocidade.

José Mota faz críticas na entrega dos subsídios

Na passada sexta-feira, decorreu, na Câmara Municipal de Espinho, a entrega dos subsídios da concessão de jogo às 105 entidades de relevância social do concelho. José Mota aproveitou a ocasião para criticar aqueles que diziam que as verbas não se iriam entregar. O autarca garantiu ainda que, enquanto estiver no poder, as relações municipais com o Grupo Solverde vão ser boas.

Na passada sexta-feira de manhã, o Salão Nobre da Câmara Municipal de Espinho foi o palco da entrega de subsídios às 105 entidades com relevância social do concelho, no âmbito das contrapartidas das concessões de jogo. A cerimónia contou com a presença do secretário de estado do turismo, Bernardo Trindade, do governador civil de Aveiro, Filipe Neto Brandão, do presidente do Instituto de Turismo, Jorge Costa, do presidente do Grupo Solverde, Manuel Violas e do presidente da Câmara Municipal de Espinho, José Mota.
Iniciando os discursos, o autarca não poupou nas palavras para criticar os rumores que se espalharam pela cidade e que indicavam que a entrega dos subsídios não iria acontecer. José Mota garantiu não perceber a origem dessas ideias, na sua opinião, “intoleráveis”, até porque as verbas decorrentes da concessão de jogo estavam a ser entregues “antes da data do ano passado”. E continuou: “eu até preferia que já tivessem sido entregues em Dezembro, mas não foi possível. No entanto, não se pode criar a ideia de que, se não for mais cedo, isto vai acabar”. Aliás, o presidente do município adiantou que, enquanto estiver no poder, tal não acontecerá. Por isso mesmo, e, em tom de ironia, aconselhou as vozes críticas a se dedicarem a algo mais útil.

“Câmara não volta costas à Solverde”
O chefe do executivo espinhense agradeceu, depois, a presença do secretário de estado do turismo, que viu como “um gesto simpático”. José Mota explicou, de seguida, que todo o concelho tem trabalhado com o Instituto de Turismo, de forma harmoniosa, “para defender os interesses de Espinho e do próprio país”, e que “tem encontrado uma resposta que vai satisfazendo”.
Para o autarca, o concelho beneficia com a presença do Casino Solverde, já que, naquela situação em particular, o jogo é “um bem” para as entidades de relevância social. Por isso mesmo, José Mota critica “as pessoas que acham que a Câmara Municipal e a Solverde deveriam andar aos tiros”. E continuou: “o concelho não tem que andar de costas voltadas para a Solverde. Espinho é pequeno e não há sentido nenhum em criar guerras”. O chefe do executivo garantiu que, enquanto estiver na autarquia, contribuirá para que o grupo empresarial faça o seu trabalho com harmonia.
José Mota considerou que os subsídios entregues às colectividades do concelho são “justos” e que serão uma ajuda para a sua sobrevivência e para alguns dos seus problemas. Para concluir, o autarca voltou a frisar as suas críticas para que “mais ninguém perca tempo a dizer coisas que não fazem nada à sua terra”.

Subsídios no valor de 423 mil euros
Seguiu-se o discurso de Bernardo Trindade. O secretário de estado do turismo começou por referir que tinha muito gosto em estar em Espinho, associando-se à entrega dos subsídios às colectividades do concelho. O responsável pela pasta do turismo garantiu ter gostado de ter “a boa convivência e o bom ambiente” existentes entre a autarquia e as entidades.
Quanto às críticas de José Mota, Bernardo Trindade deixou-lhe um recado: “se há vozes que procuram destabilizar, é por ciúme do belíssimo ambiente que se vive nesta cidade”. O político explicou, ainda, que as verbas decorrentes da concessão de jogo não irão acabar, já que “é desse balanço que o pais vai progredindo e avançando”. Por isso, o secretário de estado pediu a todos os presentes para continuar a trabalhar no sentido de promover as colectividades espinhenses, de forma a desenvolver o turismo, a região e o país.
No final dos discursos, seguiu-se a entrega dos subsídios, no valor de 423 mil euros, às 105 entidades de relevância social do concelho. Dessas todas, apenas cinco não estiveram presentes na cerimónia.

quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Família de Paramos perto do desespero

Alzira Fernandes, António Braga e os seus dois filhos passam actualmente por uma situação desesperante. A família tem a renda da casa atrasada, vive sem luz, a água que usam é da chuva e tem de ir aos campos apanhar alguma coisa para conseguir fazer uma sopa. António, o único trabalhador do agregado familiar, está de baixa e os rendimentos escasseiam. O casal solicitou o Rendimento Social de Inserção, mas só teve direito a 27 euros mensais. Sem dinheiro, o casal já passa fome.

