sábado, 22 de Agosto de 2009

"Novas Oportunidades" para os autarcas

Tanto a nível local como nacional temos ouvido, repetidas vezes sem conta, que as "Novas Oportunidades" são um desafio de extrema importância na vida dos que não aproveitaram ou não tiveram as mesmas oportunidades dos que, em idade própria, estudaram.
Ora, as novas oportunidades (refiro-me naturalmente ao Programa de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, mais conhecido por RVCC) permitem que se faça em poucos meses aquilo que outros demoraram anos a concluir. Em pouco tempo um cidadão sem estudos pode ficar com as mesmas hibilitações de qualquer outro que andou na escola pelo menos 12 anos para concluir o 12.º ano.
Pergunta-se: Será que adquiriram o mesmo nível de conhecimento? Têm a mesma agilidade intelectual? Estão tão bem preparados para o mercado de trabalho como aqueles que concluiram o normal percurso escolar? Os empresários aceitam tão bem uns como outros? Não será isto também uma injustiça? Como se sentem os pais que tanto sacrifício fizeram para patrocinar os filhos na escola durante tanto tempo? E como se sentem os filhos que tiveram de estudar tanto para agora terem o mesmo nível académico dos alunos reconhecidos pelo RVCC?
A recompensa de tudo isto está, de facto, na vida real. Os empresários já perceberam que a competitividade dos negócios não permite deslizes e não se compadece com estatísticas ou programas criados à mercê da necessidade política e sem qualquer tipo de rigor científico. Sendo assim, qualquer empresa que queira evoluir mais rapidamente e apresentar objectivos mais positivos opta, naturalmente, por aqueles que estão mais bem preparados para responder às exigências desta economia, cada vez mais capitalista.
É por estas e por outras que conheço cada vez mais desempregados que têm grau académico mas falta-lhes o conhecimento e o rigor da ciência. A situação alimenta um fosso social que vai dividir uns dos outros. Uns serão priveligiados em detrimento de outros.
Vem isto a propósito da nossa terra que é tantas vezes criticada pela falta de dinamização dos mais variados sectores. Mas não se pode criticar quem não tem obrigação de fazer mais e melhor. Temos de ser compreensivos, porque nem todos são médicos, doutores ou engenheiros. Muitos deles nem o secundário terminaram! Mesmo assim são presidentes de câmara, vereadores ou assessores. Quantas vezes ganham eleições pessoas com boa retórica, mas sem os devidos conhecimentos académicos. Nestas coisas, como em tudo na vida, cada um dá o que têm. Quem não sabe semear, não poderá colher e quem não colhe não tem para dar. Não podemos pedir a um trolha que seja carpinteiro e a um comerciante falido e desleixado que seja um empreendedor de sucesso. Tal como no jornalismo, quem não é jornalista não pode exercer a profissão. Para alguns, peseu-comerciantes de papel mata-borrão, escrever no “livro dos calotes” já é fazer um jornal. A esses nós chamamos jornaleiros e aconselhamos, de facto, a fazer o tão recomendado RVCC. Pelo menos ganham mais alguns conhecimentos, conhecimentos que , no caso da nossa terra, bem precisamos. O povo deve estar a tento a isto, porque a nossa qualidade de vida depende da competência de quem se candidata e de quem o povo escolhe. Por isso o povo deve pensar bem, fazer uma reflecção séria e isenta e votar em consciência. Para as autarquias não é importante o partido, mas sim a obra que se apresenta ou a capacidade de a fazer. Temos de olhar para trás e pensar se queremos continuar como está ou se pretendemos melhor do que o que está. O poder está na nossa mão, na mão do povo soberano que exerce o sentido de voto. Não podemos trocar competência por popularidade e depois ficarmos acomodados à mediocridade quando poderiamos ter excelente. É por isso que em vez de progredir, muitas vezes, alguns casos nos fazem regredir e o povo assiste a tudo isto impávido e sereno. Coragem precisa-se.
Quantas vezes conhecemos oportunistas que trocam causas por “tostões” e se aproveitam da fragilidade social para fazer falsas promessas e atingir objectivos pessoais.
Estamos muito próximo das eleições. Cabe a nós, livres cidadãos, saber distinguir as verdadeiras das falsas promessas. Basta ler os programas e votar em consciência. Não se limitem a votar pela oferta da camisola ou boné. A isso chama-se a compra do voto.
Termino com uma frase do filósofo Pascal: “É mau nós sermos ignorantes, mas é pior ainda saber que somos ignorantes e continuarmos a viver na ignorância”. É por estas e por outras que, apesar de tudo, aconselho mesmo os “faltosos” a fazerem o RVCC, que, para estes casos, é de facto uma "Nova Oportunidade"!

