Espinho, como local escolhido para a realização do próximo Congresso Nacional do PS, não pode deixar de representar, uma boa opção.
Trazer um evento que deveria ser a consagração/festa do debate politico/ideológico de um partido, para uma terra onde tal prática não existe, é de facto uma boa razão.
E que melhor cenário ainda, para os “efe-erre-á” de um PS também do faz de conta? De um PS, que em tempos meteu o socialismo na gaveta, mais tarde foi deixado à beira de um pântano e agora vive atolado em casos nada dignificantes!?...
De um PS/GOVERNO que asfixia diariamente os trabalhadores com as Leis que vai fazendo sair e que, justifica como necessária à sustentabilidade da segurança social o prolongamento da carreira contributiva de quem já está na fase final da sua actividade, mas que, ao mesmo tempo, acha normal e justo a promoção de um quadro de uma instituição púbica (ou do PS?) após saída da mesma e assim, conseguir mais um bónus na sua reforma. É a nova modalidade do “salto à vara”!...
De um PS que mandou ás malvas os fundamentos da doutrina socialista, onde a preocupação fundamental dos seus governantes deveria ser orientada para uma lógica de usufruto equilibrado do bem comum por toda a sociedade, e não pela repartição do seu maior quinhão por uma elite de vigaristas, que tem vindo a engrossar com a entrada de uma classe de novos ricos, saídos da politica do pós-Abril.
De facto, para um congresso também do faz de conta, nada como ter por cenário uma terra a condizer. Por coincidência, só por coincidência, com uma autarquia PS governada ao jeito de uma qualquer colectividade recreativa, e com uma administração do tipo empresa familiar, onde o organigrama da mesma se confunde com a árvore genealógica de algumas famílias.
Mas enquanto militante socialista, logo ausente deste “espectáculo” (ou, missa – na opinião de João Cravinho), vou deixar aqui um pequenino contributo para uma moção que, ao estilo “suponhamos”, deveria merecer – digo eu! - a discussão dos congressistas. E isto, para não dizerem que o autor destas linhas mais não faz do que engrossar o grupo dos “bota abaixo”.
Aqui vai em jeito de tópicos para uma virtual moção:
a) Sobre a endémica crise – Estudar, compreender e diagnosticar as suas causas, começando por correr com todos os responsáveis, distraídos e incompetentes que nos arrastaram até aqui e depois - tomar decisões.
b) Justiça – criar todas as condições para uma verdadeira independência dos vários órgãos judiciais. Que todos os órgãos de topo do nosso sistema judicial tenham uma representação significativa, que resulte da escolha por votação dos seus pares e não por escolha exclusiva dos directórios partidários.
c) Obrigações cívicas – Tornar o voto obrigatório. Ninguém deve ser dispensado, por laxismo ou indiferença, à obrigação de manifestar a sua posição através do voto. Nem que seja para votar em branco, ou nulo.
d) Discutir sobre o interesse em voltar a tornar obrigatório o serviço militar, como obrigação cívica de todos os cidadãos. Nesta lógica de serviço, estudar o interesse na criação de uma nova especialidade do tipo: “Protecção Civil”, ministrada a todos os novos recrutas e que serviria no futuro, como base de recrutamento para todos os ramos militares profissionais, forças da ordem, bombeiros, socorristas, etc.… Reforçar com as FA o patrulhamento físico do país, funcionando como mais uma força dissuasora ao crime e de prevenção a catástrofes, como os incêndios de verão.
e) Reorientar todo o investimento público a realizar, numa lógica de interesse nacional e incorporando o máximo de tecnologia e recursos nacionais.
f) Modernizar todo o nosso sistema produtivo e potenciar ao máximo os nossos recursos naturais. Recuperar e dinamizar a excelência da nossa indústria naval, reconvertendo toda a nossa primitiva frota pesqueira e multiplicando as unidades de socorro a náufragos. Dinamizar e fomentar o regresso à agricultura biológica, aproveitando ainda os recursos e saberes das nossas anteriores gerações. Investir na aquisição de equipamento auxiliar para a agricultura, a disponibilizar de forma programada e planeada, por todos os pequenos agricultores que, quer pelo tamanho das suas propriedades, quer por incapacidade financeira, não tenham acesso a tais meios.
g) Garantir a toda a população o direito e acesso gratuito aos principais meios de sobrevivência, dignidade e formação. Não permitir que se transforme em negócio, o fornecimento dos recursos naturais indispensáveis à vida.
h) Reorientar o mercado disponível de trabalho numa lógica de libertação dos lugares pelos mais idosos, privilegiando assim a entrada dos mais novos no mercado de trabalho existente. Sempre é preferível pagar reformas a quem já tenha uma longa carreira contributiva, do que pagar subsídios de desemprego a jovens à procura de trabalho e que se vão acomodando cada vez mais à subsídio dependência e atrasando a sua aquisição de hábitos de trabalho.
i) Alterar por completo toda a lógica de nomeações para o exercício de cargos públicos. Acabar de uma vez por todas com as inusitadas regalias, mordomias e outras patifarias com que a classe política se apoderou nestes últimos anos. Acabar com a indecência escabrosa das reformas e vencimentos milionários dos protegidos do sistema. Diminuir o número de deputados e reformular os seus vencimentos numa lógica de serviço em exclusividade de funções. Dotar a classe política com remunerações dignificantes aos cargos e ao tempo de serviço efectivamente prestado.
Muito mais haveria a acrescentar, mas por agora, fico por aqui - concluindo: É URGENTE REINVENTAR A NOSSA DEMOCRACIA E ENCONTRAR NOVOS PROTAGONISTAS POLÍTICOS, ANTES QUE O PAÍS SOFRA UMA IMPLOSÃO.
Da virtual moção que gostaria de ver discutida, ao faz de conta deste “espectáculo”, uma certeza eu tenho. Daqui vai sair um secretário-geral, acabado de ser reeleito por uma maioria nada dignificante, mas com as suas fantasias ampla e efusivamente aclamadas.
Refiro também e tendo em conta as várias noticias vindas ultimamente a público, acerca do medos existentes no interior do PS, de que não tenho qualquer complacência por aqueles militantes que se refugiam atrás do medo, com o único interesse de verem protegidas as suas posições. Não quero um PS de “cagarolas” a viver de cócoras perante os seus dirigentes. Quero um PS de gente de coragem e ousada, capaz de criticar e pôr travão aos desvarios dos que exercem cargos de poder, numa lógica de que todo o poder em democracia tem sempre um carácter provisório. Mas isso…
Entrem pois os rufos e os tambores que o espectáculo vai começar. Entrem os actores e os figurantes que se vai dar início a este “Baile Mandado”. E no final, para acabar em apoteose, vamos lá todos a cantar o” Malhão, Malhão…” (novo hino deste PS).
Como espinhense, quero também desejar a todos os congressistas e demais convidados, as boas-vindas à “cidade costeira mais bonita do litoral”.
E já agora!...aproveitem para dar um passeio pela baixa de Espinho e deliciem-se com o cenário (este real) da “entulheira” do século, orgulho maior da nossa prefeitura.
Carlos Alberto
Militante da Concelhia de Espinho do Partido Socialista.