O início de 2009 está a ser muito complicado para Alzira Fernandes, António Braga e os seus dois filhos, uma menina deficiente e um menino, com 14 e 7 anos, respectivamente. O casal, residente em Paramos, passa por uma situação de desespero e, sem ver outra alternativa, decidiu contar a sua história ao Jornal de Espinho.
Alzira Fernandes está desempregada há dois anos e, por muito que procure, não consegue arranjar emprego. Sem direito ao fundo de desemprego, é com o salário mínimo do seu marido, António Braga, que esta família de quatro pessoas tem conseguido sobreviver. No entanto, no passado dia 2 de Janeiro, António teve um bloqueamento de uma veia no coração e teve que ser transportado de urgência para o Hospital S. António, no Porto. O único trabalhador da família ficou de baixa.
Porém, e, como diz o ditado popular, “um mal nunca vem só”, o homem sofreu, no dia 2 de Fevereiro, um deslocamento da retina e teve que ser operado na passa segunda-feira. Por ser uma operação delicada, havendo a possibilidade de ficar com uma visão de 30 por cento, António Braga terá, pela sua frente, mais dois ou três meses de recuperação e de baixa.
Devido a todos estes problemas, os últimos rendimentos que entraram na casa de Alzira Fernandes e de António Braga foram as verbas respeitantes ao mês de Dezembro. Para agravar a situação, e como a sua empresa só paga ao dia 12, o homem não chegou a receber a totalidade do ordenado.

Rendimento mínimo de 27 euros
Neste momento, o casal vive desesperado. A renda da casa está atrasada um mês e, por isso mesmo, a senhoria cortou-lhes a água. Para agravar a situação, por falta de pagamentos, a EDP anulou o contrato, cortando também a luz.
Sem dinheiro e sem soluções, pelo menos, para um futuro próximo, Alzira Fernandes e António Braga foram pedir ajuda ao Centro Social de Paramos, onde expuseram a sua história. O casal foi aconselhado, por Carlos ……., a pedir o Rendimento Social de Inserção (RSI) e assim o fez. Toda a documentação foi reunida e entregue no Centro Social e, uns tempos depois, receberam em casa uma carta da Segurança Social a avisar que tinham tido direito a cerca de 27 euros por mês do RSI.
Entretanto, Alzira Fernandes começou a frequentar um curso de informática nas instalações do centro social paramense, todas as segundas, quartas e sextas. Por cada “aula”, explicou ao JE António Braga, a sua esposa ganha três euros e oitenta cêntimos, valor que, no final do mês, vai ser descontado dos 27 euros que recebem do rendimento social de inserção.
O casal pediu também a Carlos ……… ajuda com a renda da sua habitação, já que, se os 200 euros que deviam à senhoria fossem pagos, teriam novamente água. Conseguiram que lhes pagassem o valor da renda, mas o mês de Fevereiro continua por pagar. Até para poderem tomar banho, Alzira Fernandes e António Braga tiveram que pedir ajuda e conseguiram que lhes fosse arranjados dois banhos semanais, para os quatro elementos, nas instalações do centro social que se situam junto ao apeadeiro de Paramos. Nessas idas aos “banhos”, a família, explicou ao JE António Braga, tem que ir separada, dois a dois. “A roupa que levamos no corpo fica lá para ser lavada. Como essa é apenas uma parte, já que os miúdos têm que trocar de roupa diariamente, temos uma amiga que nos vai ajudando”, acrescentou.

Roubar para não passar fome
Perante tal cenário, o casal foi falar com o presidente da Junta de Freguesia de Paramos, Américo Castro. Da sua parte, o autarca prometeu tentar arranjar emprego para Alzira Fernandes e conseguiu que os banhos semanais passassem de dois para três. Por seu intermédio na Conferência Mista de Paramos, a família conseguiu, como enumerou ao JE, dois quilos de arroz, dois pacotes de massa esparguete, cinco pacotes de leite em pó, dois pacotes de bolacha Maria, dois pacotes de massa riscada, um de aletria, e dois pacotes de um creme para as crianças. No entanto, “essa ajuda não se vai repetir”, disse António Braga, “pelo menos este ano”. Com os armários quase vazios e sem nada para dar aos filhos, Alzira Fernandes tem tomado medidas desesperadas. “Vou aos campos de noite para não ser apanhada, e tudo o que puder roubar para comer, eu tenho roubado. Couves, nabos, tudo o que for necessário para que não falte, pelo menos, a sopa para os miúdos”. Até agora, explicou, “com aquilo que me deram e aquilo que eu roubo, tenho conseguido viver”. A água da chuva, aproveita-a, “ para lavar a louça e para a casa de banho”. Para a alimentação, Alzira Fernandes tem que ir de garrafões buscar água aos fontanários. E o pão, consegue-o dado numa padaria, mas não é fresco: “eu peço pão seco, recesso, e eles dão-me, em vez de deitarem fora”.