José António Moreira
Director
Jornal de Espinho

terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Daniela Mercury em Espinho



Curta entrevista, bem como as imagens do concerto em Espinho, com a cantora brasileira Daniela Mercury, realizada pela EspinhoTV e jornal Maré Viva. No final, entrevista ao presidente da Câmara Municipal de Espinho, José Mota.
www.espinho.tv

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

JE N.º 219 DE 5 DE AGOSTO DE 2009

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Moradores querem “calar” desordeiros

Há cerca de um ano, a paz que se vivia na zona circundante ao Edifício Manuel D’Areia, na Marinha de Silvalde, acabou. Quem o diz são os moradores do local que, confrontados com os distúrbios de dia e de noite, decidiram fazer um abaixo-assinado que entregaram na Câmara Municipal na passada quarta-feira.

Na passada quinta-feira, um grupo de moradores da Marinha de Silvalde, mais concretamente da Avenida João de Deus e da Rua Manuel D’Areia, deslocou-se à Câmara Municipal para entregar um abaixo-assinado. O documento que reuniu mais de 70 assinaturas tinha como objectivo pedir ao presidente da autarquia, José Mota, a sua intervenção para acabar com o barulho que alguns dos habitantes do Edifício Manuel D’Areia fazem de dia e de noite, tendo em conta o Regulamento Geral do Ruído e o “ruído de vizinhança”.
De acordo com os representantes que foram entregar o documento à Câmara, mas que, por medo de represálias, não quiseram ser identificados, os distúrbios na zona começaram há mais de um ano. De um momento para o outro, o lugar onde alguns vivem há mais de 30 anos sofreu uma mudança brusca, passando de um sítio maravilhoso para outro onde “agora não vale a pena viver”, segundo o que disseram ao Jornal de Espinho.
Esse grupo de moradores, que representam três prédios naquela zona, queixa-se da falta de civismo de alguns dos habitantes do Edifício Manuel D’Areia. Segundo o mesmo grupo, as discussões familiares são uma constante a qualquer hora do dia e da noite, dentro ou fora das habitações. Uma das moradoras que entregou o abaixo-assinado recordou ao JE uma dessas ocasiões: “um casal estava a discutir às quatro e meia da manhã e não deixavam ninguém dormir. Quando os chamei à atenção, ainda ouvi de resposta ‘vou comprar uma ilha para não incomodar!”. As horas de sono dos moradores da área são também afectadas, dizem, com as bolas de futebol que batem nas paredes dos prédios à meia-noite, uma da manhã.

Viver num clima de medo
Também durante o dia, os barulhos são uma constante. Segundo os representantes dos moradores, os habitantes de que se queixam passam o dia todo sem fazer nada, comendo e bebendo nas ruas e nos jardins da zona, que depois ficam cheios de lixo. Aliás, o grupo fala ainda de que esses indivíduos fazem as necessidades nas paredes dos prédios, sem qualquer tipo de civismo. Para piorar o clima, há relatos de que os habitantes em questão dispararam, há uns anos, uma série de tiros às tantas da manhã.
Fartos daquele clima, alguns moradores foram queixar-se à assistente social da Associação de Desenvolvimento da Cidade de Espinho (ACDE). A partir desse momento, garantiram ao JE, a situação ficou ainda mais intolerável, já que os habitantes dos quais se queixaram adoptaram uma atitude de violência. “Eles começaram a ameaçar as pessoas, insultam-nas, chamam nomes e dizem que matavam alguém e que não importavam de ir para a cadeia”, explicaram.
Quando o barulho era muito, a população tratou de ligar para as autoridades competentes, ou seja a PSP. No entanto, os telefonemas não tiveram um efeito prático, já que, segundo os moradores, os agentes nunca passaram para averiguar os distúrbios. “A polícia tem medo de vir cá”, garantiram ao JE.
Por causa desta situação, as pessoas que viviam nas imediações mudaram completamente o seu ritmo de vida. “Os idosos vivem aterrorizados e já nem saem à rua, há moradores que estão com depressões, devido a viverem constantemente num clima de intimidação, outros tiveram mesmo que abandonar as suas residências para irem morar para os lares ou para casa de outros familiares”, afirmou um dos representantes. De facto, o medo impera: “dos cerca de 400 moradores dos três prédios em questão, apenas 70 assinaram o abaixo-assinado. Os restantes não o fizeram por medo”.

Visita de Rolando Sousa
Depois de entregarem o abaixo-assinado na Câmara Municipal, os representantes dos moradores estiveram à conversa com Rolando Sousa. O vice-presidente da autarquia prometeu ir lá pessoalmente. O assunto foi também falado na Assembleia Municipal realizada na terça-feira da passada semana. Interpelado por Alexandre Silva, da CDU, Rolando Sousa afirmou que o município não ia ter uma atitude prática, mas sim de conversar com as pessoas em questão.
Para o grupo de moradores que entregaram o abaixo-assinado, uma das medidas necessárias para acalmar os ânimos era tentar “ameaçar” os habitantes em questão com a retirada do Rendimento Social de Inserção. “Pagam dois e três euros por mês de renda, mas todos têm telemóveis e carro. Passam todos os dias sem fazer nada, nos passeios sempre ocupados. Não sabem viver em sociedade, mas também ninguém os ensina. Usufruem dos direitos, mas esquecem-se que também têm deveres…”, afirmaram.

terça-feira, 4 de Agosto de 2009

JE | EDIÇÃO 218 | 22 DE JULHO DE 2009