Aproveitando o facto de as comemorações do 16º aniversário de elevação de Anta a vila começarem no sábado, o Jornal de Espinho esteve à conversa com Napoleão Guerra. O autarca afirmou, sem dúvidas, que Anta se desenvolveu muito ao longo dos oito anos em que está no poder e que agora é uma terra melhor.
No passado sábado, tiveram início as comemorações do 16º aniversário da elevação de Anta a vila. Durante uma semana, a freguesia estará em festa e os habitantes terão a oportunidade de desfrutar de muitas actividades desportivas e culturais, aliás como é já um hábito desde que Napoleão Guerra e a sua equipa decidiram, há cerca de oito anos, instituir o Dia da Vila.
Na altura, tal como recordou o presidente da Junta de Freguesia, um dos objectivos por detrás dessa ideia foi dar “a maior dignidade às comemorações, divulgando e prestigiando a imagem de Anta”. Além disso, as comemorações pretendiam, segundo o autarca, “incentivar o orgulho de ser antense”, não só para os naturais da vila, como também para aqueles que a escolheram para viver, e “fazer uma homenagem a todos os que mais se têm distinguido em prol do desenvolvimento da freguesia”.
Para este ano, a Junta de Freguesia preparou um “programa muito digno e recheado”, na opinião de Napoleão Guerra. Tal como já é tradicional, a Igreja Matriz da vila recebe, já amanhã, um concerto coral e instrumental, protagonizado pelo Coro da Sé Catedral do Porto. Os torneios de natação, ténis de mesa e de futebol não são novidade, mas prometem ser um atractivo para os amantes do desporto. Na sexta-feira, a cultura estará em destaque com a apresentação do livro do escritor antense José Alberto Sá, intitulado “Fonte da Mentira”, no salão da autarquia. O dia seguinte vai ser dedicado à população que, durante a tarde, poderá comer uma sandes de porco no espeto e à noite dançar ao ritmo da música do Duo Miguel e Miguel.
O momento mais importante de toda a semana acontecerá no domingo, dia 31, com a realização da missa e da sessão solene. É, durante esta cerimónia, que a Junta de Freguesia vai homenagear seis personalidades ou colectividades antenses que se distinguiram nas mais diversas áreas. Ao Jornal de Espinho, Napoleão Guerra deu em primeira-mão o nome dos seis homenageados deste ano.
Pelo trabalho que têm desenvolvido, a autarca decidiu prestar homenagem a Rosa Couto, directora da Cerciespinho; a Mário Lucas, fundador e até há pouco tempo chefe do Agrupamento de Escuteiros de Anta; à equipa de esgrima da Novasemente que foi campeã de cadetes; ao popular senhor António da Farmácia, como é tão bem conhecido o funcionário da farmácia local; a Lino Rodrigues, do Centro Comunitário do Bairro da Ponte de Anta, e a José Rodrigues, nadador do SCE que foi campeão regional.
Aposta numa política de proximidade
Napoleão Guerra faz um balanço muito positivo dos oito anos que já passaram desde que assumiu a liderança da Junta de Freguesia de Anta. O autarca não teve dúvidas ao afirmar ao JE que o trabalho desenvolvido está à vista de todos e que, desde que ele e a sua equipa entraram para o executivo, “Anta está muito melhor agora, progrediu, desenvolveu-se e tornou-se mais conhecida”. Com orgulho e sem papas na língua, repetiu: “Anta é agora uma terra muito melhor”.
O presidente da Junta de Freguesia recordou, de uma vasta lista de obras executadas ao longo destes oito anos, algumas mais importantes para o crescimento da vila. Logo no início do seu primeiro mandato, a autarquia acabou as obras do novo cemitério que se prolongavam há mais de 10 anos e cumpriu uma promessa eleitoral, instalando uma caixa multibanco bem no centro da freguesia. A melhoria da rede viária de Anta foi uma luta constante e muito trabalho foi feito nesse campo. Como lembrou Napoleão Guerra, foram feitas novas estradas, como aquela que liga o Carvalhal à Guimbra; máquinas foram adquiridas e muitos quilómetros foram asfaltados. A iluminação pública foi alvo de trabalhos de melhoramentos. Exemplo disso é a Rua da Portela e o próprio largo do Souto, junto ao edifício da autarquia. O embelezamento dos locais públicos da vila foi outra das preocupações da equipa autárquica e, devido a isso, a rotunda de Esmojães recebeu “um bonito espigueiro”, as fontes do Pereiro e de Cassufas e o Largo Fernando Padeiro sofreram obras de requalificação e melhoramentos.
Mas não foi a nível físico que a Junta de Freguesia se empenhou. Segundo o autarca antense, o executivo apostou “numa política de proximidade e de solidariedade”, sendo que cada cidadão tem direito a um atendimento personalizado e que, por vezes, até foge das competências da própria autarquia. Devido à sua natureza solidária, Napoleão Guerra procura resolver os problemas da população junto da Câmara Municipal ou da Segurança Social. Também no Natal, e consciente da crise económica, o executivo ofereceu cabazes às famílias mais necessitadas. Os passeios para os idosos foram outra das novidades implementadas há oito anos, importantes, segundo o autarca, para cuidar do espírito daqueles que acabam por ficar mais solitários naquela idade.
Falta relvado sintético
Outra das obras importantes para a vila é o Pavilhão de Cassufas que será inaugurado brevemente. Para Napoleão Guerra, e apesar de não ser da responsabilidade da Junta de Freguesia, mas sim da Câmara Municipal, a infra-estrutura “vai servir para espalhar o nome e a imagem de Anta, atraindo muitas pessoas de fora”, sendo um local onde as colectividades antenses terão prioridade. Agora, para completar o Complexo Desportivo de Cassufas, o chefe do executivo gostaria que o município o contemplasse com um relvado sintético. “Temos um excelente complexo, mas falta colocar-lhe o piso sintético que será a cereja no topo do bolo. Quem faz um pavilhão de um milhão e 360 mil euros, não vai deixar de fazer um relvado de 300 mil. Não tenho a mínima dúvida de que a câmara o vai fazer”, afirmou ao JE.
Neste momento, Napoleão Guerra é um homem satisfeito com a obra realizada pela Junta de Freguesia: “tenho consciência absoluta de que nós fizemos em dois mandatos muito mais do que se fez em três ou quatro, mesmo tendo que fazer muita ginástica orçamental”.
Por último, o autarca não quis deixar “uma palavra de grande saudade, de grande estima por um grande vulto, um amigo e camarada socialista que era o Carlos Gaio”. O antense também não se esqueceu do seu amigo João Félix, que faleceu recentemente. “Fomos adversários políticos mas nunca deixamos de ser amigos”, afirmou.
Futuro político por decidir
A poucos meses das eleições, Napoleão Guerra ainda não tomou nenhuma decisão acerca do seu futuro político. “São oito anos de trabalho intenso, de devoção total à Junta de Freguesia e à população de Anta, portanto, tenho que pensar muito seriamente no meu futuro político e pessoal”. Questionado sobre a eventual possibilidade de ocupar um cargo de vereação na Câmara Municipal, o autarca respondeu que “mentiria se dissesse que não gostaria”.
Napoleão Guerra garantiu que gosta de servir a sua terra e tem a plena noção de que cumpriu “além do dever” e que se entregou de “alma e coração às tarefas da junta”. No entanto, afirmou, de imediato, que ainda tem muito que pensar sobre a eventual candidatura ao município ou a recandidatura à Junta de Anta.
Lília Marques