Só precisa de alguma ajuda
Alzira Fernandes garantiu ao JE que já pediu ajuda em todos os lados de que se lembrou. “Não me fecham as portas, mas também não me estão a ajudar”, concluiu tristemente. E continuou: “Sem água, sem luz, sem comida, com o meu marido com baixa, o que é que vou fazer? O que vou dar aos miúdos?” A mãe de família esclarece que não quer dinheiro de ninguém, apenas alguém que a ajude. No Centro Social de Paramos, foi-lhes dito que havia uma verba de 200 euros disponível para toda a freguesia e que, na lista das prioridades “primeiro estavam os medicamentos”. Alzira Fernandes afirmou que, aos responsáveis, perguntou quem estava numa situação pior que a dela. Responderam-lhe que o seu problema era económico. “Se não pagar a casa, venho para o olho da rua. E nós só queremos estar na nossa casa com os nossos filhos. Esta é uma situação temporária. Daqui a uns meses, quando o meu marido recuperar e voltar ao trabalho, haveremos de ficar bem. Porém, por ser temporária, não há não ninguém que nos ajude”, referiu, quase sem voz. António Braga concluiu: “Darem-nos 27 euros de rendimento social de inserção é uma brincadeira. Estão a gozar com quem precisa…. Cada criança recebia 42 euros de abono, por causa do RSI, passamos a receber 32 euros. O subsídio de deficiência da menina foi também cortado em Janeiro. Como vamos sobreviver”.
Responsável não se pronunciou
Carlos Pinto, responsável pela acção social, na qual se inclui o rendimento social de inserção, na freguesia de Paramos, não quis comentar o caso de Alzira Fernandes e de António Braga. “Devido ao sigilo profissional, não me vou pronunciar sobre o caso em concreto”, afirmou ao JE. No entanto, Carlos Pinto garantiu que “o processo está devidamente acompanhado e que está a ser feito tudo o que se podia fazer”.
O responsável pela acção social em Paramos explicou também à nossa reportagem que, para se obter os valores do RSI, é necessário ter em conta diversas variantes. Cada adulto do agregado familiar tem direito a cerca de 187 euros, enquanto as crianças recebem 90 euros. A essa soma são retirados todos os valores que componham os rendimentos da família (salários, ajudas familiares, pensões de alimentos) para se chegar ao Rendimento Social de Inserção. Por isso mesmo, o RSI é diferente para cada caso específico.

Detectar DPOC nos centros de saúde

Na quarta-feira da passada semana, o Centro de Saúde de Espinho foi o ponto de partida para uma nova fase da luta contra a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). Impulsionado pelo Ministério da Saúde, no âmbito do Programa Nacional de Prevenção e Controlo da DPOC, o projecto tem como objectivo permitir que os utentes dos centros de saúde da área de influência do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho realizem a espirometria, um exame necessário para se obter o diagnóstico da doença e que, até aqui, era realizado apenas nos hospitais. A inauguração deste projecto contou com a presença do Secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro.
As unidades móveis de rastreio vão percorrer, de 15 em 15 dias, cada um dos seis centros de saúde da área de influência do CHVNG/E – Carvalhos, Soares dos Reis, Barão do Corvo, Espinho, Oliveira do Douro e Miramar. Para os exames a realizar nas diferentes unidades de saúde, o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho disponibiliza um técnico do Serviço de Pneumologia e o equipamento necessário para a realização do exame. Recorde-se que a DPOC é provocada sobretudo pelo fumo do tabaco e atinge actualmente cerca de 20% dos fumadores portugueses e 5% da população total.

Tomada de posse

No passado dia 11 de Janeiro, realizou-se a cerimónia da tomada de posse dos novos corpos sociais da Associação Velhas Guardas dos Bombeiros Voluntários da Cidade de Espinho. As eleições tinham-se realizado no dia 4 e os votos ditaram que Joaquim Santos fosse eleito presidente da direcção da colectividade espinhense.

Festa de Carnaval da USE

No próximo dia 20, a Universidade Sénior de Espinho vai realizar, no auditório da Junta de Freguesia da cidade, uma festa de Carnaval aberta à população. Com início às 15h00, a iniciativa contará com a animação do Grupo de Música Popular da Universidade Sénior de Oliveira de Azeméis – Os Madrigais.

“Três Décadas, três visionários”

No próximo dia 26, o Serviço Educativo do Arquivo Municipal de Espinho vai realizar, no Centro Multimeios, as Conferências “Três Décadas, três visionários”. O evento, marcado para as 16h00, debruçar-se-á sobre as três primeiras décadas do século XX, deveras importantes para o concelho. O debate vai incidir sobre as vereações de Joaquim Pinto Coelho, Manuel Laranjeira e José Salvador, três presidentes da autarquia espinhense, que agora vão ser recordados e revelados pelos documentos do Arquivo Municipal.
As intervenções estarão a cargo de Carlos Gaio (vereador da cultura da Câmara Municipal), Armando Ribeiro (técnico superior de História da Divisão de Património e Museologia da autarquia) e António Teixeira Lopes (professor da Universidade Sénior de Espinho).

Angariar novos sócios

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Espinho está a levar a cabo a campanha de angariação de sócios, cujo lema é “Como nosso amigo, traga-nos um novo sócio”. Para fazer face às constantes e cada vez maiores dificuldades, a direcção dos BVE propôs aos já sócios para contribuírem e arranjarem um amigo que queira também ser associados dos soldados da paz.
Para as crianças até aos 12 anos, o pagamento da quota é facultativo, enquanto os adolescentes dos 13 aos 17 pagam uma quota não inferior a 50 por cento do valor mínimo. A partir dos 18 anos, os novos sócios pagam um valor anual mínimo de 24 euros, ou seja, apenas dois euros por mês. Já os cônjuges de um sócio pagam uma quota não inferior a 50 por cento do valor mínimo.

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Portugal com pesada crise económica

Após a Revolução de Abril de 74, começou a operar-se em Portugal uma verdadeira metamorfose no tecido empresarial. As grandes empresas, propriedade de cidadãos nacionais, foram gradualmente encerrando, lançando no desemprego muitos milhares de trabalhadores. Em sua substituição optou-se pela ocupação dos espaços com estruturas imobiliárias, como se sabe.
Vejamos o caso do concelho de Espinho, como reflexo do país:
Progresso
- uma fábrica metalomecânica e fundição prestigiada (centenas de trabalhadores), líder no fabrico de louças de esmalte e fogões de ferro.
Hércules - fábrica de materiais plásticos (dezenas de trabalhadores).
Luso-Celulóide – fábrica de brinquedos e materiais plásticos (centenas de trabalhadores)
Estima Valente – fábrica de serração de madeiras e caixotaria (dezenas de trabalhadores)
Móveis Reis – uma conceituada fábrica de móveis de arte, autora dos artísticos altares da igreja de Espinho (chegou a ter dezenas de trabalhadores).
Vigorosa – fábrica de louças de alumínio (dezenas de trabalhadores)
Brandão Gomes – uma das mais consagradas fábricas de conserva do país (centenas de trabalhadores).
Tapeçarias Heliodoro – uma grande fábrica de tapetes e passadeiras (dezenas de trabalhadores)
Pereira Alves & Irmão – outra fábrica de tapeçarias (dezenas de trabalhadores)
Fosforeira Portuguesa – a maior fábrica nacional de fósforos, que detém três grandes quarteirões na cidade (centenas de trabalhadores).
Corfi – talvez a maior unidade fabril no fabrico de cordas (centenas de trabalhadores).
Leon Petit – fabrico de plásticos (dezenas de trabalhadores).
Vassouras Sousas – duas unidades de fabrico de vassouras e derivados

Estas são as empresas, que me lembre, que existiam no espaço geográfico da cidade de Espinho. Não menciono aqui as várias fábricas que existiam em todo o concelho e que davam emprego a muitas centenas de cidadãos de ambos os sexos.
Mesmo dentro do perímetro da cidade de Espinho, haviam outras pequenas fábricas, que já nem me recordo o nome, destinadas ao fabrico de sabão, de brinquedos, de refrigerantes, serralharias, etc., etc.
Os respectivos proprietários das antigas unidades fabris eram portugueses, pessoas muito empreendedoras, dinâmicas e com espírito de iniciativa. Gostavam do que faziam e dessa forma elevaram bem alto o tecido empresarial espinhense. Não eram preciso multinacionais. Os talentos tínhamos nós por cá, bem como capital suficiente para avançar com as indústrias. Mais tarde, a gestão de muitas dessas empresas estava já entregue a pessoas formadas e com outras capacidades comerciais através de mercados internacionais.
Face a esta grave crise que parte do mundo atravessa, parece que os portugueses cruzaram os braços e perderam a iniciativa. Já nada se fabrica em Portugal. Dependemos quase totalmente do exterior, até para um simples alfinete que tem de vir da China. Aliás, tudo tem de vir da Ásia, até... a vontade de trabalhar!
A maior parte dos herdeiros das grandes empresas, que outrora estiveram no auge comercial e industrial na cidade de Espinho e quiçá no país, agora, estão-se nas tintas para gerir indústrias. Preferem lotear os espaços para edificar blocos habitacionais, porque assim têm nas mãos dinheiro vivo sem grande esforço!
Mário Vítor

Quanto pesa a coragem?

Há uma fase na vida em que todos nós, ou quase, achamos que os tipos grandes é que são bravos. Schwarzenegger? É imbatível! Stallone? Rijo a valer! David a bater Golias? Conto de fadas… Até ao dia em que os “baixotes”, gente aparentemente normal, como eu ou qualquer outro, nos começam a ensinar que nem sempre o tamanho da embalagem é proporcional às toneladas de coragem que lá cabem. Salvo raras e musculadas excepções, vamos percebendo que o Homem real é, ele sim, capaz de feitos realmente estrondosos.
Ricardo Faustino, espinhense, bodyboarder, é um desses heróis que não precisaram de insuflar para desafiar gigantes. Mas gigantes a sério, nada de Schwarzeneggers, Stallones ou Golias. As ondas monstruosas que passa o ano a perseguir por todo o Mundo têm pouco de efeitos especiais e contam-se com relativa facilidade os atletas suficientemente destemidos para encará-las.
Basta folhear as revistas da especialidade para ter noção de quanto Faustino é admirado. Liga pouco aos campeonatos e às ondas precárias em que normalmente se conquistam títulos; é mais de explorar até à exaustão todas as técnicas que lhe permitam desfrutar de um mar cada vez mais imponente. Os fãs apreciam a coragem, tal como as marcas internacionais que o patrocinam e até já lhe pedem para dar o seu nome a modelos de pranchas.
Numa cidade com praias de excelência para o bodyboard e o surf, o exemplo de Ricardo Faustino é mais um mote que temos de reconhecer como impulsionador para novos praticantes. E nem todos precisam de viver do mar e procurar ondas gigantes; basta ter a prancha lá em casa e saber que um dia destes vai apetecer pegar nela.

AO POSTE!
A fraca resposta da equipa de futebol do Sp. Espinho quando confrontada com os mais directos oponentes na luta pela subida de divisão praticamente arreda os tigres desse objectivo (seja ele mais ou menos assumido). Claro que uma prova de época não se faz de um par de encontros com o União da Madeira ou o Penafiel, mas os que aliarem a regularidade à vantagem nestes jogos acabarão naturalmente na frente. A margem de erro já é quase inexistente…

GOLAÇO!
A vontade de Kibinho em ser português e, futuramente, jogador da Selecção Nacional só pode ser vista como uma boa notícia para quem gosta de voleibol. O central do Sp. Espinho chegou novo do Brasil, está perfeitamente integrado na cultura nacional e será sem grande espanto que, mais tarde ou mais cedo, o veremos a defender Portugal. Desde que não se caia em exageros do passado, em que a Selecção chegou a ter quase tantos brasileiros como portugueses, jogadores como Kibinho podem ser reforços estratégicos para posições em que, até por razões morfológicas, é difícil encontrar soluções de qualidade por cá.

Ricardo Nuno Fidalgo

segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

“É uma arma apontada ao comércio local”

Rui Abrantes, presidente da Associação Cívica de Espinho, começou por dizer ao que “a instalação de parcómetros no centro da cidade teria que ser feita”, como forma de “valorizar, rentabilizar, organizar e disciplinar a ocupação do espaço público”, e nesse ponto de vista, o advogado considera que é uma boa medida.
No entanto, a forma como a instalação decorreu é, na sua opinião, “deplorável”, já que “a zona abrangida é demasiado extensa”. Para Rui Abrantes, tam­bém o processo utilizado constitui “um erro estratégico”, que não defende os interesses do cidadão nem da própria autarquia, porque “a concessão é feita por um período de tempo demasiado longo, quer no que se refere à contrapartida na utilização do espaço público, que é a construção dos parques sub­terrâneos, quer pelos preços praticados”.
Para o presidente da Associação Cívica, o preço é demasiado elevado, que não defende “os interesses dos espinhenses, mas, sobretudo, porque são uma arma apontada ao comércio de Espinho que, com esta medida, vai certamente definhar ainda mais, já que as pessoas vão evitar estacionar no centro de Espinho, afectando naturalmente o comércio local”. Segundo Rui Abrantes, “o negócio dos parcómetros é ruinoso para o concelho de Espinho, porque não fomenta o comércio, é ruinoso para a autarquia que não tem qualquer contrapartida financeira e não beneficia dessas eleva­das taxas e que revertem para a concessionária”. O presidente da Associação Cívica afirmou que a câmara Municipal tinha toda a possibi­lidade de resolver a questão em benefício próprio, como a utilização do espaço da feira para a construção de um enorme parque ao ar livre, com a instalação de parcómetros cujas receitas seriam para a autarquia.

PSP deverão ajudar a fiscalizar nos dias de folga

Como vai ser feita a fiscalização dos automóveis estacionados na zona de intervenção dos parcómetros? Com certeza, esta é uma pergunta que os espinhenses já devem ter feito diversas vezes. De acordo com o vice-presidente da Câmara Municipal de Espinho, Rolando Sousa, essa tarefa caberá a funcionários da empresa concessionária. O autarca explicou ainda que algumas infracções serão motivo para a intervenção da Polícia de Segurança Pública da cidade, como “o estacionamento em contravenção, que implica reboque ou bloquea­mento”.
Em entrevista ao Jornal de Espinho, o comandante da Divisão Policial da cidade, Comissário Cristina Marques, não foi tão claro quanto às tarefas dos seus elementos. O comandante explicou ao nosso jornal que “a PSP vai continuar a fazer a sua missão que tem feito no dia-a-dia”. Segundo o que adiantou ao JE, houve, até agora, uma reunião entre os dirigentes policiais e a empresa concessionária para saber se “a PSP estaria interessada em colaborar na fiscalização”. A essa proposta, os elementos policiais responderam afirmativo, se bem que a forma de fazer essa fiscalização ainda não esteja definida.
O Comissário Cristina Marques afirmou ainda que essa colaboração “passará sempre por um serviço extraordinário, que está perfeitamente enquadrado tanto a nível do Código da Estrada como a nível do serviço da PSP”. E esclareceu: “a fiscalização será feita no tempo de folga dos agentes, tal como acontece em S. João da Madeira”. No entanto, o comandante da Divisão Policial de Espinho explicou que nada ainda está definido e espera por um contacto da concessionária. Se as forças de segurança realmente colaborarem na fiscalização durante o horário extra dos agentes, “os condutores que infrinjam a lei poderão ser autuados e as viaturas rebocadas, segundo o que diz o Código da Estrada”.
Em ocasiões pontuais, garantiu o comandante, os policiais poderão ajudar os funcionários da concessio­nária no seu tempo de servi­ço. “Por exemplo, no caso de haver uma pessoa que esteja estacionada há muito tempo e um agente esteja naquela zona, os funcionários da em­presa poderão dirigir-se a ele e ele poderá levantar o auto”. Já em relação aos poderes dos empregados da concessionária responsáveis pela fiscalização, o Comissário Cristina Marques explicou ao JE que eles não poderão actuar e que “isso só poderá acontecer se fosse uma empresa municipal”. Segundo o conhecimento que tinha, o policial esclareceu que esses empregados “só poderão sensibilizar as pessoas para fazer o pagamento”. “Em princípio, não penso que tenham essa autorização”, concluiu.

Concessionária não falou
Para obter mais informações sobre o método de fiscalização dos parcómetros no centro da cidade, o Jornal de Espinho contactou a empresa concessionária, os irmãos Cavacos. No entanto, nenhum dos responsáveis esteve disponível para dar esses esclarecimentos ao nosso jornal. Fica assim por saber de que forma acontecerá esse controlo aos automóveis estacionados na zona de intervenção.

“Pagar 80 cêntimos pode ser exagerado”

Depois de, na passada terça-feira, a Assembleia Municipal ter aprovado o regulamento geral das zonas de estacionamento limitado e das zonas de acesso automóvel condicionado na cidade, o Jornal de Espinho esteve à conversa com Rolando Sousa. O vice-presidente da autarquia explicou que pagar 0,80 euros por hora pode ser exagerado, mas admitiu que o município não teve nenhuma influência na fixação desse valor. Entretanto, e como adiantou ao JE, as máquinas dos parcómetros foram tapadas para não induzir em erro os visitantes.

Jornal de Espinho (JE) – Neste momento, toda a gente se pergunta… Quando é que os parcómetros entram em funcionamento?
Rolando Sousa (RS) – Neste momento, ainda não sabemos por uma razão simples. O regulamento do estacionamento tem que ser publicado em Diário da República e só entra em funcionamento 30 dias após essa publicação. Como não sei quando é que irá ser publicado, não lhe posso dizer a data de entrada em funcionamento dos parcómetros.
JE – Muitas pessoas não criticam o facto de terem que pagar o estacionamento no centro da cidade, mas sim o valor fixado. Considera que 0,80 euros por hora é um valor justo?
RS – O que eu lhe posso dizer é que há uma proposta no Porto e várias na Câmara de Gaia para aumentar o preço da utilização dos parcómetros. Em algumas zonas do Porto, passa para um euro, segundo a proposta já aprovada na Câmara Municipal e que está no site da autarquia e que qualquer pessoa pode consultar. Naturalmente, reconheço que as pessoas não estão habituadas a que o estacionamento seja pago. De um momento para o outro, passar a pagar 0,80 euros por hora é naturalmente elevado. Admito que possa ser elevado, mas é verdade que só estamos no início do investimento e é natural que essas tarifas possam vir a baixar.
JE – Admite, então, uma redução com o passar dos anos…
RS – Penso que até este ano haverá uma redução. Quero, no entanto, dizer que não foi a autarquia a fixar o preço. A taxa foi fixada através de um concurso público que fizemos e houve várias empresas a concorrer. Esta foi a que apresentou a melhor proposta. Portanto, logo a partir desse mo­mento, ficamos amarrados a essa tarifa que já é de 2004. Não tivemos influência no valor nem o pudemos alterar.
JE – A Câmara Municipal tem acompanhado o processo de instalação das máquinas? Ou é só da responsabilidade da empresa concessionária?
RS - Os funcionário da empresa têm indicações nossas e já corrigimos muitas das situações que estavam mal. Havia alguns erros, mas que já foram corrigidos. Por exemplo, já demos indicações para que os parcómetros sejam tapados enquanto não estão em funcionamento, mas que eles ainda não cumpriram. Espero que o cumpram este fim-de-semana, porque as máquinas estão a induzir as pessoas, principalmente as de fora.
JE - Há também alguns erros como, por exemplo, a coloca­ção de placas indicativas de estacionamento pago mesmo em frente a sinais de esta­ciona­mento proibido ou tam­bém lugares em cima de passadeiras. Esses casos vão ser corrigidos?
RS – Claro. Os lugares têm que ficar a alguma distância das passadeiras… Isso vai ser corrigido, como é óbvio.
JE – A quem vai caber o papel de fiscalização depois dos parcómetros estarem a funcionar?
RS – Caberá à empresa, que tem funcionários específicos para fazer a fiscalização.
JE – Nem a autarquia nem as autoridades policiais vão actuar?
RS – Há determinado tipo de infracções que os funcionários da empresa não podem aplicar e terão que chamar a Polícia de Segurança Pública. Será o caso do estaciona­mento em contravenção, que implica reboque ou bloquea­mento.
JE – Outra das críticas prende com o facto de haver apenas um cartão de residente por habitação. Os moradores das zonas afectadas que possuam dois ou mais carros sentem-se prejudicados. Como vê essa situação?
RS – O cartão de residente poderá ter dois carros inscritos, mas não podem estar os dois estacionados. Ou terá que estar um ou outro… No entanto, penso que tal não poderia ter sido de outra forma, já que esses cartões são para os moradores que não têm garagem. Os que têm garagem na sua habitação não terão acesso ao cartão. É necessário ter em consciência que o bem “estacionamento” é um bem escasso, não é possível estar a utilizá-lo massivamente sem estar a prejudicar terceiros. Por exemplo, em 2001, calculava-se que a taxa de motorização só na freguesia de Espinho era à volta de 4500 carros por mil habitantes. Se fizer as contas, verificará que só em Espinho deverão haver mais de 5000 carros. Ora, a capacidade de estacionamento na cidade anda à volta dos 5600 automóveis… Nestas condições, quer haja ou não parcómetros, se formos a estacionar os carros todos na rua, obviamente que não há estaciona­mento. E isto foi em 2001. Eu acho que a taxa de motorização até hoje deve ter aumentado. Partindo deste pressuposto, temos que ter em conta que o tráfego automóvel, não tanto os carros ligeiro, mas essencialmente os pesados, provocam uma qualidade do ar muito negativa. Por isso, há que incentivar e tentar impor medidas de qualidade do ar, procurando desincentivar o uso de automóveis nos centros urbanos.
JE – Essa é uma das vantagens que aponta relativamente à utilização de parcómetros?
RS – Sem dúvida nenhuma. Se o estacionamento está, como agora, sempre cheio, dificilmente se encontra um lugar de estacionamento livre. O condutor tem que dar voltas e voltas até encontrar um lugar disponível. Com os parcómetros, haverá mais lugares de estaciona­mentos, mas, como são pagos, são um desincentivo para as pessoas se dirigirem ao centro de automóvel sem que seja uma necessidade absoluta. Além dos parcómetros, a Câmara Municipal já tomou algumas iniciativas no sentido de melhorar a qualidade do ar. Algumas delas são antigas, como a requalificação urbana, que alargou os passeios e diminuiu a faixa de circulação automóvel para privilegiar os peões. As ciclovias eram uma forma de promover o uso da bicicleta. O facto de colocarmos placas na entrada da cidade a proibir a circulação de automóveis com carga superiores a 3500 quilos foi no sentido de evitar que os carros pesados, aqueles que produzem maior número de partículas poluidoras, não circulem no centro. A compra de uma máquina de varrer é também importante porque destrói essas mesmas partículas. A troca da frota de carros do lixo por uns mais modernos faz com que se produza menos poluição e foi um investimento de cerca de 100 mil euros. Todas estas foram medidas tomadas no sentido de melhorar a qualidade do ar que respiramos no centro da cidade.
JE – Voltando ao cartão de residente, como é que os moradores podem obtê-lo?
RS – Vão ter que se dirigir à loja que a empresa concessionária vai abrir na Rua 34. Antes da abertura, vai haver a distribuição pelas caixas dos correios do centro urbano, ou seja, da zona de intervenção dos parcómetros, de umas cartas que explicam tudo.
JE – Também os comerciantes acreditam que vão ser muito prejudicados com o estaci­onamento pago. Aliás, consi­deram que vai ser a morte do comércio tradicional. Con­corda com essa afirma­ção?
RS – Sinceramente, não concordo. É evidente que tudo isto tem que ser comprovado. Apesar de não ter provas daquilo que estou a dizer, estou convencido que não será um factor para estrangular o comércio tradicional de Espinho. Ficaria muito perturbado se isso acontecesse, até porque há 20 anos, já fizemos essa experiência dos parcómetros na cidade. Eu acho que haverá uma maior capacidade de estacionamento e irão ao centro as pessoas que necessitem ir, levarão os seus carros e encontrarão lugar para estacionar, porque a rotatividade será maior. Seria para mim uma grande surpresa e um factor de descontentamento se isso acontecesse. É evidente que o comércio tradicional para nós significa muito, porque é um factor do desenvolvimento do concelho. Seria muito mau se isso viesse a acontecer. Temos também que ter duas questões em consideração: o centro comercial ao ar livre, como temos, é muito importante para o nosso desenvolvi­mento, porque, como não temos indústria, temos que privilegiar esse tipo de actividades. No entanto, a Câmara Municipal não é a única entidade capaz de o poder fazer. Podemos e devemos criar condições para isso, mas, se se começarem a implementar centros comerciais à volta de Espinho e levem os tradicionais compradores ou se o comércio não se modernizar para ter maior capacidade de oferta às pessoas que nos visitam, esse são factores que contribuem fortemente para o ataque ao nosso comércio tradicional.
JE – Falou das vantagens. Encontra alguma desvantagem para o estacionamento pago no centro da cidade?
RS – A desvantagem é entrar no bolso das pessoas. Tudo o que é proibido, terá desvantagens. Mas eu acho que os desincentivos do uso automóvel são mais importantes do que o incentivo a esse uso.
JE – Para quando o início da construção dos parque subterrâneos junto ao Multimeios e à Igreja?
RS – Os parques iniciar-se-ão mal a Câmara Municipal aprove o projecto. Nós temos algumas dúvidas sobre umas propostas que foram apresentadas e estamos a estudar o parque de estacionamento que há-de ficar junto ao Multimeios. Mal esteja em condições de arrancar, as obras arrancarão.
JE – O que vai ficar à super­fície desses parques?
RS – Essa é um dos itens que estamos a discutir. Estamos a discutir os pavimentos, se há-de ser betuminoso, pedrinha, jardim, se há-de ser uma praça…
JE – Se no centro da cidade, o problema do estacionamento poderá ficar resolvido, agora serão as restantes ruas (onde já não se paga o estaciona­mento) a sofrer com o trânsito e a falta de lugares. Não considera que o problema não será apenas transferido de um local para outro?
RS – É possível que isso venha a acontecer, mas esta concessionária tem uma segunda zona de expansão. Da primeira vez que tivemos parcómetros, esse problema não se verificou, porque havia zonas que não tinham grande ocupação. Claro que isso já foi há alguns anos e, como não havia muita fiscalização, não se podem fazer comparações. Este ano, não haverá uma expansão, porque a empresa quer fazer uma primeira fase experimental e só depois alargarão a zona para a Rua 33, até à 7 e à 28.
JE – Quantos lugares de estacionamento pago existi­rão no centro urbano?
RS – Nesta zona central, haverão 490 lugares de estacionamento preferencialmente destinados a residentes. Os lugares tarifados nesta fase serão 343. Em teoria, destes cerca de 800 lugares, poderão estão 490 sempre ocupados sem pagar nada. Se houver lugares vagos na zona dos residentes, permite-se o estacionamento a pessoas visitantes, mas só podem estar uma hora.

José António Moreira